Análise de Texto: "O Governo João Goulart e o Golpe de 1964: Memória, História e Historiografia" - Caio Ribeiro
UNESP - UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA
Campus Marília
Faculdade de Filosofia e Ciências
Disciplina: História do Brasil II
Prof. Paulo Eduardo Teixeira
ANÁLISE DE TEXTO
Aluno: Caio Ribeiro
Período: Noturno
Obra/texto: O Governo João Goulart e o golpe de 1964: memória, história e historiografia.
Autor(a): Lucilia de Almeida Neves Delgado
Edição: Revista do Departamento de História da UFF, v.28
Ano de publicação: 2010
1. Identificação do Autor(a), ou seja, qual a formação do autor, sua trajetória acadêmica e atuação política:
Lucilia de Almeida Neves Delgado possui Graduação em História pela Universidade Federal de Juiz de Fora (1974), Mestrado em Ciência Política pela Universidade Federal de Minas Gerais (1979) e Doutorado em Ciências Humanas/Ciência Política pela Universidade de São Paulo (1989). Foi Professora da UFMG de 1978 a 1996 Na UFMG também foi Pró-Reitora de Graduação no período de 1993 a 1996. Foi Professora Titular da PUC Minas de 1986 a 2010 e Professora da UnB de 2010 a 2013. Atua nas áreas de: História do Brasil Republicano, Teoria Política, Metodologia da História e Metodologia das Ciências Sociais.
2. Temáticas analisadas ou problematizações destacadas pelo texto do autor:
O artigo tem como problematizações a relação entre memória, história e esquecimento, diante das disputas de narrativas sobre o golpe de 1964, juntamente com desqualificação e o esquecimento da imagem do ex-presidente João Goulart na memória coletiva.
3. Momento histórico que foi produzido o texto (o lugar do discurso) do autor:
O artigo foi produzido em um contexto de redemocratização consolidada, mais de quatro décadas após o golpe de 1964. Além disso, em 2006, se completavam 30 anos do assassinato do ex-presidente João Goulart, que estava exilado na Argentina. É um período marcado por uma revisão crítica da ditadura militar e pelo crescimento de estudos sobre memória e direitos humanos no Brasil, sobretudo com criação da Comissão de Anistia em 2002, Lei nº 10.559/2002.
4. Temporalidades/Sujeitos Abordados/Relação Passado-Presente:
A autora ao analisar como diferentes épocas geraram interpretações distintas sobre João Goulart e o golpe de 1964. Cada geração de historiadores planejaram visões próprias, influenciadas pelo contexto político e acadêmico de seu tempo. Os assuntos envolvidos são Jango, os movimentos sociais, os setores conservadores, os militares e os pesquisadores que reinterpretaram esses fatos ao longo dos anos. Lucilia mostra que o presente sempre influencia o modo como o passado é contado e destaca que, nas últimas décadas, novas pesquisas vêm lançando novas luzes sobre esse período da história brasileira.
5. Perspectiva de História expressa pelo texto:
A autora adota uma perspectiva crítica e dialética da História, entendendo-a como campo de disputa de memórias e interpretações. Defender que a História e a Memória são processos seletivos e politicamente construídos. Sua visão valoriza o tempo histórico como construção social e propõe uma leitura não linear, que articula estruturas de longa duração com acontecimentos conjunturais.
6. Metodologia utilizada pelo autor(a):
Metodologia de revisão historiográfica e análise crítica da produção acadêmica; e o confronto de correntes teóricas e interpretações produzidas sobre o governo Goulart e o golpe de 1964.
7. Tipo de pesquisa realizada – bibliográfica, documental, estatística, descritiva, etc... (ver notas explicativas):
É uma pesquisa bibliográfica e historiográfica, com caráter analítico-descritivo. O autor examina as interpretações anteriores, classifica tendências historiográficas (estruturalistas, preventivas, conspiratórias e conjunturais) e discute as novas abordagens surgidas com o acesso a novas fontes e documentos.
8. Apreciação crítica sobre o texto:
A obra de Lucilia é muito importante para reunir e comparar diferentes interpretações sobre João Goulart e o golpe de 1964. A autora mostra que cada época produziu visões distintas, influenciadas pelo contexto político e acadêmico. Destaca o apagamento da figura de Jango na memória nacional e propõe uma reavaliação de sua trajetória. O texto evidencia que a escrita da história é resultado de disputas de memória e que novas pesquisas podem renovar o olhar sobre esse período.
Data: 05/10/2025