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Análise de Filme 2025 - "Getúlio Vargas" - Kevin Regis- Noturno

De Wikiversidade

UNESP – UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA

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CÂMPUS DE MARÍLIA

Faculdade de Filosofia e Ciências

Disciplina: História do Brasil II

Prof. Paulo Eduardo Teixeira

ANÁLISE DE FILME

Aluno/a: Kevin Regis

Ciências Sociais – 2025 – Turma Matutino ( ) Turma Noturno

FICHA TÉCNICA


Título: Getúlio Vargas

Ano de lançamento: 1974

Direção: Ana Carolina

Roteiro: Ana Carolina

Produção: Embrafilme

País de origem: Brasil

Gênero: Documentário histórico

Duração: Aproximadamente 100 minutos (1 hora e 20 minutos)

Idioma: Português

Montagem: Ana Carolina

Pesquisa histórica: Ana Carolina

Fotografia: José Medeiros (material de arquivo e iconografia)

Trilha sonora: composições de época e gravações originais de discursos de Getúlio Vargas

DINÂMICA DA NARRATIVA


A) Ideia Inicial – História

1. O filme conta uma história. Sobre quem? O documentário é sobre Getúlio Vargas, figura central da política brasileira no século XX, a diretora Ana Carolina busca retratar sua trajetória política, desde a Revolução de 1930, passando pelo Estado Novo (1937–1945),consequentemente, até o seu suicídio em 1954.

2. Quais são as personagens principais? A figura principal é o próprio Getúlio Vargas, mas o filme também faz referência a personagens e acontecimentos históricos que marcaram seu governo: como os trabalhadores, o povo brasileiro (retratado em imagens de arquivo e vídeos ), e figuras da elite política da época, que aparecem indiretamente por meio de discursos e registros históricos durante o documentário.

3. Qual delas mereceu a sua atenção? A atenção maior se volta sobre o próprio Getúlio Vargas, não apenas como político, mas como símbolo principal de poder, um líder que se apresentava como “pai dos pobres”, mas que também concentrou poder e instaurou uma ditadura. Ana Carolina mostra essa contradição de forma crítica, fazendo o espectador refletir sobre o mito e o homem por trás dele.

4. Como termina o filme? O que você achou sobre ele e porquê? O filme termina com o suicídio de Getúlio Vargas em 1954, um dos momentos mais marcantes da história política do Brasil, no qual , a diretora encerra com um tom de reflexão e impacto, utilizando imagens de arquivo e o famoso trecho da Carta Testamento, que reforça a imagem de Vargas como herói nacional.

O documentário é forte e provocador, Achei interessante como Ana Carolina não faz uma simples homenagem (mesmo sendo uma dedicatória para a filha Alzira Vargas) , mas um olhar crítico sobre o poder e a manipulação da imagem política de Getúlio. A montagem com discursos, fotos e sons da época cria uma narrativa envolvente e reflexiva do cenário, é um filme que nos faz pensar em como o poder é construído e como figuras políticas podem ser transformadas em mitos algo que ainda é muito atual no Brasil atualmente.

B) Tema de Fundo – Tese

1.Quais são os temas tratados no filme? O documentário aborda temas como poder político, autoritarismo, mitificação de líderes, manipulação da imagem pública e a relação entre o Estado e o povo brasileiro. Ana Carolina mostra como Getúlio Vargas se tornou uma figura contraditória: ao mesmo tempo em que foi visto como o “pai dos pobres”, também concentrou poder e impôs censura durante o Estado Novo. O filme reflete sobre como a história oficial é construída e como o discurso político pode moldar a memória coletiva do povo brasileiro.

2.Em que cena compreendeu o tema de fundo do filme? O tema de fundo fica mais evidente nas sequências que misturam imagens de multidões, propagandas varguistas e trechos de discursos, nesses momentos, é possível identificar a crítica da diretora à construção do mito em torno de Vargas, mostrando como ele utilizava símbolos, palavras e gestos para criar uma imagem de salvador nacional. Essa demonstração entre o político e o espetáculo deixa clara a intenção de discutir o uso do poder e da imagem na política brasileira.

3.Qual o problema ou questão que foi tratada mais demoradamente? A questão mais explorada é imagem passada de Getúlio Vargas: o governante popular e o ditador. Ana Carolina dedica boa parte do filme a mostrar essa perspectiva, evidenciando como o mesmo homem que criou leis trabalhistas e conquistou apoio popular também governou com forte repressão e centralização de poder. Essa contradição é o ponto mais debatido e o que dá profundidade à narrativa do documentário.

