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Introdução ao Jornalismo Científico/Metodologia e Filosofia da Ciência/Atividade/Linianebrum

De Wikiversidade

Nome da atividade

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Esta seção apresenta a tarefa principal do Módulo 1 do curso de "Introdução ao Jornalismo Científico". A realização da tarefa é indispensável para o reconhecimento de participação no curso. Seu trabalho estará acessível, publicado no ambiente wiki, e será anexado ao certificado de realização do curso, quando finalizar todas as atividades. Tome cuidado de estar logado na Wikiversidade. Se não estiver logado, não será possível verificar o trabalho.

Descrição da atividade

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Atuar no jornalismo científico é às vezes comparado ao de ser um tradutor, no jargão da área da comunicação um 'tradutor intersemiótico', que passa a linguagem de um campo para o de outro campo. Nesta atividade, vamos observar e analisar como isso foi feito em uma das principais publicações acadêmicas brasileiras, a Pesquisa FAPESP.

Você deverá selecionar um artigo na revista Pesquisa FAPESP. Estão acessíveis na página principal da publicação. Escolha um artigo sobre um tema de pesquisa - ou seja, que seja baseado em uma ou mais de uma publicação científica - e leia-o com cuidado. Responda às perguntas que seguem.

As respostas deverão ser publicadas nesta página individual. Apenas altere os campos indicados.

Nome de usuário(a)

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Linianebrum

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Nesta seção, você deverá colocar os links da matéria selecionada. Esteja logado.

Resumo da matéria

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Para esta etapa, resuma a matéria em até 300 caracteres. Esteja logado.

A matéria noticia quatro estudos cujo objeto é o quintal urbano. A ênfase está na pesquisa de Andréa Barbosa, da Unifesp, que investigou o papel desse espaço na vida dos seus moradores e da comunidade. Estudos análogos, de pesquisadores de outras instituições, tais como USP e UFF, são reportados.

Análise da matéria

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Para esta etapa, identifique e analise com base na matéria: o objeto e a metodologia (observação, hipótese, experimentação, análise e publicação) da pesquisa. Esteja logado.

Quanto àquilo que o exercício pede, focalizo a pesquisa da antropóloga e professora da Unifesp Andréa Barbosa, uma vez que o seu estudo é central na notícia.  Conforme apontei no item anterior (resumo), a pesquisa da antropóloga ganhou um espaço muito maior em relação aos demais trabalhos reportados: é a espinha dorsal, por assim dizer, da matéria.

Anote-se que Andréa Barbosa foi também entrevistada pelo “Pesquisa Brasil”, a peça jornalística em áudio que acompanha a matéria publicada em site/revista.

Eis a explanação sobre objeto e metodologia:

Os quintais urbanos em suas diversas formas são o objeto de pesquisa da professora Andréa Barbosa. Isso significa que o escopo de seu trabalho é composto não apenas pelo quintal clássico, aquele “de terra no fundo da casa”, como ela mesma menciona, mas por outras tipologias tais como “os vasos na laje”, as vegetações plantadas  propositalmente entre prédios, “as calçadas em frente de casa”, o pedacinho de terreno baldio apropriado para uso doméstico, o canteiro de praça que a vizinhança cuida e que se torna de ponto de encontro comunitário.

Foi dentro desse universo que a antropóloga identificou 20 quintais, em Guarulhos, zona metropolitana de São Paulo, em especial no Bairro dos Pimentas, e nos bairros da zona leste da cidade de São Paulo, e abordou-os em sua pesquisa.

Através do método etnográfico, que incluiu a observação participante, entrevistas em profundidade e focus groups, ela buscou entender “como as pessoas construíram as suas relações com esse espaço e como esses espaços constroem uma relação com a cidade.”

Essa pergunta foi engendrada tendo em vista em vista a provável relevância das pequenas práticas de cultivo para a dinâmica de formação das formas de viver na cidade, - hipótese que se contrapõem à ideia difundida, cientificamente, de que as hortas comunitárias e de visibilidade ou escala são as que de fato interferem na vida urbana.

O estudo também busca compreender em que medida esses espaços domésticos são não apenas áreas verdes, mas importantes repositórios de saberes tradicionais, práticas culturais, segurança alimentar e biodiversidade em meio ao contexto urbano.

A investigação também incluiu, de modo adjacente, as hortas urbanas implementadas por coletivos de ocupação, conhecidos pelo termo "okupas", na cidade de Barcelona, Espanha. Nesse âmbito, a professora detectou o viés político desses grupos, que buscam fazer frente a gentrificação e a crise da moradia nos bairros proeminentes e na maioria das vezes turísticos da capital da Catalunha. Ela cita o grupo Desenruna, atuante em Vallcarca, região disputada pelo mercado imobiliário devido à sua localização, próxima ao  célebre Parque Güell, projetado pelo arquiteto Gaudí.

