Ir para o conteúdo

Introdução ao Jornalismo Científico/Metodologia e Filosofia da Ciência/Atividade/Marianakehl

De Wikiversidade

Nome da atividade

[editar | editar código]

Esta seção apresenta a tarefa principal do Módulo 1 do curso de "Introdução ao Jornalismo Científico". A realização da tarefa é indispensável para o reconhecimento de participação no curso. Seu trabalho estará acessível, publicado no ambiente wiki, e será anexado ao certificado de realização do curso, quando finalizar todas as atividades. Tome cuidado de estar logado na Wikiversidade. Se não estiver logado, não será possível verificar o trabalho.

Descrição da atividade

[editar | editar código]

Atuar no jornalismo científico é às vezes comparado ao de ser um tradutor, no jargão da área da comunicação um 'tradutor intersemiótico', que passa a linguagem de um campo para o de outro campo. Nesta atividade, vamos observar e analisar como isso foi feito em uma das principais publicações acadêmicas brasileiras, a Pesquisa FAPESP.

Você deverá selecionar um artigo na revista Pesquisa FAPESP. Estão acessíveis na página principal da publicação. Escolha um artigo sobre um tema de pesquisa - ou seja, que seja baseado em uma ou mais de uma publicação científica - e leia-o com cuidado. Responda às perguntas que seguem.

As respostas deverão ser publicadas nesta página individual. Apenas altere os campos indicados.

Nome de usuário(a)

[editar | editar código]

Marianakehl

[editar | editar código]

Nesta seção, você deverá colocar os links da matéria selecionada. Esteja logado.

Resumo da matéria

[editar | editar código]

Para esta etapa, resuma a matéria em até 300 caracteres. Esteja logado.

O artigo aborda o impacto global da resistência bacteriana a antibióticos, alertando sobre a possibilidade de 39 milhões de mortes até o ano de 2050. Estudos científicos sobre o aumento da resistência, suas causas e estratégias para mitigar a crise, como o desenvolvimento de novos fármacos e políticas públicas eficazes são destacados.

Análise da matéria

[editar | editar código]

Para esta etapa, identifique e analise com base na matéria: o objeto e a metodologia (observação, hipótese, experimentação, análise e publicação) da pesquisa. Esteja logado.

Objeto da pesquisa: O estudo aborda a resistência bacteriana aos antibióticos. É evidenciada a evolução temporal das taxas de mortalidade associadas a infecções por patógenos resistentes e tendências futuras até 2050 são projetadas.

Metodologia:

• Observação: Coleta de dados sobre causas de morte, internações hospitalares, uso de antibióticos e perfis de resistência de 22 espécies bacterianas em 204 países e territórios entre 1990 e 2021.

• Hipótese: A resistência bacteriana aos antibióticos está aumentando globalmente e continuará a crescer, implicando um número significativo de mortes até 2050.

• Experimentação: Não aplicável, dado o caráter observacional e epidemiológico do estudo.

• Análise: Integração e modelagem estatística dos dados coletados para identificar tendências históricas e projetar cenários de mortalidade associada à resistência bacteriana.

• Publicação: Divulgação dos resultados na revista científica The Lancet, proporcionando acesso à comunidade científica e ao público em geral.

Análise da pesquisa

[editar | editar código]

Para esta etapa, acesse a(s) pesquisa(s) de origem, de base para o artigo na Pesquisa FAPESP, identifique e analise a seção metodológica. Em especial, explique em que medida o processo de pesquisa foi bem documentado no artigo que você selecionou. Esteja logado.

A pesquisa original, publicada na revista The Lancet, utilizou uma abordagem epidemiológica abrangente, combinando dados de diversas fontes para estimar a carga global da resistência bacteriana aos antibióticos. Foram analisados dados de mortalidade, internações hospitalares, consumo de antibióticos e perfis de resistência bacteriana ao longo de três décadas (1990-2021) em 204 países e territórios. Essa metodologia permitiu a identificação de tendências temporais e a projeção de cenários até 2050.

