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Análise de Filme 2025 - "Olga" - João Gabriel de Castro Pereira - Noturno

De Wikiversidade

UNESP – UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA

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CÂMPUS DE MARÍLIA

Faculdade de Filosofia e Ciências

Disciplina: História do Brasil II

Prof. Paulo Eduardo Teixeira

ANÁLISE DE FILME

Aluno/a: João Gabriel de Castro Pereira

Ciências Sociais – 2025 – Turma Matutino ( ) Turma Noturno (X)

FICHA TÉCNICA

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Título do Filme: Olga

Ano: 2004         

País: Brasil

Gênero: Biografia, drama, histórico e político

Duração:141min

Direção: Jayme Monjardim

Roteiro: Rita Buzzar

Fotografia: Ricardo Della Rosa

Trilha sonora: Marcus Viana

Elenco original: Camila Morgado (Olga), Caco Ciocler (Luis Carlos Prestes), Fernanda Montenegro (Leocádia Prestes), Osmar Prado (Getúlio Vargas).

Produção: Rita Buzzar

Idioma original: Português, alemão.

DINÂMICA DA NARRATIVA

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A) Ideia Inicial – História

  1. O filme conta uma história. Sobre quem? O filme conta a história de Olga Benário Prestes, militante comunista alemã de origem judaica que veio ao Brasil ao lado de Luís Carlos Prestes, líder da Intentona Comunista de 1935. A narrativa acompanha sua trajetória desde a juventude na Alemanha, passando por sua militância política, até sua prisão e deportação para a Alemanha nazista.
  2. Quais são as personagens principais? As personagens principais são Olga Benário, Luís Carlos Prestes, Leocádia Prestes, Getúlio Vargas, e militantes do Partido Comunista.
  3. Qual delas mereceu a sua atenção? De certa forma todas as personagens merecem atenção dada a sua importância histórica e narrativa, porém, a personagem de Olga chamou mais atenção por sua força, determinação e pela coerência com os próprios ideais. Ela é retratada como uma mulher que enfrentou as estruturas do poder e os preconceitos de gênero, mantendo firmeza mesmo diante da perseguição e da morte.
  4. Como termina o filme? O que você achou sobre ele e porquê? O filme termina com a deportação de Olga para a Alemanha nazista, mesmo estando grávida, e sua posterior execução em um campo de concentração. O final é trágico e simbólico, pois mostra como as decisões políticas autoritárias têm consequências diretas na vida humana. O desfecho emociona e, ao mesmo tempo, provoca reflexão sobre as injustiças históricas e a coragem de quem se manteve fiel a seus princípios, mesmo diante de todas intercorrências.

B) Tema de Fundo – Tese

  1. Quais são os temas tratados no filme? O filme aborda temas como repressão política, autoritarismo, resistência, ideologia comunista, violência do Estado e o papel da mulher na luta política. Ele também traz uma reflexão sobre os limites da lealdade, da liberdade e da fé em um ideal.
  2. Em que cena compreendeu o tema de fundo do filme? A cena em que Olga é separada de Prestes e entregue às autoridades nazistas é a que melhor representa o tema central. Nela, fica evidente a aliança entre regimes autoritários e a desumanização provocada pela política de perseguição, nos fazendo entender melhor a relação internacional entre os regimes autoritários, a relação do Brasil na Era Vargas com a Alemanha Nazista, por exemplo.
  3. Qual o problema ou questão que foi tratada mais demoradamente? A questão mais trabalhada ao longo do filme é a perseguição ao movimento comunista durante o governo Vargas e as consequências dessa repressão. A narrativa mostra como o medo do comunismo serviu como justificativa para a violência de Estado e para a supressão das liberdades individuais. Por exemplo, durante o fim do filme, já no campo de concentração, Olga encontra outra militante do partido comunista, e ambas são chamadas de “porcas comunistas” pela guarda nazista do campo.
  4. Os realizadores descreveram bem os protagonistas? Sim, os protagonistas foram descritos de forma sensível e convincente. Olga é retratada com profundidade e humanidade, sem ser idealizada, e Prestes aparece como um homem dividido entre o amor e o compromisso com a política. Essa caracterização torna a história mais real e próxima do espectador, além da ótima ambientação do Rio de Janeiro de 1930 e da Alemanha Nazista.

