Conflitualidades Tecnopolíticas e os Limites da Democracia no Antropoceno
Sobre
[editar | editar código]Título: Conflitualidades tecnopolíticas e os limites da democracia no Antropoceno
Disciplina eletiva do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais e do Instituto de Estudos Avançados e Convergentes da da Universidade Federal de São Paulo.
Professor Responsável: Prof. Dr. Henrique Zoqui Martins Parra.
contato: henrique.parra [arroba] unifesp.br
Professoras e professores integrantes: Alana Moraes (Unifesp), Felipe Figueiredo (ITU-Dk), Guilherme Fagundes (USP), Leonardo Folleto (FGV), Maria Fernanda Novo (Unicamp), Marina Guzzo (Unifesp), Rodolfo Scachetti (Unifesp), Salvador Schalvezon (Unifesp), Renzo Taddei (Unifesp).
Período e Carga Horária
[editar | editar código]Local: Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
Quando: 2° semestre de 2025, 12 sessões às quintas-feiras, 14:30hs às 18:00hs.
Carga horária total: 90 horas, 6 créditos
Como participar
[editar | editar código]As aulas acontecerão às quintas-feiras entre as 14:00 e 18:00 (dinâmica do horário será combinada com os participantes) presencialmente no Campus da EFLCH em Guarulhos (no Laboratório de Humanidades Digitais, sala 330) e num ambiente virtual sincrônico para os participantes externos. Os pós-graduandos externos ao PPGCS poderão acompanhar o curso remotamente com presença obrigatória nas aulas síncronas no ambiente virtual. Nossa expectativa é ampliar as possibilidades de participação, porém mantendo a centralidade do curso no aprendizado coletivo, na discussão e interação sincrônica entre as presentes (físicos e virtuais). Portanto, a dimensão remota do curso não pretende massificar seu acesso. Para que possamos manter um bom nível de interação síncrona entre os partícipes (presenciais e retomos), limitaremos o número de estudantes externos ao PPGCS, os quais serão selecionados conforme o edital de matricula (veja no link abaixo):
- Estudantes do PPGCS: matrícula regular para o curso presencial na EFLCH.
- Estudantes especiais (de outros programas de pós-graduação): https://ppg.sociais.sites.unifesp.br/informes/aluno-especial
- Estudantes ouvintes podem participar das aulas (presenciais e remotas). Todavia, temos um limite de pessoas para não sobrecarregar o espaço e garantir boas condições de fala para todes participantes. Para acompanhar/participar voluntariamente envie um email para henrique.parra [arroba] unifesp.br
Avaliação
[editar | editar código]- Participação em sala: cada estudante ficará responsável por apresentar brevemente algumas questões de um texto selecionado para discussão em sala. Não se trata do habitual "seminário de texto/autor". Esperamos que as/os participantes façam uma breve intervenção dialogando com os professores convidados e/ou com os argumentos centrais dos textos indicados.
- Cada estudante deverá escolher um tema/problema abordado no curso e desenvolver um artigo-ensaio. O corpo do texto deverá ter entre 12.000 a 20.000 caracteres (incluindo espaço). A idéia é que os trabalhos finais possam ser reunidos em uma publicação coletiva ao final do curso.
- Frequência (mínima 75%).
Recursos utilizados
[editar | editar código]- Página Wikiversity
- Ambiente de videoconf: https://conferenciaweb.rnp.br/
- Lista de discussão email - egroup
- Grupo de mensagem instantânea - Telegram e/ou Matrix
Objetivo Geral
[editar | editar código]O curso Conflitualidades Tecnopolíticas e os limites da democracia no Antropoceno pretende avançar na produção de um programa coletivo de pesquisa, através do diálogo interdisciplinar entre diferentes pesquisadoras e pesquisadores que atuam na confluência dos estudos sociais da ciência e tecnologia, antropologia, teoria política, filosofia e ciências ambientais e que estão implicados com os desafios teóricos e políticos da crise socioambiental e civilizacional que atravessamos. A disciplina busca investigar a hipótese de que o que é reconhecido hoje como "crise climática" revela a expressão mais crítica do colapso das "coordenadas modernas" (Latour), sobretudo os modos de habitar o mundo (modos sociotécnicos, epistêmicos e políticos) produzidos e gestados no Antropoceno.
