Introdução ao Jornalismo Científico/Ética da Ciência/Atividade/Ababueno
Nome da atividade
[editar | editar código]Esta tarefa é realizada para cumprimento do módulo 3 do curso de Introdução ao Jornalismo Científico. Tome cuidado de estar logado na Wikiversidade. Se não estiver logado, não será possível verificar o trabalho.
Atividade
[editar | editar código]Um dos principais desafios da prática do jornalismo científico é entrevistar cientistas sobre seu trabalho, isto porque é ao mesmo tempo necessário introduzir e aprofundar os temas abordados. Nesta tarefa, você deverá entrevistar um pesquisador ou uma pesquisadora sobre Ética da Ciência e sobre questões éticas específicas relacionadas a seu trabalho.
Para a entrevista, é preciso pesquisar de antemão a produção da/do cientista selecionada/a. Procure seu trabalhos em bases de dados de publicações científicas, como o Google Acadêmico, e leia-os antes da conversa.
Prepare então um roteiro de perguntas, pensando-o com base na pauta sobre ética proposta nesta tarefa. Há vários manuais sobre como fazer boas entrevistas, um material que pode ser é útil é Um guia para aprimorar a arte da entrevista, de Natália Mazotte.
É indispensável que o/a entrevistado/a assine e lhe envie um termo de cessão de direitos, tal qual o deste modelo.
A entrevista, em formato de vídeo ou áudio, deve ter no máximo 7 minutos. Uma vez a entrevista realizada, edite o material, por exemplo melhorando o som, inserindo uma vinheta com o título e o nome da pessoa entrevista e cortando trechos desnecessários.
Considere os aspectos técnicos, como iluminação e som, na momento de produção e informe sua fonte que o material será disponibilizado em licença livre. Também é necessário publicar a entrevista transcrita.
A entrevista será disponibilizada no repositório Wikimedia Commons.
Nome de usuário(a)
[editar | editar código]Ababueno
Transcrição
[editar | editar código]Nesta seção, você deverá publicar a transcrição da entrevista realizada. Esteja logado. Também dê acesso ao termo de cessão de direitos assinado, numa pasta de acesso restrito, mas liberada para o email comunicacao@numec.prp.usp.br
André Bueno: Olá, eu sou André Bueno, pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da USP, e hoje tenho a honra de conversar com a professora Alice Abreu, professora emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro, ex-vice-presidente do CNPq, ex-diretora do Escritório de Educação, Ciência e Tecnologia da Organização dos Estados Americanos e uma das principais referências em temas de gênero, trabalho e política científica no Brasil e na América Latina. Professora, é um prazer recebê-la. Muito obrigado por estar conosco. A ideia hoje é falar um pouco sobre ética na pesquisa científica, um tema cada vez mais urgente no cenário atual da ciência e da vida pública. Um dos princípios centrais da ética científica é o universalismo, segundo o qual o talento e o mérito devem ser reconhecidos independentemente de gênero, origem ou nacionalidade. Na sua experiência, como as instituições de ciência e tecnologia no Brasil podem, eticamente, ir além das políticas de números e realmente reestruturar sua cultura para garantir a plena participação e o desenvolvimento das mulheres na pesquisa?
Alice Abreu: Oi, André. Muito obrigada pelo convite. É um prazer estar aqui. Eu gostaria de responder a essa sua primeira pergunta em duas etapas. Primeiro, dizer que, de fato, a questão da ética é hoje um tema central na pesquisa científica, porque, a meu ver, nós estamos vivendo uma mudança fundamental do paradigma científico que prevaleceu nos últimos séculos. A inteligência artificial, em tudo que ela tem de positivo e negativo, afeta muito os parâmetros que cientistas no mundo inteiro seguem para produzir um conhecimento científico considerado legítimo e válido. A inteligência artificial está transformando essa questão e, portanto, é fundamental que os cientistas mantenham valores éticos que fundamentem a descoberta e a pesquisa científica. Como a integração da inteligência artificial na ciência marca uma mudança de paradigma, não apenas na instrumentação ou metodologia, mas nos fundamentos epistêmicos da pesquisa. E é por isso que essa discussão sobre ética é tão central. Os cientistas precisam e devem estabelecer como controlar e validar o conhecimento e as pesquisas realizadas pela inteligência artificial, e definir os parâmetros que possibilitem que essa nova tecnologia possa reforçar o entendimento dos pesquisadores e não substituí-lo. Com relação à segunda parte da sua pergunta, é preciso enfatizar que, nos últimos 30 anos, houve uma enorme quantidade de pesquisa e reflexão sobre o tema de como uma carreira científica se desenvolve no feminino. A principal lição é que uma real mudança tem que ser estrutural e institucional. Não é uma questão das mulheres. As mulheres não precisam ser mais incentivadas e alteradas. O que tem que ser, hoje em dia, sabe de muitas coisas que funcionam, nem sempre na escala adequada. Sabemos que muitas coisas funcionam, mas não para todos os grupos. São as instituições que devem e precisam querer mudar e, nesse sentido, as instituições de fomento, como o CNPq, devem ter um papel central para incentivar essas mudanças. E é preciso reconhecer que o CNPq faz o seu papel de forma bastante adequada. Se a gente olhar as bolsas de mestrado e doutorado, a gente vê que mulheres são, hoje em dia, a maioria das bolsistas, desde o nível de iniciação científica. O problema reside, portanto, quando elas se profissionalizam e entram na fase de uma carreira nas instituições de ensino e de pesquisa. É aí que o problema reside e é aí que a gente tem que focar. Acho que o Brasil tem dado exemplos muito positivos no sentido de, hoje em dia, apoiar pesquisadoras jovens com financiamentos específicos e outras coisas do gênero. Mas, mesmo assim, as mulheres continuam tendo que ter mais voz do que têm quando entram na fase profissional da sua carreira. É importante que se tenha claro que não é só preciso estar presente, é preciso também estar em posições onde elas possam, de fato, influenciar as políticas e as formas de como desenvolver projetos.
André Bueno: Professora Alice, muito obrigado pela disponibilidade e pela generosidade em compartilhar sua experiência.
Alice Abreu: Obrigado a você, André, pelo convite. Foi realmente um prazer conversar com você.
- Link para o termo de cessão:

Carregamento de entrevista
[editar | editar código]Para esta etapa, você precisará carregar o áudio ou o vídeo no Wikimedia Commons e publicá-lo aqui na Wikiversidade. Necessariamente o arquivo de vocês deverá estar num formato livre. Os vídeos abaixo servem de instrução para carregar conteúdos no Wikimedia Commons. Esteja logado.
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Como carregar no Wikimedia Commons.
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Como usar mídias do Wikimedia Commons.
Próximos passos
[editar | editar código]Após concluir a atividade, clique no botão abaixo para ir para o próximo módulo do curso.