C) Ritmo e Montagem – Edição

  1. Qual a cena ou sequência que mais chamou sua atenção ou lhe impactou? Por quê? A sequência mais impactante é a da separação de Olga da sua própria filha, ainda bebê no campo de concentração. Após a separação a bebê é entregue à Dona Leocádia Prestes (Fernanda Montenegro), que de certa forma causa um pequeno alívio para o telespectador, porém, imaginando Olga sem saber para onde a filha foi levada, desfaz essa sensação de alívio quase que imediatamente, pois, sabemos que somente tempos depois Olga soube do paradeiro da filha, e após a separação, a angústia e tristeza dominou a personagem. Essa cena sintetiza toda a violência e a perda de humanidade provocadas pelo regime nazista. O impacto não é apenas emocional, mas histórico, pois mostra a dimensão concreta do autoritarismo sobre a vida das pessoas.
  2. Houve algo no filme que te aborreceu? Em que parte do filme? Eram cenas de diálogo ou de ação? Algumas partes iniciais do filme, que tratam da juventude de Olga e de sua atuação política na Alemanha, são um pouco lentas e marcadas por longos diálogos explicativos/expositivos. Apesar disso, entendemos que essas cenas são importantes para contextualizar a militância da protagonista e preparar o espectador para os acontecimentos seguintes ao longo do longa.
  3. Qual a cena/sequência que não foi bem compreendida por você? Por quê? A parte que mostra a articulação internacional do Partido Comunista e a viagem de Olga ao Brasil pode causar certa confusão, principalmente por falta de informações históricas detalhadas sobre o contexto político europeu.

D) Mensagem

  1. O que é proposto pelo filme é aceitável ou não? Por quê? A proposta do filme é totalmente aceitável. Ele apresenta uma reflexão sobre coragem, idealismo e resistência, mostrando como pessoas comuns podem se tornar símbolos de luta diante da injustiça. A mensagem é forte e atual, pois convida o espectador a pensar sobre os limites da obediência e o valor da liberdade, ao pensarmos que durante o período que o filme retrata, a liberdade não era garantida após a expressão, e vemos após o fim da caça ao Luís Carlos Prestes.
  2. A quem se dirige, em sua opinião, o filme? O filme se dirige tanto ao público em geral quanto a estudantes e pesquisadores interessados em História, Política e Direitos Humanos. É uma obra que pode ser utilizada como instrumento educativo, por retratar de forma acessível e sensível um período importante da história brasileira. Ferramenta importância para o entendimento do período histórico fora dos métodos clássicos de ensino.

E) Relação com a disciplina de História do Brasil

  1. Qual a contribuição do filme para sua compreensão da disciplina e do período estudado? O filme contribui para compreender o contexto político da Era Vargas, marcado pelo medo do comunismo e pela repressão estatal. Ele ajuda a visualizar o funcionamento das estruturas de poder e o impacto das decisões políticas autoritárias na vida cotidiana. Além disso, aproxima o espectador da dimensão humana dos acontecimentos históricos, algo que nem sempre é visível nos textos acadêmicos, e isso só é possível por se tratar justamente de um filme, que representa os fatos históricos de maneira gráfica, nos dando uma outra dimensão de entendimento sobre o assunto abordado.
  2. Relacione as contribuições desse trabalho para sua formação. O filme amplia a compreensão sobre o contexto político da década de 1930 no Brasil e sobre as dinâmicas de poder existentes tanto dentro quanto entre os regimes autoritários, aprofundando também o entendimento acerca de ideologia e resistência, temas centrais nas Ciências Sociais. A análise permite refletir sobre a permanência de práticas autoritárias na história brasileira e sobre o papel do indivíduo na transformação social. Assim, o trabalho não apenas complementa o estudo histórico, mas também contribui para uma formação crítica e consciente do estudante de Ciências Sociais. A história de Olga Benário é um lembrete da violência que o Estado é capaz de produzir sobre um sujeito, revelando, de forma visceral nas cenas mais impactantes do filme e, ao mesmo tempo, de modo sensível, como o poder estatal se sustenta na violência institucionalizada, utilizando o medo e a repressão como instrumentos de controle social.