Análise do artigo - "Os anos trinta nas memórias e no arquivo de Paulo Duarte: uma cultura política de oposição a Getúlio Vargas" por Wesley Rogério Oliveira de Macedo (Matutino)
ALUNA(O): Wesley Rogério Oliveira de Macedo
OBRA/TEXTO: Os anos trinta nas memórias e no arquivo de Paulo Duarte: uma cultura política de oposição a Getúlio Vargas
AUTOR(A): Carolina Soares Souza
EDIÇÃO: 33º ANO DE PUBLICAÇÃO: 2020
Os anos trinta nas memórias e no arquivo de Paulo Duarte: uma cultura política de oposição a Getúlio Vargas
[editar | editar código]1. Identificação do Autor(a), ou seja, qual a formação do autor, sua trajetória acadêmica e atuação política:
[editar | editar código]A autora do artigo, se graduou em história na Universidade Federal de Goiás (2009), posteriormente realizou o mestrado em História Social pela Universidade de Brasília (2012) e contínuo no doutorado em História (Linha de Pesquisa História Cultural, Memórias e Identidades) também pela Universidade de Brasília (2016). Realizou Estágio de Pós-Doutorado na Universidade Estadual de Campinas, na Linha de Pesquisa Política, Memória e Cidade (julho de 2017- outubro de 2018). Foi pesquisadora no Programa de História Oral (PHO) da FGV CPDOC (2021).
Ressalta-se que atualmente ela está fazendo o pós-doutorado na França, especificamente no Institut d'Histoire du Temps Présent, IHTP.
2. Temáticas analisadas ou problematizações destacadas pelo texto do autor:
[editar | editar código]A principal problemática da autora no artigo é descontruir a antiga visão hegemônica da Era Vargas por meio da trajetória do Paulo Duarte.
A escolha da trajetória de Paulo Junqueira Duarte, se deve ao fato de que o advogado, jornalista e memorialista, viveu e relatou por meio documental acontecimentos importantes da Era Vargas.
Outro ponto a ser destacado do artigo é a sua crítica ao tratamento da Era Vargas como um período totalmente “coeso”, seu fim é acabar com a memória histórica que sistematicamente legitima e justifica o projeto político vencedor.
3. Momento histórico que foi produzido o texto (o lugar do discurso) do autor:
[editar | editar código]O texto foi publicado em 2020, no nonagésimo aniversário da Revolução de 1930. Creio que a publicação nesse momento foi essencial para ir contra as narrativas homogêneas que ignora os vencidos.
4. Temporalidades/Sujeitos Abordados/Relação Passado-Presente:
[editar | editar código]O artigo aborda primariamente a Primeira Era Vargas (1930-1945), mas confere ênfase particular aos Anos Trinta. O foco recai especificamente nos meses que antecederam o golpe do Estado Novo em novembro de 1937, marcando o desfecho trágico do projeto de Armando de Salles Oliveira.
Os principais sujeitos abordados são:
- Paulo Duarte: Como dito anteriormente, ele era um memorialista que esteve presente nos principais acontecimentos do período, bem como era próximo de vários intelectuais da época e principalmente do Armando Salles.
- Armando de Salles Oliveira: Líder político proveniente do Estado de São Paulo e grande oposição a Getúlio Vargas. Sua candidatura presidencial em 1937 é o foco da disputa que culmina no golpe.
- Partido Constitucionalista: Políticos e intelectuais paulistas, incluindo Júlio de Mesquita Filho, que foram derrotados por Vargas.
- Getúlio Vargas: O antagonista das pessoas que acompanhamos no artigo, aquele que venceu e homogeneizou a memória histórica.
5. Perspectiva de História expressa pelo texto:
[editar | editar código]O texto expressa uma perspectiva historiográfica que não aceita narrativas históricas como dadas ou naturais. A autora adotou um posicionamento de desnaturalização, questionando como o discurso dos vencedores se impôs e ofuscou a existência de projetos políticos alternativos.
6. Metodologia utilizada pelo autor(a):
[editar | editar código]A autora analisou e cruzou os escritos de Paulo Duarte e o seu “arquivo político”.
7. Tipo de pesquisa realizada – bibliográfica, documental, estatística, descritiva, etc... (ver notas explicativas):
[editar | editar código]A análise é principalmente bibliográfica pelo foco na obra de Paulo Duarte, todavia existe toda a documentação que ele deixou e que a autora teve acesso.
8. Apreciação crítica sobre o texto:
[editar | editar código]O maior objetivo do artigo, que é contar a história dos vencidos, ele cumpre perfeitamente, porque eu nunca aprendi sobre o Armando de Salles e sua oposição ao régime Vargas. Claro que as coisas devem ter ficado meio “confusas” ao público geral por ele não ter sido sempre uma oposição direta ao Vargas, porém é uma figura de importância ímpar para a história do país que deveria ser mais valorizada no ensino convencional fora das universidades. Outro ponto que chama a atenção é a figura do “memorialista”, da qual eu pouco sabia e o artigo abordando o Paulo Duarte, demonstrou muito bem o que é um.
Enfim, um artigo muito interessante, acredito que não pude apreciar ele completamente pela minha falha pessoal em não conhecer tão bem esse período da história do nosso país, logo, com a leitura do artigo, vejo que tenho que resolver essa questão o quanto antes.
Data: 05/10/2025