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Análise de Filme - História do Brasil II - Manuella Pompeu Muniz - Ciências Sociais

De Wikiversidade

UNESP

Universidade Estadual Paulista

Campus de Marília

Faculdade de Filosofia e Ciências

Disciplina: História do Brasil II

Prof. Paulo Eduardo Teixeira

ANÁLISE DE FILME

Aluno/a: Manuella Pompeu Muniz

Ciências Sociais – 2025 – Turma Matutino (   ) Turma Noturno (×)

Título do Filme: Eternamente Pagú

Ano: 1988                  País: Brasil

Gênero: Drama biográfico histórico

Duração: 110 min.

Direção: Norma Benguell

Roteiro: Márcia de Almeida, Geraldo Carneiro

Fotografia: Antônio Luís Mendes

Trilha sonora: Turíbio Santos e Roberto Gnatelli

Elenco original: Carla Camurati, Nina de Pádua, Antônio Fagundes, Esther Góes,  

Produção: Jayme Del Cueto, Agostinho Janequine

Idioma original: Português

O filme conta uma história. Sobre quem?

O filme conta a história de Patrícia Rehder Galvão, mais conhecida como Pagu e auto descrita em uma das primeiras cenas do filme como “Rainha do Anhangabaú”. A artista modernista, que foi vanguarda provocativa do conservadorismo artístico da época com suas performances modernas, enigmáticas e sensuais do final da década de 20 e começo da de 30 no Brasil.  

No começo da década, inaugura em 1931, o jornal “O homem do povo” junto com Oswald de Andrade, seu esposo na época, ambos filiados ao Partido Comunista Brasileiro. Com uma linha editorial marxista e satírica á elite burguesa, o jornal acaba sendo, no mesmo ano, proibido de circular após brigas acaloradas com estudantes de direito que foram duramente criticados por Oswald e Pagu (que redigia semanalmente sua própria coluna “A mulher do povo”) em uma de suas edições, marcando sua relevância apesar de sua efemeridade.

No mesmo ano, Pagu é presa e torturada pela primeira vez pela polícia política de Vargas ao participar de uma greve de trabalhadores em Santos, a prisão foi a primeira dentre as mais de vinte vezes que foi presa em sua vida. Em 1935 é presa em Paris por suas atuações comunistas e é repatriada para o Brasil, em sua volta, Pagu volta a escrever e a provocar, levando ao período onde passa sua maior parte encarcerada, de 1935 até 1940.

A prisão e o tabagismo, incentivado inicialmente pelo próprio pai em sua adolescência, levam ao desenvolvimento de um câncer de pulmão aos 50 anos. Sem esperanças por não poder trabalhar com a arte e pela decepção com a doença, Pagu tenta suicídio, impedido por seu segundo esposo, Geraldo Ferraz, mas acaba morrendo dois anos depois em 1962.

Quais são as personagens principais?

Patrícia Rehder Galvão, a Pagu, interpretada por Carla Camurati, Sidéria, irmã de Pagu, interpretada por Nina de Pádua, Oswald de Andrade, interpretado por Antônio Fagundes, Tarsila do Amaral, interpretada por Esther Goés, Geraldo Ferraz, interpretado por Otávio Augusto, Elsie Huston, interpretada por Norma Benguell e Thiers Galvão, pai de Pagu, interpretado por Paulo Vilaça

Qual delas mereceu a sua atenção?

Pagu é sempre extremamente cativante e o filme não falha em fazer sua luta e sua arte parecerem tão importantes mesmo quase 40 anos depois de seu lançamento e quase um século desde seus primeiros trabalhos artísticos. Uma das mais influentes expoentes da luta comunista brasileira, Pagu segue a frente de seu tempo e irreverente como nunca.

Como termina o filme? O que você achou sobre ele e por quê?

O filme termina com um monólogo poético de Pagu logo após sua tentativa de suicídio, com uma visão “mole” como o alvo de biografia da obra, o final abraça a melancolia da falta da arte nos momentos finais de uma mulher essencialmente, dos pés a cabeça, artística, contrastando perfeitamente com o começo vibrante do filme.

Quais são os temas tratados no filme?

O filme trata desde o começo da carreira de Pagu como artista, às suas inúmeras prisões políticas, seus dois casamentos, especialmente o mais conhecido e polêmico com Oswald de Andrade, e sua relação com os ideais e as práxis comunistas, posteriormente de linha trotskista.