Os resultados da pesquisa foram formalizados na seguinte publicação:

BARBOSA, A. C. M. M. Quintais, roças e hortas: Práticas urbanas e ruralização nas periferias. Iluminuras. v. 24, n. 56, p. 217-44. 2023.

Análise da pesquisa

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Para esta etapa, acesse a(s) pesquisa(s) de origem, de base para o artigo na Pesquisa FAPESP, identifique e analise a seção metodológica. Em especial, explique em que medida o processo de pesquisa foi bem documentado no artigo que você selecionou. Esteja logado.

O processo de pesquisa foi muito bem documentado. A articulação entre metodologia etnográfica e revisão bibliográfica está presente de maneira, dir-se-ia, cristalina. Quanto à primeira, a autora informa que “pensar que vidas urbanas essas práticas de cultivo produzem” pautou a operação etnográfica. A observação participante foi guiada no sentido de entender a “produção de relações operada pela interação de vidas interespecíficas.” E as indagações ao campo daí decorrem: “Que relações seriam essas? como essa operação se constrói? De que vida urbana podemos, então, falar, a partir desta perspectiva?”

O aporte teórico (Michel Aiger, Tim Ingog e Michel de Ceratu, prioritariamente) é delineado e informado no artigo, bem como o estado da arte. O discurso científico é feito não somente via linguagem verbal, mas também articulando à argumentação registros fotográficos realizados durante a pesquisa. São imagens que plasmam os quintais, e, por vezes, os seus cultivadores ou donos. Como exemplo, citamos a figura 1 — Bananeira plantada em calçada, São Paulo, SP e a figura Figura 6 — D. Nilcéa e sua filha Elaine em caminhada pelo quintal. No total, são 15 imagens dispostas ao longo do trabalho.

Não há como não mencionar os excertos das entrevistas realizadas com os donos dos quintais, articulados ao texto não apenas no sentido de corroborar a hipótese central, mas também como modo de avançar na narrativa do processo de pesquisa, - inseparável, aqui, da explicitação do método e da exposição dos resultados alcançados.

Eis um exemplo da articulação entre método e discurso científico (análise) no texto de Andréa Barbosa:

“Além de fazer  as  mudas (o  que  demanda conhecimento e cuidado também) para doar, D. Terezinha também pede mudas para as vizinhas. Ela lembra de um cacto muito grande que estava na porta de uma casa vizinha, resultado de uma  poda, que ela  pegou com o consentimento da “dona” que o havia podado, para desenvolver uma muda em casa e de uma vizinha que ficou conhecendo por tê-la procurado para pedir folhas de uma ora-pro-nobis (Pereskia aculeata) “que de tão grande parecia uma árvore”.  Depois de colher  muitas  folhas para preparar  na  refeição acabou por pedir uma muda para tentar plantar em sua própria casa. Ingold (2012)  nos  diz que  a  antropologia procura  compreender  como os  seres vivos habitam o mundo, ou seja, como constantemente estão produzindo a si mesmos a partir dos materiais do mundo sem uma finalidade predeterminada. Adotar a perspectiva etnográfica aqui descrita é aceitar a vida em movimento como foco do conhecimento e do ofício  do  etnógrafo. Nós e  nossos interlocutores  compartilhamos não  somente a caminhada pelos seus quintais, mas também o habitar esse mundo urbano que é a Grande São Paulo. Com uma escala quase monstruosa com seus mais de 20 milhões de habitantes, a metrópole famélica abriga inúmeras formas de habitar.”

Dentre os resultados alcançados, destaca-se o seguinte:

Produzir vida social e uma nova forma de habitar a cidade são instâncias geradas pelo quintal. Neste ponto, a pesquisadora enfatiza que vida humana, vida vegetal e outras formas de vida, constituem, através de suas interrelações, “a construção de uma experiência de vida urbana.”

Metáfora científica

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Para esta etapa, reveja o conteúdo da aula sobre "A metáfora científica". No artigo da Pesquisa FAPESP selecionado, identifique quais foram as metáforas científicas ou cientificamente inspiradas utilizadas e justifique esse uso a partir das indicações da aula. Analise em que medida contribuem ou dificultam o entendimento da ciência. Esteja logado.

Frase selecionada: “O pesquisador mapeou cerca de 200 espécies, algumas ignoradas pelas grandes redes de supermercados, hortifrútis e até feiras de rua.”

Expressão selecionada: “mapeou cerca de 200 espécies”.

O Dicionário on-line de português Houaiss (ou Dicio, Dicionário Online de Português), assim define o verbo mapear: “expor através de um mapa; construir ou confeccionar um mapa de algo ou de algum lugar”. Já o vocábulo “mapa”, essa mesma fonte descreve como “desenho representativo de um país, uma região etc.; carta.”

