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Introdução ao Jornalismo Científico/Metodologia e Filosofia da Ciência/Atividade/AnnaCéu

De Wikiversidade

Nome da atividade

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Esta seção apresenta a tarefa principal do Módulo 1 do curso de "Introdução ao Jornalismo Científico". A realização da tarefa é indispensável para o reconhecimento de participação no curso. Seu trabalho estará acessível, publicado no ambiente wiki, e será anexado ao certificado de realização do curso, quando finalizar todas as atividades. Tome cuidado de estar logado na Wikiversidade. Se não estiver logado, não será possível verificar o trabalho.

Descrição da atividade

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Atuar no jornalismo científico é às vezes comparado ao de ser um tradutor, no jargão da área da comunicação um 'tradutor intersemiótico', que passa a linguagem de um campo para o de outro campo. Nesta atividade, vamos observar e analisar como isso foi feito em uma das principais publicações acadêmicas brasileiras, a Pesquisa FAPESP.

Você deverá selecionar um artigo na revista Pesquisa FAPESP. Estão acessíveis na página principal da publicação. Escolha um artigo sobre um tema de pesquisa - ou seja, que seja baseado em uma ou mais de uma publicação científica - e leia-o com cuidado. Responda às perguntas que seguem.

As respostas deverão ser publicadas nesta página individual. Apenas altere os campos indicados.

Nome de usuário(a)

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AnnaCéu

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Nesta seção, você deverá colocar os links da matéria selecionada. Esteja logado.

Resumo da matéria

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Para esta etapa, resuma a matéria em até 300 caracteres. Esteja logado.

A pesquisa Percepção Pública da C&T 2023, que analisou 1.931 brasileiros com 16 anos ou mais, de todas as regiões do país, indicou que metade dos participantes tem interesse em ciência e tecnologia e que as mídias sociais têm sido cada vez mais utilizadas para buscar conhecimento nesses temas.

Análise da matéria

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Para esta etapa, identifique e analise com base na matéria: o objeto e a metodologia (observação, hipótese, experimentação, análise e publicação) da pesquisa. Esteja logado.

De acordo com a matéria "Seis em cada dez brasileiros têm interesse em temas de ciência e tecnologia, aponta levantamento" de Schmidt (2024), o objeto de pesquisa foi a percepção pública da ciência e tecnologia no Brasil em 2023, entre brasileiros com 16 anos ou mais, de todas as regiões do país. A metodologia científica utilizada no estudo foi uma pesquisa quantitativa por meio de entrevistas com questionário estruturado, aplicada a uma amostra de 1.931 pessoas. Tratou-se de um levantamento de opinião que observou e analisou padrões de interesse, confiança e visão sobre C&T na população. A pesquisa partiu da expectativa de que o brasileiro em geral tende a ter uma visão relativamente otimista da ciência e da tecnologia, e buscou verificar como essa percepção se mantém ou se modifica ao longo das edições do estudo.

Em termos das etapas (observação, hipótese, experimentação, análise e publicação), a matéria permite identificar:

– Observação: o levantamento das percepções, interesses e hábitos de informação dos brasileiros por meio do questionário aplicado à amostra.

– Hipótese (ou expectativa): a ideia de que a população brasileira tende a ver mais benefícios do que malefícios na ciência e a manter uma visão relativamente otimista sobre C&T.

– “Experimentação”: a aplicação do questionário a 1.931 participantes, seguindo um procedimento padronizado, que funciona como o “experimento” social da pesquisa.

– Análise: o tratamento quantitativo dos dados (percentuais, comparação com a série histórica de 2010, 2015, 2019 e 2023) e a interpretação dos resultados pelos pesquisadores citados na matéria.

– Publicação: a divulgação dos achados no relatório oficial do CGEE e, em seguida, na reportagem da Pesquisa FAPESP, que traduz esses resultados para o público mais amplo.

Análise da pesquisa

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Para esta etapa, acesse a(s) pesquisa(s) de origem, de base para o artigo na Pesquisa FAPESP, identifique e analise a seção metodológica. Em especial, explique em que medida o processo de pesquisa foi bem documentado no artigo que você selecionou. Esteja logado.

O que está claro no artigo é que se trata de uma pesquisa recorrente, atualmente em sua sexta edição (CGEE, 2024), envolvendo diferentes frentes institucionais e governamentais. Também fica evidente que o objetivo central é acompanhar o padrão de comportamento da população em relação à ciência e à tecnologia, gerando um conjunto de dados que se fortalece e se retroalimenta a cada nova edição do estudo.

Por outro lado, algo que faz falta no texto – e que ajudaria bastante a entender a relevância da pesquisa e da própria matéria – é a justificativa ou motivação para a realização do estudo. Esse ponto aparece logo na apresentação do relatório original da pesquisa, mas não foi mencionado pela jornalista.

Quanto à metodologia, possivelmente por limitação de espaço, a matéria não informa que foi aplicado um questionário com 43 questões, estruturado a partir de duas premissas: uma voltada à comparação nacional com as edições anteriores e outra voltada à comparação internacional, usando indicadores semelhantes aos de outros países. Esses elementos poderiam ter contribuído para contextualizar melhor a importância da pesquisa para o leitor, além de deixar mais claro o que se espera obter com esse acompanhamento.

Outra parte metodológica que fica incompleta na matéria é a explicitação do que foi mantido ou modificado nesta nova edição do estudo, bem como quais eram as expectativas dos pesquisadores ao atualizar o instrumento e repetir a pesquisa. Esses detalhes, presentes no relatório original, teriam ajudado o público a entender não apenas os resultados numéricos, mas também o desenho e a intencionalidade da investigação.

