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Introdução ao Jornalismo Científico/Metodologia e Filosofia da Ciência/Atividade/AnaCaroline Sousa

De Wikiversidade

Nome da atividade

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Esta seção apresenta a tarefa principal do Módulo 1 do curso de "Introdução ao Jornalismo Científico". A realização da tarefa é indispensável para o reconhecimento de participação no curso. Seu trabalho estará acessível, publicado no ambiente wiki, e será anexado ao certificado de realização do curso, quando finalizar todas as atividades. Tome cuidado de estar logado na Wikiversidade. Se não estiver logado, não será possível verificar o trabalho.

Descrição da atividade

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Atuar no jornalismo científico é às vezes comparado ao de ser um tradutor, no jargão da área da comunicação um 'tradutor intersemiótico', que passa a linguagem de um campo para o de outro campo. Nesta atividade, vamos observar e analisar como isso foi feito em uma das principais publicações acadêmicas brasileiras, a Pesquisa FAPESP.

Você deverá selecionar um artigo na revista Pesquisa FAPESP. Estão acessíveis na página principal da publicação. Escolha um artigo sobre um tema de pesquisa - ou seja, que seja baseado em uma ou mais de uma publicação científica - e leia-o com cuidado. Responda às perguntas que seguem.

As respostas deverão ser publicadas nesta página individual. Apenas altere os campos indicados.

Nome de usuário(a) AnaCaroline Sousa

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AnaCaroline Sousa

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Resumo da matéria

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Para esta etapa, resuma a matéria em até 300 caracteres. Esteja logado.

Em 1645, indígenas Potiguara enviaram um documento aos holandeses protestando contra a escravização e pedindo autonomia. O documento, estudado pelo historiador Bruno Miranda, mostra a capacidade política dos indígenas de negociarem e se adaptarem em tempos de guerra e devastação.

Análise da matéria

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Para esta etapa, identifique e analise com base na matéria: o objeto e a metodologia (observação, hipótese, experimentação, análise e publicação) da pesquisa. Esteja logado.

03. O objeto de Pesquisa é um documento histórico: "Uma representação escrita enviada em 1645 por indígenas Potiguara ao governo holandês".

Metodologia:

Observação e Hipótese: A pesquisa partiu da "observação" de um documento histórico antigo. A "hipótese" subjacente, embora não explicitada como tal, é que esse documento revela a visão política dos indígenas Potiguara, sua insatisfação com a escravização e sua capacidade de adaptação em tempos de guerra. Experimentação: Em um estudo de história, o conceito de experimentação se aplica de forma diferente da ciência exata. Neste caso, a "experimentação" é o processo de estudo e tradução do documento. O texto menciona que o historiador Bruno Romero Ferreira Miranda estudou uma versão em neerlandês antigo. A análise da metodologia também inclui a correção de uma falha em uma tradução anterior, de 1913, que "omitir os sujeitos, impedindo a identificação da autoria".

A análise: envolve a interpretação do conteúdo traduzido. O historiador analisou o texto para entender as demandas dos Potiguara: insatisfação com a escravidão e a busca por uma estrutura de poder descentralizada. O texto também interpreta a reunião como uma demonstração da "capacidade dos Potiguara de negociar com seus aliados e se adaptar".

A publicação: é claramente mencionada no texto. O historiador publicou suas conclusões e a tradução integral da representação em revistas científicas: "Transactions of the Royal Historical Society, 10 de julho" e "Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, 25 de abril".

Análise da pesquisa

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Para esta etapa, acesse a(s) pesquisa(s) de origem, de base para o artigo na Pesquisa FAPESP, identifique e analise a seção metodológica. Em especial, explique em que medida o processo de pesquisa foi bem documentado no artigo que você selecionou. Esteja logado.

