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Borum-Kren

De Wikiversidade

O povo Borum-Kren é uma comunidade indígena de ressurgência em Minas Gerais (Brasil), com identidade histórica, cultural e territorial, que busca reconhecimento, demarcação de terras e visibilidade social. Sua atuação é marcada por processos de recuperação identitária, reterritorialização, restauração florestal e práticas culturais tradicionais ligadas ao ambiente.

Localização geográfica

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Localizam-se principalmente na região de Ouro Preto, Itabirito, Mariana e distritos e zonas rurais vizinhas, no território alto dos rios Velhas, Paraopeba e Doce. Têm presença também em distritos como Santo Antônio do Leite, Amarantina, Antônio Pereira entre outros locais históricos.

Identidade e história

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Ao longo da história colonial, foram conhecidos por diversos nomes entre não indígenas: Botocudos, Bukans, Cataguases, Guarachues, Batatais, Guaianazes do Velhas, entre outros e sofreram processos de extermínio cultural, invisibilização e dispersão forçada de seus descendentes. Muitos foram obrigados a ocultar sua ancestralidade e identificavam-se como “pardos” ou “negros da terra” nos censos e registros oficiais.

Cultura, práticas e saberes

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Os Borum-Kren retêm e tem retomado práticas tradicionais, como o acendimento do fogo, confeccção de pedras lascadas e confecção de arcos e flechas, além de movimentar tradições orais, cosmogonias ancestrais, lembranças de modos de vida nômades, que envolviam deslocamentos nos ambientes de matas, rios e serras para atividades de subsistência e uso cultural.

Reivindicações e organização política

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A retomada e a demarcação de terra é uma das principais reivindicações atuais. A visita da FUNAI ao território e o reconhecimento como terra dominial indígena reconheceu de fato da presença indígena Borum-Kren no município de Ouro Preto e abriu espaço político para novas reivindicações. A reterritorialização é percebida como parte de um processo mais amplo que leva em conta restaurar a memória, restabelecer práticas sócio-ecológicas, conservar paisagens multifuncionais e garantir acesso a recursos naturais vivos (florestas, rios, solos) para sustento cultural e material da comunidade, como investiga a pesquisadora indígena Bárbara Flores Borum-Kren[1].

Referências

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  1. https://www.agenciaprimaz.com.br/2025/04/19/povo-borum-kren-reforca-presenca-na-regiao-dos-inconfidentes/
  2. https://www.cedefes.org.br/memoria-indigena-borum-kren-na-regiao-de-ouro-preto-minas-gerais/
  3. https://www.em.com.br/app/noticia/diversidade/2023/02/07/noticia-diversidade,1454678/povo-indigena-de-ouro-preto-os-borum-kren-lutam-por-demarcacao-de-terra.shtml
  4. https://guaicuy.org.br/funai-em-antonio-pereira/
  5. https://agenciabrasil.ebc.com.br/meio-ambiente/noticia/2025-08/pesquisadora-diz-que-memoria-indigena-pode-recuperar-areas-degradadas
  6. https://territoriopress.com.br/noticia/2495/povo-indigena-de-ouro-preto-os-borum-kren-lutam-por-demarcacao-de-terra?print=1
  7. https://oglobo.globo.com/brasil/epoca/noticia/2024/09/21/arqueologa-indigena-estuda-crianca-sepultada-ha-pelo-menos-600-anos-em-casca-de-arvore.ghtml