Ir para o conteúdo

Introdução ao Jornalismo Científico/Metodologia e Filosofia da Ciência/Atividade/Mariana Pezzatte Pollo

De Wikiversidade

Nome da atividade

[editar | editar código]

Esta seção apresenta a tarefa principal do Módulo 1 do curso de "Introdução ao Jornalismo Científico". A realização da tarefa é indispensável para o reconhecimento de participação no curso. Seu trabalho estará acessível, publicado no ambiente wiki, e será anexado ao certificado de realização do curso, quando finalizar todas as atividades. Tome cuidado de estar logado na Wikiversidade. Se não estiver logado, não será possível verificar o trabalho.

Descrição da atividade

[editar | editar código]

Atuar no jornalismo científico é às vezes comparado ao de ser um tradutor, no jargão da área da comunicação um 'tradutor intersemiótico', que passa a linguagem de um campo para o de outro campo. Nesta atividade, vamos observar e analisar como isso foi feito em uma das principais publicações acadêmicas brasileiras, a Pesquisa FAPESP.

Você deverá selecionar um artigo na revista Pesquisa FAPESP. Estão acessíveis na página principal da publicação. Escolha um artigo sobre um tema de pesquisa - ou seja, que seja baseado em uma ou mais de uma publicação científica - e leia-o com cuidado. Responda às perguntas que seguem.

As respostas deverão ser publicadas nesta página individual. Apenas altere os campos indicados.

Nome de usuário(a)

[editar | editar código]

Mariana Pezzatte Pollo

[editar | editar código]

Nesta seção, você deverá colocar os links da matéria selecionada. Esteja logado.

Resumo da matéria

[editar | editar código]

Para esta etapa, resuma a matéria em até 300 caracteres. Esteja logado.

As ondas de calor estão ficando cada vez mais comuns, intensas e demoradas, isso está acontecendo no mundo todo, inclusive na América do Sul. Um estudo publicado em fevereiro na Frontiers in Climate analisou dados de 1979 a 2023 e mostrou que várias cidades do Brasil registraram um aumento desses eventos extremos. Por exemplo, em 2023, Brasília teve 17 ondas de calor, quase o triplo da média histórica. Em Manaus e Rio Branco, o número dobrou.

Os dias de calor precisam durar pelo menos três dias seguidos com temperaturas muito acima da média para serem considerados ondas de calor. Dependendo da definição usada, pode exigir até cinco ou seis dias. As variações nas definições de onda de calor e a falta de dados históricos consistentes dificultam comparar estudos e entender com precisão a frequência e a intensidade desses eventos no passado.

A frequência e a duração das ondas de calor aumentaram nas últimas décadas. Dados do Inpe mostram que o Brasil teve, em média, 7 dias por ano com esses eventos entre 1961 e 1990, e 52 dias entre 2011 e 2020. O aquecimento global favorece bloqueios atmosféricos, intensificando as ondas de calor. Fatores como El Niño e urbanização, com menos áreas verdes, agravam o problema. Os impactos trazem prejuízos econômicos e riscos à saúde, principalmente para crianças, idosos e gestantes. Sem ações, eventos extremos continuarão mais frequentes.

Análise da matéria

[editar | editar código]

Para esta etapa, identifique e analise com base na matéria: o objeto e a metodologia (observação, hipótese, experimentação, análise e publicação) da pesquisa. Esteja logado.

Os autores tiveram como objeto o aumento da frequência, intensidade e duração das ondas de calor na América do Sul, com foco especial no Brasil. Buscaram entender como esses eventos extremos têm se comportado ao longo do tempo, especialmente no contexto das mudanças climáticas.

Metodologia:

Observação

Os pesquisadores partiram da observação do aumento das ondas de calor. Foram utilizados dados meteorológicos históricos (de 1979 a 2023), o que permitiu observar tendências e padrões ao longo de quase 45 anos.

Hipótese

A hipótese implícita é que as ondas de calor estão se tornando mais frequentes, intensas e duradouras na América do Sul, em decorrência das mudanças climáticas, interferindo em questões sociais e econômicas.

Experimentação

Neste caso, a experimentação ocorreu por meio da análise de séries temporais de dados dos serviços meteorológicos nacionais. Os pesquisadores calculam indicadores específicos (frequência, duração, potência das ondas de calor) para testar a hipótese.

Análise

Os dados coletados foram analisados de forma quantitativa e comparativa entre cidades e ao longo do tempo. A análise mostra que, por exemplo, em Manaus e Rio Branco, o número de ondas de calor em 2023 foi o dobro da média histórica. Isso confirma a hipótese inicial.

Publicação

Os resultados foram divulgados em artigo publicado na revista científica Frontiers in Climate, o que representa a etapa final do método científico: tornar os dados públicos, permitindo a revisão por pares e o acesso à informação pela comunidade científica e sociedade.

