Análise de texto "Historiografia da censura à imprensa brasileira: tradição, permanência e particularidades." - Sofia Marcondes
ALUNA(O): Sofia Marcondes
OBRA/TEXTO: Historiografia da censura à imprensa brasileira:
tradição, permanência e particularidades.
AUTOR(A): Guilherme Carvalho e João Figueira
EDIÇÃO: Tempo, Niterói, vol. 28, n 3
ANO DE PUBLICAÇÃO: 3, set./dez.
2022,
ANÁLISE DO TEXTO
1. Identificação do Autor(a), ou seja, qual a formação do autor, sua trajetória acadêmica e atuação política:
Guilherme Carvalho: graduação em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Estadual de Ponta Grossa; pós-graduação lato sensu em Comunicação, Cultura e Arte pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná; mestrado em Sociologia pela Universidade Federal do Paraná; Doutorado pela UNESP (Universidade Estadual Paulista) e pós-doutorado em Jornalismo pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, com estágio na Universidade de Coimbra.
É professor e coordenador do curso de Jornalismo do Centro Universitário Internacional Uninter, professor do mestrado em Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), além de atuar no ensino de Jornalismo em outros níveis. Sua atuação política se expressa em sua antiga presidência no Sindicato dos Jornalistas do Paraná entre 2012-2015 e participar de organizações acadêmicas de Jornalismo, como a ABEJ (Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo), inclusive como diretor de Comunicação.
João Figueira, doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade de Coimbra; atua como professor auxiliar (auxiliar professor) na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, no Departamento de Filosofia, Comunicação e Informação e é investigador integrado no Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS20), ligado à Universidade de Coimbra.
João Figueira não tem atuação política partidária explícita, seu papel é mais acadêmico, de análise, pesquisa, crítica e ensino, bem como participação em organizações sociais ou associações relacionadas ao jornalismo e comunicação. Por exemplo, ele participa de equipes de investigação que envolvem temas políticos (populismo, democracia, jornalismo), mas não configura necessariamente uma atuação política institucional.
2. Temáticas analisadas ou problematizações destacadas pelo texto do autor:O texto analisa e problematiza as seguintes temáticas:
O texto aborda diferentes problemáticas relacionadas à censura e ao jornalismo no Brasil, oferecendo um tipo de análise crítica e historiográfica que conecta o passado ao presente. O texto enfatiza que a censura não é um fenômeno pontual, exclusivo de determinados períodos históricos, mas sim uma forma constante que acompanha a imprensa brasileira desde o período colonial. Essa permanência é analisada no texto como resultado de fatores históricos, culturais e políticos que se adaptam às conjunturas de cada época. Uma das principais problematizações é a relação de dependência e controle entre a imprensa e os governos. O texto explora como, ao longo da história, diferentes regimes políticos utilizaram estratégias de repressão, financiamento seletivo e manipulação para moldar a narrativa pública e limitar a liberdade jornalística.
A análise também se volta ao período colonial, destacando a influência da Coroa portuguesa e da Igreja Católica na imposição de censura e controle sobre publicações. Essa herança histórica é trazida como um elemento estruturante que moldou a relação da imprensa brasileira com o autoritarismo e a repressão. Assim, problematizando os fatores que tornam a imprensa brasileira vulnerável ao controle, como a dependência econômica de recursos públicos, o alinhamento político de veículos de comunicação e a prática de autocensura. Essa fragilidade é apresentada como um obstáculo à autonomia e à relevância social do jornalismo, destacando a transição da imprensa política para a imprensa-empresa, com destaque para os desafios enfrentados em diferentes períodos históricos. Dessa forma, abordando desde o surgimento da imprensa no Brasil até a profissionalização do jornalismo no século XX, passando pelos momentos de repressão, como o regime militar, e períodos de maior liberdade, como a redemocratização e o impacto da censura na credibilidade dos jornalistas.
3. Momento histórico que foi produzido o texto (o lugar do discurso) do autor:
O texto foi produzido em um contexto atual, com base em uma pesquisa pós-doutoral publicada em 2022, incluindo em sua análise, o governo de Jair Bolsonaro, momento em que o texto foi produzido. O lugar do discurso do autor está inserido no ambiente acadêmico, com foco na historiografia do jornalismo e na análise crítica sobre o tema.
4.Temporalidades/Sujeitos Abordados/Relação Passado-Presente:
O texto cobre um amplo espectro histórico, desde o período colonial brasileiro até os dias atuais. Dividido em: Período Pré-Jornalístico: Brasil Colônia e República; Jornalismo Profissional: Final do século XIX até os anos 1950 e Diversificação da Oferta Jornalística: Da metade do século XX até o presente. Assim, estabelecendo uma conexão direta entre o passado e o presente, os autores mostram como traços históricos e culturais continuam a moldar as práticas jornalísticas e as estratégias de censura no Brasil. Destaca-se o cenário atual com suas estratégias contemporâneas de controle, como desinformação, judicialização e ataques virtuais, especialmente no governo Bolsonaro.
5. Perspectiva de História expressa pelo texto:
A perspectiva de história expressa pelo texto é historiográfica e crítica, com foco na análise das relações entre imprensa, censura e poder político ao longo do tempo. O texto adota uma abordagem que busca compreender o jornalismo brasileiro como um campo marcado por permanências e adaptações históricas, considerando a história como um processo contínuo, assim como um instrumento de análise do presente, sem contar a construção crítica da história ao longo dos anos. Dessa forma, os autores não buscam apenas registrar eventos históricos, mas também interpretar os fatores estruturais e conjunturais que moldaram o jornalismo brasileiro.
6. Metodologia utilizada pelo autor(a):
A metodologia utilizada pelos autores se baseia em uma revisão bibliográfica de obras brasileiras e portuguesas sobre a história da imprensa e do jornalismo. Os autores também utilizam na construção de seu texto, comparações bibliográficas, divisões temporais e foco em conjunturas para analisar os eventos históricos considerando as especificidades que influenciaram as práticas de censura e o desenvolvimento do jornalismo, destacando as particularidades do jornalismo no país.
7. Tipo de pesquisa realizada – bibliográfica, documental, estatística, descritiva, etc... (ver notas explicativas):
A pesquisa realizada é bibliográfica e historiográfica, com base na análise de obras acadêmicas e fontes secundárias sobre a história da imprensa e do jornalismo tanto brasileiro, quanto português. Os autores utilizam estudos anteriores, livros, artigos e relatórios para a montagem de sua análise.
8. Apreciação crítica sobre o texto:
Ao fazer a leitura do texto é possível perceber sua análise aprofundada e bem fundamentada sobre a censura à imprensa no Brasil, trazendo de forma exposta as relações entre o jornalismo e o poder político ao longo da história. A pesquisa é rica em detalhes e bem estruturada, o que ajuda na hora da leitura. Entretanto, os autores utilizam uma linguagem acadêmica densa, o que pode dificultar a compreensão para leitores não especializados. Para além disso, é feita uma ampla utilização de fontes brasileiras e portuguesas, o que permite uma visão comparativa entre os dois contextos. Não apenas descrevendo os eventos, mas também oferecendo uma reflexão crítica sobre as limitações do jornalismo, como a sua obediência a interesses políticos e econômicos. Desse modo, nos conduz ao contexto contemporâneo, cobrindo as práticas de censura e desinformação no governo Bolsonaro, nos fazendo entender a densidade do processo jornalístico em sua criação e desenvolvimento.
Data: 06/10/2025