04. Objeto e Metodologia da Pesquisa

Objeto de estudo:

O principal objeto da pesquisa é a "representação escrita enviada em 1645 por indígenas Potiguara" ao governo holandês em Recife. Este documento é analisado como um registro da visão política e da capacidade de negociação do povo originário, funcionando como uma prova de sua "agência histórica" (sua capacidade de agir e influenciar eventos) em meio à colonização.

Metodologia (conforme descrita no texto):

* Observação e Hipótese: A pesquisa começa com a observação de um problema: o documento de 1645 recebeu pouca atenção acadêmica e uma tradução anterior (de 1913) era falha por omitir a autoria indígena. A hipótese central é que, ao estudar e traduzir o documento de forma correta, é possível revelar a perspectiva dos indígenas sobre a guerra e a colonização, mostrando sua capacidade de adaptar e negociar, e provando que eles eram agentes históricos.

* Experimentação (no sentido de pesquisa histórica): A "experimentação" aqui é o rigoroso trabalho de investigação histórica, que se baseia em:

   * Localização da fonte primária: O historiador encontrou uma versão do documento em neerlandês antigo nos arquivos da Companhia das Índias Ocidentais.

   * Tradução e Análise: A metodologia incluiu uma nova tradução do documento original. O texto destaca que o historiador corrigiu a tradução anterior de 1913, que era incompleta.

   * Contextualização: A pesquisa analisa o documento dentro do contexto da cultura política Potiguara pré-europeia (fragmentação de poder, líderes de guerra, etc.) e das relações complexas com portugueses e holandeses.

* Análise: A análise do documento traduzido revelou:

   * As exigências dos indígenas: o fim da escravização, a criação de câmaras (conselhos municipais) com representantes escolhidos por eles e a manutenção de uma estrutura descentralizada de poder.

   * A capacidade dos Potiguara de usar a escrita, uma ferramenta europeia, para comunicar suas demandas e preservar sua voz. O autor faz uma análise linguística do documento para mostrar que ele preserva a "voz dos Potiguara".

* Publicação: O trabalho foi publicado em duas revistas científicas, permitindo que a descoberta fosse revisada por pares e divulgada para a comunidade acadêmica.

Documentação da Pesquisa no Artigo Original

O artigo da Transactions of the Royal Historical Society, fornecido por você, documenta o processo de pesquisa de forma excelente e detalhada. A seção metodológica não é uma parte formal separada, mas está integrada ao texto, e o autor deixa claro como chegou às suas conclusões:

* Identificação da Fonte: O artigo cita com precisão a fonte primária: "a Dutch transcription survives in the minutes of the West India Company government in Brazil, dated 11 April 1645". Ele também fornece a localização exata no arquivo: "National Archives, The Netherlands. Archive of the Old West India Company. NL-HANA_1.05.01.01_70_1208–1223".

* Rigor e Transparência: O autor revela que o documento original nunca foi encontrado e que ele trabalhou com uma versão em neerlandês antigo, indicando a transparência sobre as limitações da pesquisa. Ele também destaca a importância de sua nova tradução, que corrigiu a omissão de autoria da tradução de 1913.

* Citações e Referências: O artigo é ricamente referenciado com notas de rodapé, que direcionam o leitor a outras obras e fontes primárias, tanto históricas quanto acadêmicas. Isso permite que outros pesquisadores possam verificar a pesquisa, replicá-la ou aprofundá-la, confirmando a robustez da metodologia.

Em resumo, a forma como o processo de pesquisa foi documentado demonstra o rigor acadêmico do trabalho, desde a identificação e tradução da fonte primária até a sua análise e contextualização, permitindo que o leitor entenda cada passo da investigação.

Metáfora científica

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Para esta etapa, reveja o conteúdo da aula sobre "A metáfora científica". No artigo da Pesquisa FAPESP selecionado, identifique quais foram as metáforas científicas ou cientificamente inspiradas utilizadas e justifique esse uso a partir das indicações da aula. Analise em que medida contribuem ou dificultam o entendimento da ciência. Esteja logado.