O artigo da Pesquisa FAPESP resume de forma eficaz os principais achados da pesquisa original, destacando: Aumento das mortes anuais por infecções resistentes: De 1,06 milhão em 1990 para 1,14 milhão em 2021; Projeções futuras: Estimativa de 1,91 milhão de óbitos anuais por infecções resistentes até 2050, totalizando 39,1 milhões de mortes entre 2025 e 2050; Impacto regional: Quase 10% dessas mortes previstas devem ocorrer na América Latina e no Caribe.

Embora o artigo publicado na Pesquisa FAPESP apresente de forma clara os resultados e as implicações do estudo, a seção metodológica é abordada de maneira sucinta. Não há descrição detalhada dos métodos de coleta e análise de dados utilizados na pesquisa original. Para uma compreensão mais minuciosa da metodologia empregada, o artigo publicado na The Lancet deve ser consultado diretamente.

Metáfora científica

[editar | editar código]

Para esta etapa, reveja o conteúdo da aula sobre "A metáfora científica". No artigo da Pesquisa FAPESP selecionado, identifique quais foram as metáforas científicas ou cientificamente inspiradas utilizadas e justifique esse uso a partir das indicações da aula. Analise em que medida contribuem ou dificultam o entendimento da ciência. Esteja logado.

O artigo utiliza metáforas cientificamente inspiradas para descrever a crise relativa à resistência bacteriana. Essas metáforas ajudam a traduzir conceitos científicos complexos para o público leigo, permitindo melhor compreensão do tema.

Metáforas identificadas no artigo:

“Corrida contra o tempo” | Essa metáfora sugere uma competição entre a ciência (desenvolvimento de novos antibióticos e estratégias de combate) e a evolução da resistência bacteriana. Ela traduz a urgência da situação e enfatiza a necessidade de ação rápida, mapeando um conceito abstrato (tempo) em um domínio concreto (corrida, competição).

“Superbactérias” | O termo “superbactérias” refere-se a bactérias resistentes a múltiplos antibióticos. Esse uso metafórico dá uma conotação “mítica” a esses microrganismos, reforçando sua capacidade de “superar” os desafios impostos pelos medicamentos convencionais. A metáfora facilita a memorização do conceito, mas pode ser problemática ao sugerir que essas bactérias são invencíveis, o que não é algo rigoroso do ponto de vista científico.

“Bomba-relógio da resistência” | Essa metáfora sugere que a disseminação da resistência bacteriana está em contagem regressiva para um colapso iminente, remetendo à ideia de um perigo crescente que, se não for controlado, levará a um desastre global.

“Epidemia silenciosa” | O artigo faz uso dessa expressão para descrever como a resistência antimicrobiana avança sem chamar tanta atenção quanto outras emergências de saúde pública. Essa metáfora remete à noção de doenças infecciosas tradicionais, ajudando a visualizar a gravidade do problema.


De acordo com a teoria de Lakoff e Johnson (1980), metáforas são essenciais para a cognição, pois nos permitem entender conceitos abstratos por meio de experiências concretas. No artigo analisado, o uso de metáforas transforma a resistência bacteriana em um problema tangível, permitindo que leitores sem formação científica compreendam melhor o tema e sua seriedade.

As metáforas “corrida contra o tempo” e “bomba-relógio” são exemplos de metáforas derivadas da física mecânica, amplamente utilizadas em discursos jornalísticos para expressar dinâmicas sociais e científicas. Já “superbactérias” e “epidemia silenciosa” derivam de metáforas biológicas e epidemiológicas, aproximando o fenômeno da resistência bacteriana de eventos já conhecidos, como pandemias.

O uso de metáforas pode gerar tanto contribuições quanto desafios para a divulgação científica. Entre os benefícios, destaca-se a facilitação da compreensão e assimilação do tema pelo público geral, tornando a questão da resistência bacteriana mais acessível. Além disso, as metáforas aumentam o impacto emocional e o engajamento do público leitor, conferindo maior concretude e urgência ao problema. No entanto, o uso metafórico também traz limitações. Algumas expressões podem induzir interpretações imprecisas, como a ideia de que “superbactérias” são indestrutíveis, o que não condiz com os dados científicos. Além disso, metáforas alarmistas, como “bomba-relógio”, podem gerar medo excessivo sem necessariamente oferecer soluções concretas. Dessa forma, embora o artigo empregue recursos eficazes para traduzir conceitos científicos de maneira acessível, é fundamental equilibrar a força comunicativa das metáforas com a precisão científica, evitando distorções que possam comprometer a real compreensão do problema.

