Ir para o conteúdo

Introdução ao Jornalismo Científico/Metodologia e Filosofia da Ciência/Atividade/Maria Clara Rodriguez Sosa

De Wikiversidade

Tarefa Módulo 1

[editar | editar código]

Esta seção apresenta a tarefa principal do Módulo 1 do curso de "Introdução ao Jornalismo Científico". A realização da tarefa é indispensável para o reconhecimento de participação no curso. Seu trabalho estará acessível, publicado no ambiente wiki, e será anexado ao certificado de realização do curso, quando finalizar todas as atividades. Tome cuidado de estar logado na Wikiversidade. Se não estiver logado, não será possível verificar o trabalho.

Análise de matéria jornalística

[editar | editar código]

Atuar no jornalismo científico é às vezes comparado ao de ser um tradutor, no jargão da área da comunicação um 'tradutor intersemiótico', que passa a linguagem de um campo para o de outro campo. Nesta atividade, vamos observar e analisar como isso foi feito em uma das principais publicações acadêmicas brasileiras, a Pesquisa FAPESP.

Você deverá selecionar um artigo na revista Pesquisa FAPESP. Estão acessíveis na página principal da publicação. Escolha um artigo sobre um tema de pesquisa - ou seja, que seja baseado em uma ou mais de uma publicação científica - e leia-o com cuidado. Responda às perguntas que seguem.

As respostas deverão ser publicadas nesta página individual. Apenas altere os campos indicados.

Maria Clara Rodriguez Sosa

[editar | editar código]

Maria Clara Rodriguez Sosa

[editar | editar código]

Nesta seção, você deverá colocar os links da matéria selecionada. Esteja logado.

Resumo da matéria

[editar | editar código]

Para esta etapa, resuma a matéria em até 300 caracteres. Esteja logado.

O texto discute como as mudanças climáticas, sobretudo a estiagem, afetam a produção agrícola. Apresenta o estudo de Andrew Hultgren, com projeções baseadas no IPCC, e traz dados de pesquisas sobre o contexto brasileiro, indicando impactos e necessidade de adaptação.

Análise da matéria

[editar | editar código]

Para esta etapa, identifique e analise com base na matéria: o objeto e a metodologia (observação, hipótese, experimentação, análise e publicação) da pesquisa. Esteja logado.

A matéria mostra que a produção agrícola tem diminuído em várias regiões do mundo, como Ásia, África e Brasil, principalmente por causa da estiagem intensificada pelas mudanças climáticas. Os estudos citados utilizam grandes bases de dados de produção agrícola, modelagem climática e simulações. O trabalho de Hultgren analisa dados de 12.658 regiões em 54 países e aplica 33 modelos climáticos em dois cenários do IPCC (aquecimento moderado e intenso), projetando impactos nas culturas com e sem adaptações. Os resultados dessa pesquisa são reduções na produtividade agrícola consideráveis, ainda no melhor dos casos, isto é, com aquecimento moderado e adaptação. Nas pesquisas brasileiras citadas como a do grupo de Fábio Marin da Esalq, também foram feitas projeções/estimativas do que pode ocorrer com as produções de milho, feijão, soja, cana e com as pastagens em diferentes cenários climáticos e regiões do país

Análise da pesquisa

[editar | editar código]

Para esta etapa, acesse a(s) pesquisa(s) de origem, de base para o artigo na Pesquisa FAPESP, identifique e analise a seção metodológica. Em especial, explique em que medida o processo de pesquisa foi bem documentado no artigo que você selecionou. Esteja logado.

Na matéria da Pesquisa FAPESP selecionada, a metodologia da pesquisa de Andrew Hultgren, publicada na revista Nature, aparece apenas em um recorte simplificado em relação ao artigo original. O estudo emprega uma abordagem complexa, reunindo grandes bases de dados agrícolas subnacionais, modelos climáticos globais, séries históricas detalhadas de temperatura e precipitação e também dados de renda dos produtores. Esse processo metodológico é minuciosamente documentado no artigo científico, com descrição das fontes de dados, dos tratamentos estatísticos, dos critérios de seleção de variáveis, dos procedimentos de validação, das projeções e de suas limitações. Já na matéria jornalística, o método é apresentado de forma resumida: menciona-se que foram analisadas 12.658 regiões, 54 países e 33 modelos climáticos, bem como a comparação entre cenários com e sem adaptação. Ao colocar na matéria que “Hultgren e colaboradores dos Estados Unidos e da China realizaram os cálculos do que ocorreria nos dois cenários de aquecimento em duas situações: uma na qual os agricultores não mudam a forma de produzir e outra na qual adotam medidas de adaptação efetivamente tomadas por produtores rurais em várias partes do mundo, (…)”, parece que essas decisões de adaptação são escolhas livres dos agricultores, sem que fatores de renda e acesso a recursos estejam implicados nessas possibilidades. Embora o texto da Pesquisa FAPESP não detalhe as etapas analíticas, ele comunica adequadamente o essencial para o público geral, apresentando de forma clara os objetivos, o escopo, os cenários estudados e os principais achados. No entanto, essa menor profundidade na metodologia cria uma lacuna de compreensão sobre o que está em jogo quando se fala em adaptação e mudança climática: não se trata apenas de “alimentar” modelos com dados naturais e esperar estimativas, mas de considerar o entrecruzamento de fatores climáticos, econômicos e sociais. Ao não explicitar a centralidade da renda e das desigualdades de acesso à adaptação, a matéria pode atenuar a percepção da responsabilidade de governos e do setor privado na formulação de políticas públicas que criem condições materiais para que a adaptação de fato ocorra.