Partimos de duas configurações epocais. Numa primeira dimensão, a emergência do novo regime climático, a entrada em cena do Antropoceno. O que significa levar a sério o reconhecimento da crise climática em nossas práticas de conhecimento (científicas e extra-acadêmicas) e na produção tecnocientífica? Quais as possibilidades e limites de nossos referenciais teóricos-metodológicos ou de nossas instituições políticas para abordar e lidar com os problemas inaugurados pelo Antropoceno? Numa segunda dimensão, o reconhecimento da Tecnoesfera (ou Tecnoceno), o conjunto dos arranjos sociotécnicos, as tecnologias socioeconômicas, jurídicas e políticas, materiais e semióticas, que deram forma aos ambientes que sustentam as formas de vida contemporânea. Ao mesmo tempo que sua existência gerou longas cadeias de dependência (basta pensar no desenho e funcionamento de nossas grandes cidades), suas condições de funcionamento estão na base da destruição do planeta e da vida terrestre. Interessa-nos, portanto, refletir sobre o aparente desacoplamento entre as evidências científicas sobre os limites planetários, que ameaçam a continuidade dos ecossistemas, biodiversidade e da vida humana e de outras espécies na terra, e as formas de ação política e técnica que possam corresponder a essas evidências.
Objetivos Específicos
[editar | editar código]- Refletir sobre a trama saber-poder-tecnologia nos regimes de verdade (produção do real e verdadeiro) no presente e nos cenários futuros sob disputa no que se refere ao problema construído como "crise climática".
- Analisar as reconfigurações nos modos e técnicas de exercício do poder no contexto da crescente mediação tecnológica;
- Compreender os sentidos em disputa da noção de "transição".
- Investigar a relação entre as transformações sociotécnicas e as mudanças nas dinâmicas de mediação e representação política, bem como nas relações de autoridade e poder institucional;
- Analisar as tensões e possibilidades de um pluralismo técnico contra-hegemônico reivindicado por coletividades que interrogam a monocultura tecnocientífica;
- Identificar formas de controvérsias tecnopolíticas no que se refere às disputas socioterritoriais e modos de habitar.
Ementa
[editar | editar código]Considerando que nossa forma de vida é altamente dependente dos arranjos sociotécnicos que criamos, e que tais arranjos são oriundos de uma certa configuração entre ciência-tecnologia-capitalismo-militarização, reflexo de uma episteme e cosmotécnica específica, e da constituição das instituições políticas modernas, nos perguntamos como os problemas inaugurados pela emergência do regime climático do Antropoceno transformam nossas agendas de pesquisa e como podem ser analisados no sentido de imaginarmos rotas possíveis de bifurcação societal? Mais especificamente, gostaríamos de nos deter sobre a relação entre o que se convencionou chamar de "Grande Aceleração", a ascensão do mundo fóssil/industrial e o que seria a emergência do Tecnoceno, suas formas sociotécnicas, estéticas e políticas de ordenar e governar a vida terrestre. O Tecnoceno atualiza e potencializa a expansão da conversão do mundo vivo em “recurso”, governa sob o imperativo da mobilização e disponibilidade infinita e incrementa a redução, controle ou contenção das formas agentivas que animam as existências e seus desejos de liberação.
No campo teórico e nas políticas tecnológicas é recorrente observar que discursos e práticas voltados ao desenvolvimento industrial, inovação científica e tecnológica ou mesmo a "transição energética" tendem a tratar as tecnologias como artefatos desprovidos de valores intrínsecos. A implementação de tecnologias em suas configurações sociotécnicas dominantes é frequentemente apresentada como uma escolha inevitável, a única solução eficiente para os problemas selecionados. Isso pode ser observado nas escolhas dos modelos atuais de inteligência artificial adotados na saúde, educação, segurança e gestão pública; nos projetos e estratégias de plataformização digital; formas de automação no trabalho; tecnologias corporativas aplicadas à cadeia agrícola; sistemas inteligentes para cidades (smart cities); iniciativas de transição energética voltadas à mitigação de impactos socioambientais.
