Introdução ao Jornalismo Científico/Metodologia e Filosofia da Ciência/Atividade/Caio Lamas
Nome da atividade
[editar | editar código]Esta seção apresenta a tarefa principal do Módulo 1 do curso de "Introdução ao Jornalismo Científico". A realização da tarefa é indispensável para o reconhecimento de participação no curso. Seu trabalho estará acessível, publicado no ambiente wiki, e será anexado ao certificado de realização do curso, quando finalizar todas as atividades. Tome cuidado de estar logado na Wikiversidade. Se não estiver logado, não será possível verificar o trabalho.
Descrição da atividade
[editar | editar código]Atuar no jornalismo científico é às vezes comparado ao de ser um tradutor, no jargão da área da comunicação um 'tradutor intersemiótico', que passa a linguagem de um campo para o de outro campo. Nesta atividade, vamos observar e analisar como isso foi feito em uma das principais publicações acadêmicas brasileiras, a Pesquisa FAPESP.
Você deverá selecionar um artigo na revista Pesquisa FAPESP. Estão acessíveis na página principal da publicação. Escolha um artigo sobre um tema de pesquisa - ou seja, que seja baseado em uma ou mais de uma publicação científica - e leia-o com cuidado. Responda às perguntas que seguem.
As respostas deverão ser publicadas nesta página individual. Apenas altere os campos indicados.
Nome de usuário(a)
[editar | editar código]Caio Lamas
Link para a matéria selecionada
[editar | editar código]Nesta seção, você deverá colocar os links da matéria selecionada. Esteja logado.
- Título de matéria: Instituto Butantan interrompe o desenvolvimento da ButanVac (Adeus à ButanVac na versão impressa)
- Autoria de matéria: Mariana Ceci
- Link de matéria: https://revistapesquisa.fapesp.br/instituto-butantan-interrompe-o-desenvolvimento-da-butanvac/
Resumo da matéria
[editar | editar código]Para esta etapa, resuma a matéria em até 300 caracteres. Esteja logado.
O Instituto Butantan interrompeu, em 23 de agosto de 2024, os ensaios clínicos da ButanVac, candidata à vacina da Covid-19. O imunizante estava na fase 2 da etapa de experimentação da pesquisa, e provou-se menos eficaz que o fabricado pela Pfizer, já disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde.
Análise da matéria
[editar | editar código]Para esta etapa, identifique e analise com base na matéria: o objeto e a metodologia (observação, hipótese, experimentação, análise e publicação) da pesquisa. Esteja logado.
De acordo com o que é sugerido pela matéria, o objeto do estudo é o desenvolvimento de uma vacina para a Covid-19 a ser adotada como dose de reforço pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Para tanto, a resposta imune da vacina deveria ser superior à da fabricada pela Pfizer, já disponibilizada pelo SUS. A hipótese era a de que, para cumprir com esse requisito, seria suficiente a adoção de uma tecnologia elaborada pela Escola Icahn de Medicina, em Nova York, na qual um vírus inativado da doença de Newcastle teve seus genes alterados de maneira a incorporar a proteína spike, do Sars-CoV-2, que gera a Covid-19.
Os ensaios clínicos foram divididos em 3 fases: na primeira, o foco foi voltado à segurança do imunizante; na segunda, à imunogenicidade; e na terceira, à eficiência ou à capacidade de evitar o adoecimento. A primeira teve a participação de 318 voluntários, e apresentou resultados promissores: a dose mais alta recomendada se demonstrou segura, sem efeitos colaterais substanciais, e com uma resposta imune significativa.
A segunda, por sua vez, contou com a participação de 400 indivíduos, separados aleatoriamente em 2 grupos. Em um deles, os voluntários receberam a vacina ButanVac; em outro, a vacina da Pfizer. Durante a análise dos dados obtidos, chegou-se à conclusão de que o imunizante do Instituto Butantan não era mais eficaz do que o outro, o que fez interromper os estudos, conforme anúncio realizado em 23 de agosto de 2024. A matéria não indica mais detalhes da metodologia - por exemplo, se no critério de anonimização, o experimento foi cego,duplo cego ou triplo cego. Além disso, não indica se houve o anúncio da desistência da pesquisa em alguma publicação.
Análise da pesquisa
[editar | editar código]Para esta etapa, acesse a(s) pesquisa(s) de origem, de base para o artigo na Pesquisa FAPESP, identifique e analise a seção metodológica. Em especial, explique em que medida o processo de pesquisa foi bem documentado no artigo que você selecionou. Esteja logado.
