Analise de filme " Brasil, um relato de tortura" - Estefany Nicole Ferreira dos Santos
Unesp UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA
[editar | editar código]CÂMPUS DE MARÍLIA
[editar | editar código]Faculdade de Filosofia e Ciências
[editar | editar código]Disciplina: História do Brasil II
[editar | editar código]Prof. Paulo Eduardo Teixeira
ROTEIRO PARA ANÁLISE DE FILME
[editar | editar código]Aluno/a: Estefany Nicole Ferreira dos Santos
Ciências Sociais – 2025 – Turma Matutino ( ) Turma Noturno ( x )
TÍTULO DO FILME
FICHA TÉCNICA
Título do Filme: Brasil, um relato de tortura, 1971
Ano: 1971 País: EUA
Gênero: Documentário
Duração: 59 min
Direção:Hannah Eaves
Roteiro: Haskell Wexler e Saul Landau
Fotografia: Thomas Hernandez
Trilha sonora: Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores – Geraldo Vandré
Elenco original: Frei Tito, Maria Auxiliadora Lara Barcelos, Sonia Regina Yessin Ramos, Antonio Expedito Pereira, Jean Marc van der Weid, Nancy Mangabeira Unger, Manuel Dias Nascimento, Jovelina Tonello do Nascimento
Produção:Lorraine Hess
Idioma original: Espanhol, principalmente português, com legendas em inglês
DINÂMICA DA NARRATIVA
- Idéia Inicial – História
- O filme conta uma história. Sobre quem?
O filme retrata as experiências das vítimas da ditadura militar no Brasil (1964 - 1985). Foi gravado no Chile em 1971, onde alguns sobreviventes estavam exilados. Por meio de depoimentos, eles expõem os métodos de tortura utilizados pelos militares, mostrando tanto a violência física quanto a psicológica.
- Quais são as personagens principais?
Todos os entrevistados, que contribuem contando seus relatos.
- Qual delas mereceu a sua atenção?
Uma entrevistada especialmente marcante é a jovem de 25 anos Maria Auxiliadora Lara Barcelos. Integrante da organização Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), ela foi presa em 21 de novembro de 1969 e entrou na lista dos 70 presos políticos banidos para o Chile como moeda de troca. No exílio, concedeu seu depoimento ao documentário, relatando as torturas que sofreu. Mais tarde, após o governo de Augusto Pinochet impedir a continuidade de seus estudos no Chile, Maria migrou para a Bélgica e obteve asilo político na Alemanha Oriental em 1974. Em 1976, precisou ser internada numa clínica psiquiátrica em Spandau devido a problemas de amnésia. Embora tenha recebido alta, acabou se suicidando em 1º de junho de 1976. Em seus relatos, o olhar de Maria Auxiliadora chama fortemente a atenção. Ela descreve os espancamentos e abusos sexuais sofridos, bem como as sequelas deixadas em suas companheiras de prisão. Destaca, ainda, a frieza dos policiais que, durante as sessões de tortura, agiam com alegria, como se participassem de uma festa. Por vezes, enquanto narrava suas experiências, Maria esboçava sorrisos. Questionada pelo entrevistador sobre essa reação, explicou que o sorriso funcionava apenas como forma de expressão, e que ela não achava graça nenhuma. O que aparenta ser, é um sorriso de indignação e um olhar de tristeza, é profundamente triste o jeito que ela fala das torturas realizadas e como ela relata as sequelas que ficam após tudo isso, mostrando como a ditadura além de torturar, também destruía vidas para sempre.
- Como termina o filme? O que você achou sobre ele e porquê?
Nas cenas finais, ocorre o relato de Maria Auxiliadora sobre sua experiência de trabalho em favelas, convivendo com pessoas em situação de pobreza extrema. Ela explica como a fome e a desnutrição afetavam as crianças, dificultando a atenção nas aulas e prejudicando o aprendizado. Também conta de que forma buscava ajudar a comunidade, unindo seus conhecimentos de professora e de medicina. No final, toca uma música chamada “Pra não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré. Essa composição teve sua execução proibida durante a ditadura e se tornou um hino de resistência dos movimentos civis e estudantis que faziam oposição ao regime.
Depois da censura da canção, Vandré acabou perseguido pelo regime militar, passando anos vivendo no exílio. Na volta ao Brasil, evitou se engajar em grandes manifestações políticas. Achei esse final impactante, e a música expressa bem o sentimento de resistência.
- Tema de Fundo – Tese
- Quais são os temas tratados no filme?
Os temas abordados no documentário incluem os métodos de tortura, tanto físicos quanto psicológicos, a repressão política, a memória, o testemunho dos sobreviventes e o exílio decorrente da ditadura militar no Brasil.
