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CCT-UFCA/Ciência da Computação/Teoria dos Grafos/Árvores:

De Wikiversidade

Definições fundamentais

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Definição: Uma árvore é um grafo conexo e acíclico.

Obs.: Toda árvore é um grafo bipartido. Uma vez que uma árvore não possui ciclos, então não possui ciclos ímpares, o que equivale a ser bipartido.

Definição: Uma floresta é um grafo acíclico.

Definição: Uma ponte, ou aresta de corte, é uma aresta cuja remoção aumenta o número de componentes conexas de um grafo em exatamente uma unidade.

Analogamente, uma articulação é um vértice cuja remoção aumenta o número de componentes conexas em uma ou mais unidades.

Definição: Uma folha em uma árvore é um vértice de grau 1.

Definição: Um corte de vértices em um grafo é um conjunto de vértices cuja remoção aumenta o número de componentes conexas de em pelo menos uma unidade. Analogamente, definimos corte de arestas.

Definição: Uma árvore geradora de um grafo é um subgrafo gerador de que é uma árvore.

Teoremas relacionados

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Teorema 1: Um grafo é uma árvore se e somente se existe um único caminho entre qualquer par de vértices.

Prova (ida): Seja uma árvore. Vamos mostrar por absurdo que, dada uma árvore, só existe um caminho entre qualquer par de vértices.

Seja uma árvore e suponha por absurdo que existem vértices tais que e são conectados por caminhos e distintos. Nesse caso, claramente existe pelo menos um ciclo entre e em , o que é absurdo, já que assumimos que é uma árvore, e por definição, uma árvore é um grafo acíclico e conexo.

Prova (volta): Vamos mostrar por absurdo que, se é um grafo tal que , existe um único caminho entre e , então é uma árvore.

Seja um grafo que atende à premissa e suponha por absurdo que não é uma árvore. Como em existe um único caminho entre qualquer par de vértices, então é conexo. Como não é uma árvore, então podemos assumir que em há um ciclo entre dois vértices arbitrários. Logo, existem caminhos internamente disjuntos e entre e , o que é um absurdo, visto que assumimos que em só há um caminho entre qualquer par de vértices.

Assim, temos que é conexo e acíclico, isto é, uma árvore.



Teorema 2: Seja um grafo conexo. é uma árvore se e somente se , é uma ponte.

Prova (ida): Vamos mostrar por absurdo que se é uma árvore, toda aresta de é ponte.

Seja uma árvore e suponha por absurdo que existe que não é ponte. Logo, existe um caminho que não contém entre e . Logo, temos que forma um ciclo em , o que é um absurdo, pois assumimos inicialmente que é uma árvore.

Prova (volta): Vamos mostrar por absurdo que se é um grafo em que toda aresta é ponte, então é uma árvore. Como é conexo, basta mostrar que é acíclico, então teremos mostrado que é uma árvore.

Seja um grafo conexo e suponha por absurdo que não é uma árvore, isto é, que possui um ciclo e seja e dois vértices consecutivos de . Assim, existe um caminho entre e e, além disso, e são adjacentes através de .

Logo, em , e continuam conectados através de , o que é um absurdo, já que é uma ponte. Portanto, é uma árvore.



Teorema 3: Para toda árvore , temos que .

Prova (ida): Vamos mostrar que se é uma árvore, então , por indução em .

Caso base: Para , temos que e, claramente, .

Passo indutivo: Suponha que o teorema é válido para toda árvore com até arestas. Vamos mostrar que o teorema vale para toda árvore com até arestas.

Seja uma árvore com . Seja uma aresta de . Pelo resultado anterior, sabemos que é uma ponte de . Além disso, pelo exercício, sabemos que o número de componentes de é exatamente igual a 2.

Sejam e tais componentes de . Como é acíclico, temos que e são ambos acíclicos e,  além disso, conexas. Logo, são árvores com no máximo arestas. Por hipótese indutiva, temos que e , onde e são os números de arestas em e , respectivamente.

Além disso, sabemos que e . Temos, então que:

Prova (volta): Vamos mostrar por absurdo que, se um grafo conexo possui arestas, então é uma árvore. Nesse sentido, como é conexo, para mostrar que é uma árvore, basta mostrar que é acíclico.

Seja um grafo com arestas tal que não é uma árvore. Como não é uma árvore, então é cíclico, possuindo pelo menos um ciclo C formado pelos caminhos e distintos entre um par de vértices e arbitrário em . Ao removermos, sem perda de generalidade, uma aresta do caminho , em , obtemos um grafo conexo, onde e estão ainda conectados por . Se tem mais de um ciclo, então podemos repetir o processo de remoção de arestas até que obtenhamos sem ciclos e conexo, isto é, uma árvore. Como o processo não envolve remoção de vértices, temos que é uma árvore que possui exatamente vértices e, pela prova da ida deste mesmo teorema, sabemos que uma árvore deve possuir exatamente arestas. No entanto, como possui pelo menos uma aresta a menos que , então temos que , e como é uma árvore, pela prova da ida deste mesmo teorema, sabemos que isso é absurdo. Logo, é uma árvore.


Teorema 4: Toda árvore com ao menos dois vértices possui pelo menos duas folhas.

Prova: Vamos mostrar por absurdo o teorema em questão.

Seja uma árvore e suponha por absurdo que possui no máximo uma folha. Além disso, seja um caminho de comprimento máximo de e sejam e as extremidades de . Assuma, sem perda de generalidade, que . Assim, possui um vizinho em e um outro vizinho . Caso , então obtemos um caminho de a maior que . Logo, deve pertencer a . Mas o caminho juntamente a aresta forma um ciclo em , o que é uma contradição, já que é uma árvore.

Logo, possui apenas como vizinho, e pelo mesmo raciocínio, podemos mostrar que possui apenas um vizinho em . Logo e são folhas de .


Corolário - Teorema 4: Toda árvore com ao menos dois vértices possui pelo menos duas folhas.

Prova: Sabemos que:

Suponha por contradição que possui no máximo uma folha. Assim, teríamos que:

Isso porque, todo vértice folha possui exatamente vizinho. Se possui uma folha a menos, então possui um vértice a menos com no máximo um vizinho, o que aumenta a soma dos graus de em pelo menos uma unidade.

Com isso, as duas expressões acima são contraditórias. Ou seja, possui ao menos duas folhas.


Teorema 5: Seja um grafo conexo e um corte de arestas de . Então toda árvore geradora de é tal que .

Prova: Suponha por absurdo que , para alguma árvore geradora e corte de arestas de .

Sejam e duas componentes de obtidas pela remoção das arestas de . Além disso, sejam e .

Como , então e pertencem a componentes distintas em , uma contradição.