Introdução ao Jornalismo Científico/Metodologia e Filosofia da Ciência/Atividade/Mia Schezaro-Ramos
Nome da atividade
[editar | editar código]Esta seção apresenta a tarefa principal do Módulo 1 do curso de "Introdução ao Jornalismo Científico". A realização da tarefa é indispensável para o reconhecimento de participação no curso. Seu trabalho estará acessível, publicado no ambiente wiki, e será anexado ao certificado de realização do curso, quando finalizar todas as atividades. Tome cuidado de estar logado na Wikiversidade. Se não estiver logado, não será possível verificar o trabalho.
Descrição da atividade
[editar | editar código]Atuar no jornalismo científico é às vezes comparado ao de ser um tradutor, no jargão da área da comunicação um 'tradutor intersemiótico', que passa a linguagem de um campo para o de outro campo. Nesta atividade, vamos observar e analisar como isso foi feito em uma das principais publicações acadêmicas brasileiras, a Pesquisa FAPESP.
Você deverá selecionar um artigo na revista Pesquisa FAPESP. Estão acessíveis na página principal da publicação. Escolha um artigo sobre um tema de pesquisa - ou seja, que seja baseado em uma ou mais de uma publicação científica - e leia-o com cuidado. Responda às perguntas que seguem.
As respostas deverão ser publicadas nesta página individual. Apenas altere os campos indicados.
Nome de usuário(a)
[editar | editar código]Mia Schezaro-Ramos
Link para a matéria selecionada
[editar | editar código]Nesta seção, você deverá colocar os links da matéria selecionada. Esteja logado.
- Título de matéria: Vacina contra o HPV diminui em 58% os casos de câncer de colo do útero e em 67% os de lesões pré-tumorais
- Autoria de matéria: Giselle Soares
- Link de matéria: https://revistapesquisa.fapesp.br/vacina-contra-o-hpv-diminui-em-58-os-casos-de-cancer-de-colo-do-utero-e-em-67-os-de-lesoes-pre-tumorais/
Resumo da matéria
[editar | editar código]Para esta etapa, resuma a matéria em até 300 caracteres. Esteja logado.
Estudo publicado na The Lancet Global Health mostra que a vacinação contra o HPV no Brasil, disponível desde 2014, reduziu em 58% os casos de câncer de colo do útero e em 67% as lesões pré-tumorais entre mulheres de 20 a 24 anos. Os dados mostram o forte impacto da imunização na prevenção da doença.
Análise da matéria
[editar | editar código]Para esta etapa, identifique e analise com base na matéria: o objeto e a metodologia (observação, hipótese, experimentação, análise e publicação) da pesquisa. Esteja logado.
O objeto de pesquisa foi o impacto da vacinação contra o HPV na redução de casos de câncer de colo do útero e lesões pré-tumorais em mulheres brasileiras entre 20 e 24 anos. Os pesquisadores investigaram como a vacina altera a incidência dessas doenças na população após a implementação da vacinação no SUS em 2014.
O estudo usou metodologia típica da epidemiologia observacional e análise de dados secundários:
- Observação. Os pesquisadores analisaram registros de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS), avaliando diagnósticos de câncer cervical e lesões pré-cancerosas registrados entre 2019 e 2023 em cerca de 16 milhões de mulheres dessa faixa etária. A seguir, identificaram quatro grupos de mulheres com diferentes exposições à vacina (conforme ano de nascimento e elegibilidade à vacinação) para comparar as taxas de doença entre vacinadas e não vacinadas.
- Análise. Para averiguar se as diferenças observadas estavam relacionadas à vacinação e não à melhoria geral dos serviços de saúde, os pesquisadores compararam a incidência de câncer de mama entre os grupos. Já que o câncer de mama não é afetado pela vacina, se houvesse queda nos casos semelhante à observada nos de colo do útero indicaria que o sistema de detecção melhorou e, assim, o efeito não foi decorrente da vacinação contra o HPV. Observaram que não houve redução semelhante, apoiando a hipótese de que a queda no câncer cervical está associada à vacinação.
- Publicação. Os resultados foram publicados na revista científica The Lancet Global Health em outubro de 2025, após revisão por pares.
Análise da pesquisa
[editar | editar código]Para esta etapa, acesse a(s) pesquisa(s) de origem, de base para o artigo na Pesquisa FAPESP, identifique e analise a seção metodológica. Em especial, explique em que medida o processo de pesquisa foi bem documentado no artigo que você selecionou. Esteja logado.
O artigo da revista Pesquisa FAPESP apresenta o processo da pesquisa, ainda que de forma mais sucinta. A matéria descreve os principais pontos referentes a: tipo de estudo; fontes dos dados; definição de grupos; análise estatística; sensibilidade e validação.
