Introdução ao Jornalismo Científico/Ética da Ciência/Atividade/Daniela Feriani
Tarefa final do modulo 3
[editar | editar código]Esta tarefa é realizada para cumprimento do módulo 3 do curso de Introdução ao Jornalismo Científico. Tome cuidado de estar logado na Wikiversidade. Se não estiver logado, não será possível verificar o trabalho.
Atividade
[editar | editar código]Um dos principais desafios da prática do jornalismo científico é entrevistar cientistas sobre seu trabalho, isto porque é ao mesmo tempo necessário introduzir e aprofundar os temas abordados. Nesta tarefa, você deverá entrevistar um pesquisador ou uma pesquisadora sobre Ética da Ciência e sobre questões éticas específicas relacionadas a seu trabalho.
Para a entrevista, é preciso pesquisar de antemão a produção da/do cientista selecionada/a. Procure seu trabalhos em bases de dados de publicações científicas, como o Google Acadêmico, e leia-os antes da conversa.
Prepare então um roteiro de perguntas, pensando-o com base na pauta sobre ética proposta nesta tarefa. Há vários manuais sobre como fazer boas entrevistas, um material que pode ser é útil é Um guia para aprimorar a arte da entrevista, de Natália Mazotte.
É indispensável que o/a entrevistado/a assine e lhe envie um termo de cessão de direitos, tal qual o deste modelo.
A entrevista, em formato de vídeo ou áudio, deve ter no máximo 7 minutos. Uma vez a entrevista realizada, edite o material, por exemplo melhorando o som, inserindo uma vinheta com o título e o nome da pessoa entrevista e cortando trechos desnecessários.
Considere os aspectos técnicos, como iluminação e som, na momento de produção e informe sua fonte que o material será disponibilizado em licença livre. Também é necessário publicar a entrevista transcrita.
A entrevista será disponibilizada no repositório Wikimedia Commons.
Daniela Feriani
[editar | editar código]Daniela Feriani
Transcrição
[editar | editar código]Nesta seção, você deverá publicar a transcrição da entrevista realizada. Esteja logado. Também dê acesso ao termo de cessão de direitos assinado, numa pasta de acesso restrito, mas liberada para o email comunicacao@numec.prp.usp.br
Ola, eu sou Daniela Feriani, e estou aqui com Daniela Manica, professora do Programa de Doutorado em Ciências Sociais e do Mestrado em Divulgação Científica e Cultural da Unicamp, pesquisadora do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo, também na Unicamp, e co-produtora do podcast Mundaréu, dedicado `a divulgação cientifica de Antropologia. Agradeço a sua presença, Daniela, e a ideia aqui é falar um pouco sobre ética na pesquisa científica. Daniela Feriani: Gostaria de saber como você vê a singularidade das pesquisas em Ciências Sociais. Daniela Manica: Bom, queria começar agradecendo o convite pra conversa. Esse é um tema sobre o qual eu trabalhei enquanto era professora na UFRJ, eu fui do Comitê de Ética em Pesquisa em Ciências Humanas, e eu acho que o ponto principal que diferencia as abordagens tem a ver com a história do problema da ética em pesquisa, que vem da bioética, que vem da forma como as ciências médicas interferem, a partir de suas pesquisas, no funcionamento dos corpos, muitas vezes com finalidades nobres, digamos assim, de cura, de melhora, de saúde, mas, na história da ciência e da medicina, muitas vezes isso foi feito de formas violentas, desrespeitosas e questionáveis. Então a ética em pesquisa nasce, a discussão sobre ética na pesquisa nasce da necessidade de proteger as pessoas que participam de pesquisas cientificas de eventuais efeitos danosos que essas pesquisas podem causar sobre o corpo e sobre a saúde das pessoas. Nas Ciências Humanas, a gente não provoca os efeitos nessa mesma escala que as ciências biomédicas e biológicas provocam. Então acho que aí tem uma diferença importante em relação `a necessidade do controle ético das pesquisas e do resguardo, digamos assim, dos direitos dos participantes de pesquisas nas pesquisas em ciências medicas e biológicas em relação `as das humanas, Não é que não precisa se preocupar com ética em ciências humanas, mas os efeitos das pesquisas são muito diferentes. Daniela Feriani: E com a resolução CNS 510/2016, que descreve as normas referentes `as pesquisas em Ciências Sociais e Humanas, e a implementação de Comitês de Ética especializados, nós tivemos avanços importantes