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Introdução ao Jornalismo Científico/Metodologia e Filosofia da Ciência/Atividade/Biancamaria Radialista

De Wikiversidade

Nome da atividade

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Esta seção apresenta a tarefa principal do Módulo 1 do curso de "Introdução ao Jornalismo Científico". A realização da tarefa é indispensável para o reconhecimento de participação no curso. Seu trabalho estará acessível, publicado no ambiente wiki, e será anexado ao certificado de realização do curso, quando finalizar todas as atividades. Tome cuidado de estar logado na Wikiversidade. Se não estiver logado, não será possível verificar o trabalho.

Descrição da atividade

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Atuar no jornalismo científico é às vezes comparado ao de ser um tradutor, no jargão da área da comunicação um 'tradutor intersemiótico', que passa a linguagem de um campo para o de outro campo. Nesta atividade, vamos observar e analisar como isso foi feito em uma das principais publicações acadêmicas brasileiras, a Pesquisa FAPESP.

Você deverá selecionar um artigo na revista Pesquisa FAPESP. Estão acessíveis na página principal da publicação. Escolha um artigo sobre um tema de pesquisa - ou seja, que seja baseado em uma ou mais de uma publicação científica - e leia-o com cuidado. Responda às perguntas que seguem.

As respostas deverão ser publicadas nesta página individual. Apenas altere os campos indicados.

Nome de usuário(a)

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Biancamaria Radialista

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Resumo da matéria

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Ação integrada entre comunidade acadêmica, indígenas e ribeirinhos realiza monitoramento para demonstrar como a construção e o funcionamento da usina hidrelétrica de Belo Monte provocou a seca da Volta Grande do Xingu gerando imenso impacto e prejuízos para as comunidades locais, fauna e flora.

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Análise da matéria

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Embora a empresa responsável pela construção da Usina (Norte energia) fosse obrigada a realizar o monitoramento dos impactos ambientais causados pela usina, comunidades ribeirinhas e indígenas da região da Volta Grande do Xingu passaram a fazer seu próprio monitoramento, partindo da constatação de que a empresa não faria um monitoramento adequado devido a interesses privados e econômicos, além da falta de conhecimento sobre a região e visitas insuficientes para coleta de dados (apenas 4 vezes ao ano, e em poucos pontos). Partindo da hipótese de que a construção de Belo Monte poderia causar a seca na região e sérios danos às comunidades locais, já em 2013, antes mesmo do fechamento da barragem, foi criado, sob coordenação da liderança Josiel Juruna, da aldeia Miratu, na Terra indígena Paquiçamba do povo Yudjá-Juruna, o  Monitoramento Ambiental Territorial Independente (Mati), tendo como objeto da pesquisa a vazão das águas da Volta Grande e seus impactos. Com apoio do Instituto Socioambiental (ISA) o grupo passou a realizar observações sobre o nível das águas e a biodiversidade local e produzir de dados sobre os efeitos da construção da usina sobre o território, e sobre vida das comunidades locais. A partir de 2019, o Mati passou a contar também com a participação de pesquisadores de diferentes áreas de nove universidades e centros de pesquisa.

Embora os dados sejam produzidos pelas comunidades locais, a comunidade científica, além de realizar visitas presenciais esporádicas e acompanhar o monitoramento a distância, ajuda a sistematizar e analisar os dados e produzir artigos científicos e documentos. Em projetos como esse, em que os artigos são publicados em co-autoria com membros da comunidade, os documentos científicos contribuem para que o monitoramento da comunidade possa ser reconhecido pelo Ibama como informação científica formal, fortalecendo o desenvolvimento de caminhos e soluções para os problemas ambientais e sociais gerados pela usina.

Para a coleta de dados sobre a vazão do rio, os pesquisadores comunitários instalaram réguas por todas as piracemas, áreas de desova e primeiro desenvolvimento dos peixes. Além disso, as populações coletam dados a partir da observação do comportamento dos peixes e sua reverberação na flora e fauna da região. Para ter uma referência de controle, a pesquisa conta também com a coleta de dados de pesquisadores ribeirinhos que vivem em áreas acima do reservatório Pimental, livres dos efeitos da usina, porém também sujeitas à vazão por fenômenos naturais.

Confirmando a tese lançada pelos pesquisadores comunitários idealizadores do Mati, os resultados das pesquisas comprovam que os impactos causados pela construção e operação de Belo Monte são muito mais severos do que os previstos e detectados pelos monitoramentos realizados pela empresa Norte Energia.