Do mesmo modo, a disciplina busca compreender a diversidade ontoepistêmica e cosmotécnica como expressões de formas de vida capazes de imaginar e promover rotas de bifurcação ao Tecnoceno., Discutiremos em que medida elas parecem sinalizar para formas políticas e técnicas que se proliferam nas ruínas da forma democrática moderna e sua implicação com o mundo fóssil e as ficções de crescimento. A partir de uma perspectiva interdisciplinar e multiescalar dos conflitos, pretendemos investigar os limites e possibilidades de transição societal no Antropoceno/Tecnoceno. Desse modo, a partir de conflitualidades tecnocientíficas/tecnopolíticas, pretendemos cartografar um campo analítico que visa articular três dimensões que consideramos interrelacionadas: (1) crise socioambiental relativa à emergência do Antropoceno; (2) crise democrática, representada pela crescente erosão e desfuncionalidade das instituições políticas modernas, o ascenso do autoritarismo-fascismo e necropolítica instalada no interior da própria ordem democrática; (3) crise ontoepistêmica, representada por novas disputas em torno do real e verdadeiro e das tensões sobre os regimes de produção de conhecimento (científico e extra-científico).
Como a produção de conhecimento tecnocientífico é interpelada por essa policrise e como cartografar as experimentações existentes que já contribuem para a elaboração de melhores perguntas e que indicam a indissociabilidade dos aspectos ontopistêmicos-políticos-tecnológicos? Alguns dos temas abordados transitam entre novos e velhos problemas e campos teóricos: ontologias políticas, humanidades ambientais, ecologias sociotécnicas, cosmotécnicas e cosmopolíticas; bifurcação e transição societal; conflitos terranos e abordagens anti-colonilais; digitalizalização e cibernética; Antropoceno, Capitaloceno, Tecnoceno.
Cronograma (em construção)
[editar | editar código]Aula 1 - 4 de setembro: Apresentação do curso e da metodologia dos trabalhos
[editar | editar código]Aula 2 - 11 de setembro: Tecnopolítica e Conflitos Cosmotécnicos - Henrique Parra
[editar | editar código]PARRA, Henrique Z.M. Da tecnopolítica às lutas cosmotécnicas: dissensos ontoepistêmicos face à hegemonia cibernética no Antropoceno. In. KLEBA,J. ; CRUZ,C.; ALVEAR, A. (org). Engenharias e outras práticas técnicas engajadas : diálogos interdisciplinares e decoloniais. Campina Grande: EDUEPB, 2022. Disponivel em: https://www.pimentalab.net/wp-content/uploads/2022/08/Tecnopoliticas_Lutas_Cosmotecnicas_Henrique_Parra_2022.pdf
Complementar
BISET, Emmanuel; COSTA, Flavia; BLANCO, Javier. Manifiesto tecnopolítico. [s. d.]. Manifiesto tecnopolítico. Disponível em: https://revistasupernova.com/nota/129. Acesso em: 3 set. 2025.
HUI, Yuk. An Introduction to Machine and Sovereignty: For a Planetary Thinking - Journal #153. [s. d.]. Disponível em: https://www.e-flux.com/journal/153/662133/an-introduction-to-machine-and-sovereignty-for-a-planetary-thinking. Acesso em: 30 ago. 2025.
HORNBORG, Alf, A. (2015). The Political Ecology of the Technocene: Uncovering Ecologically Unequal Exchange in the World-System. In C. Hamilton, C. Bonneuil, & F. Gemenne (Eds.), The Anthropocene and the Global Environmental Crisis: Rethinking Modernity in a New Epoch (pp. 57-69). Routledge. (disponivel no drive).
MARTINS, Hermínio. The technocene : reflections on bodies, minds, and markets. New York: Anthem Press, 2018 (Cap.1 The Technocene - disponivel no drive).