4.Os realizadores descreveram bem os protagonistas? Sim, mesmo com um formato documental e sem entrevistas diretas, Ana Carolina constrói um retrato expressivo e crítico de Vargas, através da montagem de imagens históricas e da escolha de discursos marcantes (como a posse de Getúlio ) , ela apresenta o personagem não como herói, mas como figura complexa, humana (como pessoa), política e simbólica ao mesmo tempo. A ausência de narração direta faz com que as imagens falem por si, reforçando a ênfase do cenário daquela época, enfatizando a reflexão do espectador.

C) Ritmo e Montagem – Edição

1.Qual a cena ou sequência que mais chamou sua atenção ou lhe impactou? Por quê? A sequência que mais chamou atenção foi a parte final, quando aparecem as imagens e áudios relacionados ao suicídio de Getúlio Vargas e à leitura de sua Carta Testamento. Essa parte é muito impactante porque mistura emoção e política, mostra o momento em que o líder transforma a própria morte em ato simbólico, reforçando sua imagem de Herói, a montagem intensa e o contraste entre as vozes, aplausos e o silêncio em seguida, criam uma sensação forte de encerramento e reflexão sobre o poder e a manipulação da história.

2.Houve algo no filme que te aborreceu? Em que parte do filme? Eram cenas de diálogo ou de ação? Sim, em alguns trechos o filme pode parecer lento ou repetitivo, especialmente nas partes em que há muitos discursos de Vargas intercalados com imagens de arquivo. Como não há ação nem diálogos entre personagens, o ritmo pode cansar um pouco, entretanto , isso faz parte da proposta da diretora, que aposta em um estilo mais crítico, pedindo que o espectador reflita em vez de apenas assistir passivamente.

3. Qual a cena/sequência que não foi bem compreendida por você? Por quê? Uma parte que pode causar certa confusão é a sequência em que as imagens históricas se sobrepõem a sons e discursos diferentes, sem explicação direta. É um recurso simbólico de montagem, usado por Ana Carolina na época (1974) para sugerir a contradição entre o que se dizia e o que se vivia no país naquele período. Quem não está acostumado a esse tipo de linguagem pode estranhar, pois o filme não segue uma narrativa linear nem explica cada evento de forma didática.

D) Mensagem

1.O que é proposto pelo filme é aceitável ou não? Por quê? Sim, o que é proposto pelo filme é aceitável e muito relevante. Ana Carolina propõe uma reflexão crítica sobre o poder político e sobre a construção da imagem de Getúlio Vargas, fugindo da visão tradicional que o coloca apenas como herói nacional. Ela mostra que Vargas foi um personagem complexo, um líder que conquistou o povo com políticas sociais, mas que também exerceu o poder de forma autoritária. Essa abordagem é válida porque nos faz pensar de forma mais profunda sobre a história do Brasil, questionando o modo como figuras políticas são transformadas em mitos. O documentário não tenta impor uma verdade, mas provocar o espectador a repensar o passado e o discurso político da época.

2.A quem se dirige, em sua opinião, o filme? O filme se dirige principalmente a quem quer compreender a história do Brasil de forma crítica, como estudantes, pesquisadores, professores e pessoas interessadas em política e história. Também fala ao público em geral, especialmente àqueles que cresceram ouvindo versões idealizadas sobre a construção da imagem de Vargas e sua era. Além disso, como foi feito durante o regime militar, o documentário também pode ser visto como um recado sutil à sociedade da época, estimulando a reflexão sobre o autoritarismo e a manipulação política, sem precisar confrontar diretamente o governo vigente (ditadura).

E) Relação com a disciplina de História do Brasil

1.Qual a contribuição do filme para sua compreensão da disciplina e do período estudado? O documentário Getúlio Vargas contribuiu bastante para compreender a complexidade política e social do Brasil durante a Era Vargas. Através das imagens e discursos de época, foi possível perceber como o governo de Vargas representou um marco na formação do Estado moderno brasileiro, combinando avanços sociais com práticas autoritárias. Dentro da disciplina de Ciências Sociais, o filme ajuda a entender temas como liderança política, populismo, manipulação de massas e construção simbólica do poder, mostrando que o carisma e o controle ideológico foram elementos fundamentais do varguismo. Ana Carolina, ao apresentar esse retrato crítico, amplia nossa visão sobre o funcionamento do poder e da relação entre o Estado e a sociedade

2. Relacione as contribuições desse trabalho para sua formação.

Esse trabalho contribuiu para minha formação ao estimular uma visão mais crítica e analítica sobre a história do Brasil e sobre o papel dos líderes políticos. O documentário não entrega respostas prontas, ele provoca o espectador a refletir, comparar e questionar o que aprendeu nos livros ou discursos oficiais. Além disso, a atividade reforça a importância de usar o cinema como fonte de conhecimento social, mostrando que as obras audiovisuais também são instrumentos de análise histórica e política. Pessoalmente, o filme me ajudou a compreender que entender o passado é essencial para interpretar o presente e perceber como certas práticas de poder e manipulação simbólica continuam existindo na política atual.