DOM FILÓ CULTNE
Asfilófio de Oliveira Filho, mais conhecido como Dom Filó, é um DJ, Jornalista, Engenheiro Civil, produtor cultural e cine documentarista que nasceu no Rio de Janeiro no dia 23 de setembro de 1949. Grande ativista do movimento black, ficou conhecido pelo protagonismo no Movimento Black Rio.
Na década de 1970, Dom Filó criou a equipe de som Soul Grand Prix, uma das responsáveis por tocar a música negra dos Estados Unidos à época: soul e funk no Brasil. A mobilização em torno da conscientização racial camuflada de diversão atraiu os holofotes da mídia, dando início ao que após foi nomeado definitivamente como um movimento. A imprensa, percebendo o crescimento ágil desta mobilização de milhares de jovens pobres e negros, batizou o fenômeno de Black Rio. Os frequentadores destes, então nomeados bailes, eram vistos como um enorme mercado em potencial. Inicialmente, foram lançadas coletâneas com os principais sucessos destas festas e novos artistas nacionais que cantavam soul music começaram a surgir, demonstrando o impacto da necessidade da visibilidade negra no país
Em 1980, Dom Filó junto com Vik Birkbeck, Ras Adauto e Carlos Medeiros criou o Cultne, instituto e produtora de vídeo dedicados a registrar toda a atividade de resistência negra no país, com poucos recursos (de editais e receitas dos bailes) e um circuito de exibição de telões nas favelas. Após os anos 2000, quando a internet tomou conta do mundo, Dom Filó passou a investir em conteúdo para a plataforma digital YouTube, montando um canal e distribuindo os vídeos do Cultne. Assim, passou a construir e aprimorar este acervo, o maior, em termos de cultura negra, da América Latina.
Dom Filó passou a ser extremamente conhecido e recompensado por seus feitos para o movimento negro no Brasil. A luta do cine-documentarista não foi em vão, recebeu alguns prêmios, indicações e nomeações por seus trabalhos, dentre eles “Cidadão Honorário da Cidade de Atlanta / EUA e Benemérito da Paz pelo Comitê Central da Paz – Iniciativa de Solidariedade a Serviços dos Direitos Humanos”; “Listado na 100 PowerList 2021”, que premiou as 100 Personalidades Negras Mais Influentes da Lusofonia; e foi também o único brasileiro a fazer parte do board de curadoria internacional do Museu da Herança Pan-Africana de Ghana, África, a ser lançado em 2023.