pra vencer alguns entraves na aprovação de projetos em pesquisas qualitativas. Ainda assim, alguns pesquisadores continuam enfrentando dificuldades pra submeter e aprovar projetos na Plataforma Brasil. Parece ainda haver um desconhecimento da singularidade da pesquisa qualitativa, como, por exemplo, a pesquisa de campo, além de conflitos teóricos e metodológicos acerca da compreensão do ser-humano e de outros modos de ser e de viver. Como podemos mudar esse cenário? Como que a pesquisa em Ciências Sociais pode, de fato, ser conhecida e valorizada por setores mais amplos da sociedade? Daniela Manica: Aí são duas perguntas diferentes, eu vou tentar responder as duas. Primeiro, com relação ao funcionamento do sistema de ética em pesquisa, acho que a Resolução 510 foi uma conquista importante, a criação dos comitês de área, mais focados em humanidades, também, mas é importante dizer que o processo que estava sendo construído politicamente, na época, era um processo de reconhecimento pleno da especificidade das humanidades, das metodologias, que culminaria numa saída da nossa especialidade da Plataforma Brasil que, por sua vez, é vinculada ao Ministério da Saúde. Então, estava, ali, lá pra 2016, antes até, 2014, 2015, 2016, se desenhando um movimento possível de simplificar os processos de avaliação ética das pesquisas em humanidades e possível ate migração para uma outra plataforma que não fosse a Plataforma Brasil, porque a Plataforma Brasil segue toda uma linguagem e uma estrutura que dizem respeito a pesquisas em áreas biomédicas, como eu estava falando anteriormente; inclusive, haveria uma simplificação radical do processo, porque a maior parte das pesquisas em Ciências Humanas seriam avaliadas muito mais rapidamente, com muito mais facilidade. Esse processo todo, digamos, de libertação das humanidades desse guarda-chuva controlador do Ministério da Saúde, que tem a sua importância, mas que não tem a ver conosco, das humanidades, foi interrompido pelo golpe parlamentar de 2016, e aí você teve uma correlação de forças internas ao próprio Ministério da Saúde, e tudo o que se sucedeu depois, nos anos seguintes, com o golpe, com a ascensão da extrema direita, e tudo o que a gente viveu com a pandemia, que, completamente, que jogou essa discussão, assim, pra lista mais baixa de prioridades a serem resolvidas. Então a gente continua refém de um sistema que não consegue dar conta de avaliar as nossas pesquisas, e dar conta também de reconhecer as Ciências Sociais como um tipo de ciência que tem outras formas de trabalhar, outras preocupações, outros efeitos, outras alianças com as comunidades que, muitas vezes, as áreas médicas não conseguem ter, enfim... Então essa seria meio que a primeira parte da resposta. E como que a gente consegue construir essa visibilidade é um grande desafio, na verdade. Eu acho que a divulgação científica é um caminho super importante, no qual a gente vai tentando, por fora da universidade, negociar a nossa legitimidade, a nossa validade, do tipo de pesquisa que a gente faz, e também aprender com o retorno que a gente recebe da sociedade em relação ao nosso próprio trabalho. Acho que as humanidades, as Ciências Sociais são muito fechadas pra esse diálogo com o mundo fora da academia e perde muito desse retorno crítico que precisa ter, dessa leitura pública que precisa existir em relação aos nossos resultados. Eu acho que, se esse movimento puder ser feito, a gente tem muito a ganhar. Daniela Feriani: Daniela, muito obrigada pela sua participação. Daniela Manica: Eu que agradeço, fico `a disposição.
- Link para o termo de cessão: https://drive.google.com/file/d/1Y0EU5n6DYEULgd8-Hv2hxVIWfOxtfJJa/view?usp=drive_link
Carregamento de entrevista
[editar | editar código]Para esta etapa, você precisará carregar o áudio ou o vídeo no Wikimedia Commons e publicá-lo aqui na Wikiversidade. Necessariamente o arquivo de vocês deverá estar num formato livre. Os vídeos abaixo servem de instrução para carregar conteúdos no Wikimedia Commons. Esteja logado.
-
Como carregar no Wikimedia Commons.
-
Como usar mídias do Wikimedia Commons.
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Entrevista_curso_jornalismo_cientifico_atual.wav
Próximos passos
[editar | editar código]Após concluir a atividade, clique no botão abaixo para ir para o próximo módulo do curso.