- Em que cena compreendeu o tema de fundo do filme?
Desde o início, o documentário já mostra o discurso de um participante sobre as torturas sofridas.
- Qual o problema ou questão que foi tratada mais demoradamente?
A questão tratada mais demoradamente no documentário é a demonstração de como eram as torturas. Segundo uma das vítimas, elas não se sentem confortáveis ao relembrar e relatar essas experiências, mas se dispõem a fazê-lo para que o mundo conheça a violência sofrida e as marcas que a ditadura deixou.
- Os realizadores descreveram bem os protagonistas?
Sim, cada entrevistado conseguiu contar sua história de um jeito impactante e que fica na memória.
- Ritmo e Montagem – Edição
- Qual a cena ou sequência que mais chamou sua atenção ou lhe impactou? Porquê?
Além das cenas de torturas, que causam um grande impacto, outro aspecto marcante é a presença de um médico, mencionado nos depoimentos como responsável por supervisionar as torturas, garantindo que as vítimas resistissem ao máximo sem morrer. O objetivo não era matar, mas extrair informações, mantendo a pessoa consciente dentro de um limite calculado. Um dos participantes relata: “Doutor coutinho era um encarregado de observar toda tortura que os torturadores passassem e o limite em que eu ficasse consciente, não por humanidade evidentemente, mas porque para eles era importante atingir apenas o limite da minha
resistência, cada vez em que eu ficava inconsciente era vantagem para mim porque eles tinham que parar e eu não sentia mais as torturas, então eles mantinham tudo dentro de um determinado limite, e esse doutor controlava. Então as vezes em que eu ficava inconsciente ele me dava soro na veia para recuperar, dava estimulantes para que eu recuperasse a consciência e aguentasse mais tempo de tortura conscientemente”
Essa prática é extremamente perversa, mostrando a total falta de humanidade da ditadura militar.
- Houve algo no filme que te aborreceu? Em que parte do filme? Eram cenas de diálogo ou de ação?
A parte do documentário que me aborreceu ocorre aos 22 minutos e 19 segundos, quando um entrevistado, visivelmente angustiado, relata sua experiência de tortura, descrevendo cenas extremamente fortes. A maioria dessas torturas envolvia coerção e intimidação, especialmente através de partes sensíveis do corpo, em particular os órgãos genitais, deixando-o totalmente vulnerável. É impossível não se sensibilizar ao ouvir seu relato. Alguns minutos depois, é apresentada a forma de uma das torturas mencionadas. Na cena, observa-se um indivíduo sustentando o peso do corpo apenas pelos braços, enquanto os pés permanecem presos e a região genital é amarrada a uma corda. Esse é um método de tortura física no qual o corpo da vitima é rigidamente controlado, limitando qualquer movimento natural e provocando extremo desconforto e dor. Tanto a cena de diálogo quanto a que demonstra a tortura provocam profunda indignação diante da desumanidade apresentada.
- Qual a cena/sequência que não foi bem compreendida por você? Porquê?
Não houve nenhuma cena ou sequência que eu não tenha compreendido. Consegui entender bem todas as cenas.
- Mensagem
- O que é proposto pelo filme é aceitável ou não? Porquê?
Sim, pois o documentário busca relatar os acontecimentos da ditadura militar no Brasil, dando voz aos sobreviventes. Dessa forma, cumpre seu papel.
- A quem se dirige, em sua opinião, o filme?
Na minha opinião, o documentário se dirige a todos, pois é de extrema importância histórica e política.
- Relação com a disciplina de História do Brasil
- Qual a contribuição do filme para sua compreensão da disciplina e do período estudado?
O documentário me fez compreender que a ditadura não foi apenas censura, mas também tortura e sequelas profundas. Os relatos corajosos das vítimas mostram que não foram casos isolados, mas experiências compartilhadas que revelam a crueldade do regime militar. Muitas vezes a ditadura é tratada de forma superficial, e até hoje há quem defenda o regime como benéfico. Isso confirma o que vimos em aula, aprofundar-se na história e na memória incomoda quem detém o poder.
- Relacione as contribuições desse trabalho para sua formação.
Este trabalho proporcionou uma compreensão mais profunda sobre a ditadura militar no Brasil, por meio dos relatos de sobreviventes. Ele aprofundou o meu entendimento sobre os impactos da repressão política, das torturas e do exílio. Quando eu for falar sobre a ditadura militar, com certeza irei recomendar este documentário, pois ele desmonta qualquer narrativa que tente apresentar o regime como benéfico, mostrando claramente o sofrimento das vítimas e a crueldade do período.