Análise de texto 2025: "O feminismo brasileiro desde 1970: revisitando uma trajetória" - Maria Júlia Santos de Souza Almeida
Curso de Ciências Sociais
Disciplina: História do Brasil II
Responsável: Prof. Dr. Paulo Eduardo Teixeira
ROTEIRO PARA ANÁLISE DE TEXTO
ALUNA(O): Maria Júlia Santos de Souza Almeida
OBRA/TEXTO: O feminismo brasileiro desde os anos 1970: revisitando uma trajetória
AUTOR(A): Cynthia Andersen Sarti
EDIÇÃO: Revista Estudos Feministas, Florianópolis 12(2)
ANO DE PUBLICAÇÃO: 2004
ANÁLISE DO TEXTO
1. Identificação do Autor(a), ou seja, qual a formação do autor, sua trajetória acadêmica e atuação política:
Cynthia Andersen Sarti graduou-se em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo, é mestre e doutora em Antropologia Social. Trabalhou na Fundação Carlos Chagas durante os anos 1980, no campo temático dos estudos de gênero e família. Com essa experiência profissional e a pós-graduação, realizou sua tese de doutorado e se transformou no livro “A família como espelho: um estudo sobre a moral dos pobres”. Ingressou na Unifesp em 1994 como professora-visitante e efetivou-se como docente de antropologia em 1996, tendo o campo da saúde como seu objeto de reflexão antropológica. Em 2010, o Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais, coordenado por ela desde sua criação até 2015, novas possibilidades se apresentaram, e o problema do sofrimento associado à violência, antes trabalhado na perspectiva da saúde, passou a ser pensado com base na memória da ditadura militar brasileira.
Fonte: Cyntia Andersen Sarti. Ciência e Cientistas Brasileiros/as – Unifesp, [s.d.]. Disponível em: https://cienciaecientistas.unifesp.br/cientistas-unifesp/cyntia-andersen-sarti. Acesso em: 19 ago. 2025.
2. Temáticas analisadas ou problematizações destacadas pelo texto do autor:
A autora analisa a constituição do feminismo brasileiro e na “relação entre o contexto de autoritarismo político e a forma adquirida pelo feminismo no Brasil”, assim como discute seus impasses estruturais, destacando a dificuldade em se conceber um feminismo universal. Isso porque o “ser mulher” não trata de uma identidade única, visto que a condição feminina é atravessada por diferentes clivagens sociais e referências culturais, então as demandas das feministas de classe média se distinguem por exemplo das demandas de mulheres periféricas, assim como as vivências de mulheres negras não são acessadas pelas brancas e vice-versa. Além disso, a autora ressalta que redemocratização brasileira e o retorno das feministas exiladas durante o regime militar – agora tendo tido contato com a teoria feminista desenvolvida na Europa – foi responsável por consolidar o feminismo no país e abrir espaço para novas perspectivas e problematizações dentro do próprio movimento.
3. Momento histórico que foi produzido o texto (o lugar do discurso) do autor:
O artigo foi publicado na Revista Estudos Feministas em 2004, ano este que marcou os 40 anos desde o Golpe Militar de 1964, momento em que muitos pesquisadores se dedicaram a produções acadêmicas voltadas a esse período histórico.
4. Temporalidades/Sujeitos Abordados/Relação Passado-Presente:
O artigo aborda a trajetória do feminismo no Brasil desde os anos 1970 até o início dos anos 2000, destacando como diferentes contextos políticos, sociais e culturais moldaram o movimento. Os sujeitos centrais são as mulheres militantes da resistência à ditadura militar, as feministas das camadas médias e intelectuais e as mulheres ligadas a movimentos populares e comunitários, a autora destaca que o feminismo nesse primeiro momento se propõe a uma ideia "universal" de ser mulher, quando na verdade representava apenas as demandas reformistas de uma classe média branca. A relação passado-presente aparece quando a autora mostra como a experiência da resistência e das lutas dos anos 1970 deu forma ao feminismo brasileiro, de forma que o passado da resistência à ditadura e da redemocratização são essenciais para entender as conquistas e impasses do feminismo brasileiro nas décadas seguintes.
5. Perspectiva de História expressa pelo texto:
A perspectiva historiográfica expressa pelo texto é social, cultural e crítica. Social, porque entende o feminismo como movimento coletivo enraizado em lutas políticas e sociais específicas; cultural, ao analisar como identidades, símbolos e práticas são construídas historicamente, bem como ela mesma trata na seção “implicações da noção de contexto para análise antropológica” em seu texto; e crítica, ao questionar categorias universais, como a ideia de uma “mulher” homogênea, destacando contradições, exclusões e diferenças de classe e cultura dentro do próprio feminismo.
6. Metodologia utilizada pelo autor(a):
Se trata de uma análise crítica, teórica e histórica. A metodologia da autora consiste em reconstruir as trajetórias históricas do feminismo brasileiro a partir do método qualitativa, utilizando fontes documentais e bibliográficas – além dos “fatos vividos” (como ela mesma pontua) – e articulando-as a uma reflexão teórica interdisciplinar que relaciona contexto, experiência e subjetividade.
7. Tipo de pesquisa realizada – bibliográfica, documental, estatística, descritiva, etc... (ver notas explicativas):
A autora utiliza pesquisa bibliográfica e documental em seu artigo, citando evidências e estudos de historiadores, sociólogos e antropólogos sobre o tema, além da bagagem pessoal que carrega, como explicita ao evocar os "fatos vividos e documentos recolhidos nessa trajetória".
8. Apreciação crítica sobre o texto:
O artigo de Sarti é muito interessante para entendermos o processo histórico em que se constituiu o feminismo, e assim, pensarmos em seus aspectos particulares enquanto Brasil – embora não se negue as influências europeias em sua formação. Nesse sentido, é insuficiente pensar em igualdade de gênero e ignorar as pluralidades raciais e socioeconômicas que compõem o “ser mulher”, em especial em um país historicamente atravessado por desigualdades, com um passado colonial e escravista.
Data: 09/09/2025