Aula 3 - 18 de setembro: Dataficação, IAs, governamentalidade algoritmica - Leonardo Foletto
[editar | editar código]LEMOS, A. Dataficação da vida. Civitas-Revista de Ciências Sociais, v. 21, p. 193-202, 2021. https://revistaseletronicas.pucrs.br/civitas/article/view/39638
POELL, Thomas; NIEBORG, David; VAN DIJCK, José. Plataformização (Platformisation, 2019 – tradução: Rafael Grohmann). Revista Fronteiras – estudos midiáticos 22(1):2-10 janeiro/abril 2020. https://revistas.unisinos.br/index.php/fronteiras/article/view/fem.2020.221.01
CRAWFORD, Kate. Anatomy of AI / Calculating Empires. 2023. Website. Disponível em: https://cartography-of-generative-ai.net/
GILLESPIE, T. The politics of “platforms”. New Media & Society, Thousand Oaks, v. 12, n. 3, p. 347-64, 2010. DOI: http://dx.doi.org/10.1177/1461444809342738
MANOVICH, Lev; ARIELLI, Emanuele. Artificial aesthetics: an introduction to the future of aesthetics and culture in the age of AI. [S.l.: s.n.], 2023. Disponível em: https://manovich.net/content/04-projects/179-artificial-aesthetics/manovich_and_arielli.artificial_aesthetics.all_chapters_final.pdf
PASQUINELLI, Matteo. The Eye of the Master- A Social History of Artificial Intelligence. Londres; Verso Books, 2023
Aula 4 - 25 de setembro: A morte da Natureza: paradigma do controle como forma de domínio e governo sociotecnico - Alana Moraes
[editar | editar código]MERCHANT, Carolyn. A Morte da Natureza: mulheres, ecologia e a revolução científica. São Paulo. Ed. Igrá Kniga e Expressão Popular, 2025 (Capítulo 7 "Domínio sobre a natureza"; Capítulo 8 "A ordem mecânica").
WOLFORD, Wendy. The Plantationocene: A Lusotropical Contribution to the Theory, Annals of the American Association of Geographers. 2021.
STENGERS, Isabelle. Cosmopolítica: civilizar as práticas modernas. In: Uma outra ciência é possível: manifesto por uma desaceleração das ciências. Rio de Janeiro. Ed. Bazar do Tempo. 2023.
Tenondé Porã – Autonomia e Diversidade. Jera Guarani e Lucas Keese dos Santos. site da Teia dos Povos. 4 de fevereiro de 2025. Disponível em: https://teiadospovos.org/tenonde-pora-autonomia-e-diversidade
Aula 5 - 2 de outubro: Estética, natureza e invenção: reflexões a partir de G. Simondon sobre casos de restauração ambiental - Rodolfo Scachetti
[editar | editar código]CASTRO, V. P. Convergência e bifurcação: a fase mágica de Simondon como condição genética da cultura. Idéias, Campinas, SP, v.13, 01-24, 2022. DOI 10.20396/ideias.v13i00.8668186 Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/ideias/article/download/8668186/30235/134215
KASTRUP, V.; CARIJÓ, F. H.; DE ALMEIDA, M. C. O ciclo inventivo da imagem. Informática na educação: teoria & prática, Porto Alegre, v. 15, n. 1, 2012. DOI: 10.22456/1982-1654.29086. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/InfEducTeoriaPratica/article/view/29086 . Acesso em: 8 jul. 2025.
Aula 6 - 9 de outubro: Corpos, territórios, saberes vivos - Marina Guzzo
[editar | editar código]Myers, Natasha. “How to Grow Livable Worlds: Ten Not-So-Easy Steps.” In The World to Come: Art in the Age of the Anthropocene, editado por Kerry Oliver-Smith, 53–63. Gainesville, FL: Samuel P. Harn Museum of Art, University of Florida, 2018. (VERSAO EM PORTUGUES enviada no Telegram).
Guzzo, M., & Taddei, R. (2019). Experiência estética e Antropoceno. Políticas do comum para os fins de mundo. Desigualdade & Diversidade, (17), 72-88. doi: https://doi.org/10.17771/PUCRio.DDCIS.46021. Disponível em https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/46021/46021.PDFXXvmi=. Acesso em 20 abr. 2022.
Yusoff, K., & Gabrys, J. (2011). Climate change and the imagination. WIREs Climate Change, 2, 516-534. https://doi.org/10.1002/wcc.117
Haraway, D. (2016a). Antropoceno, Capitaloceno, Plantationoceno, Chthuluceno: fazendo parentes. (Trad. Susana Dias, Mara Verônica, Ana Godoy). ClimaCom - Vulnerabilidade, 3(5). Disponível em: http://climacom.mudancasclimaticas.net.br/antropoceno-capitaloceno-plantationoceno-chthuluceno-fazendo-parentes/. Acesso em 20 abr. 2022.
INGOLD, Tim. (2020). Of Work and Words: Craft as a Way of Telling. European Journal of Creative Practices in Cities and Landscapes, 2(2), 5-17. https://doi.org/10.6092/issn.2612-0496/10447
KRENAK, Ailton. A vida não é útil. São Paulo: Companhia das Letras, 2020.
