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Análise de texto: "Oh! Gegê! vem nos salvar”: propaganda política popular (1945-1953) - Danilo Carpi Colombo

De Wikiversidade

OBRA/TEXTO: “Oh! Gegê! vem nos salvar”: propaganda política popular (1945-1953).

AUTOR (A): Jefferson José Queler.

EDIÇÃO: Revista Tempo, Vol. 21 n. 38.

ANO DE PUBLICAÇÃO: 2015.

Sobre o autor

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Graduado em História pela Universidade de São Paulo (2001), licenciatura em História pela Universidade de São Paulo (2004), mestrado em História pela Universidade Estadual de Campinas (2004) e doutorado em História pela Universidade Estadual de Campinas (2008). Atua como professor associado da Universidade Federal de Ouro Preto com experiência em História, com foco em política, imprensa, História do Brasil República e História Contemporânea.

Análise do texto

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O autor problematiza sobre a idéia da propaganda ser feita apenas como instrumento de manipulação, seja pelo governo, partidos ou por instrumentos da classe dominante em geral, visto que camadas da classe trabalhadora, especialmente as mais pobres, fizeram campanha política para Vargas.

O texto busca demonstrar essas atitudes políticas como independentes e espontâneas, ao reivindicar a volta democrática de Vargas, defendendo interesses políticos próprios fora dos canais institucionais.

Esses espaços criativos, que compõem uma esfera pública subalterna, que não são vinculados a nenhum órgão produtor de propaganda são capazes de disseminar opiniões políticas, advindas das demandas da classe trabalhadora, criadas a partir de suas necessidades.

Conclusão

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Mesmo que desvinculados dos criadores de propagandas e campanhas políticas institucionalizadas, os interesses ali representados apesar de expressarem de fato suas necessidades, acabam se tornando simbólicos, visto que as próprias idéias de propagandear a imagem de Vargas como messiânica e que iria atender a essas necessidades já havia sido criada previamente pelas propagandas institucionalizadas, e o apego a essa ideologia se torna a base da criação dessas campanhas populares que o defendiam.

Isso não desmerece o fato delas estarem lutando pelos seus interesses de uma forma politizada e organizada, apenas expressa o mascaramento das relações de poder, dos caminhos pelos quais essas necessidades de classe poderiam ser de fato atendidas.

Essa consciência política vem junto de uma falsa consciência e de uma ilusão ideológica, há uma lealdade emocional em uma figura que foi construída às custas da própria classe trabalhadora, que torna a luta pelos seus direitos em uma luta em prol dessa figura que supostamente as representa através de promessas.

Essa ideologia coopta as expectativas de uma classe que necessita urgentemente de ter seus interesses atendidos, e que se apega esperançosamente a qualquer sinal de perspectiva de mudanças a seu favor.

Contraditoriamente a ação política existe ali por parte do povo, e não existe por estar atrelada a um “mito”, um símbolo de salvação, que é por sua vez despolitizante.