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Introdução ao Jornalismo Científico/Ética da Ciência/Atividade/Fernando Sabatini

De Wikiversidade

Nome da atividade

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Esta tarefa é realizada para cumprimento do módulo 3 do curso de Introdução ao Jornalismo Científico. Tome cuidado de estar logado na Wikiversidade. Se não estiver logado, não será possível verificar o trabalho.

Atividade

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Um dos principais desafios da prática do jornalismo científico é entrevistar cientistas sobre seu trabalho, isto porque é ao mesmo tempo necessário introduzir e aprofundar os temas abordados. Nesta tarefa, você deverá entrevistar um pesquisador ou uma pesquisadora sobre Ética da Ciência e sobre questões éticas específicas relacionadas a seu trabalho.

Para a entrevista, é preciso pesquisar de antemão a produção da/do cientista selecionada/a. Procure seu trabalhos em bases de dados de publicações científicas, como o Google Acadêmico, e leia-os antes da conversa.

Prepare então um roteiro de perguntas, pensando-o com base na pauta sobre ética proposta nesta tarefa. Há vários manuais sobre como fazer boas entrevistas, um material que pode ser é útil é Um guia para aprimorar a arte da entrevista, de Natália Mazotte.

É indispensável que o/a entrevistado/a assine e lhe envie um termo de cessão de direitos, tal qual o deste modelo.

A entrevista, em formato de vídeo ou áudio, deve ter no máximo 7 minutos. Uma vez a entrevista realizada, edite o material, por exemplo melhorando o som, inserindo uma vinheta com o título e o nome da pessoa entrevista e cortando trechos desnecessários.

Considere os aspectos técnicos, como iluminação e som, na momento de produção e informe sua fonte que o material será disponibilizado em licença livre. Também é necessário publicar a entrevista transcrita.

A entrevista será disponibilizada no repositório Wikimedia Commons.

Nome de usuário(a)

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Fernando Sabatini

Transcrição

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Nesta seção, você deverá publicar a transcrição da entrevista realizada. Esteja logado. Também dê acesso ao termo de cessão de direitos assinado, numa pasta de acesso restrito, mas liberada para o email comunicacao@numec.prp.usp.br

Entrevistador: Boa tarde, pessoal. Essa daqui é uma gravação que sendo feita aqui pelo Fernando Sabatini, bolsista de difusão científica do NeuroMat, da USP. Estou aqui hoje entrevistando o professor Dr. André Frazão Helene sobre ética da ciência. O professor é graduado em biologia pela Universidade de São Paulo, em 1997. Ele tem mestrado e doutorado em Fisiologia, também pela USP, e atualmente ele é professor no Instituto de Biosciências, no Departamento de Fisiologia da Universidade de São Paulo, onde ele é coordenador do Laboratório de Ciências da Cognição. Ele também tá vinculado aos programas de Neurociências e Comportamento, o NEC, e de Ciências/Fisiologia. Atua principalmente em pesquisas com memória e atenção em humanos e comportamento coletivo de insetos. Ele é também pesquisador associado do CEPID NeuroMat, Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão em Neuromatemática, de onde eu estou falando. Professor, obrigado pela sua disponibilidade na conversa e vamos lá então. Dentro do tema de ética da ciência, tem alguma coisa específica que você acha que vale a pena a gente ressaltar?

