Análise do livro "O negro no mundo dos Brancos" p.104-130 - Florestan Fernandes; Abia Criveli
Curso de Ciências Sociais
Disciplina: História do Brasil II
Responsável: Prof. Dr. Paulo Eduardo Teixeira
________ANÁLISE DE TEXTO______
ALUNA(O) : Abia Criveli
OBRA/TEXTO: O Negro no mundo dos brancos p.104-130
AUTOR(A): Florestan Fernandes
DIREÇÃO: Fernando Henrique Cardoso
EDIÇÃO: Corpo e Alma do Brasil
ANO DE PUBLICAÇÃO: 1972
ANÁLISE DO TEXTO
1. Identificação do Autor(a), ou seja, qual a formação do autor, sua trajetória acadêmica e atuação política:
Florestan Fernandes nasceu em São Paulo em 1920, de origem humilde. Retomou os estudos na adolescência e concluiu rapidamente o equivalente a sete anos de escolaridade em apenas três. Formou-se em Ciências Sociais na USP, onde também cursou mestrado e doutorado. Desenvolveu carreira docente na USP e, posteriormente, na PUC-SP. Teve atuação política destacada pelo PT, como deputado federal entre 1987 e 1994, defendendo educação pública de qualidade e redução da desigualdade social. Sofreu perseguição durante a ditadura militar, sendo preso e exilado, retornando ao Brasil em 1972.
2. Temáticas analisadas ou problematizações destacadas pelo texto do autor:
O texto aborda a situação da população negra em São Paulo, mostrando como a imigração europeia e a modernização econômica agravaram a desigualdade racial. Fernandes problematiza a persistência das relações raciais tradicionais, o impacto histórico da escravidão e a exclusão social dos negros, evidenciando como a posição social do negro permaneceu subordinada mesmo após o fim formal da escravidão. Também analisa o papel dos imigrantes europeus na manutenção e no agravamento de estereótipos raciais e das desigualdades econômicas.
3. Momento histórico que foi produzido o texto (o lugar do discurso) do autor:
O texto foi produzido na década de 1970, durante a ditadura militar no Brasil (1964–1985), período de censura e repressão política. Florestan Fernandes analisava as consequências históricas da escravidão e a marginalização da população negra nas cidades brasileiras, especialmente em São Paulo, evidenciando como as desigualdades raciais e sociais herdadas do período colonial persistiam e se agravavam na sociedade urbana e industrializada.
4. Temporalidades/Sujeitos Abordados/Relação Passado-Presente:
O autor relaciona o passado colonial e escravocrata com a realidade urbana e industrializada de São Paulo no século XIX e XX. Os sujeitos abordados são os negros, os mulatos e os imigrantes europeus, analisando como os padrões de interação social e racial herdados do período escravista se mantiveram e influenciaram a dinâmica social moderna.
5. Perspectiva de História expressa pelo texto:
Fernandes adota uma visão de história social que mostra como o passado influencia o presente. Ele explica que as desigualdades raciais e sociais em São Paulo não surgiram de repente, mas são resultado da escravidão, da imigração e do crescimento econômico. O autor entende a história como um processo contínuo, em que padrões de discriminação e exclusão do negro foram mantidos ao longo do tempo, moldando a sociedade urbana moderna.
6. Metodologia utilizada pelo autor(a):
Florestan Fernandes utiliza uma abordagem que combina análise de documentos históricos e registros sociais com interpretação das relações raciais e sociais em São Paulo. Ele observa como os processos econômicos, a imigração e a estrutura social influenciam a posição do negro na sociedade, relacionando o passado ao presente para explicar desigualdades e padrões de discriminação racial.
7. Tipo de pesquisa realizada – bibliográfica, documental, estatística, descritiva, etc... (ver notas explicativas):
Florestan Fernandes realiza uma pesquisa bibliográfica e documental, analisando textos, registros históricos e dados sobre a sociedade de São Paulo. Ele combina essas fontes para estudar a organização social, as relações raciais e os efeitos da imigração sobre a população negra.
8. Apreciação crítica sobre o texto:
No período pós-abolição, os negros foram deixados à margem das oportunidades de emprego e do crescimento econômico. Enquanto isso, os imigrantes se inseriam rapidamente nas funções produtivas, aproveitando a valorização da mão de obra branca e ocupando posições que poderiam ter sido acessíveis aos ex-escravizados. A maioria desses imigrantes evitava se associar aos negros, mantendo distância social e reforçando as hierarquias raciais já existentes. Dessa forma, mesmo com a liberdade formal, os negros continuavam excluídos do mercado de trabalho competitivo e das chances de ascensão social, enquanto os brancos — nativos ou recém-chegados — monopolizavam os benefícios da modernização e do crescimento econômico. A imigração, assim, não foi responsável pelo surgimento do preconceito racial, mas contribuiu para consolidar a desigualdade e a marginalização histórica da população negra no Brasil.
Data: 30/ 08/ 2025