Ir para o conteúdo

Introdução ao Jornalismo Científico/Metodologia e Filosofia da Ciência/Atividade/Jaqueline Bianchi

De Wikiversidade

Nome da atividade

[editar | editar código]

Esta seção apresenta a tarefa principal do Módulo 1 do curso de "Introdução ao Jornalismo Científico". A realização da tarefa é indispensável para o reconhecimento de participação no curso. Seu trabalho estará acessível, publicado no ambiente wiki, e será anexado ao certificado de realização do curso, quando finalizar todas as atividades. Tome cuidado de estar logado na Wikiversidade. Se não estiver logado, não será possível verificar o trabalho.

Descrição da atividade

[editar | editar código]

Atuar no jornalismo científico é às vezes comparado ao de ser um tradutor, no jargão da área da comunicação um 'tradutor intersemiótico', que passa a linguagem de um campo para o de outro campo. Nesta atividade, vamos observar e analisar como isso foi feito em uma das principais publicações acadêmicas brasileiras, a Pesquisa FAPESP.

Você deverá selecionar um artigo na revista Pesquisa FAPESP. Estão acessíveis na página principal da publicação. Escolha um artigo sobre um tema de pesquisa - ou seja, que seja baseado em uma ou mais de uma publicação científica - e leia-o com cuidado. Responda às perguntas que seguem.

As respostas deverão ser publicadas nesta página individual. Apenas altere os campos indicados.

Nome de usuário(a)

[editar | editar código]

Jaqueline Bianchi

[editar | editar código]

Nesta seção, você deverá colocar os links da matéria selecionada. Esteja logado.

Resumo da matéria

[editar | editar código]

Para esta etapa, resuma a matéria em até 300 caracteres. Esteja logado.

Pesquisadores investigaram o padrão alimentar de culicídeos e verificaram que 66,7% se alimentavam de sangue humano. Estes achados corroboram a hipótese de que as ações antrópicas obrigam os mosquitos a adaptarem sua alimentação. Essa mudança poderia favorecer casos de doenças como febre amarela, chikungunya, leishmaniose, entre outras.

Análise da matéria

[editar | editar código]

Para esta etapa, identifique e analise com base na matéria: o objeto e a metodologia (observação, hipótese, experimentação, análise e publicação) da pesquisa. Esteja logado.

O objeto do estudo foi avaliar o padrão alimentar de mosquitos do grupo de pernilongos e muriçocas de uma região da Mata Atlântica no Rio de Janeiro. A metodologia utilizada partiu do pressuposto ou hipótese de que a ação antrópica leva à escassez de hospedeiros naturais das espécies e contribui para a readaptação alimentar dos mosquitos (“Como a Mata Atlântica vem sofrendo com as ações antrópicas, a falta da fonte alimentar preferencial do mosquito faz com que eles se adaptem, garantindo a reprodução da espécie”). A partir dessa observação e formulação da hipótese, seguiram-se a parte experimental, de modo padronizado e sistemático, e a análise de dados por sequenciamento genético: "Os pesquisadores fizeram a captura de 1.714 mosquitos de diferentes gêneros e espécies em áreas da Reserva Ecológica de Guapiaçu e do Sítio Recanto Preservar, no Rio de Janeiro. As armadilhas eram instaladas no fim do dia e retiradas ao alvorecer, um horário em que não há pessoas circulando na floresta. Mesmo assim, das 27 sequências genéticas obtidas no laboratório para identificação das espécies consumidas, 18 indicavam o consumo de sangue humano". Com os achados desta pesquisa, os autores publicaram o artigo em revista científica internacional de grande impacto: "ALVES, D. C. V. et al. Aspects of the blood meal of mosquitoes (Diptera: culicidae) during the crepuscular period in Atlantic Forest remnants of the state of Rio de Janeiro, Brazil. Frontiers in Ecology and Evolution. v. 13. 14 jan. 2026".

Análise da pesquisa

[editar | editar código]

Para esta etapa, acesse a(s) pesquisa(s) de origem, de base para o artigo na Pesquisa FAPESP, identifique e analise a seção metodológica. Em especial, explique em que medida o processo de pesquisa foi bem documentado no artigo que você selecionou. Esteja logado.

O artigo selecionado baseou-se na pesquisa de ALVES, D. C. V. et al. Aspects of the blood meal of mosquitoes (Diptera: culicidae) during the crepuscular period in Atlantic Forest remnants of the state of Rio de Janeiro, Brazil. Frontiers in Ecology and Evolution. v. 13. 14 jan. 2026.

Na seção metodológica, a pesquisa foi bastante detalhada, com descrições precisas da área de estudo, modo e horário de coleta, número de insetos coletados, bem como dos procedimentos padrões para análise e sequenciamento genético, objetivando o entendimento e a reprodutibilidade dos ensaios. A matéria conseguiu abordar os pontos chaves do artigo e transmitir tanto os aspectos metodológicos quanto os resultados encontrados em linguagem clara, objetiva e pouco rebuscada, tornando fácil o entendimento tanto para leitores do meio acadêmico como para o público em geral. Ainda, conseguiu fazer um apelo sutil para a importância da preservação da Mata Atlântica, relacionada tanto com a sobrevivência das espécies em estudo como pelo risco de ampliação de doenças em seres humanos.

