Cultura e Artes: Escola do Teatro Bolshoi
História do Teatro e Ballet Bolshoi
[editar | editar código]A origem da companhia de teatro e balé Bolshoi remonta a 1773, quando um grupo de jovens bailarinos e bailarinas começou a ensinar ballet em um orfanato em Moscou. Na época, a capital da URSS ainda era Leningrado.
A sede atual do Teatro Bolshoi está localizada no mesmo local onde o antigo Teatro Petrovski foi incendiado em 1805. O edifício, atualmente tombado pela ONU, é considerado Patrimônio Arquitetônico e Cultural da Humanidade. Em janeiro de 1825, após a reinauguração do edifício, com sua arquitetura clássica e suntuosa, ele foi rebatizado de "Grande Teatro Petrovski". Com o movimento nacionalista do balé russo, a herança deixada pelo balé francês e suas mitologias foi abandonada, dando lugar à valorização da literatura e dos costumes russos na criação de novas composições coreográficas, que passaram a ter mais personalidade e individualidade.
Até 1917, durante a Revolução Russa, outra companhia de dança do Teatro Mariinsky, futuramente renomeado Ballet Kirov, era considerada a mais importante no cenário da dança. No entanto, já naquela época, o Ballet Bolshoi atraía grandes estrelas da dança e apresentava balés do renomado coreógrafo Marius Petipa, o que ajudou a fortalecer a sua imagem e aumentar sua notoriedade entre o público.
Dirigido por A. Gorski (1878-1924) no início do século XX, o Ballet Bolshoi buscava se distanciar de seu passado e da forte influência do repertório de Petipa, com o objetivo de criar uma nova identidade para a companhia. Após a mudança da capital para Moscou, o Ballet Bolshoi passou a receber apoio do governo e a investir no desenvolvimento de seus talentos, contratando até mesmo bailarinos formados no Ballet Kirov, famoso por sua formação técnica de alta qualidade. Esse intercâmbio gerou certa rivalidade entre as duas companhias, já que o Bolshoi era conhecido por suas grandes produções com estrelas internacionais, muitas das quais também formadas no Kirov.
Atualmente, o Ballet Bolshoi conta com profissionais de destaque, incluindo bailarinos, mímicos, cantores e músicos, de todas as idades, e produz anualmente cerca de quatro espetáculos mensais, entre balés e óperas.
O Ballet Bolshoi no Brasil
[editar | editar código]No dia 15 de março de 2000, em Joinville, Santa Catarina, Brasil, foi fundada a Escola de Teatro Bolshoi, a única filial da renomada companhia de Moscou, Rússia. A escola atende milhares de alunos de todo o Brasil e de outros países. Sua missão é aplicar os mesmos princípios e ideais originais da companhia, fundada em 1773, com o objetivo de formar artistas cidadãos. Além disso, busca promover a arte-educação e desenvolver o aspecto cultural em crianças de comunidades carentes.
A Escola Bolshoi também está em colaboração com os Amigos do Bolshoi, o que possibilita que os alunos recebam bolsas de estudo e, assim, tenham a oportunidade de sair de contextos de opressão. Além do ensino gratuito e das bolsas, os alunos que demonstram bom desempenho tanto na escola quanto no ensino fundamental e médio recebem benefícios como transporte, alimentação, uniformes, assistência social e figurinos etc. Dessa forma, os alunos não apenas aprendem uma profissão, mas também exercitam a responsabilidade e se desenvolvem como cidadãos.
Relatos de Alunos do Ballet Bolshoi no Brasil
[editar | editar código]A Escola de Teatro Bolshoi, no Brasil, sempre teve seus corredores cheios de alunos, que tiveram e ainda têm a oportunidade de estudar com professores russos e brasileiros, seguindo os princípios artísticos e morais aplicados na matriz da Rússia. A escola tem um grande impacto na formação de seus alunos, tanto como profissionais ou amadores quanto como pessoas. Com muitos alunos ao redor do país, cada um com sua história única e emblemática, a escola se mostra fundamental na formação pessoal de seus estudantes. Aqui há dois relatos de alunos da escola:
Um exemplo interessante é o da aluna Nayla Ramos, que se formou na escola em 2020, aos 20 anos. Ela compartilhou um relato que ilustra a importância do Ballet e da Escola Bolshoi em sua vida. Natural de Campinas/SP, Nayla se mudou para Joinville ainda muito jovem e foi acolhida pela escola desde o início. No penúltimo ano de sua formação, sofreu uma grave lesão, mas, independentemente do desafio, a escola continuou a apoiá-la. Nayla conta: "O tempo não correu como planejado e acabei perdendo meu ano de formatura com a turma com a qual comecei, o que me deixou triste. Porém, o Bolshoi me deu a oportunidade de concluir o ciclo no ano seguinte. Voltei cheia de alegria, um pouco insegura, mas com a certeza de que aquilo mudaria minha vida" Além desse apoio, quando Nayla engravidou no início do ano letivo, a escola continuou a ser fundamental, acreditando no seu sonho.
