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Discussão:Introdução ao Jornalismo Científico/História da Ciência e da Tecnologia/O Islã e a Ciência grega

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De Wikiversidade

Intolerância religiosa

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Fiquei confusa quanto a aceitação de outras religiões pelo Islamismo, porque inicialmente é dito que a não obrigatoriedade do Islamismo atraiu as pessoas e, no parágrafo seguinte, diz-se que havia a perseguição de desviantes da doutrina. Em que momento houve essa mudança de postura?

"[...]Diversos fatores contribuíram para a expansão do islamismo, entre os quais a ausência da obrigatoriedade de segui-la, ao contrário do que faziam os Impérios Bizantino e Persa, religiosamente intolerantes. Além disso, os árabes prometiam segurança às propriedades e davam isenção de impostos aos muçulmanos, inclusive os convertidos, considerados guerreiros e funcionários do Islã, o que lhes garantia o recebimento de soldo.

Foi nas terras conquistadas tanto dos bizantinos quanto dos persas que os muçulmanos tiveram contato com o conhecimento dos gregos. A absorção do conhecimento grego pelos muçulmanos se deve, em parte, à perseguição contra os "hereges"[...] " --Thaís Martins de Sousa (discussão) 20h14min de 3 de fevereiro de 2025 (UTC)Responder

Olá Thais. Eu não sou um especialista na área, mas posso arriscar alguma direção de resposta. O parágrafo, apesar de trazer um paradoxo aparente, parece proceder em linhas gerais, muito embora simplifique (longos) processos históricos. De fato, a expansão do islamismo parece ter contado com políticas mais tolerantes em relação a outras religiões. Um bom ponto de partida para entender isso é a obra da Karen Armstrong, mais especialmente Islam: A Short History, na qual ela trata com "equilíbrio" o contexto da expansão islâmica. Armstrong é uma ex-freira católica que se tornou uma das principais estudiosas das religiões do mundo, com uma abordagem quase sempre "empática", mas historicamente rigorosa. Como ateu, recomendo também outro livro dela, A Case for God, que embora trate da busca espiritual, oferece uma leitura crítica e sofisticada sobre a história da fé — útil inclusive para aqueles que não crêem, como eu. (...) Como você pode imaginar, é difícil apontar para um momento da história e dizer que "aqui" está o "turning point", mas... ariscaria a apontar que UM desses momentos de mudança significativa na postura política e ideológica do Islã (tolerância/intolerância) está no fim século XIX, especialmente com o surgimento do pan-islamismo e a atuação de figuras como Jamal al-Din al-Afghani, que aliás é um pequeno artigo criado por mim mesmo há quase 15 anos na Wikipédia em português. -- Oh Deus, estou velho! Dê uma olhada ainda no artigo History of Islam, em especial a seção "Fatimid Caliphate". Se quiser algo mais leve, mas não menos saboroso, há uma série francesa da década de 1990 que eu adoro e que também tratei em algum momento das minhas décadas de contribuição (por vezes questionáveis) nestes projetos: procure no YouTube o episódio intitulado Mestiçagem. Cordialmente, Sturm (discussão) 18h31min de 23 de junho de 2025 (UTC)Responder

Influência cultural e religiosa do período do Califado Islâmico

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Como a influência cultural e religiosa do período do Califado Islâmico pode ter impactado a direção e as prioridades das suas investigações científicas, especialmente em áreas como a física, a matemática e a medicina? --NayAlves0901 (discussão) 16h47min de 23 de junho de 2025 (UTC)Responder

Oi Nay! Mais uma vez, não sou um especialista e não sei se entendi bem sua pergunta, mas acredito que sua questão toque um ponto fundamental do Islã que é o fato de que ele (diferetemente do que ocorre no cristianismo, por exemplo), não estabeleceu uma separação rígida entre fé e razão. Pelo contrário, o próprio Alcorão estimula o uso da razão, da observação e do conhecimento como caminhos legítimos para a compreensão da criação divina. Isso certamente teve impacto na forma como o saber científico se desenvolveu durante o Califado, especialmente nas áreas como a matemática, a física e a medicina, em que a investigação empírica era vista não como oposição, mas como expressão da vontade de Deus. Eu não me lembro agora de cor de nenhuma referência específica, mas me recordo claramente de ter discutido esses aspectos há cerca de vinte anos em aulas com o professor Fernando Rosa Ribeiro, da Unicamp. Ele é doutor em Filosofia pela mesma universidade, com pesquisas voltadas à epistemologia e à história das ciências no mundo islâmico, e suas aulas aprofundavam justamente como essa integração entre fé e racionalidade contribuiu para o florescimento científico no Islã medieval. Ainda guardo um tanto de trocas de e-mail com ele deste período e talvez ainda encontre por lá boas leituras. Cordialmente, Sturm (discussão) 18h54min de 23 de junho de 2025 (UTC)Responder