Análise da pesquisa

[editar | editar código]

Para esta etapa, acesse a(s) pesquisa(s) de origem, de base para o artigo na Pesquisa FAPESP, identifique e analise a seção metodológica. Em especial, explique em que medida o processo de pesquisa foi bem documentado no artigo que você selecionou. Esteja logado.

O artigo “Climatological patterns of heatwaves during winter and spring 2023 and trends for the period 1979–2023 in central South America”, publicado na Frontiers in Climate, apresenta uma metodologia bem documentada e completa. A pesquisa analisou dados de temperatura máxima e mínima diária provenientes de 54 estações meteorológicas na América do Sul, cobrindo o período de 1979 a 2023. Os conjuntos de dados foram obtidos do Instituto Nacional de Meteorologia do Brasil (INMET), do Serviço Nacional de Meteorologia e Hidrologia da Bolívia (SENAMHI - senamhi.gob.bo), do Serviço Meteorológico Nacional da Argentina (SMN) e do Departamento de Meteorologia e Hidrologia do Paraguai (DMH). As ondas de calor foram definidas como períodos de pelo menos três dias consecutivos com temperaturas acima do 90º percentil histórico, definido pela World Meteorological Organization (WMO). Foram aplicados diversos índices (HWN, HWDI, HWMId), com cálculos baseados em métodos estatísticos como Theil-Sen e o teste de Mann-Kendall para análise de tendências. O estudo também utilizou dados de reanálise atmosférica ERA5 para investigar os padrões de circulação associados aos eventos extremos, além de considerar a interação entre calor extremo e seca, caracterizando eventos compostos. A metodologia de pesquisa foi descrita em detalhes, incluindo as fontes dos dados, os critérios de seleção e as etapas de análise, o que garante transparência, replicabilidade e rigor científico.

Metáfora científica

[editar | editar código]

Para esta etapa, reveja o conteúdo da aula sobre "A metáfora científica". No artigo da Pesquisa FAPESP selecionado, identifique quais foram as metáforas científicas ou cientificamente inspiradas utilizadas e justifique esse uso a partir das indicações da aula. Analise em que medida contribuem ou dificultam o entendimento da ciência. Esteja logado.

No texto da Pesquisa FAPESP, são usadas metáforas cientificamente inspiradas que ajudam a tornar a linguagem científica mais próxima do público. Um exemplo claro é a expressão “onda de calor”, que explica um conceito abstrato (aumento extremo e prolongado de temperatura) em utilizando de um conceito físico e visível (as ondas do mar). Essa metáfora segue o que Lakoff e Johnson chamam de metáfora cognitiva, pois nos permite entender um fenômeno complexo por meio de algo mais familiar.

Outras expressões como “bloqueio atmosférico” e “bolha de ar quente” também funcionam como metáforas visíveis, já que ajudam a construir imagens mentais sobre o fenômeno abstrato. “Bloqueio” traz a ideia de uma barreira que impede a entrada de frentes frias, e “bolha” remete a um acúmulo de calor isolado, facilitando a compreensão de como o calor se mantém por dias em certas regiões.

Essas metáforas contribuem para o entendimento da ciência porque ampliam as redes metafóricas cognitivas do público, permitindo que temas técnicos e abstratos sejam traduzidos em algo mais concreto.

Filosofia da ciência

[editar | editar código]

Para esta etapa, reveja o conteúdo da aula sobre "Ciência e Filosofia". Discorra sobre em que medida o artigo da Pesquisa FAPESP que você selecionou coloca questões filosóficas e apresente exemplos extraídos do texto. Esteja logado.

O artigo da Pesquisa FAPESP sobre as ondas de calor traz várias questões que se relacionam com a filosofia da ciência discutida na aula. Primeiro, o texto mostra como o conhecimento científico é construído com base na observação de dados, mas também está sempre sujeito à revisão, o que se conecta com o conceito de falseabilidade de Karl Popper. Por exemplo, ao comparar diferentes definições de “onda de calor” usadas por cientistas e por órgãos meteorológicos, o artigo mostra que os critérios podem variar, e isso abre espaço para novos questionamentos, ajustes e até mudanças de paradigma.

Além disso, o artigo também se relaciona à ciência normal e ciência extraordinária, proposta por Thomas Kuhn. O monitoramento contínuo do aumento das ondas de calor, baseado em décadas de dados, faz parte da ciência normal. Mas com a intensificação de eventos extremos, causado pelas mudanças climáticas, corrobora com a ideia de que o modelo atual talvez não seja mais suficiente para explicar tudo, apontando para a necessidade de novos métodos de medição e métricas.

Por fim, o artigo também destaca como a ciência é uma linguagem construída socialmente. A forma como se define uma “onda de calor” depende de decisões metodológicas e políticas, como qual período usar como referência e que percentil considerar.

Próximos passos

[editar | editar código]

Após concluir a atividade, clique no botão abaixo para ir para o próximo módulo do curso.

Referências