Aula 7 - 16 de outubro: Cosmopolítica e Capitaloceno - Salvador Schavelzon
[editar | editar código]MOORE, Jason. O surgimento da natureza barata. In: MOORE, J. (org), Antropoceno ou capitaloceno? Natureza, história e a crise do capitalismo. São Paulo, Elefante, 2022.
DE LA CADENA, Marisol. Cosmopolítica indígena nos Andes: reflexões conceituais para além da “política”. Maloca: Revista de Estudos Indígenas, Campinas, SP, v. 2, 2020. DOI: 10.20396/maloca.v2i.13404. Disponível em: https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/maloca/article/view/13404.
SCHAVELZON, S. Apresentação: Cosmopolítica dos Andes e dos seres-terra. Maloca: Revista de Estudos Indígenas, Campinas, SP, v. 2. https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/maloca/article/view/13403
SCHAVELZON, Salvador. Introdução Dossiê - Cosmopolíticas e ontologias relacionais entre povos indígenas e populações tradicionais na América Latina. Revista de Antropologia, v. 59, n. 3, p. 7-17, 2016.
Alfinito, A. C., Schavelzon, S., & Munduruku, A. K. (2024). O direito cosmopolítico Munduruku como prática jurídica contra o Antropoceno. Revista Direito E Práxis, 15(3), 1–37. Recuperado de https://www.e-publicacoes.uerj.br/revistaceaju/article/view/83710
LATOUR, Bruno. Qual cosmos, quais cosmopolíticas? Comentário sobre as propostas de paz de Ulrich Beck. Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, Brasil, n. 68, p. 428-441, abr. 2018.DOI: https://revistas.usp.br/rieb/article/view/145662
Aula 8 - 23 de outubro: Conflitos ontoepistemopolíticos: saberes científicos, extra-científicos e o Antropoceno - Renzo Taddei
[editar | editar código]TADDEI, R. Imaginar melhor. In: CARNEVALLI, Felipe; ROSENBURG, Marcela; LOBATO, Paula; LAGOEIRO, Vitor. (Org.). Onde Há Fumaça: arte e emergência climática. São Paulo: Museu Paulista, FAAMP, 2024, p. 212-2018.
TADDEI, R. Kopenawa e as ciências ambientais na Amazônia. In: MARRAS, S; TADDEI, R. (eds.). O Antropoceno: sobre modos de compor mundos. São Paulo: Editora Fino Traço, 2022, pp. 212-242.
TADDEI, R.; SHIRATORI, K; BULAMAH, R. Decolonizing the Anthropocene (wbiea2519). The International Encyclopedia of Anthropology. John Wiley & Sons, 2022.
TADDEI, R.; HAINES, S. Quando climatologistas encontram cientistas sociais: especulações etnográficas sobre equívocos interdisciplinares. Sociologias 21 (51): 186-209, 2019.
Aula 9 - 30 de outubro: Tecnopolítica e Crítica da Racialidade - Maria Fernanda Novo
[editar | editar código]NOVO, Maria Fernanda. Tecnoconjurações negras: notas sobrepostas de tecnopolítica e crítica da racialidade. O que nos faz pensar, Rio de Janeiro, v.31, n.53, p.52-72, jul-dez.2023.
FAUSTINO, Deivison & LIPPOLD, Walter. Lélia Gonzalez e o Hacktivismo em Pretupigues: por uma amefricanização pindorâmica dos algoritmos. In. A.J.AMARAL, J.SABARIEGO, A.CL.ELESBÃO (Org.). Algoritarismos II, Valencia: Ed.Tirant. 2025.
Complementar
AMARO, Ramon. The Black Technical Object: On Machine Learning and the Aspiration of Black Being. Stenberg Press, 2022.
BROWNE, Simone. Dark Matters, on the surveillance of blackness. Durham and London: Duke University Press, 2015.
MOTTEN, Fred ; HARNEY, Stefano. Sobcomuns – Planejamento fugitivo e estudo negro. Ubu, 2022.
Aula 10 - 6 de novembro: Energopolítica e o Antropoceno - Felipe Figueiredo
[editar | editar código]Leitura obrigatória:
(Capítulos I e II: p.4 - 57) BOYER, D. Basta de Fósseis. São Leopoldo/RS: Cadernos IHU ideias, 2023. Disponível em: https://ihu.unisinos.br/categorias/629100-basta-de-fosseis-artigo-de-dominic-boyer-nos-cadernos-ihu-ideias
BOYER, D. (Joint preface & Introduction) Energopolitics: Wind and Power in the Anthropocene. Duke University Press, 2019.
