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Introdução ao Jornalismo Científico/Ética da Ciência/Atividade/Cmql2110

De Wikiversidade

Nome da atividade

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Esta tarefa é realizada para cumprimento do módulo 3 do curso de Introdução ao Jornalismo Científico. Tome cuidado de estar logado na Wikiversidade. Se não estiver logado, não será possível verificar o trabalho.

Atividade

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Um dos principais desafios da prática do jornalismo científico é entrevistar cientistas sobre seu trabalho, isto porque é ao mesmo tempo necessário introduzir e aprofundar os temas abordados. Nesta tarefa, você deverá entrevistar um pesquisador ou uma pesquisadora sobre Ética da Ciência e sobre questões éticas específicas relacionadas a seu trabalho.

Para a entrevista, é preciso pesquisar de antemão a produção da/do cientista selecionada/a. Procure seu trabalhos em bases de dados de publicações científicas, como o Google Acadêmico, e leia-os antes da conversa.

Prepare então um roteiro de perguntas, pensando-o com base na pauta sobre ética proposta nesta tarefa. Há vários manuais sobre como fazer boas entrevistas, um material que pode ser é útil é Um guia para aprimorar a arte da entrevista, de Natália Mazotte.

É indispensável que o/a entrevistado/a assine e lhe envie um termo de cessão de direitos, tal qual o deste modelo.

A entrevista, em formato de vídeo ou áudio, deve ter no máximo 7 minutos. Uma vez a entrevista realizada, edite o material, por exemplo melhorando o som, inserindo uma vinheta com o título e o nome da pessoa entrevista e cortando trechos desnecessários.

Considere os aspectos técnicos, como iluminação e som, na momento de produção e informe sua fonte que o material será disponibilizado em licença livre. Também é necessário publicar a entrevista transcrita.

A entrevista será disponibilizada no repositório Wikimedia Commons.

Nome de usuário(a)

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Cmql2110

Transcrição

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Nesta seção, você deverá publicar a transcrição da entrevista realizada. Esteja logado. Também dê acesso ao termo de cessão de direitos assinado, numa pasta de acesso restrito, mas liberada para o email comunicacao@numec.prp.usp.br

Essa é uma entrevista com a doutoranda pesquisadora Sofia Galvão Ferronato do Instituto Carlos Chagas do Paraná, que desenvolveu um trabalho junto com outros pesquisadores e que resultou, então, num artigo com o título Paradigma de Estocolmo no estudo do vírus da influenza. Uma nova abordagem para o estudo do risco zoonótico, acoplando análise de correspondência múltipla e filogenias mutilotos.

Claudia Lambach - O repertório da cepa viral pode influenciar a severidade da doença em humanos após a transição de um hospedeiro animal? Como essa relação poderia ser avaliada considerando a limitação de dados sobre a quantidade de hospedeiros que vocês tiveram durante essa pesquisa?

Sofia Galvão Feronato - Bom, essa é uma muito boa pergunta, Cláudia, mas é inclusive uma das nossas perguntas agora no doutorado. Mas a ideia, então, com base na filogenia, na história evolutiva de um vírus, ou no caso de cepas de gripe, a gente espera que aqueles grupos de vírus que ocorrem no mesmo grupo filogenético, que são parentes próximos, infectem hospedeiros próximos dentro da história evolutiva. Não necessariamente que sejam, vamos dizer assim, se esse hospedeiro infecta humanos, pode ser que ele tenha mais facilidade de infectar, por exemplo, outros primatas. Mas a ideia aqui, no caso do repertório do hospedeiro, que já é bem tratado em outros artigos, é a gente pensar que se a gente tem um pulo muito distante de um hospedeiro, por exemplo, que é uma ave, e não um mamífero, para a nossa espécie, esse repertório vai causar uma chance ou uma probabilidade da doença, da virulência, da severidade da doença ser maior, justamente por causa dessa distância filogenética entre os hospedeiros. Então, como eles não são tão semelhantes, talvez a adaptação ali viral àquele sistema biológico pode ser um pouco mais danoso para o vírus poder se estabelecer, acabando gerando uma doença mais grave. No caso do nosso trabalho, é como você falou, é uma limitação, porque no nosso artigo a gente só pôde caracterizar um vírus com um hospedeiro, que é onde foi identificado. O que a gente tentou discutir na dissertação é que, sendo parte daquele grupo filogenético de vírus, então aquele grupo utiliza, por exemplo, primatas, utiliza humanos, utiliza suínos. Então, a chance do repertório envolver outros hospedeiros dentro de um mamífero seria maior, considerando o conservatismo ali dentro dos vírus. Mas também nada impede que aconteça esse pulo, por exemplo, para aves, gerando uma severidade maior.

CL - Como vocês pensam em garantir que os métodos e os dados utilizados nesta pesquisa sejam transparentes e reproduzíveis?