A matéria escolhida não direciona para nenhuma publicação de base referente especificamente à pesquisa desenvolvida pelo Instituto Butantan. Há, no entanto, um link para outro artigo da revista Fapesp, Novas vacinas a caminho (PIVETTA; ZORZETTO), publicado em 30 de março de 2021 e disponível em https://revistapesquisa.fapesp.br/novas-vacinas-a-caminho/. Nele, foi possível encontrar o link para o artigo Newcastle disease virus (NDV) expressing the spike protein of Sars-CoV-2 as a live virus vaccine candidate (SUN, W. et al.), publicado na revista EBioMedicine em 21 de novembro de 2020, no qual se detalha o estudo coordenado pelo virologista Peter Palese, da Escola de Medicina Icahn, e que resultou na tecnologia adotada pela instituição brasileira.
Observa-se, de imediato, como o primeiro artigo da revista Fapesp mencionado (CECI, 2024) não cita uma série de detalhes que integram a metodologia do estudo coordenado por Palese, incluindo as duas formas principais da proteína spike utilizadas, a wild type (WT) S e a NDV F (S-F chimera); as sucessivas etapas para a criação do plasmídeo injetado em células do tipo BSRT7; o ensaio de imunofluorescência, no qual as células foram “semeadas em placas de cultura de tecidos de 96 poços a 2,5 X 10^4 células por poço” (SUN, W. et al., 2020, p. 3) , e posteriormente infectadas; o ensaio clínico realizado em camundongos, no qual os animais foram separados em 9 grupos, recebendo cada um “quatro concentrados diferentes de vírus vivos em duas doses” (SUN, W. et al., 2020, p.3), entre outros detalhes.
A matéria, no entanto, explica o princípio geral do estudo, ou seja, a alteração genética do vírus inativado da doença de Newcastle, de maneira a incorporar a proteína spike da Covid-19. Tal ausência de detalhes se justifica pelo fato da matéria estar mais focada em outras particularidades do estudo desenvolvido pelo Instituto Butantan, além da contextualização da produção de vacinas para a Covid-19 no mundo e nas variantes tailandesas e mexicanas desenvolvidas igualmente a partir da mesma tecnologia americana.
A segunda matéria encontrada na revista FAPESP sobre o tema é mais detalhada a respeito do estudo coordenado por Palese: além de citar a alteração genética do vírus da doença de Newcastle, também menciona os testes realizados com camundongos, e como os “roedores que receberam duas doses intramusculares do imunizante produziram uma grande quantidade de anticorpos capazes de neutralizar” (PIVETTA; ZORZETTO, 2021) o vírus da Covid-19, além de não terem adoecido quando infectados por outra versão do Sars-CoV-2, nociva a essa espécie animal.
Dessa forma, embora ainda oculte uma série de detalhes da metodologia, o artigo de Pivetta e Zorzetto consegue sintetizar melhor o estudo americano, dando mais informações para que o leitor consiga compreender os diferentes estágios que resultaram na tecnologia adotada nos ensaios clínicos da Butanvac. O primeiro artigo, no entanto, é eficiente em fazer referência ao contexto mundial de fabricação das vacinas para Covid-19 e à caracterização das diferentes fases do ensaio clínico do estudo do Instituto Butantan.
Referências:
CECI, Mariana. Instituto Butantan interrompe o desenvolvimento da ButanVac. Pesquisa Fapesp, São Paulo, out 2024. Disponível em: <https://revistapesquisa.fapesp.br/instituto-butantan-interrompe-o-desenvolvimento-da-butanvac/>. Acesso em: 24 jan 2025.
PIVETTA, Marcos; ZORZETTO, Ricardo. Novas Vacinas a Caminho. Pesquisa Fapesp, São Paulo, 30 mar 2021. Disponível em: <https://revistapesquisa.fapesp.br/novas-vacinas-a-caminho/>. Acesso em: 24 jan. 2025.
SUN, Weina. et al. Newcastle disease virus (NDV) expressing the spike protein of Sars-CoV-2 as a live virus vaccine candidate. EBioMedicine. 21 nov. 2020. Disponível em: <https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2352396420305089>. Acesso em: 24 jan. 2025.
Metáfora científica
[editar | editar código]Para esta etapa, reveja o conteúdo da aula sobre "A metáfora científica". No artigo da Pesquisa FAPESP selecionado, identifique quais foram as metáforas científicas ou cientificamente inspiradas utilizadas e justifique esse uso a partir das indicações da aula. Analise em que medida contribuem ou dificultam o entendimento da ciência. Esteja logado.
