Historiografia da censura a imprensa brasileira: tradição, permanência e particularidades
Curso de Ciências Sociais
Disciplina: História do Brasil II
[editar | editar código]Responsável: Prof. Dr. Paulo Eduardo Teixeira
________ANÁLISE DE TEXTO______
[editar | editar código]ALUNA(O): Lara Rodrigues Paquer Alves
OBRA/TEXTO: Historiografia da censura à imprensa brasileira: tradição, permanência e particularidades
AUTOR(A): Guilherme Carvalho e João Figueira
EDIÇÃO: vol.28,n°3 ANO DE PUBLICAÇÃO: 2022
ANÁLISE DO TEXTO
[editar | editar código]1. Identificação do Autor(a), ou seja, qual a formação do autor, sua trajetória acadêmica e atuação política:
Os autores do artigo são Guilherme Carvalho e João Figueira. Guilherme Carvalho possui formação e trajetória acadêmica ligadas ao Centro Universitário Internacional (Uninter) e à Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), tendo realizado pesquisa pós-doutoral em jornalismo. João Figueira, por sua vez, é afiliado ao Centro de Estudos Interdisciplinares (Ceis20) e à Universidade de Coimbra, em Portugal.
2. Temáticas analisadas ou problematizações destacadas pelo texto do autor:
A temática apresentada no artigo é a da censura à imprensa brasileira, onde os dois autores investigam se a censura é um fenômeno conjuntural ou uma tradição histórica e cultural. O texto aborda muitos tópicos em cima desse tema, os quais são o controle editorial, desde o período colonial até os dias atuais; a relação entre imprensa e poder, que examina a influência de governos e elites políticas e econômicas nas limitações à liberdade jornalística; a evolução do jornalismo brasileiro em três períodos diferentes os quais seriam o pré- jornalístico, o jornalismo profissional e a oferta jornalística em um mercado competitivo; discute a censura e momentos específicos, como o período colonial, o primeiro período monárquico, a república e a ditadura militar, até os tempos atuais.
3. Momento histórico que foi produzido o texto (o lugar do discurso) do autor:
O artigo foi escrito no ano de 2021 e aprovado no ano de 2022. Isso indica que ele foi publicado recentemente. Os autores escreveram como um trabalho de pós-doutorado em jornalismo. O trabalho foi desenvolvido como uma forma de aprofundamento de um relatório de pós-doutorado, de 2019, intitulado de “Jornalismo alternativo ou alternativas ao jornalismo? Uma crítica ao culturalismo”.
4. Temporalidades/Sujeitos Abordados/Relação Passado-Presente:
O texto apresenta um vasto contexto histórico, passando pelo Brasil Colônia, a República, a Era Vargas, a Ditadura Militar e os governos pós-redemocratização. Os sujeitos abordados dentre esses períodos são os Governos e Estados, o qual dentro dele se falou da Coroa Portuguesa, do Governo Regencial, Dom Pedro I e presidentes da República, como Getúlio Vargas, militares, Fernando Henrique Cardoso, Lula e Jair Bolsonaro; além disso, há instituições citadas como a Igreja Católica, Real Mesa Censória, Departamento de Imprensa e Propaganda(DIP), Serviço Nacional de Informações(SNI) e Departamentos de ordem pública e Social. Os Jornais e veículos de comunicações também são citados, e eles são o Correio Braziliense, Gazeta do Rio de Janeiro, O Estado de São Paulo, Correio da Manhã, Jornal do Brasil, O Globo, TV Tupi e a imprensa alternativa, e dentro disso é citado os jornalistas que mais se destacaram como o Hipólito de Mendonça, Assis Chauteubriand, Carlos Lacerda, Samuel Weiner, Roberto Marinho, Niomar Muniz Sodré Bittencourt, Vladimir Herzog, José Marques de Melo, Danton Jobim, Nelson Werneck Sodré e Marialva Barbosa, sendo que os quatro últimos jornalistas citados são os precursores das pesquisas que procuraram compreender o jornalismo a partir da análise histórica ou do que pode ser compreendido como historiografia. O artigo estabelece uma forte conexão com o passado e presente da imprensa brasileira. A pesquisa questiona se a censura é uma fato conjuntural ou uma tradição, concluindo que ela acompanha a atividade jornalística desde seus primórdios e se adapta a diferentes períodos. Desse modo, a análise histórica ajuda a explicar as particularidades do jornalismo atual no Brasil, como mostrado no trecho seguinte: “Assim, se os jornalistas são desafiados a compreender os fatos enquanto estão em curso, os historiadores são desafiados a compreender o passado, tomando o produto jornalístico, produzido no calor dos acontecimentos, como documento histórico. Ou seja, a história é observada à luz das narrativas presentificadas pelos jornalistas em suas épocas”.
5. Perspectiva de História expressa pelo texto:
O texto adota uma perspectiva crítica da história, buscando não apenas registrar fatos, mas problematizá-los e analisar as causas e consequências da censura. Os dois autores analisam aspectos sociais, como o analfabetismo, como determinantes para o desenvolvimento da imprensa e a persistência da censura, e além disso, ele enfatiza as disputas políticas na imposição e manutenção desse problema. Por fim, ele argumenta que a censura é uma tradição e uma permanência na história da imprensa brasileira, não se limitando a momentos isolados.
6. Metodologia utilizada pelo autor(a):
Os autores do texto utilizam a pesquisa bibliográfica para a verificação de aspectos históricos da imprensa brasileira; a análise historiográfica a qual trata o produto jornalístico como objeto de estudo; eles utilizam as referências para organizar os momentos históricos do jornalismo brasileiro em quatro partes, que são o período colonial, o primeiro período Monárquico, a República e a Ditadura Militar.
7. Tipo de pesquisa realizada – bibliográfica, documental, estatística, descritiva, etc... (ver notas explicativas):
O tipo de pesquisa realizada por Guilherme Carvalho e João Figueira são três as quais são as bibliográficas baseadas em obras de outros autores sobre a imprensa; as descritivas onde se fala dos períodos da existência da imprensa e onde a censura se perpetuava; e a historiográfica que foca na construção e análise da história do jornalismo.
8. Apreciação crítica sobre o texto:
O texto apresenta uma revisão histórica bem estruturada e contextualizada sobre a relação entre censura, controle editorial e a prática jornalística no Brasil, desde o período colonial até os governos recentes.
Os pontos altamente relevantes no documento são quando eles expõem que a censura é algo estrutural e histórico, e diante disso, eles destacam o fato de o jornalismo ter uma certa cumplicidade com regimes autoritário, como durante a ditadura militar, que os jornalistas só apresentavam as pessoas as notícias que o governo da época queria, distorcendo muitas informações importantes.
Portanto, foi uma contribuição altamente relevante para desnaturalizar a ideia de que o Brasil tem uma imprensa livre e autônoma, mostrando que o controle é uma constante adaptável a diferentes contextos políticos.
Data: 01/09/2025