Analise do Filme: ''Rio, 40 Graus'' - Carolina Fischer
Disciplina: História do Brasil II
Prof. Paulo Eduardo Teixeira
Aluno/a: Carolina Fischer
Ciências Sociais – 2025 – Turma Matutino ( ) Turma Noturno (X)
RIO, 40 GRAUS
[editar | editar código]FICHA TÉCNICA
[editar | editar código]Título do Filme: Rio, 40 graus;
Ano: 1955; País: Brasil;
Gênero: Documentário/Drama;
Duração: 1h 40m;
Direção: Nelson Pereira dos Santos;
Roteiro: Nelson Pereira dos Santos;
Fotografia: Hélio Silva;
Trilha sonora: Zé Keti, Radamés Gnattali, Claudio Santoro, Alexandre Gnattali;
Elenco original: Modesto de Souza, Roberto Batalin, Glauce Rocha, Jece Valadão, Claudia Moreno, Ana Beatriz, Zé Keti;
Produção: Equipe Moacyr Fenelon;
Idioma original: Português (Brasil).
DINÂMICA DA NARRATIVA
A) Idéia Inicial – História
1- O filme conta uma história. Sobre quem?
O filme conta a história de cinco meninos da favela do Morro do Cabuçú que descem o morro em um domingo quente para vender amendoins pelos principais pontos turísticos do Rio de Janeiro. Através das trajetórias desses garotos e das diversas pessoas que cruzam seus caminhos, o diretor constrói um retrato amplo da cidade e de suas contradições sociais.
2- Quais são as personagens principais?
Os protagonistas são os cinco meninos vendedores de amendoim (Zeca, Sujinho, Jorge, Paulinho e Xerife), cada um representando uma face da infância pobre carioca. Outros personagens também ganham destaque, como Dona Elvira, mãe de um dos garotos, o jogador Bebeto, Rosa e Pedro, o casal nordestino, e alguns representantes da elite urbana.
3- Qual delas mereceu a sua atenção?
O menino que visita o zoológico (Paulinho) chamou mais a minha atenção. Sua curiosidade e encanto diante dos animais revelam a pureza da infância e um momento raro de lirismo no meio da dura realidade que o filme retrata. A forma como ele é expulso do zoológico por um guarda, apenas por ser um menino negro e pobre, mostra de forma muito sensível o quanto os espaços da cidade eram (e continuam sendo) socialmente divididos.
4- Como termina o filme? O que você achou sobre ele e porquê?
O filme termina de forma trágica, quando um dos meninos é atropelado ao tentar se agarrar a um bonde. Seu grito de dor é abafado pelo barulho das torcidas no estádio do Maracanã, como se o sofrimento popular fosse silenciado pelo espetáculo e pela indiferença social. Achei um final muito forte, pois sintetiza a crítica que o filme faz à desigualdade e à invisibilidade do povo pobre.
B) Tema de Fundo – Tese
1- Quais são os temas tratados no filme?
O filme aborda temas como a desigualdade social, o racismo, a exclusão, a pobreza e a distância entre o morro e o asfalto. Também apresenta questões ligadas à infância, ao trabalho precoce e à luta pela sobrevivência nas grandes cidades. Nelson Pereira dos Santos critica a falsa ideia de um Brasil harmônico, mostrando as contradições do país em processo de urbanização e modernização.
2- Em que cena compreendeu o tema de fundo do filme?
Compreendi o tema central do filme logo na cena do zoológico, quando o menino é expulso do local. Esse momento resume a desigualdade que o diretor quer revelar: o contraste entre o encanto e a exclusão, entre o sonho e a realidade social. O olhar curioso da criança, interrompido pela repressão do guarda, simboliza o Brasil dividido entre aqueles que têm acesso à cidade e os que vivem à margem dela.
3- Qual o problema ou questão que foi tratada mais demoradamente?
A questão mais explorada é a pobreza e a forma como ela é vista pela sociedade. Nelson Pereira mostra que os pobres são constantemente associados à criminalidade, como se sua condição fosse culpa pessoal e não resultado de estruturas históricas de exclusão. Isso fica evidente na cena em que o jogador Bebeto acusa injustamente o menino Jorge de tentar roubá-lo.
