CCT-UFCA/Ciência da Computação/Inteligência Artificial/Agentes Lógicos e Representação do Conhecimento
Agentes Lógicos
[editar | editar código]- São agentes que tomam decisões baseados em conhecimento armazenado em uma Base de Conhecimento (BC).
- Essa BC guarda sentenças lógicas sobre o mundo.
- Eles não só percebem e agem, mas também raciocinam para decidir.
Operações básicas:
[editar | editar código]- TELL → adiciona novas informações na base de conhecimento.
- ASK → consulta a base de conhecimento para decidir o que fazer.
Pense num agente lógico como um estudante bem organizado:
- Ele anota tudo (TELL),
- Consulta seus cadernos e faz deduções (ASK),
- E só depois age.
O Mundo Wumpus – Um exemplo clássico
[editar | editar código]É o cenário usado para mostrar como agentes lógicos funcionam.
Estrutura do mundo:
[editar | editar código]- Uma caverna 4x4 de salas.
- Há um monstro (Wumpus), poços perigosos e um tesouro.
- O agente começa na posição [1,1] e precisa sobreviver, pegar o ouro e sair.
Regras do jogo:
[editar | editar código]- +1000 pontos se sair com o tesouro.
- -1000 se cair em um poço ou for devorado.
- -1 por ação (para incentivar soluções rápidas).
- -10 por usar a flecha.
Atuação do agente:
[editar | editar código]- Pode virar, andar para frente, pegar objetos, atirar uma flecha ou escalar para sair.
Sensores:
[editar | editar código]- Brisa → sala adjacente tem um poço.
- Fedor → sala adjacente tem o Wumpus.
- Brilho → sala contém o ouro.
- Grito → o Wumpus morreu.
[1,1] Início
↓
Brisa → perigo próximo
Fedor → monstro perto
Brilho → ouro aqui!
O agente usa lógica para deduzir onde estão os perigos e como alcançar o tesouro em segurança.
Representação com Lógica
[editar | editar código]- Podemos representar fatos do mundo com lógica proposicional:
Pij: há poço na posição [ i, j ].Bij: há brisa em [ i, j ].- Exemplo de regra:
B11 → (P12 ∨ P21)→ Se há brisa em [ 1, 1 ], então existe poço em [ 1, 2 ] ou [ 2, 1 ].
- Ou usar lógica de predicados (mais flexível):
∀y [B(y) → ∃x (P(x) ∧ Adj(x,y))]- "Se em y há brisa, então existe algum x adjacente que é poço".
Algoritmos de Inferência
[editar | editar código]São usados para deduzir novos fatos a partir da BC.
1. Enumeração de Modelos
[editar | editar código]- Testa todas as combinações possíveis de valores (V ou F) até verificar se uma sentença é sempre verdadeira.
- ✅ Correto e completo, mas lento (exponencial).
Exemplo: como tentar todas as respostas possíveis de uma prova até achar a certa.
2. Busca de Provas
[editar | editar código]- Usa algoritmos de busca para provar sentenças.
- Só aplica regras relevantes, ignorando informações inúteis.
- Mais eficiente que enumerar tudo.
Analogia: estudar só os capítulos do livro que caem na prova, em vez de decorar tudo.
3. Algoritmo de Resolução
[editar | editar código]- Baseado em combinar cláusulas até encontrar uma contradição (cláusula vazia).
- Exemplo:
a ∨ b,¬a ∨ c→ gerab ∨ c.
- Se a contradição aparece, significa que a dedução é válida.
Analogia: como juntar pistas em uma investigação até encontrar a única solução possível.
4. Cláusulas de Horn
[editar | editar código]- Forma simplificada de escrever sentenças lógicas → mais eficiente.
- Exemplo:
(L1,1 ∧ Brisa → B1,1)→ se em [ 1, 1 ] há brisa, então em [ 1, 1 ] há perigo.
- Permite inferência rápida.
Analogia: regras de “se… então…”, fáceis de aplicar.
5. Encadeamento para Frente
[editar | editar código]- Parte dos fatos conhecidos → aplica regras → gera novos fatos até responder a consulta.
- Exemplo:
- Sei que
[1,1]tem brisa + regra = concluo que há perigo em vizinhos.
- Sei que
Analogia: como montar um quebra-cabeça, encaixando peça por peça até formar a imagem.
Conclusão
[editar | editar código]- Agentes lógicos são fundamentais porque conseguem raciocinar e deduzir fatos invisíveis.
- O Mundo Wumpus mostra como um agente pode usar lógica para sobreviver em um ambiente perigoso.
- Os algoritmos de inferência (enumeração, resolução, cláusulas de Horn, encadeamento) são as ferramentas que dão “inteligência” ao agente.
Esse é o passo além da simples busca: aqui a IA pensa como um detetive lógico, usando fatos e regras para agir com segurança.
Referências
[editar | editar código]- RUSSELL, S. J.; NORVIG, P. Inteligência artificial. 3 ed. LTC, 2013. 1016 p.
- COPPIN, B. Inteligência Artificial. 1a ed. LTC, 2010. 664 p.