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Introdução à Audiologia Básica/Medidas de Imitância Acústica - Conceitos Essenciais/Timpanometria: Princípios e Aplicações Clínicas

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Timpanometria: Princípios e Aplicações Clínicas

Conteúdo

Funcionamento do teste de timpanometria

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A instrução ao paciente para a realização das medidas de imitância acústica é bastante simples. É válido informar que o procedimento é automático e, portanto, ele(a) não precisará levantar a mão ou responder a nenhum estímulo. Será necessário colocar uma pequena ponta de borracha ajustada ao conduto auditivo e ele(a) sentirá uma variação de pressão na orelha por alguns segundos. É importante que o paciente evite se movimentar, falar ou tossir durante o exame [1].

Para a realização da w:timpanometria, inicialmente, é necessário que ocorra vedação hermética, para que assim seja possível variar a pressão apresentada no conduto auditivo externo [2] Nesse sentido, são utilizadas olivas de diferentes tamanhos (Figura 1) e o avaliador escolhe aquela que mais se adequa ao tamanho do conduto auditivo do sujeito avaliado.

Na sequência, por meio de um equipamento específico, aplica-se uma pressão de +200 decapascal (daPa) no conduto auditivo externo do sujeito avaliado. A apresentação de pressões extremas, como +200 daPa, faz com que ocorre um aumento substancial da impedância, refletindo em aumento da oposição à passagem do som. Portanto, tendo alcançado o máximo de rigidez com esta pressão extrema, nenhuma energia será transmitida para a orelha média e o equipamento mensurará e registrará, neste momento, o volume do conduto auditivo externo. Então, aos poucos a pressão aplicada no conduto auditivo é reduzida, o que faz com que a impedância seja gradativamente reduzida e a admitância vá aumentando, até um ponto em que a pressão apresentada no MAE e a pressão na orelha média ficam equivalentes. Neste ponto, tem-se a máxima admitância (também conhecido como complacência ou compliância) do sistema, ou seja, ponto de maior transferência acústica pelo w:sistema auditivo, o que permite ao equipamento mensurar os volumes da orelha externa e da orelha média juntos. Assim, de forma indireta, e tendo as medidas do volume do MAE e do volume do MAE + volume da orelha média juntos, é possível estimar o volume da orelha média, ou mais conhecido como complacência estática, expresso em ml ou mmho. Outra informação relevante para avaliar a funcionalidade da orelha média é a pressão do pico de máxima complacência, que nada mais é que a pressão em que foi identificada a máxima admitância do sistema e indica a pressão que está presente na orelha média, expressa em daPa [[1][2][3]

Na ausência de alterações de orelha média, espera-se que a pressão apresentada no MAE e a pressão existente na orelha média fiquem equivalentes próximo à pressão ambiente. O resultado da timpanometria é plotado em um gráfico específico denominado timpanograma (Figura 2), no qual identifica-se a pressão do pico de máxima complacência e a altura do pico timpanométrico (volume).

O tom de sonda mais utilizado na timpanometria é o de 226 Hz, sendo um tom grave ele permite avaliar principalmente a resultante o efeito de rigidez sobre a passagem desse som [1][3].Em crianças nos primeiros seis meses de vida, recomenda-se o uso de um tom de frequência mais alta (1000 Hz), já que este permite avaliar com maior sensibilidade o efeito de massa sobre a transmissão da energia acústica. [1][3]

As contraindicações para a realização da timpanometria incluem a presença de corpo estranho, otorréia, perfuração da w:membrana timpânica e excesso de cerume no MAE [1]. Nesse sentido, recomenda-se a realização de uma inspeção visual do MAE antes da realização do procedimento. Ao considerar que o procedimento envolve pressurização, não é recomendado a realização da timpanometria em casos pós-cirúrgicos recentes, sendo importante o médico otorrinolaringologista que acompanha o caso indicar o momento à partir do qual é possível realizar as medidas de imitância acústica sem risco e com resultados que sejam conclusivos [4]

Curvas timpanométricas: tipos e interpretação

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A classificação dos timpanogramas com tom de sonda de 226 Hz mais rotineiramente utilizada na prática clínica foi proposta por Jerger (1970)[5] e Jerger et al. (1972)[6]e inclui as curvas timpanométricas do tipo A, B, C, Ar e Ad (Figura 3).

