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Análise do filme "O que é isso, Companheiro?" - Pedro Augusto Pereira Dias

De Wikiversidade

Disciplina: História do Brasil II

Prof. Paulo Eduardo Teixeira

ROTEIRO PARA ANÁLISE DE FILME "O que é isso, Companheiro?"

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Aluno/a: Pedro Augusto Pereira Dias

Ciências Sociais – 2025 – Turma Matutino ( X ) Turma Noturno (   )

O que é isso, Companheiro?

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FICHA TÉCNICA

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Título do Filme: O Que É Isso, Companheiro?

Ano: 1997                   País: Brasil

Gênero: Drama

Duração: 110 minutos

Direção: Bruno Barreto

Roteiro: Leopoldo Serran/ Fernando Gabeira

Fotografia: Félix Monti

Trilha sonora: Stewart Copeland

Elenco original: Alan Arkin, Pedro Cardoso, Fernanda Torres, Selton Mello, Cláudia Abreu, Luiz Fernando Magalhães, Caio Junqueira, Matheus Nachtergaele, Marco Ricca, Fisher Stevens, Antônio Pedro, Fernanda Montenegro, Nelson Dantas, Maurício Gonçalves, Eduardo Moscovis, Alessandra Negrini, Milton Gonçalves, Lulu Santos e Carolina Kava.

Produção: Luiz Carlos Barreto Produções Cinematográficas

Idioma original: Português (Brasil)

DINÂMICA DA NARRATIVA

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A)    Ideia Inicial – História

1-      O filme conta uma história. Sobre quem?

O filme é inspirado no livro, que leva o mesmo nome, "O que é isso, Companheiro?", do autor e atuante dessa história, Fernando Gabeira, interpretado por Pedro Cardoso. Fernando Gabeira escreveu o livro depois de seu exílio na Argélia, retratando a história vivida pelo grupo de guerrilha urbana, na ditadura brasileira, denominado como "Movimento Revolucionário de 8 de Outubro" (MR-8) ou "Dissidência do Rio de Janeiro" (DI-RJ), mostrando os planos e as suas atuações do sequestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick, interpretado por Alan Arkin, para libertação de 15 prisioneiros políticos na ditadura.

2-      Quais são as personagens principais?

- Paulo / Fernando Gabeira: Um jovem, que fazia parte do movimento estudantil e que ingressou no grupo buscando fazer a diferença e resistência em meio a ditadura. É o personagem principal do filme e autor do livro, acompanhamos os acontecimentos, quase que sempre, pela sua visão.

- Oswaldo: Interpretado por Selton Mello, atuante do grupo que é baleado, preso, torturado e solto com o êxito da operação.

- Maria: Interpretada por Fernanda Torres, é a integrante mais velha do grupo, a qual decide a maioria das decisões antes da chegada de Jonas, o qual se torna líder do grupo posteriormente;

- Jonas: Interpretado por Matheus Nachtergaele, revolucionário que faz parte da Ação Libertadora Nacional (ALN); veio de São Paulo para auxiliar o grupo em seu plano de sequestro do embaixador americano, por ser mais experiente, em guerrilha armada, que o resto do grupo toma o controle da operação para si.

- Julio: Interpretado por Caio Junqueira, revolucionário, aparentemente, mais novo, cheio de ambições e ódio, descrito pelo embaixador em sua carta para esposa "(...) um deles tem uma pele de nenê, tenho certeza de que é menor, uma criança num jogo perigoso, nunca ouvi a voz dele, mas esse menino fanático é quem mais me assusta... Suas mão de fazendeiro combinam com a arma. Creio que pertencem a voz que ameaçou me torturar... cheia de ódio e ressentimento. (...)"

- Reneé: Interpretada por Cláudia Abreu, uma personagem especialmente humana, não perde de vista suas ambições revolucionárias, mas ainda sim, trata o sequestrado com humanidade e zelo, trata os outros guerrilheiros como "colegas" para além do jargão de "companheiro", pode ser facilmente levada como ingênua, mas acredito que sua história não seja essa, é uma pessoa gentil e humana e que suas ambições não a fazem tratar os outros como meras engrenagem em seus planos.

- Charles: Interpretado por Alan Arkin, o embaixador dos EUA em exercício no Brasil que é raptado pelo grupo "MR8"; em diversos momentos, acompanhamos sua perspectiva e sua vida, além de informações sobre ele, como o fato de ter servido durante a Segunda Guerra Mundial. O filme também mostra algumas de suas cartas para sua esposa Elvira, interpretada por Carolina Kava, durante seu rapto.

Vale ressaltar outro personagem que não é do núcleo principal, mas que têm muito foco:

- Henrique: Interpretado por Marco Ricca, membro da inteligência do governo que está investigando o grupo. É demonstrado que ele não consegue viver bem com o que faz, torturando e prendendo as pessoas, mas diz que é necessário fazer o mal.

3-      Qual delas mereceu a sua atenção?