Filosofia da ciência

[editar | editar código]

Para esta etapa, reveja o conteúdo da aula sobre "Ciência e Filosofia". Discorra sobre em que medida o artigo da Pesquisa FAPESP que você selecionou coloca questões filosóficas e apresente exemplos extraídos do texto. Esteja logado.

O artigo apresenta diversas questões filosóficas relacionadas à ciência, sobretudo no que se refere à mudança de paradigmas científicos, à falseabilidade popperiana e ao papel da ciência na sociedade. Segundo Karl Popper, a ciência avança ao propor hipóteses que podem ser refutadas por novas evidências. No caso da resistência bacteriana, durante décadas, acreditava-se que os antibióticos poderiam erradicar infecções bacterianas de forma definitiva. No entanto, a evolução dos microrganismos e o desenvolvimento da resistência desafiam esse paradigma, como ilustra o trecho do artigo: “A resistência bacteriana já está crescendo e pode se tornar a principal causa de morte no mundo até 2050, superando doenças cardiovasculares e câncer”. Esse questionamento sobre a eficácia dos antibióticos a longo prazo indica a necessidade de revisão do conhecimento estabelecido sobre seu potencial de tratamento.

A questão da mudança de paradigmas científicos, conforme proposta por Thomas Kuhn, também pode ser situada no artigo. Kuhn argumentava que a ciência opera dentro de paradigmas estáveis até que evidências acumuladas tornem insustentável a manutenção desses modelos, levando a uma revolução científica. O artigo sugere que estamos diante de um momento de crise no tratamento de infecções bacterianas, o que exige novas abordagens terapêuticas. Essa perspectiva é reforçada pela afirmação de que “A Organização Mundial da Saúde (OMS) já considera a resistência antimicrobiana uma das dez principais ameaças à saúde global e pede investimentos urgentes para evitar essa crise”. Esse cenário indica que a medicina pode estar migrando para um momento de “ciência extraordinária”, no sentido kuhniano, em que novos paradigmas serão necessários para combater infecções de maneira eficaz.

Outro aspecto relevante é a ideia de que a ciência não é apenas um reflexo objetivo da realidade, mas um processo socialmente construído. O artigo reforça essa noção ao demonstrar como fatores políticos e econômicos influenciam diretamente a pesquisa científica e o agravamento da resistência bacteriana. A falta de investimentos na pesquisa de novos antibióticos, por exemplo, é destacada como um obstáculo significativo ao avanço da ciência. O trecho “A falta de investimentos na pesquisa de novos antibióticos, devido ao baixo retorno financeiro para a indústria farmacêutica, agrava o problema” evidencia que o progresso científico não ocorre exclusivamente com base em fatores empíricos, mas está condicionado a decisões políticas e econômicas.

Além disso, a questão ética e a responsabilidade científica são temas centrais na discussão sobre a resistência bacteriana. O uso indiscriminado de antibióticos, tanto na medicina quanto na pecuária, contribuiu para o agravamento do problema, levantando questionamentos sobre as consequências inesperadas do desenvolvimento tecnológico. O artigo destaca essa preocupação ao afirmar que “O uso indiscriminado de antibióticos em animais de criação tem acelerado a disseminação de genes de resistência”. Essa reflexão sugere que a aplicação irresponsável do conhecimento científico pode gerar efeitos colaterais severos, exigindo um debate filosófico sobre os limites da intervenção humana no meio biológico.

Dessa forma, pode-se dizer que o artigo está inserido em um contexto filosófico ao demonstrar que a ciência está em constante transformação, que seus paradigmas podem ser questionados e que a produção científica não ocorre de maneira isolada, mas configura-se também como desdobramento de forças sociais, econômicas e políticas. Essas questões tornam a resistência bacteriana não apenas um problema biomédico, mas também um tema de reflexão filosófica sobre os limites e as responsabilidades da ciência.

Próximos passos

[editar | editar código]

Após concluir a atividade, clique no botão abaixo para ir para o próximo módulo do curso.

Referências