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Análise do Filme: o ano em que meus pais saíram de férias - Ana Paula Almeida de Miranda

De Wikiversidade



CURSO DE CIÊNCIAS SOCIAIS (Fundado em 1963)


ROTEIRO PARA ANÁLISE DE FILME

Disciplina: História do Brasil II Prof. Paulo Eduardo Teixeira



Nome da Aluna: Ana Paula Almeida de Miranda

Turma 2024 – Noturno



FICHA TÉCNICA


Título do filme: O ano em que meus pais saíram de férias.

Ano: 2006.

País: Brasil.

Gênero: Drama.

Duração: 97 minutos.

Direção: Cao Hamburguer.

Roteiro: Cao Hamburger, Claudio Galperin, Bráulio Mantovani, Anna Muylaert e Adriana Falcão.

Fotografia: Adriano Goldman.

Trilha Sonora: Beto Villares.

Elenco Original: Michel Joelsas, Daniela Piepszyk, Germano Haiut, Simone Spoladore, Caio Blat, Eduardo Moreira, Liliana Castro, Rodrigo dos Santos e Paulo Autran.

Produção: Cao Hamburguer, Caio Gullane e Fabiano Gullane.

Idioma original:   Português 

Sinopse: "O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias" é um filme brasileiro de 2006, dirigido por Cao Hamburger. A história se passa em 1970, durante a ditadura militar no Brasil, e acompanha Mauro, um garoto de 12 anos que é deixado pelos pais na casa do avô, no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, enquanto eles "saem de férias". Na verdade, seus pais estão fugindo da repressão política.

Quando Mauro chega à casa do avô, descobre que ele morreu pouco antes de sua chegada. Desamparado e sem entender completamente a situação, Mauro é acolhido pelo vizinho Shlomo, um senhor judeu que inicialmente reluta em cuidar do menino, mas acaba se afeiçoando a ele.

Enquanto lida com a ausência dos pais e se adapta à nova realidade, Mauro desenvolve novas amizades e tenta viver uma vida normal em meio à paixão nacional pelo futebol, já que o Brasil está disputando a Copa do Mundo de 1970. O filme explora a perspectiva de uma criança em meio a um momento político difícil, misturando inocência e a dura realidade do período.



DINÂMICA DA NARRATIVA


Ideia inicial - História


O filme conta uma história. Sobre quem?

O filme é centrado na história de Mauro, um menino de 12 anos, que vivia com seus pais em Belo Horizonte e passa a viver em São Paulo em 1970. A trama gira em torno da experiência do adolescente após ser deixado pelos pais na casa do avô, quando eles "saem de férias". Na verdade, os pais de Mauro são militantes de esquerda, fugindo da repressão da ditadura militar no Brasil. Acontece que a morte do avô de Mauro acontece de forma síncrona com sua chegada à capital paulista.

Ele se vê sozinho e obrigado a viver com o vizinho de seu avô, com quem tem uma relação conturbada a princípio, mas que se torna afetuosa e de cuidado mútuo ao longo do tempo. Mauro sem entender completamente o que está acontecendo, precisa se adaptar a uma nova vida longe dos pais, enquanto se conecta com a comunidade multicultural do bairro do Bom Retiro. A narrativa combina a inocência da infância, as tensões políticas da época e a paixão nacional pelo futebol, especialmente com a Copa do Mundo de 1970, permeada pela paixão pessoal de Mauro pelo futebol, em especial, o de botão.

2. Quais eram os personagens principais?

Mauro Stein - O protagonista, um garoto de 12 anos que é deixado pelos pais na casa do avô enquanto eles "saem de férias" para fugir da repressão política durante a ditadura militar no Brasil. 

Shlomo - Um vizinho judeu idoso que acaba cuidando de Mauro após a morte repentina do avô do menino. Inicialmente relutante, Shlomo desenvolve um forte laço com Mauro.

Daniel Stein - O pai de Mauro, que junto com sua esposa, é militante político e precisa fugir devido à perseguição durante a ditadura militar.

Bia - Uma menina da vizinhança que se torna amiga de Mauro. Ela o ajuda a se adaptar à nova realidade e compartilha sua paixão pelo futebol.

Irene Stein - A mãe de Mauro, que junto com Daniel, "sai de férias" para se esconder da repressão política.


3. Qual deles mereceu sua atenção?

A mãe de Mauro, Irene, foi a personagem que mais me chamou à atenção. Apesar de pouco presente, fisicamente, na trama, sua presença está sempre lá. Mauro lembra dela, de suas falas e ela quem volta. Ela me encanta, pois escolheu não ser “apenas” mãe, mas exercer sua militância, se posicionar e exibia um olhar forte e decidido. Rompeu com o que a sociedade conservadora esperava de uma mulher da década de 1960, sendo uma mãe amorosa, cuidadosa e militante. Exercendo sua mulheridade como lhe aprouve.


4. Como termina o filme? O que você achou sobre ele e por quê?

O filme termina com a chegada de mãe de Mauro, retornando das “férias” durante a final da Copa do Mundo de 1970, em que o Brasil se sagra tricampeão mundial. Após esse reencontro com a mãe, Mauro e Irene vão para o exílio, enquanto o pai segue desaparecido. Um final que sintetizou os assuntos do filme que foram, brilhantemente, tecidos: futebol e repressão militar.


Tema de fundo – Tese

Quais são os temas tratados no filme?

