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Analise "oque é isso companheiro" lucas lemes

De Wikiversidade

ROTEIRO PARA ANÁLISE DE FILME

Aluno/a: Lucas Castão Bento Lemes

Ciências Sociais – 2025 – Turma Matutino (x ) Turma Noturno ( )


TÍTULO DO FILME

FICHA TÉCNICA

  • Título do Filme: O que é isso, companheiro?
  • Ano: 1997
  • País: Brasil
  • Gênero: Drama / Histórico / Político
  • Duração: 110 min
  • Direção: Bruno Barreto
  • Roteiro: Leopoldo Serran, baseado no livro de Fernando Gabeira
  • Fotografia: Félix Monti
  • Trilha sonora: Stewart Copeland
  • Elenco original: Pedro Cardoso (Paulo), Fernanda Torres (Maria), Cláudia Abreu (Renée), Luiz Fernando Guimarães (Jonas), Alan Arkin (Charles Burke)
  • Produção: Lucy Barreto, Bruno Barreto
  • Idioma original: Português

DINÂMICA DA NARRATIVA

A) Idéia Inicial – História

  1. O filme conta uma história. Sobre quem? "O filme aborda a história de um grupo de jovens militantes de esquerda que, durante a ditadura militar brasileira, participou do sequestro do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick em 1969. A narrativa se concentra nas tensões internas do grupo, nos dilemas morais e políticos enfrentados por eles e nas consequências históricas desse ato, que buscava denunciar a repressão do regime e negociar a libertação de presos políticos."
  2. Quais são as personagens principais? "Os personagens principais são Paulo, Maria, Renée, Jonas e Charles Burke. Cada um deles encarna dimensões diferentes do contexto histórico: Paulo representa o intelectual sensível e dividido entre a ética e a luta armada; Maria simboliza a militante convicta e racional; Renée expressa a força feminina na resistência; Jonas encarna a radicalidade ideológica e a dureza prática da ação; enquanto Charles Burke é o 'outro' da narrativa, não apenas como vítima do sequestro, mas também como símbolo da interferência norte-americana no Brasil e, ao mesmo tempo, um personagem humanizado pelo convívio forçado com seus sequestradores."
  3. Qual delas mereceu a sua atenção? "Os personagens que mais me chamaram atenção foram Paulo, Maria, Renée, Jonas e Charles Burke. Paulo por sua fragilidade moral diante das exigências revolucionárias; Maria e Renée pela força e clareza de propósito que representavam; Jonas pela rigidez de suas convicções e pela pressão que exercia sobre o grupo; e Burke porque, em meio ao sequestro, não foi retratado apenas como uma figura diplomática, mas como um ser humano que acabou desenvolvendo uma relação ambígua com seus sequestradores."
  4. Como termina o filme? O que você achou sobre ele e porquê? "O filme termina com a libertação do embaixador Charles Burke em troca da soltura de presos políticos que estavam encarcerados e sendo torturados pelo regime. A cena final é carregada de emoção e simbolismo, marcando uma vitória parcial dos militantes, mas também deixando no ar a sensação de que as contradições da luta estavam longe de se resolver. Eu achei o filme bom, mas com algumas ressalvas: mesmo sendo baseado em fatos históricos e em um livro autobiográfico, o filme recorre a muitas dramatizações e simplificações para atingir um público mais amplo. Isso é compreensível, pois se trata de um produto cultural com exigências de mercado e escolhas estéticas próprias, mas, por outro lado, pode comprometer a precisão histórica em alguns momentos."