Em que cena compreendeu o tema de fundo do filme?

De fundo sempre está o compromisso de Pagu com a luta anti-capitalista, o prenúncio de uma aproximação ao tema aparece nas primeiras carícias de Pagu e Oswald, mas fica explícito sua atuação anti status-quo nas cenas do jornal marxista “O Homem do Povo” com a sua infame coluna crítica à Faculdade de Direito de São Paulo, e como confirmação do viés comunista de Pagu (não explicitada antes pela omissão do caráter marxista do jornal) a cena seguinte, que conta a história de sua primeira prisão pela polícia política de Vargas, em razão de sua participação em uma greve de trabalhadores.

Qual o problema ou questão que foi tratada mais demoradamente?

Em minha análise, o problema central do filme é exatamente o contrário da pergunta, tratando os assuntos de modo frenético e sem maior aprofundamento. Apesar de tratar questões pertinentes da vida de Pagu, as mesmas são pouco e rapidamente mencionadas. Pode-se dizer que a questão da atuação política de Pagu e suas consequências foram as mais exploradas, porém, o impacto delas acaba sendo minado por incessantes pulos temporais.

Os realizadores descreveram bem os protagonistas?

Os protagonistas são muito bem desenvolvidos e, especialmente Pagú e a relação com seu pai e irmã, são bem construídos e explicitam o cuidado do filme para retratar os protagonistas o mais fielmente possível.

Qual a cena ou sequência que mais chamou sua atenção ou lhe impactou? Por quê?

Servindo como uma primeira visão do futuro trágico dos vários encarceramentos de Pagú, a cena da greve de Santos onde ela presencia a morte de um camarada e logo após é presa e torturada, mostra a quão impiedosa pode ser um regime opressor e ditatorial. Porém, a resiliência de Pagú ao continuar lutando e defendendo os interesses do povo mesmo fora do país, mesmo que na ilegalidade, mostra a quão forte e única foi Patrícia.

Houve algo no filme que te aborreceu? Em que parte do filme? Eram cenas de diálogo ou de ação?

Apesar de terem poucos momentos aborrecedores, a crítica prévia da falta de um desenvolvimento maior das situações foi algo recorrente, podendo ser melhorado com a transformação do filme para uma série, a fim de explorar melhor cada momento tão profundo e importante na vida e luta de Pagú

Qual a cena/sequência que não foi bem compreendida por você? Por quê?

A cena do cinema, para mim, uma cena descartável, uma vez que tem uma captação de som subpar e um posicionamento no filme um pouco questionável

O que é proposto pelo filme é aceitável ou não? Por quê?

Não só aceitável como executado com maestria, apesar das críticas tecidas ao ritmo do filme, como uma biografia dramática o filme é deveras eficaz ao mostrar o modo impiedoso que Pagú foi destratada na ditatura de Vargas, e ao ressaltar acima de tudo sua luta e protagonismo nas denúncias das barbaries burguesas da época.

A quem se dirige, em sua opinião, o filme?  

O filme se direciona para os amantes da arte modernista de Pagú e da história dela e de sua época, como uma boa obra introdutória a vida de Pagú e à censura da era Vargas.

Relação com a disciplina de História do Brasil

Como falar da história do Brasil sem falar do modernismo das décadas de 20, 30 e 40. Provocadora e a frente do seu tempo, conhecer uma dasmaiores expoentes desse movimento acaba sendo essencial para o entendimento de uma época sombria e marcada por lutas progressistas e censuras duras para seus opositores, deixando explícito no filme a conjuntura da época.

Qual a contribuição do filme para sua compreensão da disciplina e do período estudado?

Como já discutido pela mestranda Camila Mina em sua aula sobre o feminismo, a óptica da vivência feminina no Brasil é muito pouco explorada, mais ainda quando falamos de figuras abertamente comunistas e anti feminismo liberal como Pagú, a importância de obras que exploram pessoas tão importantes em épocas tão duras é ímpar para a compreensão de qualquer disciplina que se propõe a estudar essas épocas.

Relacione as contribuições desse trabalho para sua formação.

Além de um fantástico repertório cultural, Eternamente Pagú captura a essência de uma boa obra biográfica sobre tal personalidade, como formação pessoal, profissional e acadêmica, assistir esse filme foi de tamanha contribuição a ponto de me questionar, como esse filme não é passado em lugares não acadêmicos?