Borum-Kren
O povo Borum-Kren é uma comunidade indígena de ressurgência em Minas Gerais (Brasil), com identidade histórica, cultural e territorial, que busca reconhecimento, demarcação de terras e visibilidade social. Sua atuação é marcada por processos de recuperação identitária, reterritorialização, restauração florestal e práticas culturais tradicionais ligadas ao ambiente.
Localização geográfica
[editar | editar código]Localizam-se principalmente na região de Ouro Preto, Itabirito, Mariana e distritos e zonas rurais vizinhas, no território alto dos rios Velhas, Paraopeba e Doce. Têm presença também em distritos como Santo Antônio do Leite, Amarantina, Antônio Pereira entre outros locais históricos.
Identidade e história
[editar | editar código]Ao longo da história colonial, foram conhecidos por diversos nomes entre não indígenas: Botocudos, Bukans, Cataguases, Guarachues, Batatais, Guaianazes do Velhas, entre outros e sofreram processos de extermínio cultural, invisibilização e dispersão forçada de seus descendentes. Muitos foram obrigados a ocultar sua ancestralidade e identificavam-se como “pardos” ou “negros da terra” nos censos e registros oficiais.
Cultura, práticas e saberes
[editar | editar código]Os Borum-Kren retêm e tem retomado práticas tradicionais, como o acendimento do fogo, confeccção de pedras lascadas e confecção de arcos e flechas, além de movimentar tradições orais, cosmogonias ancestrais, lembranças de modos de vida nômades, que envolviam deslocamentos nos ambientes de matas, rios e serras para atividades de subsistência e uso cultural.
Reivindicações e organização política
[editar | editar código]A retomada e a demarcação de terra é uma das principais reivindicações atuais. A visita da FUNAI ao território e o reconhecimento como terra dominial indígena reconheceu de fato da presença indígena Borum-Kren no município de Ouro Preto e abriu espaço político para novas reivindicações. A reterritorialização é percebida como parte de um processo mais amplo que leva em conta restaurar a memória, restabelecer práticas sócio-ecológicas, conservar paisagens multifuncionais e garantir acesso a recursos naturais vivos (florestas, rios, solos) para sustento cultural e material da comunidade, como investiga a pesquisadora indígena Bárbara Flores Borum-Kren[1].
Referências
[editar | editar código]- ↑ https://www.agenciaprimaz.com.br/2025/04/19/povo-borum-kren-reforca-presenca-na-regiao-dos-inconfidentes/
- ↑ https://www.cedefes.org.br/memoria-indigena-borum-kren-na-regiao-de-ouro-preto-minas-gerais/
- ↑ https://www.em.com.br/app/noticia/diversidade/2023/02/07/noticia-diversidade,1454678/povo-indigena-de-ouro-preto-os-borum-kren-lutam-por-demarcacao-de-terra.shtml
- ↑ https://guaicuy.org.br/funai-em-antonio-pereira/
- ↑ https://agenciabrasil.ebc.com.br/meio-ambiente/noticia/2025-08/pesquisadora-diz-que-memoria-indigena-pode-recuperar-areas-degradadas
- ↑ https://territoriopress.com.br/noticia/2495/povo-indigena-de-ouro-preto-os-borum-kren-lutam-por-demarcacao-de-terra?print=1
- ↑ https://oglobo.globo.com/brasil/epoca/noticia/2024/09/21/arqueologa-indigena-estuda-crianca-sepultada-ha-pelo-menos-600-anos-em-casca-de-arvore.ghtml