SGF - Um foco muito grande do meu orientador foi justamente tratar da reprodutibilidade, ainda mais dentro da ciência de dados. Então, a inteligência artificial é uma coisa que envolve muitos algoritmos, como é uma ciência de síntese, a gente usa muitos métodos para chegar a uma conclusão. Então, a gente fez questão de colocar todos os nossos dados, toda a nossa programação, a News Scripts que a gente desenvolveu, a gente coloca tudo no GitHub, num repositório aberto. Então, qualquer um, esse artigo está submetido, qualquer um que for acessar ele depois de publicado pode entrar lá no GitHub e reproduzir toda a pesquisa que a gente fez.

CL - Como evitar que a pesquisa de vocês seja usada de maneira inadequada como para fins políticos ou econômicos questionáveis ?

SGF - Essa também foi uma pergunta muito difícil de responder, porque no início a gente pensa que a gente tem que ter meios ali de segurar, especialmente dentro da inteligência artificial, de envolver uma segurança por trás da pesquisa. Mas eu até fui falar com o meu orientador porque eu fui muito perdida, mas é importante dizer que o método científico é amoral, ele não vai fazer algo, ele não vai executar algo porque é bom ou porque é ruim, isso depende de quem executa o método. O método que a gente desenvolveu, que a gente chamou de análise múltipla, permite que a gente use várias características, levante várias características dos vírus e dos hospedeiros e coloque isso em uma linha numérica, analise eles todos ao mesmo tempo, juntos. Então, isso pode envolver qualquer dado. Dentro da inteligência artificial, isso acaba sendo até mais polêmico, envolvendo ali o monitoramento de populações e tudo mais, mas o método científico, ele não pensa se é bom ou se é ruim, ele é um método e ele não tem moralidade nenhuma. A inteligência artificial, ela está vindo aí para fazer a gente pensar bastante como fazer essa relação, como se relacionar com ela. Todas as áreas estão tendo todos... Ainda mais na segurança de dados. Enquanto a gente já não tem os nossos dados, sem o nosso consentimento.

CL - De modo geral, como a forma de comunicação de pesquisas como esta que vocês desenvolveram, pode influenciar políticas de saúde pública e a percepção da sociedade sobre riscos epidemiológicos?

SGF - Eu acredito que essa conversa que a gente está tendo é essencial. Porque um artigo científico, ele é a principal forma de comunicação dentro da ciência, mas ela é muito restrita à academia. Ainda mais que a maioria dos artigos são em inglês. Então, aqui, se a gente fala do nosso contexto, já é uma barreira gigantesca e dentro do próprio método científico, a linguagem é muito pesada. Então, para alguém poder sentar e ler um artigo desse ou tantas informações que a gente tem hoje em dia, acaba sendo um abismo muito grande de comunicação. Então, é muito importante que essas conversas aconteçam, ainda mais agora no contexto de mudanças climáticas, né? Porque com essas doenças emergentes e reemergentes, isso só tende a aumentar. Então, é muito importante que as pessoas entendam que o método científico é uma coisa importante e que deve ser acessível. Tem que ser compreensível para as pessoas, não só para a gente. Até para evitar, porque às vezes a gente fala, esse vírus, no caso do coronavírus, ele conseguiu passar para a nossa espécie e parece que é tudo do nada. E aí, de repente, quando existe todo um aparato ali biológico, toda uma história envolvida por trás, que acaba sendo muito difícil da gente traduzir em poucos minutos, né? Então, é muito importante essa divulgação.

CL - Qual a sua opinião sobre o papel do jornalismo científico na comunicação de pesquisas à sociedade e quais benefícios essa área do jornalismo pode proporcionar?

SGF - É, como a gente estava falando. O jornalismo científico, ele não vai ser só um podcast qualquer. Que alguém senta e começa a discutir sem fundamento. Ela envolve um estudo, ela envolve um aparato, ela envolve uma comunicação prévia. Que vai acontecer e não vai ser também qualquer pessoa que vai lá falar sobre doença emergente, vai ser uma pessoa que tem um conhecimento para isso. E é aquilo, vai trazer a linguagem necessária para todo mundo entender a importância disso. Até para ter confiança. Por exemplo, da academia com a população. Então, às vezes, tudo isso que a gente passou na pandemia poderia ter sido evitado se houvesse essa confiança. Se houvesse essa comunicação antes.

Carregamento de entrevista

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Para esta etapa, você precisará carregar o áudio ou o vídeo no Wikimedia Commons e publicá-lo aqui na Wikiversidade. Necessariamente o arquivo de vocês deverá estar num formato livre. Os vídeos abaixo servem de instrução para carregar conteúdos no Wikimedia Commons. Esteja logado.

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Entrevista_com_Sofia_Galv%C3%A3o_Feronato.wav

Próximos passos

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Referências