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Análise da pesquisa

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O artigo publicado na Revista dispõe de variados recursos para ampliar o conhecimento sobre processo de pesquisa dos projetos apresentados, para além dos artigos científicos publicados. Valendo-se de recursos como gráficos, mapas e fotos, a reportagem também disponibiliza um podcast com uma entrevista com um dos pesquisadores responsáveis (André Sawakushi), o que favorece uma compreensão mais ampla sobre o contexto da pesquisa, suas metodologias, desafios e resultados esperados.  No mesmo sentido, a reportagem produziu um vídeo em campo em que os pesquisadores comunitários (ribeirinhos e indígenas) demonstram como são produzidos os dados, e mostram ao público os impactos severos da usina em seu cotidiano e no ambiente. Nesse sentido, a reportagem traz aspectos subjetivos e sensíveis à produção científica, o que certamente contribui para captar a atenção do público geral sobre uma crise social e ambiental urgente.

A autora Maria Guimarães utiliza recursos literários para cativar o leitor, construindo (e destruindo), logo no parágrafo inicial, uma cena idílica vivida no Rio, antes da construção e operação da Usina, onde peixes, pássaros e pessoas viviam em fartura.

Ao ler as pesquisas que originaram a reportagem, notamos que a Pesquisa Fapesp propõe um recorte dos projetos citados, priorizando aspectos como a cooperação entre população local (indígenas e ribeirinhos) e comunidade científica e os impactos sociais e ambientais ligados à seca da Volta Grande do Xingu. Para que essas questões fossem bem desenvolvidas, foi preciso suprimir, por exemplo, uma parte da metodologia da pesquisa coordenada por Sawakushi, que utiliza a paleoclimatologia para a compreensão de mudanças climáticas dos últimos 3 mil anos para fazer projeções futuras.

A reportagem vai além do conteúdo publicado pelos pesquisadores e divulga também um fragmento de uma entrevista produzida exclusivamente para a Revista com o engenheiro agrícola da Empresa Norte Energia. Como era de se esperar, o entrevistado nega os resultados da pesquisa, e confirma que não há possibilidade de se reavaliar o hidrograma, uma das soluções apresentadas pelos pesquisadores para mitigar os efeitos da barragem.

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Metáfora científica

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“a conexão com o rio é mais profunda e simbólica”: a autora utiliza brilhantemente a palavra"profundidade", termo científico para medir a distância entre uma superfície e o fundo, para enfatizar a importância do rio para as populações locais em suas múltiplas dimensões. Em um artigo em que o objeto é justamente a vazão do rio, e alterações em sua profundidade, a jornalista toma emprestado o termo científico para demonstrar que a questão da seca vai muito além de questões físicas. A autora demonstra como a presença do Rio vincula-se à formação cultural das populações locais. Em tempo, o termo "conexão” também é uma palavra emprestada do léxico científico e é utilizada como metáfora dessa ligação simbólica do ser humano com o Rio.

As duas metáforas cientificamente inspiradas não dificultam o entendimento da ciência porque são expressões já bastante utilizadas com esse tipo de proposta. Além disso, funcionam como reforço para a compreensão dos graves impactos que a construção da usina gera.

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Filosofia da ciência

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Entre as principais questões filosóficas apresentadas no texto, Sawakuchi faz a provocação mais importante para esse contexto de colapso climático: Até que ponto vale a pena gerar energia desta forma? Em um contexto em que existem atualmente 200 usinas hidrelétricas em funcionamento e outras 200 previstas, a pesquisa demonstra que, além dos impactos sociais e ambientais devastadores, o fornecimento de energia é precário nas comunidades da Volta Grande do Xingu. Para o antropólogo Emilio Moran, é completamente errado falar em “energia limpa” quando se fala da hidroenergia das grandes barragens. Uma vez que está comprovado que a hidroenergia não é uma solução sustentável, como defendido até pouco tempo, nos resta buscar novos caminhos para a produção de uma energia verdadeiramente "limpa".

Outra questão bastante atual presente ao longo de todo o texto está nas fronteiras entre o conhecimento científico e o conhecimento popular. O projeto em questão reforça a importância da sabedoria das populações locais, que além de serem diretamente afetadas, possuem conhecimento preciso sobre a região, sua fauna e flora, sendo imprescindíveis na coleta de dados e sua divulgação. Mais do que "colaboradores", são pesquisadores que passaram a ter seus nomes reconhecidos como autores e co-autores das publicações acadêmicas e institucionais produzidas pelo projeto.

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Próximos passos

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Referências