Metáfora científica

[editar | editar código]

Para esta etapa, reveja o conteúdo da aula sobre "A metáfora científica". No artigo da Pesquisa FAPESP selecionado, identifique quais foram as metáforas científicas ou cientificamente inspiradas utilizadas e justifique esse uso a partir das indicações da aula. Analise em que medida contribuem ou dificultam o entendimento da ciência. Esteja logado.

As metáforas identificadas foram:

1 - Fonte alimentar preferencial

"fonte" foi utilizado para transmitir a ideia de origem, reservatório de onde se extrai os alimentos. Ela atua como um recurso cognitivo contribuindo para o entendimento, pois simplifica um conceito ecológico complexo envolvendo disponibilidade de alimentos e comportamento alimentar dos mosquitos, em uma imagem familiar para o leitor.

2 - O ser humano invade a floresta

"invade" refere-se a uma metáfora bélica, territorial. Foi utilizado para trazer a ideia de que aquele espaço não é o do ser humano, como se ele estivesse gerando uma guerra ou conflito para aquela região de ocupação. Esta metáfora reforça a gravidade do problema da ação antrópica no meio ambiente, mas também pode levar ao entendimento exagerado da relação do homem com a devastação do meio ambiente.

3 - Circulação de Virus

"circulação" traz a ideia de espalhamento, fluxo, disseminação. É uma metáfora científica comumente utilizada, ajudando a entender que o vírus não fica restrito a um único local (no caso, o mosquito), simplificando um conceito epidemiológico complexo.

4 - Vigilância Epidemiológica

"vigilância" conceitualmente traz a ideia de controle e observação contínua e atenta. No artigo, facilita o entendimento do problema ao remeter ao conceito de monitoramento sistemático dos vetores que transmitem as doenças, a fim de obter segurança no campo da saúde pública. É uma metáfora funcional, que facilita a compreensão sem comprometer o rigor científico, visto que também é uma metáfora já consolidada no contexto da saúde pública.

Filosofia da ciência

[editar | editar código]

Para esta etapa, reveja o conteúdo da aula sobre "Ciência e Filosofia". Discorra sobre em que medida o artigo da Pesquisa FAPESP que você selecionou coloca questões filosóficas e apresente exemplos extraídos do texto. Esteja logado.

O artigo da Pesquisa FAPESP coloca questões filosóficas ao contextualizar os resultados, evidenciar a relação entre ciência, sociedade e meio ambiente, aproximar o público da ciência e utilizar linguagem que afasta a ideia equivocada de que a ciência deve oferecer certezas absolutas.

A autora contextualiza os resultados quando descreve que os achados se referem a um local exato de coleta de dados, com condições específicas que podem indicar uma problemática que pode ocorrer em áreas com características semelhantes. Tal conclusão pode ser vista nos trechos: 1) “... o desmatamento, as mudanças no clima e o aumento da presença humana obrigam animais selvagens a se deslocarem para outras áreas de mata fechada”. 2) “Os pesquisadores fizeram a captura em áreas da Reserva Ecológica de Guapiaçu e do Sítio Recanto Preservar, no Rio de Janeiro”.

As relações entre ciência, sociedade e meio ambiente, podem ser vistas em: 1) “Se não houvesse a presença humana na região, os mosquitos se alimentariam de sangue de outros primatas e vertebrados”. 2) “No entanto, o desmatamento, as mudanças no clima e o aumento da presença humana obrigam animais selvagens a se deslocarem para outras áreas de mata fechada”. 3) “Quando o ser humano invade a floresta, algumas espécies de culicídeos são atraídas a ele...”. 4) “As descobertas do estudo preocupam os pesquisadores porque o comportamento dos mosquitos poderia ampliar a circulação de vírus que os utilizam como vetor e aumentar os casos de doenças...” 5) “a melhor prevenção seria composta por ações como a de recompor a fauna e flora de mata nativa e ter uma vigilância epidemiológica a agentes causadores de doenças circulantes, além do monitoramento do comportamento de culicídeos de forma permanente”. Com estes trechos, a autora aponta as possíveis consequências sócio-ambientais dos achados científicos.

Ainda, com uma linguagem simples acerca da metodologia utilizada, faz-se a aproximação do público com os bastidores da produção científica, como pose ser vista em: “As armadilhas eram instaladas no fim do dia e retiradas ao alvorecer, um horário em que não há pessoas circulando na floresta. Mesmo assim, das 27 sequências genéticas obtidas no laboratório para identificação das espécies consumidas, 18 indicavam o consumo de sangue humano”.

O uso de verbos que traduzem uma indicação ou sugestão dos achados também traz a ideia de uma ciência ainda em expansão que pode ser refutada a qualquer momento por outros estudos que confrontem o atual. Exemplos: 1) “O que viram foi uma tendência dos culicídeos (do grupo dos pernilongos e muriçocas) de se alimentarem...”. 2) “Mesmo assim, das 27 sequências genéticas obtidas no laboratório para identificação das espécies consumidas, 18 indicavam o consumo de sangue humano”. 3) “As descobertas do estudo preocupam os pesquisadores porque o comportamento dos mosquitos poderia ampliar a circulação de vírus...”.

Próximos passos

[editar | editar código]

Após concluir a atividade, clique no botão abaixo para incluí-la na listagem do módulo.


Referências