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CCT-UFCA/Ciência da Computação/Teoria dos Grafos/Emparelhamentos em Grafos Bipartidos:

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Definições fundamentais

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Definição: Um emparelhamento é um subconjunto de arestas de um grafo , tal que quaisquer duas arestas de são não-adjacentes.

Definição: Um emparelhamento de é maximal se não existe tal que e é um emparelhamento de . Além disso, é máximo se não existe emparelhamento tal que .

Além disso, o tamanho ou cardinalidade de um emparelhamento máximo de é denotado por .

Definição: Seja um emparelhamento de . Dizemos que um vértice é M-saturado se é extremidade de alguma aresta de . caso contrário, dizemos que é M-insaturado.

Definição: Seja um emparelhamento de . Se, , é -saturado, então é um emparelhamento perfeito.

Definição: Seja um emparelhamento de . Um caminho de é M-alternado se possui arestas sequenciais que alternam em pertencer e não pertencer a .

Além disso, um caminho é M-aumentante se suas extremidades são M-insaturadas e é M-alternado.

Definição: Seja um grafo qualquer e . A vizinhança de em é o conjunto de todos os vértices vizinhos dos vértices de , e denotamos por , isto é: .

Teoremas relacionados

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Teorema de Berge: Seja um grafo e um emparelhamento de . Então é máximo se e somente se não admite caminhos M-aumentantes.

Prova (volta): Seja e , tal que não possui qualquer caminho M-aumentante. Suponha por absurdo que não é máximo.

Seja um emparelhamento máximo de , ou seja, . Seja (diferença simétrica entre e em ).

Podemos ver que todo vértice possui grau no máximo 2, pois cada vértice pode estar em no máximo uma aresta de e no máximo uma aresta de . Dessa forma, é formado apenas por ciclos e caminhos disjuntos.

Também podemos ver que todo ciclo de é par e, para cada tal ciclo, temos o mesmo número de arestas de e de . Portanto, como , então deve existir um caminho com mais arestas de que de . Além disso, possui um número ímpar de arestas. Sejam as arestas de . Temos que as arestas , com ímpar pertencem a e as arestas com par, pertencem a .

Além disso, suas extremidades são M-insaturadas, caso contrário o caminho seria maior. Logo, é M-aumentante. Absurdo, e portanto, é emparelhamento máximo de .

Prova (ida): Seja um emparelhamento máximo de . Vamos mostrar que não possui caminhos M-aumentantes. Por absurdo, seja um caminho M-aumentante de . Logo, possui um número ímpar de arestas e suas extremidades são M-insaturadas. Seja as arestas de . Logo, as arestas de índice ímpar não pertencem a e as de índice par pertencem a . Isto é, possui arestas que não estão em e arestas que estão em . Portanto, podemos remover as arestas de e incluir as arestas de a , obtendo um emparelhamento de tamanho maior que . Isso contradiz o fato de que é máximo. Absurdo.


Teorema de Holl: Seja um grafo bipartido com bipartição . Então possui um emparelhamento que sature todo o conjunto se e somente se, , onde .

Prova (ida): Seja bipartido com bipartição e tal que todo o conjunto é -saturado. Seja e . Como satura todo o conjunto , temos que , e algum . Logo, , temos que existe um vizinho em para cada elemento de . Ou seja .

Prova (volta): Seja um grafo bipartido com bipartição . Seja tal que, . Suponha por absurdo que não admite emparelhamento que satura todo .

Seja um emparelhamento máximo de . Seja um vértice -insaturado. Sejam e os conjuntos de vértices que podem ser alcançados por através de caminhos -alternados em , tal que e .

Temos que , pois o caminho de a que usa 0 arestas é -alternado.

Podemos ver que todo vértice de é -saturado com algum vértice de , caso contrário, existiria um caminho -aumentante de  a ele, o que contradiz o fato de ser máximo. Como todo vértice de é -saturado, temos que , pois é -insaturado. Podemos ver que , caso contrário, existiria um vértice e , tal que . Logo, existiria um caminho -alternado de a que, juntamente com formaria um caminho -aumentante, uma contradição. Portanto, , o que contradiz a hipótese. Absurdo.


Corolário do Teorema de Holl: Se é um grafo -regular bipartido, então tem  um emparelhamento perfeito.

Prova: Seja -regular bipartido com bipartição . Como é -regular, então , e portanto, como , . Seja e sejam e os conjuntos de arestas incidentes em vértices de e em vértices de , respectivamente. Por definição de , e portanto:

Segue que e assim, pelo teorema de Holl, sabemos que tem um emparelhamento que satura todo vértice em . Como , é emparelhamento perfeito.