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Introdução ao Jornalismo Científico/Metodologia e Filosofia da Ciência/Atividade/Clêmie Blaud

De Wikiversidade

Nome da atividade

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Esta seção apresenta a tarefa principal do Módulo 1 do curso de "Introdução ao Jornalismo Científico". A realização da tarefa é indispensável para o reconhecimento de participação no curso. Seu trabalho estará acessível, publicado no ambiente wiki, e será anexado ao certificado de realização do curso, quando finalizar todas as atividades. Tome cuidado de estar logado na Wikiversidade. Se não estiver logado, não será possível verificar o trabalho.

Descrição da atividade

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Atuar no jornalismo científico é às vezes comparado ao de ser um tradutor, no jargão da área da comunicação um 'tradutor intersemiótico', que passa a linguagem de um campo para o de outro campo. Nesta atividade, vamos observar e analisar como isso foi feito em uma das principais publicações acadêmicas brasileiras, a Pesquisa FAPESP.

Você deverá selecionar um artigo na revista Pesquisa FAPESP. Estão acessíveis na página principal da publicação. Escolha um artigo sobre um tema de pesquisa - ou seja, que seja baseado em uma ou mais de uma publicação científica - e leia-o com cuidado. Responda às perguntas que seguem.

As respostas deverão ser publicadas nesta página individual. Apenas altere os campos indicados.

Nome de usuário(a)

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Clêmie Blaud

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Nesta seção você deverá colocar os links da matéria selecionada. Esteja logado.

Resumo da matéria

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Para esta etapa, resuma a matéria em até 300 caracteres. Esteja logado.

Estudo do Instituto Pasteur (França) investiga a presença de Sars-CoV-2 ativo no cérebro de hamsters por até 80 dias após a infecção, causando distúrbios metabólicos e inflamações que resultam em sintomas como perda de memória, ansiedade e depressão, o que ajudaria a explicar a Covid longa.

Análise da matéria

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Para esta etapa, identifique e analise com base na matéria: o objeto e a metodologia (observação, hipótese, experimentação, análise e publicação) da pesquisa. Esteja logado.

Objeto de pesquisa:

“Covid longa”, ou SARS-COV-2 no cérebro a longo prazo.

Metodologia:

Experimentação em modelos animais (roedores) e análise.

Registrar a presença (ou não) de Sars-cov-2 no cérebro de animais, bem como o comportamento desses, durante 80 dias.

Observação:

Uma parte das pessoas infectadas pelo vírus Sars-CoV-2 desenvolve a síndrome da Covid longa, marcada por queixas neurológicas e cognitivas persistentes (como perda de memória e confusão mental), cuja origem biológica era mal compreendida.

Hipótese:

A persistência do vírus ativo no SNC e consequentes alterações inflamatórias e moleculares crônicas no cérebro são a causa direta das manifestações neuropsiquiátricas e cognitivas da COVID longa.

Experimento:

1.     Modelo Animal: Utilização de hamsters-sírios, escolhidos por serem facilmente infectados pelo vírus, simulando a via de contaminação humana (narinas).

2.     Grupos de Estudo:

2.1  Grupo Infectado: Recebeu na narina soro fisiológico contendo Sars-CoV-2 (variantes Wuhan, Delta e Ômicron).

2.2  Grupo Controle: Recebeu apenas soro fisiológico (sem vírus).

3.     Monitoramento: Os animais foram acompanhados por 80 dias, permitindo a observação da fase aguda e da fase crônica da infecção.

4.     Coleta de Dados Viáveis:

4.1  Virologia: Coleta de amostras do tronco encefálico para confirmar a presença do vírus e sua viabilidade (capacidade de invadir e infectar células) nos momentos agudo e crônico (até o 80º dia).

4.2  Biologia Molecular: Análise da expressão gênica em diferentes tipos de células cerebrais no 4º dia (fase aguda) e no 80º dia (fase crônica), comparando-os ao grupo controle.

5.     Testes Comportamentais: Aplicação de testes padronizados nos animais em três momentos (15º, 30º e 80º dia) para avaliar sintomas:

5.1  Ansiedade: Avaliação do tempo de inibição em ambiente novo e iluminado.

5.2  Depressão/Motivação: Avaliação do tempo gasto em autocuidado (higiene).

5.3  Memória: Teste de reconhecimento de objeto novo versus antigo.

Análise:

1.     Análise Molecular: Identificação de genes com padrões de ativação alterados que indicavam inflamação crônica e alterações no metabolismo celular e na comunicação de neurotransmissores (glutamato e dopamina). Essas alterações foram classificadas como uma assinatura molecular neurodegenerativa.

2.     Análise Comportamental: Correlação direta entre a infecção crônica e os resultados dos testes comportamentais, com sintomas de ansiedade, depressão e perda de memória, semelhantes aos sintomas observados em humanos.

3.     Conclusão Científica: Os dados virológicos, moleculares e comportamentais foram integrados para fornecer evidências conclusivas de que os sintomas neurológicos da COVID longa são uma sequela biológica da infecção prolongada no SNC.