Ora, a alusão ao termo “espécies” (mapeou espécies), no caso, diz respeito ao ato identificar e listar unidades vegetais e plantas diversas (inclusive árvores) em quintais localizados no Vale do Paraíba. Pergunta-se: será que "mapear" seria o ato de desenhar essa flora? Ao tentar responder a essa pergunta, fica claro que se trata, então, de uma metáfora científica.

O uso dessa metáfora se justifica por se tratar de uma expressão (no caso, um verbo) consolidada pela ciência para construir um discurso coloquial. Mapear, que é a ação de expor através de um mapa ou construir um mapa, é um verbo que se circunscreve, se visto do modo literal, ao campo da cartografia (ciência dos mapas) e/ou da geografia. A primeira é a área, por excelência, a qual o mapa pertence. A Cartografia é a ciência, arte e tecnologia de fazer mapas, incluindo seu estudo como documentos científicos e/ou obras artísticas. Já a Geografia é o campo do conhecimento que utiliza o mapa como sua principal linguagem e ferramenta de análise, para que se cumpra a seguinte finalidade: compreender a superfície terrestre, os fenômenos espaciais, populações e atividades humanas.

Finalmente, o termo “mapear”, utilizado como metáfora científica, é totalmente adequado, pois ajuda no entendimento do ato do pesquisador em questão (identificar e listar). Trata-se de uma metáfora científica amplamente usada.

Filosofia da ciência

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Para esta etapa, reveja o conteúdo da aula sobre "Ciência e Filosofia". Discorra sobre em que medida o artigo da Pesquisa FAPESP que você selecionou coloca questões filosóficas e apresente exemplos extraídos do texto. Esteja logado.

Constato que o artigo traz uma investigação em que pesquisadores de diversas instituições e formações (antropologia, gestão ambiental, arquitetura, biologia) tomam um mesmo objeto: os quintais domésticos urbanos. Nessas pesquisas, o sentido de quintal se estende a espaços comunitários similares (domésticos, portanto), em que a vegetação e as plantas servem de local de convívio e troca, com base no manejo e desfrute, justamente, de plantas e vegetação.

A principal questão que a pesquisa coloca, de acordo com a matéria, é a dimensão do que seja a própria vida dentro da metrópole, haja vista a interferência do quintal doméstico urbano. Estudos científicos anteriores não supunham que ele se constitui em ferramenta de sustentabilidade, estreitamento de laços comunitários e convivais, cultivo da memória ancestral e resistência cultural.

Aqui, para fazer o paralelo com a aula de “Ciência e Filosofia”, a matéria não é totalmente suficiente. É preciso recorrer ao artigo científico de Andréa Barbosa onde ela afirma: “os estudos anteriormente realizados, em sua maioria, focalizam as hortas comunitárias de visibilidade e/ou as hortas individuais ou comunitárias de escala. Não encontrei nas minhas pesquisas, estudos voltados para  os espaços mais “privados” como jardins e quintais   e  nem   mesmo   estudos  voltados   para   iniciativas  de   pequenos  espaços intermediários  como  os canteiros  de  calçadas e  praças  ou os  espaços como lajes e varandas.” De acordo com a professora da Unifesp, esse fenômeno dos cultivos em espaços de quintais urbanos e domésticos ainda não tinha recebido atenção dos cientistas. Ela relata também que “a literatura mais recente existente  trabalha com  a  ideia de  retorno ou “retomada” (dos quintais domésticos), como no caso de Caldas e Jayo. Contudo, estamos tratando essa questão para pensar essas práticas mais na esfera da reinvenção, dado que, pelo que pudemos observar até aqui, nos bairros  nos  quais estivemos  em  pesquisa na  região  metropolitana de  São Paulo, a prática do plantio em ambiente doméstico nunca cessou, assumindo novas formas e  dinâmicas.”

O que isso significa (ou pode significar, de acordo do modo como entendi): um paralelo pode ser feito com o primordial conceito de falseabilidade, de Karl Popper, segundo o qual a ciência consiste no que é passível de refutação. Desse modo, as múltiplas comprovações que sustentam uma hipótese ou fundamento podem ser derrubadas. Quer dizer, o trabalho de André Barbosa refuta o o fato científico até então descrito, de que os quintais urbanos eram práticas somente “retomadas” (que teriam desaparecido por certo tempo) e que, por conseguinte, não teriam correlação com dinâmica da cidade. O estudo de Barbosa se contrapõe a esses resultados científicos, uma vez que, segundo ela demonstrou, os quintais domésticos nunca deixaram de existir nas cidades e são espaços de resistência e coletividade.

Por fim, é preciso pontuar que as pesquisar científicas tais como levadas a cabo pelas Ciências Humanas, como sabemos, empregam majoritariamente metodologias qualitativas, as quais são esquivas à medição – parece óbvio dizer, mas é preciso – quantitativa. Esse fato pode ser um empecilho ao estabelecimento de analogias entre a aula Ciência e Filosofia e determinados estudos circunscritos às Humanidades (talvez seja aqui o caso).

Próximos passos

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Referências