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Análise do livro "O negro no mundo dos Brancos" p.104-130 - Florestan Fernandes;Sara gabrielly Monteiro baraldi

De Wikiversidade

Curso de Ciências Sociais

Disciplina: História do Brasil II

Responsável: Prof. Dr. Paulo Eduardo Teixeira

ROTEIRO PARA ANÁLISE DE TEXTO

ALUNA(O): Sara Gabrielly Monteiro Baraldi

OBRA/TEXTO: O negro no mundo dos brancos

AUTOR(A): Florestan Fernandes

EDIÇÃO: Primeira edição em 1972, diversas reedições posteriores (Ex.: Global Editora). ANO DE PUBLICAÇÃO: 1972

ANÁLISE DO TEXTO

1. Identificação do Autor(a):

Florestan Fernandes (1920–1995) foi um dos mais importantes sociólogos brasileiros. Filho de origem humilde, trabalhou desde cedo e ingressou na Universidade de São Paulo (USP), onde se tornou professor catedrático de Sociologia. Foi deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores (PT) nos anos 1980 e 1990, atuando politicamente em defesa da democracia e dos direitos sociais. Sua trajetória combina forte engajamento acadêmico e militância política em prol da justiça social.

2. Temáticas analisadas ou problematizações destacadas pelo texto do autor: A obra discute a posição social do negro no Brasil após a abolição, revelando as contradições da integração incompleta do negro na sociedade de classes. Fernandes analisa racismo, preconceito, desigualdade, mobilidade social e exclusão estrutural. Destaca como a “democracia racial” é um mito que encobre a marginalização histórica da população negra.

3. Momento histórico que foi produzido o texto (lugar do discurso do autor): Produzido nos anos 1960 e publicado em 1972, em plena ditadura militar, quando havia forte censura e autoritarismo. O lugar de fala do autor é o da universidade e da sociologia crítica, que buscava interpretar o Brasil a partir das desigualdades estruturais herdadas da

4.Temporalidades/Sujeitos Abordados/Relação Passado-Presente:

• Passado: a escravidão, a abolição e a falsa promessa de integração. • Presente (década de 1970): a persistência das desigualdades raciais e sociais. • Sujeitos: negros, brancos, elites dominantes e trabalhadores marginalizados. • Relação passado-presente: a herança da escravidão molda as desigualdades raciais e sociais do Brasil contemporâneo.

5. Perspectiva de História expressa pelo texto:

O texto parte de uma perspectiva crítica e estrutural, mostrando que a abolição não representou verdadeira inclusão, mas sim uma continuidade de mecanismos de exclusão. A história é entendida como processo social marcado por desigualdades, onde o racismo é estrutural e não apenas cultural.

6. Metodologia utilizada pelo autor(a):

Análise sociológica de caráter histórico-estrutural. Fernandes mobiliza dados de pesquisas anteriores, interpretações históricas e categorias sociológicas para compreender a posição do negro no Brasil pós-escravidão.

7. Tipo de pesquisa realizada:

Pesquisa bibliográfica e documental, com caráter analítico-interpretativo. Fernandes utiliza fontes históricas, dados estatísticos e literatura sociológica para construir sua análise crítica.

8. Apreciação crítica sobre o texto:

A obra é um marco da sociologia brasileira, por revelar a persistência do racismo estrutural em uma sociedade que se dizia “racialmente democrática”. Fernandes desmistifica ideologias integracionistas e denuncia a marginalização histórica do negro. Seu ponto forte é a profundidade crítica e a coragem intelectual em contexto de ditadura. Entretanto, por ser uma análise dos anos 1960-70, alguns aspectos poderiam ser atualizados em diálogo com os movimentos negros contemporâneos e os debates atuais sobre interseccionalidade.