Análise de artigo “Historiografia da censura à imprensa brasileira: tradição, permanência e particularidades” – Rodrigo Lopes Viudes
Curso de Ciências Sociais
Disciplina: História do Brasil II
[editar | editar código]Responsável: Prof. Dr. Paulo Eduardo Teixeira
________ROTEIRO PARA ANÁLISE DE TEXTO______
[editar | editar código]ALUNO: Rodrigo Lopes Viudes
OBRA/TEXTO: Historiografia da censura à imprensa brasileira: tradição, permanência e particularidades
AUTORES: Guilherme Carvalho e João Figueira
EDIÇÃO: única [artigo]
ANO DE PUBLICAÇÃO: 2022
ANÁLISE DO TEXTO
[editar | editar código]1. Identificação do Autor(a), ou seja, qual a formação do autor, sua trajetória acadêmica e atuação política:
O artigo analisado é assinado pelos autores Guilherme Carvalho e João Figueira. Foi publicado em 13 de maio de 2022 na revista Tempo, periódico do Departamento de História da Universidade Federal Fluminense (UFF).
Guilherme Carvalho é jornalista formado e pós-doutor pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (PR), mestre em Sociologia pela Universidade Federal do Paraná e doutor pela Universidade Estadual Paulista (Unesp).
Ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas do Paraná entre 2012 e 2015, atua como coordenador e professor do curso no Centro Universitário Uninter e é diretor de Comunicação da Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo (Abej).
João Figueira é português licenciado e mestre Jornalismo e doutor em Ciências pela Universidade de Coimbra. Atuou na redação do Diário de Notícias, pelo qual foi editor-adjunto e foi premiado pelo Clube Português de Imprensa.
Figueira é diretor e professor do mestrado em Jornalismo e Comunicação da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. É autor de vários livros e artigos sobre comunicação e jornalismo.
Ao acessos às informações sobre os autores foram extraídas da rede social LinkedIn (Guilherme Carvalho) e da plataforma Ciência Vitae (João Figueira), acessadas em 6 de setembro de 2025. Ambos os autores nunca se candidataram a cargos públicos elegíveis pelo voto popular.
2. Temáticas analisadas ou problematizações destacadas pelo texto do autor:
Carvalho e Figueira tratam sobre aspectos históricos da censura imposta à imprensa brasileira desde os tempos coloniais com acurado propósito de apurar causas e adaptações da prática até os dias atuais.
Neste propósito, alcançam reflexões bibliográficas pertinentes do outro lado do Atlântico, nas análises lusitanas, tais como naus teóricas a desbravar o tema, fincando suas conclusões para ambas as terras além mar.
3. Momento histórico que foi produzido o texto (o lugar do discurso) do autor:
O artigo emerge das reflexões da pesquisa de pós-doutorado denominada ‘Jornalismo alternativo ou alternativas ao Jornalismo? Uma crítica ao culturalismo’, datada de julho de 2019.
No entanto, ainda que jornalistas a satisfazerem suas narrativas pela proximidade ao tema, aos fatos e aos atores citados, revestem-se do ofício próprio dos historiadores, depurando fragmentos do passado reportados no curso do tempo.
4. Temporalidades/Sujeitos Abordados/Relação Passado-Presente:
Como fora respondido na questão ‘2’, no que se refere à temporalidade do artigo em análise, os autores abordam o tema em seu recorte temporal dos dias de colônia imperial aos atuais. Agora, no entanto, precisaremos essa régua cronológica.
No texto, os autores especificam três diferentes momentos: o período chamado de ‘pré-jornalístico’ (no Brasil Colônia e adentro na República); o ‘profissional’, entre o fim do século XIX aos anos 1950; e desde então aos dias atuais.
Os sujeitos abordados são, a priori, a censura na imprensa brasileira, citados os estados, regimes, governos, empresários do mercado da comunicação, impressos, fatos históricos e aspectos socioeconômicos que a orbitaram da gênese à atualidade do jornalismo no país.
5. Perspectiva de História expressa pelo texto:
A perspectiva histórica está na análise da censura à imprensa – seja à brasileira ou à portuguesa, embora detenha sua análise principalmente à primeira – como um fenômeno recorrente no jornalismo.
Os autores vasculham a argumentação bibliográfica para ancorar os aspectos políticos e econômicos e suas conjunturas em diferentes momentos da história do país, acomodando precisa análise temporal.
Desse modo, assentam o entendimento de que a história construída a partir dos documentos pesquisados e suas conjunturas devem ser lido à luz de suas interpretações e conjunturas de suas respectivas épocas.
6. Metodologia utilizada pelo autor(a):
Os autores recorrem ao método historiográfico, em que reconheceram limitações à pesquisa em decorrência da necessidade de reconstrução de sentidos acerca de fatos publicados, seus generalismos e cronologias lineares.
Eles apontam ainda o reconhecimento científico tardio da pesquisa historiográfica do jornalismo no Brasil em decorrência, ao menos em parte, do controle a que a imprensa é submetida no país “desde sempre”.
7. Tipo de pesquisa realizada – bibliográfica, documental, estatística, descritiva, etc... (ver notas explicativas):
A produção do artigo é lastreada pelas interposições autorais de mais quatro dezenas de publicações – obras impressas, majoritariamente, além de artigos disponíveis em endereços digitais – de origem brasileira e portuguesa.
Nas notas explicativas, são citadas fontes digitais, trecho original de livro em inglês, breves relatos sobre órgãos estatais e personalidades, indicações de leitura e outras explicações.
É imprescindível a leitura destes acréscimos de rodapé para melhor entendimento sobre alguns dos fatos e assuntos abordados pelos autores, de modo a contribuir com as leituras mais apressadas.
8. Apreciação crítica sobre o texto:
Nos tempos atuais, em que a imprensa debruça sobre seus dilemas existenciais mais urgentes – a saturação dos modelos de gestão, os ataques ideológicos a empresas e profissionais e a crise de relevância na circulação de informação – a leitura do artigo é indispensável para entender como a comunicação no Brasil chegou até aqui.
Os autores, além de proeminentes acadêmicos, conferem maior profundidade às questões desenvolvidas – em particular, a censura – porque detentores do currículo da vivência diária, por décadas, nas redações, contados entre os jornalistas e práticos das teorias por ambos apresentadas.
Colega de profissão, ainda em ofício, agora em portais de notícias de Marília (SP) e região, compartilho das mesmas reflexões históricas acerca da censura – e, sobretudo, da autocensura, de que tratarei em análise apartada da aula ministrada pela pesquisadora acadêmica da FFC/Unesp, Camila Prado Mina.
Data: 06/09/2025