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Introdução ao Jornalismo Científico/Metodologia e Filosofia da Ciência/Atividade/Alessandra Smaniotto

De Wikiversidade

Nome da atividade

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Esta seção apresenta a tarefa principal do Módulo 1 do curso de "Introdução ao Jornalismo Científico". A realização da tarefa é indispensável para o reconhecimento de participação no curso. Seu trabalho estará acessível, publicado no ambiente wiki, e será anexado ao certificado de realização do curso, quando finalizar todas as atividades. Tome cuidado de estar logado na Wikiversidade. Se não estiver logado, não será possível verificar o trabalho.

Descrição da atividade

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Atuar no jornalismo científico é às vezes comparado ao de ser um tradutor, no jargão da área da comunicação um 'tradutor intersemiótico', que passa a linguagem de um campo para o de outro campo. Nesta atividade, vamos observar e analisar como isso foi feito em uma das principais publicações acadêmicas brasileiras, a Pesquisa FAPESP.

Você deverá selecionar um artigo na revista Pesquisa FAPESP. Estão acessíveis na página principal da publicação. Escolha um artigo sobre um tema de pesquisa - ou seja, que seja baseado em uma ou mais de uma publicação científica - e leia-o com cuidado. Responda às perguntas que seguem.

As respostas deverão ser publicadas nesta página individual. Apenas altere os campos indicados.

Nome de usuário(a)

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Alessandra Smaniotto

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Nesta seção, você deverá colocar os links da matéria selecionada. Esteja logado.

Resumo da matéria

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Pesquisadores descobriram uma enzima produzida por uma bactéria encontrada em solo com resíduos de cana. A enzima acelera a degradação da celulose em glicose, o que poderia facilitar a produção de etanol de segunda geração. A pesquisa foi publicada na Nature e pode ter aplicação industrial.

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Análise da matéria

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Objeto da pesquisa

Descoberta e caracterização de uma nova enzima, a CelOCE, que acelera a degradação da celulose em glicose, produzida por uma bactéria até então desconhecida, que vive em meio aos resíduos de biomassa de cana, com potencial para ser utilizada na produção de etanol de segunda geração.

Metodologia

• Observação

Os pesquisadores tomaram como ponto de partida a observação de que certos microrganismos conseguem degradar eficientemente a celulose em locais onde há acúmulo de resíduos de cana por tempo prolongado, suspeitando que eles poderiam produzir enzimas especializadas na degradação de celulose.

• Hipótese

Microrganismos existentes em solos contendo resíduos de biomassa de cana produziam enzimas altamente específicas para a degradação de celulose, que aumentar a eficiência da produção de etanol de 2ª geração.

• Experimentação

A experimentação envolveu diversas etapas, desde a coleta das amostras de solo até a caracterização da enzima. Primeiramente foram obtidas amostras de solo de refinarias sobre o qual são acumulados resíduos de bagaço-de-cana para isolar a bactéria que produz a enzima, cujo DNA foi sequenciado. O gene que produz a CelOCE foi introduzido no fungo Trichoderma reesei, utilizando a ferramenta de edição molecular Crispr-Cas9. A estrutura cristalográfica da enzima foi resolvida nas instalações do acelerador Sirius do CNPEM.

• Análise

A bactéria que produz a enzima foi isolada a partir das amostras de solo. O sequenciamento do DNA da bactéria permitiu a identificação dos genes relacionados com a enzima responsável pela degradação da celulose, batizada de CelOCE. O gene da CelOCE introduzido no fungo Trichoderma reesei permitiu a produção da enzima concomitantemente com as outras comercialmente empregadas no coquetel para degradar a celulose. A partir da resolução da estrutura cristalográfica da enzima, verificou-se que ela tem um arranjo incomum e um modo peculiar de interagir com a celulose. Os resultados mostraram um potencial industrial significativo para a conversão de celulose em glicose, tornando a produção de etanol de segunda geração mais eficiente, o que motivou negociações para seu licenciamento.

• Publicação

Os resultados foram publicados em um artigo na revista científica Nature, uma das mais prestigiadas do mundo. O estudo recebeu validação da comunidade científica, com elogios de especialistas na área de bioenergia e biotecnologia. O LNBR está em contato com empresas para possível licenciamento da tecnologia.

