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Cultura e Artes: Cachorro-quente de Osasco Um patrimônio cultural e símbolo da cidade

De Wikiversidade

História do cachorro-quente

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Cachorro-quente - SP

Existem algumas teorias sobre o surgimento do cachorro-quente. A história mais famosa é que ele teria sido originado na Alemanha e foi modificado nos Estados Unidos.[1] Os imigrantes alemães teriam levados as receitas de salsicha para os Estados Unidos no século 19, e o lanche evoluiu para a forma que conhecemos hoje.

Por volta de 1860, o nome "cachorro-quente" e a prática de rechear salsicha no pão tornaram-se populares nos Estados Unidos[2]. Há uma história famosa que, embora em parte folclore, popularizou o termo “cachorro-quente”. Feito por um vendedor chamado Harry Stevens, que servia lanches em jogos de beisebol em Nova York. Outra versão da história afirma que a palavra surgiu como uma piada, relacionada ao formato alongado de uma salsicha cujo corpo lembra um “dachshund”, raça de cachorro alemã conhecida como “salsicha” aqui no Brasil.

O cachorro-quente foi crescendo em popularidade nos Estados Unidos como um lanche prático e acessível. A receita se expandiu pelo mundo, adquirindo variações de acordo com a cultura local.[3] No Brasil, devido as nossas diversidades, encontramos diferentes versões pelo pais inteiro.

Por exemplo, em São Paulo, além do pão e da salsicha, é comum adicionar purê de batata e batata palha. No Rio de Janeiro, pode-se acrescentar ovos de codorna, uva passa e queijo parmesão ralado. Em Blumenau, é tradicional utilizar chucrute e bacon. No Pará, é comum adicionar carne moída e salada de repolho.[4]

História do cachorro-quente de Osasco

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Cachorro-quente no prato - Osasco.

O famoso lanche surgiu na cidade de Osasco por volta da década de 1960 e cresceu rapidamente em popularidade, especialmente entre os trabalhadores locais que buscavam refeições rápidas, baratas e nutritivas.

Os donos de carrinhos de cachorro-quente começaram a incrementar as receitas para agradar o público, criando uma experiência gastronômica única. Assim, o "dogão de OZ" se tornou um símbolo de criatividade e generosidade, refletindo a cultura acolhedora e diversificada da cidade.[5] Moradores contam que o primeiro vendedor do lanche abriu sua primeira barraca nos anos 60, na frente da Escola Estadual José Liberatti, localizada no centro da cidade.

Com o passar dos anos, o cachorro-quente de Osasco virou um elemento de identidade e pertencimento, atraindo até visitantes de outras regiões que buscam experimentar a iguaria. Os sinais de popularização e destaque na mídia já acontecem a cerca de 1 década.

O cachorro-quente de Osasco, se tornou famoso e ganhou o título de patrimônio cultural em 2023, pela sua importância para a cultura e identidade local[6]. O reconhecimento como patrimônio cultural foi uma forma de valorizar essa tradição e sua contribuição para a história e cultura local, celebrando o papel dos vendedores ambulantes e a singularidade desse lanche no cenário gastronômico brasileiro.

O dogão de Osasco é conhecido por suas características únicas e fartura de ingredientes. Em suas versões mais completas ele pode ser servido com uma combinação generosa de elementos como purê de batata, batata palha, milho, ervilha, queijo, vinagrete, catupiry, bacon, além dos ingredientes clássicos como salsicha e molhos variados. Muitos ambulantes ainda oferecem opções com linguiça, frango desfiado e até carne moída.

Segundo o site oficial da cidade de Osasco. Atualmente a cidade possui quase 200 carrinhos de cachorro-quente licenciados, distribuídos entre a região central e os demais bairros. Na área central, a estimativa é de que cada carrinho vende cerca de 25 a 60 lanches por dia.[7] Nos demais bairros, os ambulantes chegam a vender entre 15 a 35 lanches por dia. O lanche pode variar de valores, indo de R$ 3,00 a R$ 10,00.

Impactos e Perspectivas Socioeconômicas do Cachorro-quente

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1. Geração de renda para pequenos empreendedores:

Valores do Cachorro-quente - Osasco.

