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Análise de texto "Produções digitais nos 50 anos do Golpe de 1964: especiais Multimídias em sites jornalísticos brasileiros"- Gabrielle Beatriz Silva de Souza

De Wikiversidade

Responsável: Professor Dr. Paulo Eduardo Teixeira

ROTEIRO PARA ANÁLISE DE TEXTO

ALUNA(O): Gabrielle Beatriz Silva de Souza

OBRA/TEXTO: Produções digitais nos 50 anos do Golpe de 1964: especiais Multimídias em sites jornalísticos brasileiros

AUTOR(A): Allysson Viana Martins

EDIÇÃO: Revista Brasileira de Ciências da Comunicação, edição Volume 44, Número 1, correspondente ao período de janeiro a abril de 2021. ANO DE PUBLICAÇÃO: 2021

ANÁLISE DO TEXTO

1. Identificação do Autor(a)

O autor do artigo é Allysson Viana Martins, ele é professor de Jornalismo da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) e coordenador do MíDI – Grupo de Pesquisa em Mídias Digitais e Internet. Possui doutorado e mestrado em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com estágio doutoral no CNRS (França). É autor de livros e artigos sobre jornalismo, memória e mídias digitais, entre eles Jornalismo e Guerras de Memórias nos 50 anos do Golpe de 1964, além de estudos sobre transmídia e ciberespaço. Ele atua no campo crítico da comunicação, analisando a mídia como um agente histórico e como espaço de disputa de memórias.

2. Temáticas analisadas / problematizações destacadas

O estudo examina os especiais multimídia produzidos pela Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, G1 e Último Segundo/iG nos 50 anos do Golpe de 1964. A principal questão levantada é como a mídia digital participa da construção da memória histórica e coletiva sobre a ditadura militar. O texto mostra que essas narrativas não apenas relatam acontecimentos, mas também influenciam a forma como eles são lembrados, chegando a consolidar certas versões do passado na memória pública. O autor destaca ainda a contradição entre, de um lado, a crítica ao autoritarismo, e, de outro, a postura complacente de alguns veículos, o que revela o cenário de disputas conhecido como guerras de memória.

3. Momento histórico de produção (lugar do discurso)

O texto foi publicado em 2021, em um momento de forte polarização política e de retomada do debate sobre a ditadura militar, impulsionado pelos trabalhos da Comissão Nacional da Verdade (2012–2014). De um lado, setores conservadores buscavam minimizar os crimes do regime; de outro, a academia e os movimentos sociais defendiam a preservação de uma memória crítica sobre esse período. O autor se posiciona nesse debate de forma acadêmica e crítica, investigando como o jornalismo digital participa da mediação de memórias em meio às disputas ideológicas atuais.

4. Temporalidades / sujeitos abordados / relação passado-presente

O autor organiza sua análise em três momentos: o passado do golpe e da ditadura (1964–1985); o período da comemoração, com a produção dos especiais digitais em 2014; e o presente da pesquisa, em 2021, quando revisita essas narrativas. Os personagens centrais incluem militares, jornalistas, políticos, presidentes, vítimas da repressão e os próprios meios de comunicação. A conexão entre passado e presente aparece no modo como a mídia atual reinterpreta 1964, revelando que a memória continua sendo um terreno de disputas.

5. Perspectiva de História expressa

Para o autor a história deve ser vista como uma narrativa em constante disputa. Nesse sentido, a mídia não se limita a relatar acontecimentos, mas participa diretamente da produção da memória histórica. Essa visão questiona a ideia de neutralidade do jornalismo e da história, destacando a mídia como um espaço de memória e também como ferramenta de poder usada para legitimar certas interpretações do passado.

6. Metodologia utilizada

O autor utiliza a análise crítica de conteúdo, comparando as narrativas multimídia produzidas pelos diferentes veículos. Para isso, observa os textos, imagens e elementos interativos, destacando tanto as estratégias discursivas quanto os recursos tecnológicos e os posicionamentos ideológicos. A metodologia combina a análise direta dos especiais digitais com o uso de bibliografia especializada em jornalismo digital, memória e ditadura militar.

7. Tipo de pesquisa realizada

A pesquisa é de caráter bibliográfico e documental, com enfoque qualitativo e descritivo-analítico. Martins considera os especiais multimídia como documentos do presente que participam da formação da memória coletiva sobre a ditadura. Sua reflexão é sustentada por autores que discutem comunicação, memória e narrativa histórica.

8. Apreciação crítica sobre o texto

O artigo tem uma contribuição importante para quem se interessa pelas relações entre mídia e memória. Mostra que o jornalismo digital não é apenas um espaço de registro, mas atua de forma ativa na disputa por interpretações do passado. Entre os méritos do trabalho estão a comparação entre veículos com trajetórias diferentes e a análise das estratégias multimídia na construção de sentidos. A principal limitação está no fato de priorizar a produção das narrativas, sem avançar muito na análise da recepção pelo público. Ainda assim, o texto é valioso, pois revela como a memória do golpe e da ditadura segue em disputa e chama atenção para os perigos do uso político da mídia.


Data: 07/09/2025