Metáfora científica

[editar | editar código]

Para esta etapa, reveja o conteúdo da aula sobre "A metáfora científica". No artigo da Pesquisa FAPESP selecionado, identifique quais foram as metáforas científicas ou cientificamente inspiradas utilizadas e justifique esse uso a partir das indicações da aula. Analise em que medida contribuem ou dificultam o entendimento da ciência. Esteja logado.

É utilizada a ideia dos "grandes celeiros de alimentos do mundo": as Américas do Norte e do Sul e a Oceania. Isto é, as grandes regiões produtoras de alimentos. Celeiros são construções humanas de armazenamento, essas regiões são produtoras, não apenas armazenadoras. A metáfora no entanto auxiliam na compreensão ao colocá-las como as regiões que possuem grande parte do potencial de produção mundial de alimentos. Outra metáfora utilizada é : O setor agropecuário absorveu um quarto dos prejuízos. O verbo “absorver”, que vem das ciências físicas (absorção de energia, impacto, luz), é usado aqui para falar de perdas econômicas, que não são literalmente absorvidas. Essa escolha cria uma imagem mais concreta para o leitor, como se os prejuízos fossem uma força que o setor precisa “amortecer”. Assim, a metáfora ajuda a tornar um processo econômico abstrato mais fácil de visualizar e reforça a ideia de impacto e vulnerabilidade.

Filosofia da ciência

[editar | editar código]

Para esta etapa, reveja o conteúdo da aula sobre "Ciência e Filosofia". Discorra sobre em que medida o artigo da Pesquisa FAPESP que você selecionou coloca questões filosóficas e apresente exemplos extraídos do texto. Esteja logado.

O artigo da Pesquisa FAPESP coloca questões filosóficas importantes ao evidenciar que não há um consenso simples sobre os impactos das mudanças climáticas na agricultura. Ao mesmo tempo em que apresenta projeções preocupantes de queda na produtividade de culturas essenciais e um cenário de vulnerabilidade para países como o Brasil, o texto também traz vozes de pesquisadores mais otimistas, que defendem que, com adaptações tecnológicas e mudanças no manejo, “será possível continuar produzindo bastante no país”. Esse contraste entre um discurso de alerta e outro de confiança nas capacidades de adaptação da agropecuária explicita um dissenso interno na própria comunidade científica, abrindo espaço para pensar filosoficamente sobre como diferentes leituras do mesmo problema orientam decisões políticas, econômicas e morais. Além disso, o artigo torna explícito que a pesquisa científica não produz verdades finais e fechadas, mas trabalha com cenários, probabilidades e incertezas. Isso aparece de forma muito clara na fala de Carlos Eduardo Cerri: “Nos modelos preditivos, sempre há algum grau de incerteza associado aos cenários. Por isso, os resultados podem, às vezes, seguir trajetórias divergentes”. Ao incluir esse tipo de afirmação, o texto desloca a ciência do lugar de verdade absoluta e a aproxima de uma prática situada, marcada por limites, escolhas de modelos e interpretações. Isso abre uma questão filosófica sobre a própria natureza do conhecimento científico e sobre como sociedades devem agir politicamente diante de riscos que são conhecidos de forma probabilística, e não absoluta. Por fim, o artigo também mobiliza, mesmo sem usar esse termo explicitamente, a ideia de justiça climática. Quando aponta que os prejuízos tendem a afetar mais “as populações mais pobres e vulneráveis, que têm maior dificuldade de conseguir alimento à medida que os preços sobem”, ele mostra que a crise climática não é apenas um problema físico ou técnico, mas um problema moral e político. A forma como clima, agricultura, economia e pobreza se entrelaçam faz do tema um grande “congregado” de áreas – ciência do clima, agronomia, economia, políticas públicas, direitos humanos – e levanta questões filosóficas sobre quem sofre mais, quem tem condições de se adaptar, quem deve ser responsabilizado e que tipo de mundo se está produzindo quando se aceita que alguns perderão mais do que outros.


Próximos passos

[editar | editar código]

Após concluir a atividade, clique no botão abaixo para incluí-la na listagem do módulo.


Referências