Foram encontradas uma série de metáforas científicas adotadas no artigo sob análise, que serão identificadas e explicadas a seguir:
- “(...) cooperação internacional (...)”: o termo cooperação sintetiza uma série de ações colaborativas entre instituições de diferentes países que visam objetivos em comum
- “(...) baixo custo de produção (...)”: a expressão baixo custo realiza uma comparação entre a industrialização de produtos diversos e as vacinas, medida em termos de eficiência financeira
- “(...) desempenho de 32 imunizantes (...)”: a metáfora desempenho é frequentemente aplicada na cobertura esportiva ou econômica, e neste caso é utilizada para medir a eficiência dos imunizantes
- “(...) escalar a produção (...)”: o termo escalar, relacionado a uma elevação física, é empregado de maneira a salientar o aumento na produção
- “(...) distribuição equitativa (...)”: a expressão, utilizada de maneira mais recorrente em assuntos de cunho social, é utilizada nesse contexto para se referir a uma distribuição de consumíveis, reagentes, tecnologias e mão de obra especializada que seja justa entre instituições de diferentes países
- “(...) tecnologia de vetor viral (...)”: nesse caso, o termo vetor significa meio de transporte, e é utilizado para traduzir a ideia de que a tecnologia é baseada na inserção de material genético a partir de vírus modificados
- “(...) passar por três fases de ensaios clínicos (...)”: pelo termo fases se entende as diferentes etapas que constituem a metodologia empregada na pesquisa
- “(...) geração de resposta imune (...)”: por resposta entende-se a reação do corpo ou do sistema imunológico do paciente à aplicação da vacina
- “(...) a candidata a vacina (...)”: utilizada em outros contextos de natureza competitiva, a expressão candidata sugere que a vacina rivaliza com outros imunizantes por aprovação
Todas as metáforas acima mencionadas foram adotadas eficientemente de maneira a facilitar o entendimento de processos complexos por leitores leigos, portanto, mapeando “um domínio abstrato em um domínio concreto da experiência”, tal como mencionado no texto da aula a respeito da metáfora científica.
Filosofia da ciência
[editar | editar código]Para esta etapa, reveja o conteúdo da aula sobre "Ciência e Filosofia". Discorra sobre em que medida o artigo da Pesquisa FAPESP que você selecionou coloca questões filosóficas e apresente exemplos extraídos do texto. Esteja logado.
O artigo escolhido para análise é bastante pertinente no debate a respeito dos limites éticos da ciência, em especial no que tange à ideia de fracasso no contexto científico. “O candidato a imunizante do Butantan seria usado como dose de reforço e não se saiu como o esperado” (CECI, 2024, n.p) após a análise dos dados obtidos a partir da segunda fase dos ensaios clínicos para a criação do imunizante, com a participação de 400 voluntários. Como explica Esper Kallás, diretor do Instituto Butantan citado na matéria, “antes de os testes iniciarem, ficou estabelecido que haveria uma análise para avaliar se a imunidade produzida pela ButanVac não era inferior à gerada pela vacina comparadora” (CECI, 2024, n.p). Ele continua o raciocínio, explicando que, apesar da ButanVac ter tido bons resultados na primeira fase dos ensaios clínicos, com a criação de efeitos colaterais semelhantes ao do imunizante da Pfizer, “os resultados de imunogenicidade ficaram abaixo dos da vacina usada na comparação” (CECI, 2024, n.p) ao se prosseguir à etapa seguinte da pesquisa.
Muitos recursos e esforços foram empreendidos, no sentido da criação da ButanVac. 318 participantes na primeira fase, 400 na segunda, adoção de uma tecnologia de vetor viral desenvolvida “pela Escola Icahn de Medicina, parte da rede de hospitais Mount Sinai, de Nova York, nos Estados Unidos” (CECI, 2024, n.p) e disponibilizada ao instituto brasileiro sem a cobrança de royalties, graças a um consórcio internacional entre as instituições. Se, mesmo após tudo isso, optou-se pela interrupção da pesquisa, há um sinal claro de que a ciência precisa responder a parâmetros de segurança e, nesse caso, de imunogenicidade precisos para se tornar pertinente em seus resultados.
De nada adiantaria criar um imunizante que atentasse contra a saúde daqueles a quem pretende proteger, por meio de efeitos colaterais gerados em demasia. Da mesma forma, de pouco adiantaria ter uma vacina segura, mas que não fosse eficaz na criação de uma resposta imune dos pacientes. Se o cancelamento dos ensaios clínicos pode ser interpretado como uma espécie de fracasso, o que dizer de uma pesquisa para a criação de uma vacina que, mesmo sem indícios sólidos de imunogenicidade, prosseguisse nas demais etapas dos processos, desperdiçando mais recursos e investimento? Não encontrar os resultados esperados, portanto, faz parte também do processo científico.
É possível ainda pensar, a partir da matéria, como o acesso a imunizantes no mundo é desigual, uma vez que as cinco vacinas de melhor desempenho criadas durante o período da pandemia “demandam uma produção com fábricas e ingredientes especializados e custos elevados de importação.” (CECI, 2024, n.p) Pode-se ampliar essa ideia, considerando que não somente vacinas, como também outros resultados de pesquisas científicas empreendidas em diferentes países ficam restritos somente a países e instituições com acesso a recursos e capital elevado, ao invés de serem distribuídos de uma maneira universal e equânime.
Próximos passos
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