05. A matéria utiliza uma forma de metáfora sutil para comunicar um conceito complexo da historiografia.

Metáfora Científica Identificada:

O texto não utiliza metáforas explícitas como "pressão social", mas a forma como a história é contada serve como uma "metáfora cientificamente inspirada". A matéria apresenta os indígenas Potiguara como tendo a "capacidade de negociar com seus aliados e se adaptar, se transformar e sobreviver em tempos de guerra e devastação".

Justificativa e Análise do Uso:

Essa descrição de "capacidade de negociar, se adaptar e sobreviver" é uma forma de traduzir um conceito acadêmico complexo, a "agência histórica", para o público geral. A agência histórica é a ideia de que grupos marginalizados ou subalternos não são apenas vítimas passivas de eventos, mas têm a capacidade de agir, tomar decisões e influenciar o curso da história.

* Contribuição para o entendimento: O uso dessa linguagem contribui de forma positiva para o entendimento da ciência. Ao invés de usar o jargão acadêmico "agência histórica", a matéria descreve as ações dos Potiguara com verbos e ideias mais familiares (negociar, adaptar, sobreviver). Isso torna o achado da pesquisa mais acessível e poderoso, mostrando que a história é feita por todos, e não apenas por figuras europeias de poder.

* Dificuldade para o entendimento: Não há elementos que dificultem o entendimento. A linguagem utilizada é clara e direta, e a metáfora é tão bem integrada que funciona como uma ponte natural entre a linguagem da pesquisa e o público leitor.

Filosofia da ciência

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Para esta etapa, reveja o conteúdo da aula sobre "Ciência e Filosofia". Discorra sobre em que medida o artigo da Pesquisa FAPESP que você selecionou coloca questões filosóficas e apresente exemplos extraídos do texto. Esteja logado.

O artigo sobre o protesto indígena do século XVII, embora não seja um experimento científico, aborda questões filosóficas profundas sobre a natureza do conhecimento, que se conectam diretamente com as ideias de Thomas Kuhn.

O texto levanta questões filosóficas na medida em que demonstra como o conhecimento, inclusive o histórico, é construído, corrigido e pode passar por "revoluções".

1. A ideia de "paradigma" na história:

O conceito de paradigma de Thomas Kuhn pode ser aplicado à historiografia. O paradigma, nesse contexto, seria a visão tradicional de um evento ou de um grupo de pessoas. O artigo da FAPESP sugere um paradigma histórico anterior, no qual a voz e a capacidade política dos indígenas eram subestimadas ou, como na tradução de 1913, "omit[idas]".

* Exemplo extraído do texto: A tradução anterior, que "omit[ia] os sujeitos", é um exemplo de como o conhecimento era incompleto e alinhado com um paradigma que não considerava os indígenas como agentes históricos com voz e autoria.

2. A "ciência extraordinária" ou a revolução no conhecimento:

A pesquisa do historiador Bruno Romero Ferreira Miranda, ao traduzir novamente o documento e identificar a autoria e as intenções dos Potiguara, age como um processo de ciência extraordinária. Essa nova evidência (o documento traduzido corretamente) é uma anomalia que desafia o paradigma anterior, forçando uma reavaliação da história.

* Exemplo extraído do texto: O próprio documento é o ponto de virada. A sua tradução completa demonstra a "capacidade dos Potiguara de negociar com seus aliados e se adaptar, se transformar e sobreviver". Essa descoberta não apenas adiciona um novo fato, mas muda a compreensão fundamental do papel dos indígenas na história, o que pode ser visto como uma pequena revolução no conhecimento historiográfico.

Em suma, o artigo mostra que o conhecimento histórico não é estático. Ele se assemelha à ciência kuhniana, onde a descoberta de novas evidências pode desafiar paradigmas estabelecidos, levando a uma reavaliação completa e à construção de uma nova compreensão sobre o passado.

Próximos passos

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Após concluir a atividade, clique no botão abaixo para ir para o próximo módulo do curso.

Referências