Leitura complementar:
BAINTON, N., KEMP, D., LÈBRE, E., OWEN, J. R., & MARSTON, G. (2021). The energy-extractives nexus and the just transition. Sustainable Development, 2021; 1– 11. doi:https://doi.org/10.1002/sd.2163
HOWE, C. Ecologics: Wind and Power in the Anthropocene. Duke University Press, 2019.
Aula 11 - 13 de novembro: Atividade de Campo na Bienal
[editar | editar código]Preparação:
Aula 12 - 27 de novembro: Apresentação dos trabalhos e avaliação do Curso
[editar | editar código]Aula suspensa - Biotecnodiversidade contra o Antropoceno - Guilherme M. Fagundes
[editar | editar código]CANGUILHEM, Georges. La question de l’écologie. La technique ou la vie. In: DAGOGNET, François. Considérations sur l’idée de nature. Paris: Vrin, p. 183-191. 2000.
HUI, Yuk. On cosmotechnics: for a renewed relation between technology and nature in the Anthropocene. Techné: Research in Philosophy and Technology, 21(2-3), p. 319-341. 2017.
FERDINAND, Malcom. Uma ecologia decolonial: pensar a partir do mundo caribenho. São Paulo: UBU. 2022.
LORIMER, Jamie. Life in Anthropocene. In: The Probiotic Planet: Using Life to Manage Life. Minneapolis: University of Minnesota Press. 2020.
PYNE, Stephen J. Fire Creature: Lithic Landscape; The Pyrocene. In: The Pyrocene: How We Created an Age of Fire, and What Happens Next. Berkeley: University of California Press, p. 82-144. 2021.
FAGUNDES, Guilherme Moura. Fire normativities: environmental conservation and quilombola forms of life in the Brazilian savanna. Vibrant, v. 16, p. 1-22. 2019.
SAUTCHUK, Carlos. Os antropólogos e a domesticação: derivações e ressurgências de um conceito. In: SEGATA, Jean; RIFIOTIS, Theophilos (orgs.). Políticas etnográficas no campo da ciência e das tecnologias da vida. Porto Alegre: UFRGS, p. 85-108. 2018.
CUNHA, Manuela Carneiro da. Traditional People, Collectors of Diversity. In: BRIGHTMAN, Marc; LEWIS, Jerome (eds.). The Anthropology of Sustainability. Palgrave Studies in Anthropology of Sustainability. New York: Palgrave Macmillan. 2017.
Bibliografia inicial
[editar | editar código]BLASER, M. Incomún. Un ensayo de ontología política para el fin del mundo. Buenos Aires: La Cebra, 2024.
BOYER, D. Basta de Fósseis. São Leopoldo/RS: Cadernos IHU ideias, 2023. Disponível em: https://ihu.unisinos.br/categorias/629100-basta-de-fosseis-artigo-de-dominic-boyer-nos-cadernos-ihu-ideias
CANGUILHEM, Georges. La question de l’écologie. La technique ou la vie. In: DAGOGNET, François. Considérations sur l’idée de nature. Paris: Vrin, p. 183-191. 2000.
CUNHA, Manuela Carneiro da. Traditional People, Collectors of Diversity. In: BRIGHTMAN, Marc; LEWIS, Jerome (eds.). The Anthropology of Sustainability. Palgrave Studies in Anthropology of Sustainability. New York: Palgrave Macmillan. 2017
CASTRO, V. P. Convergência e bifurcação: a fase mágica de Simondon como condição genética da cultura. Idéias, Campinas, SP, v.13, 01-24, 2022.
CERA, Agostino. The Technocene or Technology as (Neo)environment («Techné: Research in Philosophy and Technology», 21:2-3 (2017), pp. 243-281. DOI: 10.5840/techne201710472).
COSTA, Flavia. Tecnoceno: algoritmos, biohackers e novas formas de vida. Buenos Aires: Taurus, 2021.
