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CCT-UFCA/Ciência da Computação/Inteligência Artificial/Agentes Lógicos e Representação do Conhecimento

De Wikiversidade

Agentes Lógicos

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  • São agentes que tomam decisões baseados em conhecimento armazenado em uma Base de Conhecimento (BC).
  • Essa BC guarda sentenças lógicas sobre o mundo.
  • Eles não só percebem e agem, mas também raciocinam para decidir.

Operações básicas:

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  • TELL → adiciona novas informações na base de conhecimento.
  • ASK → consulta a base de conhecimento para decidir o que fazer.

Pense num agente lógico como um estudante bem organizado:

  • Ele anota tudo (TELL),
  • Consulta seus cadernos e faz deduções (ASK),
  • E só depois age.

O Mundo Wumpus – Um exemplo clássico

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É o cenário usado para mostrar como agentes lógicos funcionam.

Estrutura do mundo:

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  • Uma caverna 4x4 de salas.
  • Há um monstro (Wumpus), poços perigosos e um tesouro.
  • O agente começa na posição [1,1] e precisa sobreviver, pegar o ouro e sair.

Regras do jogo:

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  • +1000 pontos se sair com o tesouro.
  • -1000 se cair em um poço ou for devorado.
  • -1 por ação (para incentivar soluções rápidas).
  • -10 por usar a flecha.

Atuação do agente:

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  • Pode virar, andar para frente, pegar objetos, atirar uma flecha ou escalar para sair.

Sensores:

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  • Brisa → sala adjacente tem um poço.
  • Fedor → sala adjacente tem o Wumpus.
  • Brilho → sala contém o ouro.
  • Grito → o Wumpus morreu.
 [1,1] Início
    Brisa  perigo próximo
 Fedor  monstro perto
 Brilho  ouro aqui!

O agente usa lógica para deduzir onde estão os perigos e como alcançar o tesouro em segurança.

Representação com Lógica

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  • Podemos representar fatos do mundo com lógica proposicional:
    • Pij: há poço na posição [ i, j ].
    • Bij: há brisa em [ i, j ].
    • Exemplo de regra:
      • B11 → (P12 ∨ P21) → Se há brisa em [ 1, 1 ], então existe poço em [ 1, 2 ] ou [ 2, 1 ].
  • Ou usar lógica de predicados (mais flexível):
    • ∀y [B(y) → ∃x (P(x) ∧ Adj(x,y))]
    • "Se em y há brisa, então existe algum x adjacente que é poço".

Algoritmos de Inferência

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São usados para deduzir novos fatos a partir da BC.

1. Enumeração de Modelos

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  • Testa todas as combinações possíveis de valores (V ou F) até verificar se uma sentença é sempre verdadeira.
  • ✅ Correto e completo, mas lento (exponencial).

Exemplo: como tentar todas as respostas possíveis de uma prova até achar a certa.

2. Busca de Provas

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  • Usa algoritmos de busca para provar sentenças.
  • Só aplica regras relevantes, ignorando informações inúteis.
  • Mais eficiente que enumerar tudo.

Analogia: estudar só os capítulos do livro que caem na prova, em vez de decorar tudo.

3. Algoritmo de Resolução

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  • Baseado em combinar cláusulas até encontrar uma contradição (cláusula vazia).
  • Exemplo:
    • a ∨ b, ¬a ∨ c → gera b ∨ c.
  • Se a contradição aparece, significa que a dedução é válida.

Analogia: como juntar pistas em uma investigação até encontrar a única solução possível.

4. Cláusulas de Horn

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  • Forma simplificada de escrever sentenças lógicas → mais eficiente.
  • Exemplo:
    • (L1,1 ∧ Brisa → B1,1) → se em [ 1, 1 ] há brisa, então em [ 1, 1 ] há perigo.
  • Permite inferência rápida.

Analogia: regras de “se… então…”, fáceis de aplicar.

5. Encadeamento para Frente

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  • Parte dos fatos conhecidos → aplica regras → gera novos fatos até responder a consulta.
  • Exemplo:
    • Sei que [1,1] tem brisa + regra = concluo que há perigo em vizinhos.

Analogia: como montar um quebra-cabeça, encaixando peça por peça até formar a imagem.

Conclusão

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  • Agentes lógicos são fundamentais porque conseguem raciocinar e deduzir fatos invisíveis.
  • O Mundo Wumpus mostra como um agente pode usar lógica para sobreviver em um ambiente perigoso.
  • Os algoritmos de inferência (enumeração, resolução, cláusulas de Horn, encadeamento) são as ferramentas que dão “inteligência” ao agente.

Esse é o passo além da simples busca: aqui a IA pensa como um detetive lógico, usando fatos e regras para agir com segurança.

Referências

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  1. RUSSELL, S. J.; NORVIG, P. Inteligência artificial. 3 ed. LTC, 2013. 1016 p.
  2. COPPIN, B. Inteligência Artificial. 1a ed. LTC, 2010. 664 p.