Ditadura Militar e Repressão Política: O filme é ambientado durante a ditadura militar no Brasil, abordando as consequências da repressão política, especialmente para aqueles que eram contra o regime. A situação dos pais de Mauro, que precisam se esconder, exemplifica o clima de medo e insegurança da época.

Infância e Inocência: A perspectiva de Mauro, uma criança que não entende completamente o que está acontecendo ao seu redor, explora a inocência infantil frente a situações complexas e dolorosas. O filme contrasta essa inocência com a dura realidade do contexto político.

Solidão e Abandono: Mauro enfrenta a solidão e o sentimento de abandono após ser deixado pelos pais e encontrar-se em uma nova e desconhecida realidade. A morte do avô e a convivência inicial com Shlomo, que é um estranho para ele, intensificam esses sentimentos.

Identidade e Comunidade: O bairro do Bom Retiro, em São Paulo, onde Mauro é deixado, é retratado como um espaço multicultural, com influências judaicas e italianas, entre outras. O filme explora a formação da identidade de Mauro em meio à diversidade cultural e à nova comunidade que ele passa a fazer parte.

Amizade e Solidariedade: As amizades que Mauro desenvolve, especialmente com Shlomo e Bia, demonstram o poder da solidariedade e da conexão humana em tempos difíceis. A relação entre Mauro e Shlomo, em particular, mostra como laços inesperados podem proporcionar apoio e conforto.

Futebol e Nacionalismo: A Copa do Mundo de 1970, que ocorre durante o filme, é um elemento importante na narrativa, simbolizando a paixão nacional pelo futebol e servindo como uma válvula de escape emocional tanto para Mauro quanto para o país, em meio às tensões políticas.



2. Em que cena compreendeu o tema de fundo do filme?

Na cena em que os pais de Mauro, deixando Belo Horizonte, se deparam com um caminhão do exército. O desconforto do casal é visível e o medo é quase possível de ser tocado.

	3. Qual o problema ou questão que foi tratada mais demoradamente? 
No filme, a questão que é tratada mais demoradamente é a perseguição política aos discordantes do regime militar, durante a Ditadura Militar no Brasil, que durou de 1964 a 1985. 

4. Os realizadores descreveram bem os protagonistas?

Sim, suas complexidades e nuances ficaram bastante claras.

Ritmo e montagem - Edição

Qual cena do filme que mais chamou sua atenção ou lhe impactou? Por quê?

O reencontro da mãe com Mauro. Ela estava frágil e debilitada, porém se mostrou forte e feliz com a presença dele.

2. Houve algo no filme que te aborreceu? Em que parte do filme? Eram cenas de diálogo ou de ação?

Não se aplica.

3. Qual a cena/sequência não foi bem compreendida por você? Por quê?

Não se aplica.


Mensagem

O que é proposto pelo filme é aceitável ou não? Por quê?

Sim, bastante aceitável, pois mostra como a ditadura militar aconteceu sem que grande parte da população se incomodasse ou mudasse seu jeito de viver. Mostra como os crimes cometidos pelos militares separaram e dizimaram famílias brasileiras.


2. A quem se dirige, na sua opinião, o filme?

Se dirige a pessoas interessadas em temas históricos, culturais e políticos do Brasil.


Relação com a disciplina de História do Brasil

Qual contribuição para sua compreensão da disciplina e do período estudado?

O filme traz um outro olhar sobre a ditadura. O olhar dos órfãos e daqueles que ficaram, enquanto seus entes queridos militavam. Permite compreender também como o futebol foi usado pelo regime como ferramenta de reforço ao nacionalismo e também como distração do verdadeiro cenário nacional.

2. Relacione as contribuições deste trabalho para a sua formação.

O filme “O ano em que meus pais saíram de férias” traz uma importante contextualização temporal/histórica de meados do regime militar e contribui, especialmente, no que tange à contextualização histórica ao ambientar os espectadores no Brasil dos anos 1970, oferecendo uma visão sobre a vida cotidiana sob o regime militar. Embora a história seja contada pela perspectiva de uma criança, o contexto político permeia a narrativa, permitindo que possamos entender. melhor o clima de repressão, medo e insegurança que marcou essa época.

Podemos discutir também os impactos da repressão nos direitos das pessoas enquanto humanos, pois através da história de Mauro e sua família, o filme humaniza os efeitos da repressão política, mostrando como as políticas do regime afetavam diretamente a vida das pessoas comuns. O impacto sobre a família de Mauro, a necessidade de "desaparecer" para sobreviver e o isolamento de Mauro refletem as experiências de muitas famílias durante a ditadura.

O filme destaca a diversidade cultural do bairro do Bom Retiro, em São Paulo, onde Mauro é deixado. Isso permite uma discussão sobre a imigração e a formação cultural do Brasil, além de oferecer uma perspectiva sobre como diferentes comunidades coexistiam e interagiam no país durante o século XX, além de trazer à baila a perspectiva infantil dos acontecimentos históricos.

Um ponto que deve ser salientado é o papel do futebol na sociedade brasileira, muito presente no filme. A Copa do Mundo de 1970, que ocorre paralelamente à trama do filme, oferece uma oportunidade para discutir o papel do futebol como um elemento de identidade nacional e de distração coletiva durante tempos difíceis. O futebol é mostrado como um ponto de conexão e esperança em meio às dificuldades políticas e sociais.

Incorporar "O ano em que meus pais saíram de férias" ao currículo de História me trouxe uma experiência educacional rica e multidimensional, que vai além dos textos e documentos tradicionais.