Metáfora científica

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Para esta etapa, reveja o conteúdo da aula sobre "A metáfora científica". No artigo da Pesquisa FAPESP selecionado, identifique quais foram as metáforas científicas ou cientificamente inspiradas utilizadas e justifique esse uso a partir das indicações da aula. Analise em que medida contribuem ou dificultam o entendimento da ciência. Esteja logado.

No texto da Pesquisa FAPESP, o jornalista utiliza metáforas inspiradas em diferentes campos da ciência para mediar a compreensão do leitor sobre os dados da pesquisa. A metáfora da visão (expressões como “tem uma visão”, “ainda vê”) aproxima o ato de conhecer e opinar da experiência cotidiana de enxergar, mostrando que existem perspectivas diferentes sobre a ciência sem rotular imediatamente como certo ou errado. Isso pode facilitar a identificação do público com o objeto da pesquisa, mas, se não for reforçada por dados concretos, corre o risco de soar generalista e pouco fundamentada. Já o campo da epidemiologia aparece quando a desinformação é tratada como algo próximo de uma doença ou contágio, com termos como “consumo de desinformação”, “índice elevado de contato com notícias falsas” e “estratégias para combater a desinformação científica”. Essa metáfora ajuda a enquadrar as fake news como um problema coletivo e grave, que exige respostas estruturadas, mas também pode gerar um efeito de passividade, como se o público estivesse apenas exposto a algo que não consegue controlar. Nessa mesma lógica, embora não seja estritamente epidemiológico, o par “benefícios e malefícios” dialoga com a linguagem da saúde (remédio/cura, risco/benefício), lembrando que a ciência pode gerar efeitos positivos e negativos dependendo de como e por quem é utilizada; ao mesmo tempo, pode reforçar a ideia de que só quem “domina” o conhecimento estaria apto a decidir, o que distancia parte do público. Por fim, o texto recorre à linguagem da estatística ao falar em “índice”, “série histórica” e “tendência de queda”, tratando as opiniões da população como dados mensuráveis, à semelhança de um experimento científico. Isso contribui para mostrar que existem padrões observáveis ao longo do tempo, mas o vocabulário técnico pode parecer frio e distante para leitores pouco familiarizados com esses termos, criando uma barreira de acesso à informação que o próprio jornalismo científico tenta reduzir.

Filosofia da ciência

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Para esta etapa, reveja o conteúdo da aula sobre "Ciência e Filosofia". Discorra sobre em que medida o artigo da Pesquisa FAPESP que você selecionou coloca questões filosóficas e apresente exemplos extraídos do texto. Esteja logado.

O texto atua como mediador crítico do conteúdo a ser divulgado porque não reproduz somente o volume de dados numéricos obtidos pela pesquisa, que demonstram o rigor e a metodologia do estudo e aproximam a percepção das pessoas da confiabilidade dos resultados, das instituições e dos pesquisadores envolvidos. Por exemplo, logo no início a matéria apresenta o dado de que 60,3% dos brasileiros se dizem interessados ou muito interessados em C&T e, em seguida, traz a interpretação de Adriana Badaró de que “a população ainda vê mais benefícios do que malefícios na ciência e acredita que a área precisa receber mais investimentos”. Ao contextualizar os dados com a fala dos pesquisadores sobre o que cada número significa, isto é, a opinião deles sobre o estudo ou o dado apresentado na matéria, o jornalista medeia a divulgação do conhecimento. Isso fica evidente também quando o texto informa que metade dos 1.931 entrevistados (50,8%) se depara com notícias falsas com muita frequência e, logo depois, inclui a análise do sociólogo Marcelo Paiva, que afirma ser importante relacionar o crescimento das mídias sociais com o alto índice de contato com fake news para pensar estratégias de combate à desinformação científica. Além disso, o jornalista alinha esses resultados a um recorte de temporalidade que muitas vezes não é percebido ao ler apenas os números. Um exemplo é a comparação entre os 66,2% que veem apenas benefícios ou mais benefícios que malefícios na C&T em 2023 e os valores de 72,1% em 2019 e 81,2% em 2010, acompanhada da avaliação de Simone Pallone de que alguns indicadores estão hoje abaixo do que eram em 2010. A construção do texto, desde a apresentação do principal resultado até a adição da análise de uma pesquisadora que não participou da pesquisa no final da matéria, atua como um desenrolar de ações para evidenciar a importância do tema. Ao trazer a fala de Pallone, que questiona por que o aumento de interesse e reconhecimento não foi maior após a pandemia e sugere o uso de metodologias qualitativas, o texto reforça essa mediação crítica e convida o leitor a interpretar a pesquisa para além da simples descrição dos dados.

Próximos passos

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Após concluir a atividade, clique no botão abaixo para incluí-la na listagem do módulo.


Referências

CENTRO DE GESTÃO E ESTUDOS ESTRATÉGICOS – CGEE. Percepção pública da C&T no Brasil 2023: resumo executivo. Brasília, DF: CGEE, 2024. Disponível em: <https://revistapesquisa.fapesp.br/seis-em-cada-dez-brasileiros-tem-interesse-em-temas-de-ciencia-e-tecnologia-aponta-levantamento/?utm_source=chatgpt.com>. Acesso em: 16 nov. 2025.

SCHMIDT, Sarah. Seis em cada dez brasileiros têm interesse em temas de ciência e tecnologia, aponta levantamento. Revista Pesquisa FAPESP, São Paulo, n. 340, jun. 2024. Disponível em: <https://www.cgee.org.br/documents/37878/43769/CGEE_OCTI_Resumo_Executivo-Perc_Pub_CT_Br_2023.pdf>. Acesso em: 16 nov. 2025.