Análise do texto "Produções digitais nos 50 anos do Golpe de 1964: especiais Multimídias em sites jornalísticos brasileiros" - Iago Santana dos Santos Cuba
Curso de Ciências Sociais
Disciplina: História do Brasil II
[editar | editar código]Responsável: Prof. Dr. Paulo Eduardo Teixeira
ROTEIRO PARA ANÁLISE DE TEXTO
[editar | editar código]ALUNA(O): Iago Santana dos Santos Cuba
OBRA/TEXTO: Produções digitais nos 50 anos do Golpe de 1964: especiais Multimídias em sites jornalísticos brasileiros
AUTOR(A): Allysson Viana Martins
EDIÇÃO: Revista Brasileira de Ciências da Comunicação, edição Volume 44, Número 1, correspondente ao período de janeiro a abril de 2021. ANO DE PUBLICAÇÃO: 2021
ANÁLISE DO TEXTO
[editar | editar código]1. Identificação do Autor(a), ou seja, qual a formação do autor, sua trajetória acadêmica e atuação política:
Professor de Jornalismo e coordenador do MíDI – Grupo de Pesquisa em Mídias Digitais e Internet na Universidade Federal de Rondônia (UNIR). Doutor e Mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com estágio doutoral no Laboratoire Communication et Politique du Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS). É autor do livro “Jornalismo e Guerras de Memórias nos 50 Anos do Golpe de 1964” e do e-books “Crossmídia e Transmídia no Jornalismo” (2011) e “Afrodite no Ciberespaço” (2010), este uma coorganização. Já recebeu prêmios no EXPOCOM e no PIBIC, como estudante e como professor orientador.
2. Temáticas analisadas ou problematizações destacadas pelo texto do autor:
O artigo investiga como os especiais multimídias produzidos por quatro veículos jornalísticos brasileiros, Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, G1 e Último Segundo, abordaram os 50 anos do Golpe de 1964. A análise se concentra na forma como esses conteúdos digitais contribuem para a construção da memória coletiva sobre a ditadura militar, evidenciando disputas narrativas que envolvem silenciamentos, relativizações e tentativas de reabilitação simbólica de atores ligados ao regime autoritário. Martins problematiza o papel do jornalismo como agente de memória, destacando sua capacidade de legitimar versões históricas e influenciar o imaginário social contemporâneo.
3. Momento histórico que foi produzido o texto (o lugar do discurso) do autor:
O artigo, produzido em 2021, se insere em um contexto de crescente polarização política no Brasil, marcado por revisões históricas e disputas ideológicas sobre as marcas históricas da ditadura militar. Martins escreve a partir de um lugar de discurso acadêmico e crítico. Os 50 anos do golpe, ocorrido em 2014, serviu como catalisador para a produção dos especiais analisados, e o texto de Martins atua como uma reflexão posterior, que busca compreender os sentidos atribuídos ao passado por meio das tecnologias digitais e das práticas jornalísticas contemporâneas.
4. Temporalidades/Sujeitos Abordados/Relação Passado-Presente:
Martins articula múltiplas temporalidades: o passado da ditadura militar (1964-1985), o momento da produção dos especiais multimídias (2014) e o presente da análise (2021). Essa abordagem permite compreender como o jornalismo digital opera na reinterpretação de eventos históricos, estabelecendo pontes entre o passado e o presente. Os sujeitos apresentados incluem militares, vítimas da repressão, jornalistas, historiadores, políticos e os próprios veículos de mídia. A temporalidade é mediada pelas estratégias narrativas utilizadas nos especiais multimídias, em que podem reforçar discursos hegemônicos, ou conflitar versões oficiais.
5. Perspectiva de História expressa pelo texto:
A perspectiva histórica adotada por Martins é crítica, fundamentada nos estudos das “guerras de memória”, que concebem a memória como campo de disputa simbólica. O autor reconhece o jornalismo como uma instância produtora de sentido histórico, capaz de influenciar a forma como os acontecimentos são lembrados, esquecidos ou reinterpretados. A história, nesse contexto, não é vista como narrativa linear e objetiva, mas como construção social permeada por interesses políticos, ideológicos e midiáticos.
6. Metodologia utilizada pelo autor(a):
Martins utiliza a análise crítica de conteúdo como metodologia principal, examinando os especiais multimídias com base em categorias como atores, territórios de batalha e armas discursivas. Essas categorias são inspiradas na abordagem das “guerras de memória” e permitem identificar os elementos simbólicos que compõem as narrativas jornalísticas.
7. Tipo de pesquisa realizada – bibliográfica, documental, estatística, descritiva, etc... (ver notas explicativas):
A pesquisa é de natureza documental e bibliográfica, com caráter descritivo e interpretativo utilizando fontes primárias (os especiais multimídias) e secundárias (referencial teórico). Martins analisa os conteúdos publicados nos sites jornalísticos e os articula com a literatura acadêmica sobre memória, mídia e história. A abordagem é qualitativa, voltada para a compreensão dos sentidos atribuídos aos eventos históricos por meio das narrativas digitais.
8. Apreciação crítica sobre o texto:
O artigo de Allysson Viana Martins representa uma contribuição significativa para os estudos de comunicação, história e memória. Ao investigar como o jornalismo digital atua na construção de narrativas sobre o golpe de 1964, o autor revela as complexidades envolvidas na produção de sentido histórico em ambientes digitais. A análise é rigorosa, bem fundamentada e sensível às nuances ideológicas presentes nos discursos midiáticos. Martins demonstra habilidade em articular teoria e prática, oferecendo uma leitura crítica que valoriza a memória democrática e denuncia os riscos do revisionismo histórico. O texto é especialmente relevante no atual cenário brasileiro, em que disputas por memória se intensificam e o papel da mídia se torna cada vez mais central na formação da opinião pública.
Data: 07/09/2025