Análise de texto: "O Governo João Goulart e o golpe de 1964: memória, história e historiografia" - Marcos Simon Nogueira
Curso de Ciências Sociais
Disciplina: História do Brasil II
Responsável: Prof. Dr. Paulo Eduardo Teixeira
ALUNO: Marcos Simon Nogueira
OBRA/TEXTO: O Governo João Goulart e o golpe de 1964: memória, história e historiografia
AUTOR(A): Lucília de Almeida Neves Delgado
ANO DE PUBLICAÇÃO: 2010
ANÁLISE DO TEXTO
1. Identificação do Autor(a)
Lucilia de Almeida Neves Delgado é uma historiadora brasileira de destaque, professora titular da PUC Minas e da UFMG, além de pesquisadora sênior da UnB. Com ampla trajetória acadêmica, seus estudos concentram-se na História do Brasil Republicano, nas relações entre memória e temporalidades e na produção historiográfica sobre o século XX.
2. Temáticas analisadas ou problematizações destacadas pelo texto do autor:
Lucília discute a relação entre memória, história e esquecimento, evidenciando como a figura de João Goulart foi progressivamente deslocada para as margens da memória nacional. Ela mostra que o silenciamento sobre Goulart foi um processo político e cultural deliberado, consolidado principalmente durante o regime militar, que utilizou mecanismos de censura, controle da imprensa e construção de narrativas oficiais para deslegitimar sua imagem pública.
3. Momento histórico que foi produzido o texto (o lugar do discurso) do autor:
O Brasil vivia um período de relativa estabilidade política e crescimento econômico (apesar dos efeitos da crise de 2008 dos EUA). O país estava sob o segundo mandato do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com um aumento de programas sociais, além do aumento do consumo interno e valorização internacional devido ao boom das commodities.
4. Temporalidades/Sujeitos Abordados/Relação Passado-Presente:
O texto aborda múltiplas temporalidades, articulando o tempo histórico do governo João Goulart (1961-1964) e do golpe de 1964 com o tempo da produção historiográfica e da memória coletiva. A autora explora tanto o contexto imediato do período analisado (tempo curto) quanto às estruturas de longa duração que influenciaram os acontecimentos, como o subdesenvolvimento econômico, a industrialização tardia e os conflitos sociais.
Lucília estabelece uma relação dialética entre passado e presente, destacando como a memória e a historiografia sobre o governo Goulart e o golpe de 1964 foram moldadas por interesses políticos e sociais ao longo do tempo. O texto problematiza o silenciamento e o esquecimento promovidos durante o regime militar e suas consequências na memória coletiva nacional.
5. Perspectiva de História expressa pelo texto:
A perspectiva de História adotada por Lucília é crítica e plural. Ela busca articular dimensões estruturais e conjunturais para compreender os acontecimentos de 1964, evitando interpretações deterministas ou reducionistas. A autora valoriza o papel ativo da historiografia na construção da memória coletiva e ressalta que toda interpretação está enraizada em um contexto histórico específico. Assim, defende que apenas o diálogo entre diferentes enfoques pode dar conta da complexidade do golpe e das disputas que se travaram em torno de sua interpretação.
6. Metodologia utilizada pelo autor(a):
A metodologia utilizada é de caráter historiográfico e bibliográfico. Lucília analisa comparativamente um conjunto extenso de autores e obras, tanto clássicas quanto contemporâneas, identificando tendências teóricas e metodológicas, contextualizando interpretações e construindo um panorama crítico sobre o tema.
7. Tipo de pesquisa realizada:
A pesquisa é essencialmente bibliográfica e historiográfica, baseada em textos acadêmicos, balanços críticos e fontes secundárias. A autora utiliza obras fundamentais da historiografia brasileira sobre o período, articulando-as para oferecer uma visão abrangente e contextualizada da produção intelectual a respeito de João Goulart e do golpe.
8. Apreciação crítica sobre o texto:
O artigo apresenta um panorama sólido e bem estruturado das principais linhas interpretativas sobre o governo Goulart e o golpe de 1964. A discussão sobre memória e esquecimento é particularmente relevante, ao mostrar que o silenciamento em torno de Goulart não foi casual, mas resultado de estratégias políticas e culturais de longa duração. Ao recuperar e sistematizar esse percurso historiográfico, Delgado ilumina tanto o passado do período pré-1964 quanto os modos pelos quais ele foi narrado e disputado nas décadas seguintes.
Data: 06/10/2025