O timpanograma do tipo A se caracteriza por apresentar um pico de máxima complacência com pressão entre +100 e -100 daPa e se subdivide em A, Ar e Ad, a depender da altura do pico de admitância (volume da orelha média ou complacência estática). Desta forma, no timpanograma do tipo A tem-se mobilidade normal do sistema tímpano-ossicular, com volume de 0,30 a 1,65 ml; no tipo Ar tem-se baixa mobilidade do sistema tímpano-ossicular tendo, portanto, amplitude reduzida com volume menor que 0,30 ml e sugerindo uma rigidez do sistema tímpano-ossicular. Por outro lado, no tipo Ad, o volume é acima de 1,65 ml, se caracterizando por uma amplitude aumentada, com hipermobilidade do sistema tímpano-ossicular[3][5][6]

Na curva timpanométrica do tipo B, também descrita como curva plana, há ausência de mobilidade do sistema tímpano-ossicular, o que reflete no fato de não ser identificado nenhum pico de admitância com a variação de pressão [1][3][5] Este achado sugere a presença de secreção na orelha média, mas também pode ser encontrada na presença de cerume compactado na orelha externa ou em microperfurações da membrana timpânica, não identificados previamente ao exame, mas que fazem com que mesmo variando a pressão, não haja diferenciação na admitância durante o teste.

O timpanograma do tipo C caracteriza-se por uma pressão inferior a -100 daPa, independentemente da altura timpanométrica, sugerindo haver pressão negativa na orelha média. Este tipo de curva timpanométrica é descrita em orelhas com disfunção tubária [1][3][5]

Além dos timpanogramas clássicos, pode-se obter um outro tipo denominado duplo pico. Este timpanograma é comumente encontrado ao utilizar tom de sonda de 226 Hz na avaliação de recém-nascidos [1][2]

Uso de timpanometria de alta frequência

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Os imitanciômetros comercializados atualmente permitem realizar a timpanometria com tom de sonda de 226 Hz, mas muitos modelos também possuem o tom de sonda de 1000 Hz, cujo resultado é expresso em mmho [1]. Ao considerar as diferenças anatomofisiológicas do conduto auditivo do adulto e do bebê e a elevada ocorrência de falsos negativos ao se utilizar tom de sonda de 226 Hz para avaliar um sistema dominado pelo fator massa, na literatura é recomendado o uso da timpanometria com sonda de 1000 Hz para crianças nos primeiros meses de vida, sobretudo, até seis meses de idade[1][3]

A classificação para timpanogramas com tom de sonda de 1000 Hz deve ser distinta ao proposto por Jerger (1970), sendo recomendada a classificação em normal, alterado ou indeterminado [7][8]Recomenda-se traçar uma linha de base entre o início e o final do traçado timpanométrico, identificar o principal pico formado e desenhar uma linha vertical da base até o pico, identificando se forma um pico positivo (acima da linha de base) o que indica normalidade, ou negativo (abaixo da linha de base) que sugere timpanograma alterado. Se o resultado não estiver claro, com pico positivo e negativo, tem-se a classificação “indeterminado”, recomenda-se que seja retestado e os resultados interpretados em conjunto com os demais procedimentos de avaliação.

Referências

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  1. 1,0 1,1 1,2 1,3 1,4 1,5 1,6 1,7 1,8 {{{Título}}}.
  2. 2,0 2,1 2,2 {{{Título}}}.
  3. 3,0 3,1 3,2 3,3 3,4 3,5 3,6 Oliveira Neto, Raimundo (2023). Guia de Orientacao na Avaliacao Audiologica.
  4. [www.thebsa.org.uk (revisão 2018) Recommended procedure: tympanometry.] (2013). Página visitada em 21 de março de 2026.
  5. 5,0 5,1 5,2 5,3 Jerger, J. (1 de outubro de 1970). «Clinical Experience With Impedance Audiometry». Archives of Otolaryngology - Head and Neck Surgery. 92 (4): 311–324. ISSN 0886-4470. doi:10.1001/archotol.1970.04310040005002 
  6. 6,0 6,1 Jerger, J.; Jerger, S.; Mauldin, L. (1 de dezembro de 1972). «Studies in Impedance Audiometry: I. Normal and Sensorineural Ears». Archives of Otolaryngology - Head and Neck Surgery. 96 (6): 513–523. ISSN 0886-4470. doi:10.1001/archotol.1972.00770090791004 
  7. Baldwin, Margaret (janeiro de 2006). «Choice of probe tone and classification of trace patterns in tympanometry undertaken in early infancy». International Journal of Audiology. 45 (7): 417–427. ISSN 1499-2027. doi:10.1080/14992020600690951 
  8. {{{Título}}}.

Conteúdos audiovisuais

Quiz

Caro(a) aluno(a), lembre-se que o quiz é uma autoavaliação.

1

Qual é o valor inicial de pressão aplicado no conduto auditivo externo durante o teste de timpanometria?

+100 daPa
-100 daPa
+200 daPa
0 daPa

2

Qual timpanograma indica uma mobilidade normal do sistema tímpano-ossicular com volume entre 0,30 e 1,65 ml?

Tipo A
Tipo B
Tipo Ar
Tipo Ad

3

Quais condições contraindicam a realização da timpanometria?

Perfuração da membrana timpânica, corpo estranho, excesso de cerume
Otite média aguda, otosclerose, disfunção da tuba auditiva
Excesso de cerume, perda auditiva sensorioneural, otite média
Perda auditiva mista, otorréia, cirurgia recente

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