B) Tema de Fundo – Tese

  1. Quais são os temas tratados no filme? "Além do recorte histórico da ditadura militar brasileira e da repressão política, o filme traz como temas centrais o dilema moral revolucionário, o limite entre a ética individual e a luta coletiva, o papel da violência política, a juventude diante de regimes autoritários e a influência estrangeira na política nacional. A obra discute não apenas os fatos, mas também as contradições humanas dos militantes, aproximando-se do dilema narrado por Dostoiévski em Os Demônios, em que ideais revolucionários se chocam com a dimensão existencial de cada indivíduo."
  2. Em que cena compreendeu o tema de fundo do filme? "Esse tema aparece de forma clara na cena em que Paulo cuida de Charles Burke e, ao mesmo tempo, é pressionado por Jonas para matar o embaixador. Nessa cena, o dilema moral fica exposto: de um lado, o compromisso com a vida e com os princípios éticos; de outro, a exigência revolucionária que, para Jonas, justificaria a morte em nome da causa. É o ponto em que o filme escancara a tensão entre o humano e o político."
  3. Qual o problema ou questão que foi tratada mais demoradamente? "O dilema moral revolucionário durante o período da ditadura militar brasileira é o ponto mais trabalhado. Não se trata apenas de narrar os fatos históricos, mas de explorar as contradições internas dos personagens: até onde é legítimo usar a violência para enfrentar um regime que também é violento? Até onde o sacrifício individual deve se submeter ao coletivo? Esse debate perpassa todo o filme."
  4. Os realizadores descreveram bem os protagonistas? "Sim, os protagonistas foram bem descritos, com personalidades distintas e coerentes com seus papéis. No entanto, é perceptível que a dramatização foi usada como recurso narrativo, simplificando certas complexidades históricas para favorecer o impacto emocional. Essa escolha tem méritos artísticos, mas, do ponto de vista histórico, pode deixar lacunas."

C) Ritmo e Montagem – Edição

  1. Qual a cena ou sequência que mais chamou sua atenção ou lhe impactou? Porquê? "A cena final, em que os presos políticos são libertados, foi a mais impactante para mim. Isso porque o filme constrói, ao longo de sua narrativa, uma atmosfera de tensão, dor e dilema moral, e nesse momento temos uma espécie de catarse coletiva. Além disso, há uma carga simbólica muito forte: é a vida prevalecendo sobre a morte, a resistência se afirmando contra a repressão. O impacto semiótico da cena é poderoso, pois representa não apenas a vitória pontual dos militantes, mas também a memória de todos os que sofreram no período."
  2. Houve algo no filme que te aborreceu? Em que parte do filme? Eram cenas de diálogo ou de ação? "O que me incomodou foram apenas alguns exageros dramatizados, principalmente em certas falas ou expressões que soam artificiais. Contudo, percebo que isso também faz parte da tentativa de tornar o filme acessível a um público maior. Não chega a ser algo que desqualifique a obra, mas é um detalhe perceptível para quem busca maior fidelidade histórica."
  3. Qual a cena/seqüência que não foi bem compreendida por você? Porquê? "Não houve nenhuma cena específica que eu não tenha compreendido. O filme é narrado de forma clara, com começo, meio e fim bem estruturados, e apesar de algumas simplificações, não deixa grandes pontos obscuros."

D) Mensagem

  1. O que é proposto pelo filme é aceitável ou não? Porquê? "A mensagem proposta pelo filme é aceitável, pois dá voz a discursos e narrativas que foram silenciados durante a ditadura militar. O resgate dessa memória histórica é fundamental para entender o Brasil contemporâneo, especialmente porque muitas das tensões políticas atuais ainda se relacionam com esse passado de repressão, resistência e disputa ideológica. O filme não propõe uma verdade absoluta, mas abre espaço para reflexão."
  2. A quem se dirige, em sua opinião, o filme? "O filme se dirige a pessoas que não tiveram contato direto com a história da ditadura, ou que tiveram esse contato de maneira parcial e distorcida. É uma obra voltada para o grande público, buscando provocar reflexão sobre o período autoritário, mostrar o papel da juventude militante e relembrar que a democracia no Brasil foi conquistada a duras penas."

E) Relação com a disciplina de História do Brasil

  1. Qual a contribuição do filme para sua compreensão da disciplina e do período estudado? "O filme contribui significativamente para a compreensão da ditadura militar brasileira, não apenas como um registro histórico, mas como uma forma de perceber o clima de medo, tensão e luta do período. Ele complementa o estudo acadêmico ao oferecer uma dimensão humana da resistência, mostrando como ideias políticas se materializavam em ações concretas, muitas vezes dramáticas e controversas. Assim, enriquece a visão da disciplina ao associar conceitos históricos com narrativas de vida."
  2. Relacione as contribuições desse trabalho para sua formação. "A análise do filme amplia minha formação ao aproximar história e cultura, teoria e prática, reflexão acadêmica e narrativa artística. Compreender o desenvolvimento socioeconômico e cultural do Brasil durante a ditadura ajuda a perceber raízes de problemas ainda presentes, como desigualdade, autoritarismo, violência política e disputas de memória. Além disso, reforça a importância de manter viva a discussão sobre a democracia e os limites da ação política, algo essencial para a formação crítica em Ciências Sociais."