No entanto, a matéria não documenta ou explica alguns elementos metodológicos descritos no artigo original: detalhamento dos modelos estatísticos usados; não indica que houve ajuste por ano calendário, idade e trimestre do diagnóstico; por fim, a matéria não menciona as análises de sensibilidade com base de internações hospitalares.
Assim o artigo da revista Pesquisa FAPESP consegue apresentar de forma clara o processo da pesquisa, deixando de mencionar pormenores metodológicos com maior importância para pesquisadores da área.
Metáfora científica
[editar | editar código]Para esta etapa, reveja o conteúdo da aula sobre "A metáfora científica". No artigo da Pesquisa FAPESP selecionado, identifique quais foram as metáforas científicas ou cientificamente inspiradas utilizadas e justifique esse uso a partir das indicações da aula. Analise em que medida contribuem ou dificultam o entendimento da ciência. Esteja logado.
A matéria não usa metáforas explícitas para explicar conceitos abstratos e/ou complexos. No entanto, há algumas metáforas mais discretas.
A matéria associa vacinação com “proteção”, deixando implícito que o corpo é um sistema ameaçado e a vacina é uma barreira protetora contra o câncer. A metáfora pode criar a ideia de um mecanismo direto e quase mecânico de ação, enquanto na verdade a vacina não age contra o câncer, mas contra subtipos do HPV. Essa metáfora aparece para simplificar a informação, tornando-a mais direta e acessível. Já que o objeto de pesquisa é a relação entre vacinação e câncer, estabelecer relação direta entre os dois torna o texto mais fácil de ser compreendido que explicar toda a complexidade dos eventos entre eles.
Outra metáfora é usada ao dizer que “O câncer de colo do útero, ou câncer cervical, é o terceiro mais comum entre as brasileiras [...], ele só fica atrás dos tumores de mama e colorretal”. Ao usar “fica atrás”, remete-se uma competição/corrida entre os tipos de câncer. Essa metáfora é usada para ilustrar dados estatísticos, sem grandes riscos de atrapalhar a compreensão da informação científica.
Filosofia da ciência
[editar | editar código]Para esta etapa, reveja o conteúdo da aula sobre "Ciência e Filosofia". Discorra sobre em que medida o artigo da Pesquisa FAPESP que você selecionou coloca questões filosóficas e apresente exemplos extraídos do texto. Esteja logado.
Considerando que um mediador crítico deve contextualizar resultados, a matéria obteve sucesso ao trazer o cenário da vacinação contra HPV no Brasil, comparando com outros países e com metas estabelecidas para OMS. Além do mais, a matéria ainda traz outras pesquisas anteriores sobre o mesmo assunto, assim como uma pesquisa a qual tiveram acesso antes da publicação (sempre relacionando a pesquisa principal da matéria com as demais).
Outra atividade importante de um mediador crítico é mostrar dúvidas e limites sem sensacionalismo. Quanto a este ponto, a matéria cumpre a função ao não prometer erradicação do câncer e mantém um tom informativo, deixando claro que os resultados ainda estão bem distantes das metas estabelecidas pela OMS para até 2030. Isso fica claro pelo seguinte trecho: “Após um período inicial de taxa de imunização exemplar, em que a quase totalidade das garotas elegíveis receberam o imunizante, a cobertura vacinal contra o HPV caiu a partir de 2018 e, mais recentemente, estabilizou-se na faixa dos 80%, abaixo da meta estabelecida pela OMS”.
Outra ação importante para um mediador crítico é investigar relações entre ciência, poder e sociedade. A matéria discute satisfatoriamente essas relações ao abordar a “hesitação vacinal”, trazendo que ocorre por diversos fatores: desinformação, fake news, crenças religiosas, valores morais e ideologias. Um bom exemplo extraído do texto para sustentar esse ponto é a fala da médica sanitarista Camila Carvalho Matos, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) no campus de Araranguá: “No caso do HPV, entram ainda fatores como crenças religiosas, valores morais e ideologias. A decisão de não se vacinar, portanto, não se resolve apenas com mais informação. É preciso compreender o contexto cultural e simbólico dessas escolhas, e não tratar a hesitação como simples falta de conhecimento”.
Por fim, o mediador crítico deve aproximar o público dos bastidores da produção científica. Este é um ponto mais frágil da matéria como mediadora crítica. A matéria faz menção a pesquisadores, instituições e a publicação em uma revista científica de prestígio. No entanto, não aparece: como os dados foram tratados; por que certos métodos foram escolhidos; quais debates internos da pesquisa; quais as incertezas enfrentadas pelos autores; se existem alternativas metodológicas descartadas.
Próximos passos
[editar | editar código]Após concluir a atividade, clique no botão abaixo para incluí-la na listagem do módulo.