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Análise da pesquisa

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Analisando a sessão metodológica do artigo publicado na Nature, consegui solucionar uma dúvida que fiquei a partir da leitura da matéria. O texto da matéria não deixa claro se foram realizados ensaios específicos de interação da enzima com a celulose, sendo que a metodologia do artigo deixa claro que foram realizados. De forma ainda mais objetiva, essa informação pode ser facilmente encontrada no abstract do artigo. Cabe pontuar que olhar isoladamente para a sessão metodológica não esclarece as dúvidas sobre o escopo do artigo, especialmente para um leitor que não seja da área da biotecnologia, já que essa sessão traz uma descrição dos métodos que foram empregados para realizar cada método ou análise sem vinculá-los diretamente aos seus objetivos.

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Metáfora científica

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O texto não utiliza muitas metáforas facilmente identificáveis, pois a linguagem é bem objetiva e científica, especialmente no que se refere à categoria das metáforas científicas, que estudamos na aula. Contudo, podemos identificar o uso de algumas metáforas no texto.

No primeiro parágrafo, a expressão "quebrar a parede celular da cana-de-açúcar" pode ser interpretada como uma metáfora, embora tenha um significado técnico literal, existem outros termos mais técnicos para descrever o fenômeno, como hidrólise ou degradação, por exemplo. No entanto, a expressão evoca a ideia de derrubar uma parede, tornando acessível algo que antes estava inacessível (a celulose, que pode ser “quebrada” em glicose). Nesse sentido, a metáfora sugere que a "descoberta" de um recurso preso dentro da planta ao quebrar a parede celular. Na sequência, aparece a expressão “descontruir a celulose”, que faz pensar nas moléculas de glicose como blocos de construção (tijolos) da parede de celulose.

O uso da palavra "batizada" para se referir ao nome dado para a enzima pode ser considerada uma metáfora, já que, no sentido literal, "batizar" significa dar um nome a alguém em um ritual religioso. Essa escolha de palavras confere um tom mais humanizado à descoberta científica, o que torna a linguagem mais acessível e envolvente para o leitor.

Na sentença “Mostramos que existem bactérias na natureza que sabem explorar a poderosa química redox para desconstruir a celulose”, o verbo “saber” está sendo usado no sentido metafórico, já que remete a uma sabedoria ou intencionalidade inerente a seres racionais, o que não é o caso das bactérias.

Outro exemplo é o uso da palavra "coquetel" na sentença “(...) as enzimas comercialmente empregadas no coquetel para degradar a celulose”.

No sentido original, coquetel refere-se a uma mistura de bebidas alcoólicas, contudo, esse uso é comum na bioquímica, onde se fala de "coquetéis enzimáticos" ou "coquetéis de remédios". Por isso, essa metáfora pode passar despercebida.

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Filosofia da ciência

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A matéria pode ser analisada à luz das ideias de Karl Popper e Thomas Kuhn, filósofos da ciência do século XX que discutiram a estrutura e o avanço do conhecimento científico.

A partir da matéria, podemos inferir que o processo científico segue a lógica de Popper, em que uma hipótese científica deve ser formulada de modo a ser provada falsa caso os dados experimentais não a confirmem. Os pesquisadores levantam a hipótese de que no solo com resíduos de cana poderiam existir microrganismos capazes de degradar celulose de forma eficiente. Para testar isso, eles coletaram amostras, analisaram o DNA da bactéria e realizaram outros experimentos. A descoberta da CelOCE resultou de um teste bem-sucedido de uma hipótese falsificável, já que, caso as bactérias não tivessem a capacidade esperada, a hipótese seria refutada. Assim, o estudo exemplifica que a ciência avança pelo teste e refino de hipóteses.

Para Thomas Kuhn, a ciência não avança apenas também por meio de mudanças de paradigma quando teorias estabelecidas se mostram insuficientes para explicar fenômenos (ciência extraordinária). De acordo com esse ponto de vista, podemos dizer que o estudo revela que a natureza possui enzimas mais eficientes, ainda desconhecidas, capazes de degradar a celulose com maior eficiência, dando origem a um novo paradigma dentro da biotecnologia.

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Próximos passos

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Referências