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Angela Davis

De Wikiversidade

Filósofa e ativista norte-americana

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 BIOGRAFIA

Angela Yvonne Davis (Birmingham, 26 de janeiro de 1944) é uma professora, ativista e filósofa socialista que na década de 1970 se tornou uma referência pela sua militância pelos direitos das mulheres e contra a discriminação social e racial, além de ser uma figura importante no Partido Comunista dos Estados Unidos, dos Panteras Negras.

Angela nasceu no estado do Alabama, um dos mais racistas do sul dos Estados Unidos. Na época em que Angela nasceu, uma política de segregação racial estava implantada na maioria dos estados do sul do país, e os ataques contra os negros eram recorrentes.

Seus pais, Sallye Davis e Frank Davis, eram professores e faziam parte de movimentos antirracistas como a NAACP (Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor). Eles tinham colegas próximos que eram integrantes do Partido Comunista. Portanto, Davis cresceu com ótimas referências que seriam cruciais para a construção de sua jornada como uma das maiores ativistas dos Estados Unidos pela luta dos direitos civis negros e das mulheres.

Aos 14 anos participou de um intercâmbio que oferecia bolsas de estudo para estudantes negros ao norte do país. Davis passou a estudar no Greenwich Village, em Nova Iorque, onde entrou em contato com as teses comunistas e o socialismo marxista, sendo depois recrutada para uma organização comunista de jovens estudantes (Advance).  

No começo da década de 60, Angela Davis ingressou na Universidade de Brandeis, Massachusetts, para estudar Literatura Francesa e conseguiu uma bolsa de estudos de um ano para estudar na Universidade de Sorbonne, em Paris.

Retornando para os Estados Unidos, Angela tornou-se militante e participante ativa dos movimentos negros e feministas que cercavam a sociedade norte-americana da época. Davis iniciou como filiada da SNCC (Comitê Coordenador Estudantil Não-Violento), organização antirracista fundada pelo ativista negro Stokely Carmichael que seguia os princípios de Martin Luther King e pregavam uma resistência pacífica. Depois, essa organização deixou de existir, e tanto Carmichael quanto Davis aderiram a um estilo mais radical de luta pelos direitos, filiando-se ao Partido dos Panteras Negras e o Black Power.

 Angela se formou em 1965, mas prosseguiu com os estudos na Alemanha para fazer uma pós-graduação em Filosofia com a orientação do professor Theodor Adorno na Universidade Goethe, em Frankfurt.

RECONHECIMENTO E PRISÃO

Ao retornar aos EUA em 1967, Davis permaneceu na sua luta e militância ao ativismo político. No ano seguinte, filiou-se oficialmente ao Partido Comunista e tornou-se professora assistente do Departamento de Filosofia da Universidade da Califórnia. Porém, devido a filiação ao PC, sofreu perseguição política na universidade e pelo governador da Califórnia Ronald Reagan, até ser demitida em 1969.

Essa não foi a única consequência do ativismo de Davis, que foi acusada de assassinato, sequestro e conspiração, fazendo com que Angela se integrasse a lista dos dez mais procurados pelo FBI. Isso aconteceu em agosto de 1970, quando Angela Davis estava como representante dos Panteras Negras no julgamento de três militantes do movimento que estavam presos, os chamados Irmãos Soledad. O irmão de um dos acusados, Jonathan Jackson, de apenas 17 anos, invadiu armado o tribunal com mais dois companheiros e sequestrou o juiz, o promotor e os jurados.

No estacionamento do tribunal, Jonathan Jackson gritou dizendo que queria a libertação dos Irmãos Soledad em troca dos reféns. Porém, nada foi de acordo com o plano: houve um tiroteio com a polícia, em que Jonathan Jackson matou o juiz sequestrado, o promotor levou um tiro da polícia e ficou paraplégico e os sequestradores foram mortos pelos policiais. Segundo a polícia, a arma usada por Jonathan Jackson estava registrada no nome de Angela Davis.

Angela fugiu do estado da Califórnia e desapareceu por dois meses, até ser presa em Nova Iorque em outubro. O julgamento durou dezoito meses e foi acompanhado diariamente pela mídia. Nos debates, grandes discussões sobre o racismo na sociedade norte-americana aconteceram. Diariamente pessoas manifestaram pela liberdade de Davis e sua absolvição.

 Angela foi inocentada de todas as acusações e, posteriormente, libertada. Artistas como John Lennon, Yoko Ono e os Rolling Stones lançaram músicas como homenagem para a ativista. A prisão de Davis durou 16 meses, e mobilizou o mundo inteiro através da campanha feita pelo Comitê Libertem Angela Davis (documentário) e Todos os Presos Políticos, até que ela fosse absolvida.

A filósofa viajou para Cuba, seguindo os passos dos ativistas radicais Huey Newton e Stokely Carmichael. A população negra da ilha a recebeu entusiasticamente, ela mal conseguiu discursar tamanha a celebração e impacto que Davis causou. O que era difícil em um tempo em que expressões de identidades raciais eram raras em Cuba. A multidão se identificou com os pensamentos da ativista, sem medo de serem rechaçados pelo governo cubano.

Em 1980 e 1984, Angela Davis candidatou-se a vice-presidente dos Estados Unidos como companheira de chapa de Gus Hall, presidente do Partido Comunista Americano. Davis permaneceu sua carreira de ativista política e escreveu diversos livros, principalmente sobre as condições carcerárias no país.

Em 1994, Davis retornou a Universidade da Califórnia e recebeu o título de professora emérita.

Aposentou-se em 2008, e em 2019 passou a integrar o National Women’s Hall of Fame dos Estados Unidos.

IDEOLOGIA & LIVROS

Angela Davis criou uma narrativa potente, que fortaleceu gerações de reivindicações e buscava reconhecer as mulheres negras como fundamentais para a luta feminista e antirracista. Seus discursos passaram pelos movimentos abolicionistas, pela luta por educação e pela resistência à violência sistemática sofrida pela população negra.

A ativista construiu uma coletânea de livros, resultado de uma vida dedicada aos estudos relacionados a questões raciais e de gênero. Por meio da escrita pode-se entender um pouco de seu pensamento e de sua vivência.

Uma de suas principais obras, ¨Mulheres, raça e classe¨ (1981), elucida a ideia de que formas de opressão não são isoladas, mediante o conceito de interseccionalidade, a intersecção de fatores sociais que definem uma pessoa e como isso irá afetar sua relação com a sociedade.

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Além disso, apresenta sua tese contra a existência do sistema carcerário, a filósofa questiona a população majoritária dos presídios, formada por latinos, negros e povos originários dos Estados Unidos. Para Angela, o encarceramento se transformou em uma ferramenta para pender minorias étnicas, o que afirma a ineficácia desse sistema, visto que não resulta na queda da criminalidade.

A ativista aponta a educação dos grupos marginalizados como foco para a viabilidade de uma sociedade sem demanda de presídios. Tema aprofundado no livro ¨Estarão as prisões obsoletas? ¨ (2003).

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Outros livros da autora:

A liberdade é uma luta constante (2015): Seu nono livro, organizado pelo ativista Frank Barat, é uma coletânea de entrevistas, artigos e discursos realizados entre 2013 e 2015.

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Mulheres, Cultura e Política (1989): Um livro de sucesso, aborda como a política pode ser utilizada para enfraquecer certos grupos sociais, nesse caso as mulheres, os negros e a classe trabalhadora. Em contrapartida, valoriza a importância da resistência por meio de movimentos sociais.

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