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Discussão:Síntese de Aula

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Síntese da aula "Historiografia, imprensa e censura no Brasil" - Larissa Pimentel Demendi, Marcos Simon Nogueira e Mariana Mascimino Belmonte

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UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA JÚLIO DE MESQUITA FILHO

CIÊNCIAS SOCIAIS - NOTURNO

LARISSA PIMENTEL DEMENDI, MARCOS SIMON NOGUEIRA E MARIANA MASCIMINO BELMONTE

SÍNTESE DA AULA: Historiografia, imprensa e censura no Brasil

MARÍLIA

2025


ANÁLISE DA AULA: HISTORIOGRAFIA, IMPRENSA E CENSURA NO BRASIL

1.    Introdução

O propósito dessa aula, ministrada pela Camila Prado Mina na matéria de história do Brasil II, busca ver de vários jeitos como a historiografia, a mídia e a censura se cruzam no Brasil. A aula parte de uma ideia essencial: como o jornalismo e a história se ligam, pois os dois pegam dados e notícias de coisas importantes que acontecem, ainda que utilizem métodos diferentes. Esta análise tem como objetivo detalhar os principais aspectos tratados em sala de aula, investigando o desenvolvimento do jornalismo no Brasil, as dificuldades da pesquisa histórica e, principalmente, a constante influência da censura, finalizando com um debate sobre os problemas da era digital e das notícias falsas, sempre usando os livros e artigos que foram citados.


2.    A complexa relação entre história e jornalismo e os desafios historiográficos

A aula começa mostrando como história e jornalismo se parecem. Os dois campos conseguem pegar coisas do passado e ligá-las ao que vemos hoje, já que "a história é observada à luz das narrativas presentificadas pelos jornalistas em suas épocas". Mas eles se diferem em como usam as informações, o jornalismo mostra pedaços de estudos antigos, enquanto a história tenta entender tudo de forma mais completa e juntar as peças.

Os desafios da pesquisa jornalista historiográfica são diversos. O principal é ter que refazer a História olhando para situações específicas, sabendo que as partes sozinhas não explicam tudo. Isso quer dizer que não dá para só seguir a ordem do tempo, é preciso achar relações e sentidos mais profundos. Para isso, os jornais, que geralmente são de empresas grandes, usam várias fontes, como documentos, relatos de pessoas e instituições, fontes originais e outras, além de ouvir testemunhas e especialistas. Essa forma de procurar informações é parecida com o que os historiadores fazem, que também analisam documentos e relatos para contar as histórias do passado.


3.    Censura e autoritarismo na imprensa brasileira ao longo da história

A trajetória da mídia no Brasil está intrinsecamente ligada à censura e ao controle do conteúdo publicado, herança vinda de Portugal. Logo após a chegada, tanto a Coroa quanto a Igreja, devido ao seu poder social e político, exerciam forte censura. Essa postura autoritária foi analisada por Sodré (1977) e Melo (1973), que, conforme trechos lidos, " investigaram as origens da imprensa brasileira, suas limitações, problemas e desafios em meio a uma conjuntura marcada pela censura e autoritarismo durante o regime militar (1964-1985)". O livro de Carvalho e Figueira (2022), citada, aprofunda-se na "Historiografia da censura à imprensa brasileira: tradição, permanência e particularidades", evidenciando a importância do tema.

Os materiais didáticos dividem o jornalismo brasileiro em três partes principais: o período pré-jornalístico (Brasil Colônia e Império), o jornalismo profissional (final do século XIX, consolidado a partir de 1950) e a diversificação em um mercado competitivo (meados do século XX até os dias atuais). Na fase pré-jornalística, destacam-se a "Gazeta do Rio de Janeiro", feita pela família real portuguesa para divulgar seus interesses e promover o absolutismo, e o "Correio Braziliense" (1808-1822), que criticava o governo e defendia a "ideologia da emancipação".

O início do século XX foi marcado por instabilidade no jornalismo, por causa da fragilidade da nova república e da presença de presidentes autoritários, que reprimiram organizações e movimentos jornalísticos que pudessem gerar instabilidade política. Com o fim da Era Vargas em 1954, o jornalismo começou a ganhar mais liberdade, buscando ser mais objetivo, neutro e profissional. Contudo, o golpe militar de 1964 foi um grande retrocesso, considerado o período mais difícil para a liberdade de imprensa. Nesse período, leis como a Lei de Imprensa, o Decreto-Lei n° 898/1969 (Lei de Segurança Nacional) e o Decreto-Lei n° 1.077/1970 (Lei da Censura Prévia) foram usadas pelo Estado para controlar a mídia, fazendo o período de 68 a 79 o mais árduo para o jornalismo livre. Foi só a partir de 1980, com a redemocratização do país, que o jornalismo começou a recuperar sua autonomia frente ao governo.