Ela compartilha: "O sonho foi adiado por mais um tempo, mas com o apoio de todos, muito estudo, cuidados e vontade de evoluir, eu finalizei o curso do Bolshoi Brasil" Após a conclusão de sua formação em 2019, Nayla hoje atua como bailarina profissional do Ballet Bolshoi. Ela conclui seu relato dizendo: "Não fui apenas formada como bailarina profissional, mas como uma mulher que aprendeu a superar desafios, sempre amando e valorizando a dança". Ela é um exemplo de como a escola foi importante para sua formação como mulher e bailarina.
A escola de balé Bolshoi, em Joinville, SC, não só mudou a vida de Nayla, como também influenciou na vida de Maikon Golini, 32, catarinense que estudou em uma escola pública de Joinville na época em que a Escola se instalava na cidade. Maikon, que tinha apenas 7 anos, foi surpreendido junto a sua turma por um grupo de pessoas que estavam anunciando a nova escola de balé da cidade, empolgado, embora não soubesse o que era “balé”, não perdeu tempo em contar a família sobre a novidade.
Maikon teve a oportunidade de estudar na primeira turma da escola, em 2000 e se formou cerca de 10 anos depois. Após sua formatura Maikon recebeu um convite para se tornar professor de balé clássico, sendo ele o primeiro formado pela instituição. Maikon relata que lembra como foi a sua primeira aula na escola e diz "Senti que estava entrando em um mundo totalmente novo e estava maravilhado".
Após ser recrutado como professor ele continuou atuando como bailarino, mas quando começou a lecionar mudou completamente o que ele queria para sua vida “Meu sonho mudou totalmente. Atualmente, o que mais desejo é ver meus alunos brilharem. Aprendi a projetar nas crianças o que aprendi e minha maior gratidão é ver isso acontecer no palco", explica.
Desde então, se passou alguns anos, em 2014, formou sua primeira turma como professor responsável "Ser professor é transmitir a essência da técnica do balé e a tradição russa tem o objetivo de criar artistas, estamos moldando um corpo que vai transmitir sentimentos através de movimentos, me sinto muito orgulhoso", declara.
"Me vejo muito no Bolshoi. Cresci em Joinville e junto com a escola. Estava aqui nos primeiros passos, estava quando ela formou o primeiro professor. O que mais encanta no Bolshoi é que as pessoas acreditaram em mim. Os professores acreditaram no meu sonho para investir em mim e hoje eu acredito no sonho dos meus alunos. Todo dia que dancei ou ensinei algo relacionado à dança, eu fui feliz", relata.
A escola Bolshoi para os alunos
[editar | editar código]Tanto Nayla quanto Maikon demonstraram como a escola foi fundamental para suas trajetórias. No caso de Nayla, a escola nunca desistiu dela nem de seu sonho, apoiando-a em situações difíceis, especialmente para uma mulher, e ajudando-a a se formar como bailarina e mulher. Para Maikon, embora a história tenha sido diferente, o significado foi semelhante: ele entrou na escola desde pequeno, se encantou com o balé e foi parte das primeiras turmas no Brasil. Após se formar, tornou-se o primeiro professor formado pela instituição e hoje busca transmitir seus conhecimentos e sonhos aos seus alunos.
A escola sempre foi e continua sendo crucial para a formação de seus alunos, preparando-os para serem pessoas responsáveis e dedicadas aos seus objetivos e sonhos. Além disso, tem um papel importante na construção de uma sociedade melhor, devido aos seus princípios e ideais.
Referências e fontes
[editar | editar código]FARO, Antônio José, SAMPAIO, Luiz Paulo. Dicionário de Ballet e Dança. Rio de Janeiro: Zahar, 1989. PORTINARI, Maribel. História da dança. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1989.
ARAUJO, L. Ballet Bolshoi. Disponível em: <https://www.infoescola.com/artes/ballet-bolshoi/>. Acesso em: 25 nov. 2024.
WEBIQ INTELIGÊNCIA DIGITALTM. Conheça a Nayla, bailarina da Escola Bolshoi. Disponível em: <https://www.escolabolshoi.com.br/noticia/conheca-a-nayla-bailarina-da-escola-bolshoi>. Acesso em: 3 dez. 2024.
DOS, C. Escola do Teatro Bolshoi no Brasil. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Escola_do_Teatro_Bolshoi_no_Brasil>. Acesso em: 3 dez. 2024.
VALENTINI, G. Aluno da 1a turma do Bolshoi Brasil se tornou 1o professor formado em SC. Disponível em: <https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/festival-de-danca-joinville/2014/noticia/2014/07/aluno-da-1-turma-do-bolshoi-brasil-se-tornou-1-professor-formado-em-sc.html>. Acesso em: 3 dez. 2024.