4- Os realizadores descreveram bem os protagonistas?
Sim. A direção retrata os protagonistas com muita humanidade. Mesmo sem grandes falas, os meninos são mostrados com profundidade: são crianças que sonham, trabalham e enfrentam a vida com coragem. Essa naturalidade, reforçada pelo uso de atores não profissionais, faz com que o espectador se conecte com eles de forma real e empática.
C) Ritmo e Montagem – Edição
1- Qual a cena ou seqüência que mais chamou sua atenção ou lhe impactou? Porquê?
A cena do zoológico foi a que mais me impactou. Ela é poética e, ao mesmo tempo, dolorosa. A alegria pura do menino ao ver os animais contrasta com a frieza do guarda que o expulsa. Essa passagem representa bem a contradição entre a inocência e a exclusão social, e mostra como até os pequenos prazeres são negados a quem vem do morro.
2- Houve algo no filme que te aborreceu? Em que parte do filme? Eram cenas de diálogo ou de ação?
A cena que me aborreceu foi a da praia, quando o jogador Bebeto derruba a lata de amendoim do menino Jorge e o acusa injustamente de tentar enganá-lo. É uma cena curta, mas muito incômoda, porque expõe o preconceito e a arrogância de uma elite que culpa os pobres por sua própria situação. São cenas de ação e diálogo, mas com um peso simbólico muito forte.
3- Qual a cena/seqüência que não foi bem compreendida por você? Porquê?
Não entendi completamente algumas partes do filme, porque a narrativa é construída de maneira fragmentada, com várias histórias acontecendo ao mesmo tempo em diferentes lugares. Em certos momentos, me senti um pouco descontextualizada, sem saber como algumas cenas se conectavam com as demais. Mesmo assim, percebi que essa escolha faz parte da proposta do diretor de mostrar o Rio de Janeiro como um espaço dividido, cheio de vidas que raramente se cruzam.
D) Mensagem
1- O que é proposto pelo filme é aceitável ou não? Porquê?
O que o filme propõe é totalmente aceitável e necessário. Nelson Pereira dos Santos mostra o Brasil real, aquele que o cinema da época costumava esconder. Ele não romantiza a pobreza, mas também não a trata com piedade. O filme nos faz enxergar a desigualdade de forma crítica, propondo uma reflexão sobre as injustiças que atravessam a nossa história.
2- A quem se dirige, em sua opinião, o filme?
Acredito que o filme se dirige principalmente ao povo brasileiro, mas também à classe média e às elites que muitas vezes ignoram ou naturalizam a pobreza. É um filme que provoca o olhar do espectador e convida à empatia, mostrando que o país não pode se considerar moderno enquanto tantos vivem à margem.
E) Relação com a disciplina de História do Brasil
1- Qual a contribuição do filme para sua compreensão da disciplina e do período estudado?
Rio, 40 Graus ajuda a compreender o Brasil do período democrático entre 1945 e 1964, principalmente no que diz respeito à urbanização e às desigualdades sociais que se intensificaram nesse processo. O filme mostra como o projeto de modernização de Juscelino Kubitschek e a imagem de um país em desenvolvimento conviviam com uma dura realidade de exclusão e pobreza. Assim, ele dialoga diretamente com o conteúdo do plano de aula, especialmente quando se trata de temas relacionados à urbanização do país, ao retratar as transformações do espaço urbano e o impacto disso sobre as camadas populares.
2- Relacione as contribuições desse trabalho para sua formação.
Assistir e analisar Rio, 40 Graus contribuiu para que eu percebesse como o cinema pode ser uma importante fonte histórica, capaz de expressar e questionar as contradições do país. O filme me ajudou a compreender que a memória e a representação de um período histórico não estão apenas em documentos oficiais, mas também nas produções culturais que dão voz ao povo. Além disso, ampliou minha sensibilidade para observar o quanto as desigualdades retratadas nos anos 1950 ainda se refletem na sociedade atual, tornando o estudo da história mais vivo e próximo da realidade.