Davis, Janae, Alex A. Moulton, Levi Van Sant, and Brian Williams. 2019. “Anthropocene, Capitalocene, . . . Plantationocene?: A Manifesto for Ecological Justice in an Age of Global Crisis.” Geography Compass 13 (e12438
FAGUNDES, Guilherme Moura. Fire normativities: environmental conservation and quilombola forms of life in the Brazilian savanna. Vibrant, v. 16, p. 1-22. 2019.
FERDINAND, Malcom. Uma ecologia decolonial: pensar a partir do mundo caribenho. São Paulo: UBU. 2022.
FRESSOZ, J. Biopouvoir et désinhibitions modernes: la fabrication du consentement technologique au tournant des XVIIIe et XIXe siècles. Revue d’Histoire Moderne & Contemporaine, n. 60-4/4 bis, p. 122-138, 2013. Disponível em: https://doi.org/10.3917/rhmc.604.0122 . Acesso em: 23 jul. 2022.
HARAWAY, Donna. Sociologia Animal e uma economia natural do corpo político: uma fisiologia política da dominação. In: A reivenção da Natureza: simios, ciborgues e mulheres. São Paul. Martins Fontes, 2023
HORNBORG, Alf, A. (2015). The Political Ecology of the Technocene: Uncovering Ecologically Unequal Exchange in the World-System. In C. Hamilton, C. Bonneuil, & F. Gemenne (Eds.), The Anthropocene and the Global Environmental Crisis: Rethinking Modernity in a New Epoch (pp. 57-69). Routledge.
HUI, Y. Tecnodiversidade, São Paulo: Ed.UBU, 2020.
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KASTRUP, V.; CARIJÓ, F. H.; DE ALMEIDA, M. C. O ciclo inventivo da imagem. Informática na educação: teoria & prática, Porto Alegre, v. 15, n. 1, 2012. DOI: 10.22456/1982-1654.29086. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/InfEducTeoriaPratica/article/view/29086 . Acesso em: 8 jul. 2025.
LATOUR, B. (2014). Para distinguir amigos e inimigos no tempo do Antropoceno. Revista De Antropologia, 57(1), 11-31.
LORIMER, Jamie. Life in Anthropocene. In: The Probiotic Planet: Using Life to Manage Life. Minneapolis: University of Minnesota Press. 2020.
MALM, Andreas. Capital Fóssil. A Ascensão do motor a vapor e as raizes do aquecimento global. São Paulo. Ed. Elefante, 2025
MACHADO, Horácio Sobre la Naturaleza realmente existente: la entidad 'América' y los orígenes del Capitaloceno. Dilemas y desafíos de especie. Revista Actuel Marx, n 20 junio, Santiago , 2016.
MANN, Geoff; Wainwright, Joel. Climate Leviathan.. 2012
MARTINS, Hermínio. The technocene : reflections on bodies, minds, and markets. New York: Anthem Press, 2018.
Merchant, Carolyn. A morte da natureza: mulheres, ecológica e a revolução científica. São Paulo. Ed. IgraKniga, 2025
PARRA, Henrique Z.M. Da tecnopolítica às lutas cosmotécnicas: dissensos ontoepistêmicos face à hegemonia cibernética no Antropoceno. In. KLEBA,J. ; CRUZ,C.; ALVEAR, A. (org). Engenharias e outras práticas técnicas engajadas : diálogos interdisciplinares e decoloniais. Campina Grande: EDUEPB, 2022. https://repositorio.unifesp.br/handle/11600/66165
POVINELLI, Elizabeth. Catástrofe Ancestral. Existências no Liberalismo Tardio. Sao pualo. UBU. 2024
PRECIADO, Paul. Dysphoria mundi. Editorial Anagrama, 2022
PYNE, Stephen J. Fire Creature: Lithic Landscape; The Pyrocene. In: The Pyrocene: How We Created an Age of Fire, and What Happens Next. Berkeley: University of California Press, p. 82-144. 2021.
SAUTCHUK, Carlos. Os antropólogos e a domesticação: derivações e ressurgências de um conceito. In: SEGATA, Jean; RIFIOTIS, Theophilos (orgs.). Políticas etnográficas no campo da ciência e das tecnologias da vida. Porto Alegre: UFRGS, p. 85-108. 2018.
STIEGLER, Bernard. Bifurcate: there is no alternative. London: Open Humanities Press, 2021.
YUSSOF, Kathryn. A Billion Black Anthropocenes or None. University of Minnesota Press, 2019.