Publicação:

O estudo foi submetido à revisão por pares e publicado em revista científica de alto impacto Nature Communications, garantindo a validação e disseminação dos achados.

Análise da pesquisa

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Para esta etapa, acesse a(s) pesquisa(s) de origem, de base para o artigo na Pesquisa FAPESP, identifique e analise a seção metodológica. Em especial, explique em que medida o processo de pesquisa foi bem documentado no artigo que você selecionou. Esteja logado.

Coleon, A., Larrous, F., Kergoat, L. et al. Hamsters with long COVID present distinct transcriptomic profiles associated with neurodegenerative processes in brainstem. Nat Commun 16, 6714 (2025). https://doi.org/10.1038/s41467-025-62048-7  https://www.nature.com/articles/s41467-025-62048-7#citeas

A matéria da Revista Fapesp resume o artigo científico destacando a originalidade do experimento, sua metodologia, análise, resultados e à participação de um cientista brasileiro no laboratório.  Muitas informações foram omitidas, por exemplo, os detalhes das técnicas laboratoriais na “análise de expressão dos genes” e o “teste da viabilidade viral”, mas sem prejuízo para o leitor, já que a fonte com link é indicada. O essencial foi apresentado mantendo o leitor não especialista atento ao assunto até o final.

A matéria da Revista Fapesp poderia ampliar a discussão sobre as variantes da Covid, um tema que interessa ao público geral, motivado pela imprensa que anunciou novas cepas cada vez mais fortes. As observações do experimento apontam para a hipótese contrária, que a que a variante Wuhan, a primeira que surgiu, concentra maior potencial de agressividade e efeitos nos animais infectados, enquanto as novas variantes são mais fracas, especialmente no aspecto neurológico.

Metáfora científica

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Para esta etapa, reveja o conteúdo da aula sobre "A metáfora científica". No artigo da Pesquisa FAPESP selecionado, identifique quais foram as metáforas científicas ou cientificamente inspiradas utilizadas e justifique esse uso a partir das indicações da aula. Analise em que medida contribuem ou dificultam o entendimento da ciência. Esteja logado.

a.     “Assinatura molecular”: A metáfora da “assinatura molecular” ficou conhecida com a pandemia, ajudando a explicar que os vírus deixam vestígios por onde passam. No entanto, como “assinatura” pressupõe uma ação intelectual, associá-la a molécula causou estranhamento no público leigo, levando os cientistas a recorrerem a outra metáfora para explica-la: “impressão digital”, cuja associação com uma marca biológica facilitou o entendimento de leigos pela via da literatura policial.

b.     “Covid longa”: Expressão que aparece como referência aos sintomas que se iniciam com a infecção por covid e perduram por bastante tempo. Uma vez constata a presença do vírus no cérebro por longo período, a expressão faz jus ao nome.

c.     “Vírus ativo e capaz de invadir células”: A expressão faz o leitor imaginar que o vírus foi ativado fora da célula e arrombou uma barreira invadindo-a. Porém, não está claro se isso acontece. Parece-me que o vírus é inativo até fundir-se à célula por uma ligação de elementos e, uma vez estando no interior dessa célula, torna-se ativo.

Filosofia da ciência

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Para esta etapa, reveja o conteúdo da aula sobre "Ciência e Filosofia". Discorra sobre em que medida o artigo da Pesquisa FAPESP que você selecionou coloca questões filosóficas e apresente exemplos extraídos do texto. Esteja logado.


1.     A matéria da Revista Fapesp evita a afirmação de que o "experimento provou a hipótese em questão" para não reforçar a ideia de que a ciência é neutra ou imutável. Por outro lado, busca a opinião de outro pesquisador não envolvido no estudo para garantir a credibilidade do mesmo. No 6º. Parágrafo, a matéria coloca o depoimento do pesquisador do experimento dizendo que: “Não existiam trabalhos registrando a presença de Sars-CoV-2 viável no cérebro de modelos animais por um período tão longo.” A matéria buscou a opinião de outro pesquisador para confirmar essa informação: “A maioria dos trabalhos de covid longa em modelos animais não detectou o vírus no cérebro, e os poucos que o fizeram não encontraram o vírus ativo”, reitera o biólogo Roney Coimbra, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Minas Gerais, que investiga o impacto neurodegenerativo da Covid-19 e não fez parte do estudo atual.

2.   A matéria da Revista Fapesp faz o papel de mediadora científica. No último parágrafo, a matéria apresenta mais uma opinião da pesquisadora Leda Talib, que faz uma ressalva: “Os testes comportamentais realizados tornam o estudo completo”, comenta Talib, da USP. Ela, no entanto, lembra que a pesquisa foi feita com animais adultos e deixa em aberto questões como o impacto da covid longa na cognição e no humor de crianças e idosos.” A pesquisadora contata para comentar a pesquisa destaca que um “estudo completo” não responde a todas as perguntas.

Próximos passos

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Após concluir a atividade, clique no botão abaixo para incluí-la na listagem do módulo.

Estudo científico e mediação jornalística


Referências