O cachorro-quente de Osasco impulsiona a economia local e representa uma importante fonte de renda para vendedores ambulantes e pequenos comércios que se beneficiam da grande procura pelo lanche.

2. Ênfase no comércio local:

Os ingredientes utilizados costumam ser com ingredientes frescos e são frequentemente adquiridos de fornecedores locais, criando um ciclo econômico que fortalece o comércio e a indústria alimentar na região.  

3. Atração turística e cultural:

O cachorro-quente de Osasco foi tombado patrimônio cultural e imaterial em 2023, atraindo turistas de outras cidades e estados interessados ​​em experimentar o famoso “dogão”, trazendo receita adicional para a indústria do turismo.  

4. Comodidade e inclusão econômica:

Com preços que variam de R$ 3,00 a R$ 10,00, esse lanche é indicado para diversos públicos, atendendo tanto trabalhadores que buscam uma refeição rápida e barata quanto aqueles que buscam serviços de lazer às famílias.

5. Símbolos da identidade local:

Os cachorros-quentes aumentam o sentimento de pertencimento dos moradores, tornam-se um elemento unificador da comunidade e celebram a diversidade cultural de Osasco.

6. Exemplos de criatividade alimentar:

A rica variedade de ingredientes incentiva a inovação culinária, fazendo de Osasco um excelente exemplo da culinária popular brasileira.

7. Estimativa de faturamento dos comerciantes locais:[8]

Com base nos dados adquiridos durante a pesquisa, podemos fazer uma estimativa de faturamento para um vendedor de cachorro-quente em Osasco. Iremos considerar a média de vendas diárias para os carrinhos na região central e nos demais bairros, e também uma média de preço para os lanches.

Na região central, a estimativa é de que cada carrinho venda cerca de 25 a 60 lanches por dia. Vamos considerar uma média de 42 lanches por dia. Nos demais bairros, os ambulantes chegam a vender entre 15 a 35 lanches por dia. Vamos considerar uma média de 25 lanches por dia.

Considerando a faixa de preço dos lanches, que vai de R$ 3,00 a R$ 10,00, vamos considerar uma média de R$ 6,50 por lanche.

Agora podemos calcular o faturamento diário estimado de vendas:

Região central: 42 lanches/dia x R$ 6,50/lanche = R$ 273,00/dia

Demais bairros: 25 lanches/dia x R$ 6,50/lanche = R$ 162,50/dia

Portanto, a estimativa de faturamento diário para um vendedor de cachorro-quente em Osasco seria de aproximadamente R$ 273,00 na região central e R$ 162,50 nos demais bairros. Lembrando que esses valores são apenas estimativas e podem variar de acordo com diversos fatores, como a localização exata do ponto de venda, a qualidade do produto, a demanda sazonal, entre outros.

Impactos midiáticos

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A Influência das Redes Sociais

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Fachada da barraquinha da Laura

Instagram, TikTok e Facebook transformaram os cachorros-quentes de Osasco em protagonistas de vídeos virais, onde consumidores mostram seus lanches. Esses conteúdos geram curiosidade e desejo, atraindo moradores de outras cidades e até turistas. Uma das vendedoras traz a importância das redes em suas vendas, Laura conquistou mais de 5 mil seguidores no Instagram após a postagem de um vídeo.

Plataformas de Delivery e Avaliações Online

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Os aplicativos de entrega, como iFood e Uber Eats, ampliaram o alcance das vendas. Com avaliações e comentários positivos, as barracas ganham mais visibilidade, atraindo novos clientes. Muitos estabelecimentos também utilizam estratégias de marketing dentro dessas plataformas, oferecendo promoções exclusivas e combos atrativos.

Mídia Tradicional e Eventos Temáticos
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Além das redes sociais, a mídia tradicional, como jornais e programas de TV, tem um papel histórico na construção da fama dos cachorros-quentes de Osasco. Reportagens sobre a diversidade e qualidade dos lanches atraem a atenção de um público mais amplo. Eventos temáticos, como festivais de food trucks e competições de melhor hot dog, também ajudam a perpetuar essa cultura.