Entrevistado: Eu acho que tem uma questão fundamental de a gente pensar hoje em dia que é... Ciência, ela é uma das estratégias mais efetivas, ou seja, produzir ciência é uma das estratégias mais efetivas de desenvolvimento. Seja desenvolvimento humano, seja desenvolvimento econômico do país, seja de desenvolvimento político. Esse é um tipo de forma que a humanidade criou que é profundamente relacionado com o sucesso que a gente consegue olhar — sucesso nos moldes do que a tem hoje em dia nas sociedades. Então, do jeito mais óbvio, a pode pensar na tecnologia, ou pode pensar na indústria farmacêutica. E aí gente tem algumas questões que vale a pena pensar, porque do ponto de vista político, atualmente, a tem um movimento anti-ciência muito profundo, que é uma questão complicada, porque ela é quase a negação da qualidade, dessa estratégia de sucesso. Então, eu acho que há uma questão importante aí, de discutir isso. E essa discussão precisa ser colocada, as pessoas precisam saber disso. Tanto que quando a gente abre mão de fazer ciência, a gente está abrindo mão, inclusive, da nossa autonomia, como humanidade e como país e como pessoa, mas também quando a gente faz ciência, a gente também tem uma questão que é: a gente direcionar essa ciência para os aspectos que são relevantes. Ou seja, não é apenas uma questão de qualquer ciência serve a qualquer pergunta. Uma parte significativa do dinheiro de ciência voltado para finalidades talvez pouco úteis como... úteis no sentido humanístico, assim, né? Então, por exemplo, o desenvolvimento de arma é uma parte fundamental do desenvolvimento de ciência. O dinheiro voltado para o desenvolvimento de produções militares são fundamentais, assim, para financiamento geral de ciência. Porque, voltando, como ciência produz tecnologia e conhecimento que dá autonomia à humanidade e produz coisas de alto valor, no final, o produto final de alto valor, se você quer desenvolver aviões, bombardeiros, navios, seja lá que for, ou drones, a base dessa ideia é produção de ciência. Só que vale a pena, especialmente a gente que está no Brasil, pensar quais são os problemas que gente está tentando resolver. Se a ciência dá essa autonomia, que autonomia a gente está querendo ganhar, né? E acho que o Brasil está numa posição importante pra pensar isso. A gente tem uma produção efetiva de ciência no Brasil, a gente tem um, sendo um país grande, a gente tem grandes universidades e algumas delas muito grandes mesmo, como a USP, mas não só a USP, a UFRJ, como outras também, a Universidade Paulista, a Universidade Federal de São Paulo, a UNESP, a gente tem a Universidade do Rio Grande do Sul, a gente tem grandes grupos e outras antigas, como a Universidade da Bahia, e isso faz com que a gente possa pensar um pouco, ou a gente deveria talvez pensar mais quais são os problemas que gente queria resolver de fato, acho que isso não é uma coisa que não está na bioética propriamente, mas está numa ética da produção de ciência como estratégia. Isso não quer dizer não fazer ciência, como uma parte da sociedade hoje em dia parece ter decidido que o melhor é não fazer ciência. Mas fazer ciência que resolva os nossos problemas de fato. A gente tem problemas muito grandes no Brasil. A gente o problema de saúde, a gente tem o problema de letramento da população, a gente tem o problema de falta de saneamento básico, a gente tem um problema de construção, a tem um problema... A gente tem um monte de problemas reais e a gente precisa pensar como é que gente vai resolver esses problemas. Talvez, nesse sentido, a forma como as academias se organizaram... elas têm uma centralidade num conjunto de lugares, especificamente na Europa, nos Estados Unidos, que produzem soluções de problemas que talvez não sejam bem os que a gente deveria resolver agora. É uma questão aí que eu acho que é fundamental de pensar quando a pensa em ética, que não está na bioética propriamente, mas está numa ideia de qual o melhor jeito de a pensar a produção de ciência. E, esse sim, acho que é uma coisa que a gente devota menos tempo do que a gente deveria devotar para produzir, porque é uma questão muito importante. Ou seja, como é que a gente vai resolver… Vou colocar de uma outra forma: se produzir ciência resolve problemas, qual o problema que gente está resolvendo tentando resolver com a ciência que a gente produz? Eu acho que esse é um importante de responder. Eu acho que esse seria um ponto livre que tem a ver com ética, ciência e sociedade, mas que não é propriamente a questão da bioética e da aplicação da ciência.

Entrevistador: Sim, sim. Professor, queria te agradecer demais, mais uma vez, pela oportunidade de ter uma conversa. Espero que a gente consiga se encontrar novamente em breve para mais um projeto. E é isso, a gente encerra por aqui. Obrigado.

Entrevistado: Lega, obrigado, Fernando. É isso aí.


Carregamento de entrevista

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Para esta etapa, você precisará carregar o áudio ou o vídeo no Wikimedia Commons e publicá-lo aqui na Wikiversidade. Necessariamente o arquivo de vocês deverá estar num formato livre. Os vídeos abaixo servem de instrução para carregar conteúdos no Wikimedia Commons. Esteja logado.

Entrevista sobre Ética na Ciência

Próximos passos

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Referências