Todos os personagens são bons e bem aprofundados, dando maior veracidade a história contada, mas a que eu mais gostei foi a Reneé uma pessoa extremamente humana mesmo estando sequestrando o embaixador não precisa tratá-lo mal, o que faz cair por terra as ideias do Henrique e Julio de um mal necessário, de que é preciso torturar as pessoas para obter o que se quer, por mais que as ideias sejam diferentes, das de Henrique, que não é para obter informação e sim libertar os presos políticos, infelizmente é colocada para fazer uma parte da operação que demonstra o impacto no seu psicológico, uma personagem que não mostra sobre o seu passado, mas que aparentemente tem um pai, carrasco, mas ainda sim é uma pessoa doce e humana.

4-      Como termina o filme? O que você achou sobre ele e porquê?

Assim como na realidade, o Governo Federal aceita as condições do grupo "MR-8" e libertam os 15 presos políticos exilados no México. O grupo revolucionário solta o embaixador no final de uma partida de futebol entre Flamengo e Vasco para fugirem sem serem vistos e seguidos. Posteriormente os membros do grupo são capturados e presos por causa de um jornal que havia sido recortado com os novos endereços para que eles se mudariam depois do sequestro. Dois membros foram mortos, Jonas e Toledo da (ALN), os demais são libertados por conta de outro sequestro que acontece futuramente, o do embaixador da Alemanha. Todos os sobreviventes estão desgastados e machucados, claramente abatidos e bem fracos, parecem mortos por dentro, pois foram torturados de inúmeras formas como sabemos de praste das corjas da ditadura.

B)    Tema de Fundo – Tese

1-      Quais são os temas tratados no filme?

O filme aborda, principalmente, a ditadura militar do Brasil (1964–1985), destacando tanto a repressão quanto a luta armada revolucionária, a guerrilha urbana. Também traz como a juventude reagiu a esse contexto, mostrando personagens de diferentes origens que acabam envolvidos nesse cenário, mesmo sem ligação prévia.

2-      Em que cena compreendeu o tema de fundo do filme?

Já no começo do filme, com a Passeata dos Cem Mil, que foi uma resposta direta ao AI-5 e à repressão do regime, fica evidente qual é o pano de fundo da história e o filme não deixa de demonstrar em momento algum qual é o período em que se passa.

3-      Qual o problema ou questão que foi tratada mais demoradamente?

O aspecto mais explorado ao longo da narrativa é a própria ditadura militar, ela é a base de todos os acontecimentos do filme, justamente por se tratar de um regime autoritário a situação trivial, como a denúncia de um morador sobre a compra incomum de 8 frangos e pela demonstração infantil de um bolo de notas por parte do Julio, ganham tanta relevância para a polícia. Além disso, outro ponto que recebe bastante atenção é a relação dos sequestradores com o embaixador: a convivência, as tensões e os momentos de aproximação, principalmente da Reneé e Paulo. Esse detalhe fica evidente nas cartas que o embaixador escreve para sua esposa.

4-      Os realizadores descreveram bem os protagonistas?

Os personagens são bem desenvolvidos e distintos, cada um com sua função e personalidade.


C)    Ritmo e Montagem – Edição

1-      Qual a cena ou sequência que mais chamou sua atenção ou lhe impactou? Porquê?

A sequência em que o Paulo recebe a ordem de executar o embaixador caso o governo não cedesse é muito forte. O filme constrói a ideia de que ele não tem aptidão para a violência, mas que o faria, pelo seu plano, esse momento cria uma tensão enorme, mesmo sabendo que o embaixador sobreviveu.

2-      Houve algo no filme que te aborreceu? Em que parte do filme? Eram cenas de diálogo ou de ação?

Nenhum ponto me aborreceu, achei extremamente bem feito e mesmo não tendo o domínio completo da história verídica, me pareceu bem verossímil, personagens bem construidos, bons diálogos.

3-      Qual a cena/seqüência que não foi bem compreendida por você? Porquê?

Nenhuma cena me fez ficar com mal compreendimento dos acontecimentos.

D)    Mensagem

1-      O que é proposto pelo filme é aceitável ou não? Porquê?

O filme cumpre bem seu papel de demonstrar os horrores e a crueldade da ditadura, o sumiço repentino de Oswaldo que não aparece mais e nem fala o que aconteceu com ele, como deve ter sido para os que vivenciaram com ele e outras pessoas, as poucas cenas de torturas, não são grandes e expositivas, demonstrando com sutilidade e necessidade a crueldade vivida e passada da época.

2-      A quem se dirige, em sua opinião, o filme?

Lançado em 1997, com a recente redemocratização, o longa parece ter sido feito para conscientização da população sobre a gravidade do regime militar e suas consequências e para quem busca saber sobre algumas histórias que acontecerem.

E)     Relação com a disciplina de História do Brasil

1-      Qual a contribuição do filme para sua compreensão da disciplina e do período estudado?

O filme retrata muito bem o período, acho importante para a fixação deste, fora isso, foram passados uma ótima lista de filmes sobre essa época.

2-      Relacione as contribuições desse trabalho para sua formação.

É um trabalho diferente do habitual e que de uma forma, mais "tranquila", faz com que a gente conheça histórias que por muito tempo foram silenciadas. Abre espaço para outras formas de compreensão e observação da história, usando o cinema como obtenção de conhecimento