Entrevista com comerciantes e moradores da cidade

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Funcionaria trabalhando em barraquinha de cachorro quente em Osasco - SP

Ao visitar o famoso "Calçadão de Osasco" demos de encontro com diversas pontos de venda, ou como chamam os moradores locais, barraquinhas de cachorro-quente, desde as mais clássicas até outras mais gourmets, essas barracas se estendem por toda a avenida e estão sempre cheias.

Ao escolhermos uma "Hot Dog da Laura" (foto a esquerda) nos surpreendemos quando ela e a filha começaram a nos contar sua história: a barraca possui mais de 25 anos e a Laura herdou de sua sogra, sendo a única fonte de renda da família há anos, elas estão todos os dias no Calçadão por quase 12h e dizem que o movimento é o mesmo a semana toda em qualquer horário.

Com o ponto de venda físico mais o IFood, elas informam vender cerca de 500 pães por dia, sendo em torno de 350 pães na venda física e entre 100/150 por venda online, sendo o mais vendido o cachorro-quente na baguete, e isso tudo contando somente com 3 mulheres trabalhando no local o dia todo.

Entrevistamos também um casal de moradores e pudemos entender também como é a relação deles com a comida, os dois disseram que comem o hot dog desde que eram jovens, um deles inclusive voltava a pé para casa da época de escola pois usava o dinheiro da passagem para comprar cachorro-quente. O alimento era o ponto certo para irem no "final do rolê", quando estavam com fome durante a madrugada e eles reforçam que mesmo tarde da noite, sempre tinha fila nas barraquinhas.

Cada um deles gosta do seu cachorro-quente de um jeito, mas os dois concordam que não acharam um lugar melhor que Osasco para comer, e acreditam que a cultura da cidade é muito refletida no seu cachorro-quente, tornando-o um patrimônio da cidade aos olhos de todos os moradores.

Referências

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  1. Cachorro quente! Disponível em ‌https://pt.mcny.org/story/hot-dog - Acesso em 02 de novembro de 2024.
  2. A verdadeira origem do “hot dog”, a comida mais emblemática dos Estados Unidos. BBC News Brasil, [s.d.]. Disponível em https://www.bbc.com/portuguese/vert-tra-49293807 - Acesso em 02 de novembro de 2024.
  3. História Hoje: Surgimento do cachorro-quente tem três versões diferentes. Disponível em https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/geral/audio/2016-09/historia-hoje-surgimento-do-cachorro-quente-tem-tres Acesso em 02 de novembro de 2024.
  4. RAPOPORT, I. D. Cachorro-quente: De onde surgiu a ideia de que um pão com salsicha se parece com um cachorro? Disponível em https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/reportagem/cachorro-quente-de-onde-surgiu-a-ideia-de-quem-um-pao-com-salsicha-se-parece-com-um-cachorro.phtml - Acesso em 02 de novembro de 2024.
  5. AMARO, L. Vídeo: Osasco distribui maior cachorro-quente do Brasil, com 62 metros. Disponível em https://www.metropoles.com/sao-paulo/video-osasco-distribui-maior-cachorro-quente-brasil - Acesso em 15 de novembro de 2024.
  6. PREFEITURA DE OSASCO. Cachorro-quente pode ser reconhecido como patrimônio cultural e imaterial de Osasco. Disponível em https://www.osasco.sp.leg.br/noticia/550/Cachorro-quente-pode-ser-reconhecido-como-patrimonio-cultural-e-imaterial-de-Osasco - Acesso em 02 de novembro.
  7. OLIVEIRA, J. Maior cachorro-quente do Brasil é servido a 5 mil pessoas em Osasco - Prefeitura de Osasco. Disponível em https://osasco.sp.gov.br/maior-cachorro-quente-do-brasil-e-servido-a-5-mil-pessoas-em-osasco/ - Acesso em 02 de novembro
  8. ZIBORDI, M. Saiba como Osasco se tornou a capital do cachorro-quente. Disponível em https://www.terra.com.br/visao-do-corre/rango-esperto/saiba-como-osasco-se-tornou-a-capital-do-cachorro-quente,9c84b8b80c52ffc36c7b07409e71c0dctemq079s.html?utm_source=clipboard - Acesso em 22 de novembro de 2024.