4.    A era digital, pós-verdade e os novos desafios da informação

Até o início do século XXI, as empresas de notícias eram as grandes responsáveis por confirmar se uma notícia era verdadeira, checando as fontes e assegurando que os dados eram confiáveis. O jornalista era como o porteiro da informação. No entanto, a chegada da tecnologia e o uso de algoritmos nas novas redes mudaram essa situação, fazendo com que o trabalho das agências de notícias perdesse um pouco da sua importância, pois elas deixaram de ser o único meio de saber o que acontecia no mundo.

Nesse novo jeito de ver as coisas, as redes sociais "fornecem acesso direto ao público sem interferência jornalística (mas sujeitas a novas formas de gatekeeping algorítmico), oferecem a possibilidade de estabelecer uma conexão próxima e direta com as pessoas, fomentam o potencial para formas personalizadas de comunicação e podem criar um sentimento de comunidade, pertencimento e reconhecimento entre grupos dispersos", conforme Vreese (2018). Mesmo com a chance de espalhar informação para todos, essas redes também abrem as portas para que notícias falsas se espalhem sem controle.

É aí que aparece a ideia de Pós-Verdade, que, segundo Dunker (2017), não é uma mentira completa. Pelo contrário, a pós-verdade "se apropria de frações da verdade que, em seu todo, geram uma narrativa falsa". Essa ideia mostra como é complicado, já que a manipulação acontece quando se muda ou se esconde o contexto de fatos que são parcialmente verdadeiros, tornando difícil saber o que é real e o que é inventado. O que Luiz (2023) fala sobre " O combate à desinformação sobre a tentativa de golpe: intercorrências de pós-verdade, populismo e fact-checking" mostra como é urgente e importante falar sobre isso no Brasil de hoje, onde verificar os fatos é fundamental para lutar contra as histórias distorcidas.


5.    Conclusão

A aula sobre Historiografia, Imprensa e Censura no Brasil proporciona uma visão detalhada do desenvolvimento do jornalismo no país, bem como seus desafios ao longo do tempo. Desde o período colonial, afetado pela censura de Portugal e pelo poder da Coroa e da Igreja, até o cenário complexo da era digital e da pós-verdade, a mídia brasileira tem influenciado as mudanças sociais e políticas. A constante busca pela liberdade de expressão, notada nos momentos de repressão no começo do século XX e, mais fortemente, durante o regime militar, mostra como é importante a independência jornalística para o fortalecimento da democracia.

Hoje, o jornalismo lida com a contradição entre a grande quantidade de informação e o aumento de histórias distorcidas. Entender a pós-verdade, conforme explicada por Dunker (2017), é essencial para identificar os fragmentos de verdade que criam falsidades e para aprimorar os métodos de checagem. A análise da relação entre história e jornalismo demonstra que a maneira como contamos e entendemos os eventos passados e atuais molda nossa visão da realidade. Assim, saber analisar as informações, vendo de onde vêm e por que, continua sendo fundamental para a cidadania em uma sociedade cada vez mais cheia de dados e narrativas variadas.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CARVALHO, G. & FIGUEIRA, J. Historiografia da censura à imprensa brasileira: tradição, permanência e particularidades. Tempo, Niterói, vol. 28, nº 3, set./dez. 2022, p. 200-219.

FERNANDES, Florestan. O negro no mundo dos brancos. 2. ed. São Paulo: Global, 2007. p. 104-130.

LUIZ, Thiago C. O combate à desinformação sobre a tentativa de golpe: intercorrências de pós-verdade, populismo e fact-checking. Galáxia (São Paulo, online), v. 48, 2023, pp.1-23. ISSN: 1982-2553. http://dx.doi.org/10.1590/1982- 2553202362879.

MINA, Camila Prado. Historiografia, imprensa e censura no Brasil. Aula de História do Brasil II, 01 ago. 2025.

POLLAK, Michael. Memória, esquecimento, silêncio. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, vol. 2, n.3, 1989, p. 3-15. ~2025-55240-4 (discussão) 19h19min de 8 de setembro de 2025 (UTC)Responder