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Introdução ao Jornalismo Científico/Metodologia e Filosofia da Ciência/Atividade/Tflassali

De Wikiversidade

Nome da atividade

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Esta seção apresenta a tarefa principal do Módulo 1 do curso de "Introdução ao Jornalismo Científico". A realização da tarefa é indispensável para o reconhecimento de participação no curso. Seu trabalho estará acessível, publicado no ambiente wiki, e será anexado ao certificado de realização do curso, quando finalizar todas as atividades. Tome cuidado de estar logado na Wikiversidade. Se não estiver logado, não será possível verificar o trabalho.

Descrição da atividade

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Atuar no jornalismo científico é às vezes comparado ao de ser um tradutor, no jargão da área da comunicação um 'tradutor intersemiótico', que passa a linguagem de um campo para o de outro campo. Nesta atividade, vamos observar e analisar como isso foi feito em uma das principais publicações acadêmicas brasileiras, a Pesquisa FAPESP.

Você deverá selecionar um artigo na revista Pesquisa FAPESP. Estão acessíveis na página principal da publicação. Escolha um artigo sobre um tema de pesquisa - ou seja, que seja baseado em uma ou mais de uma publicação científica - e leia-o com cuidado. Responda às perguntas que seguem.

As respostas deverão ser publicadas nesta página individual. Apenas altere os campos indicados.

Nome de usuário(a)

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Tflassali

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Nesta seção, você deverá colocar os links da matéria selecionada. Esteja logado.

Resumo da matéria

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Para esta etapa, resuma a matéria em até 300 caracteres. Esteja logado.

A matéria retrata diversas abordagens sobre a produção artística feita por pacientes de hospitais psiquiátricos. A utilização de atividades artísticas como abordagem terapêutica não-agressiva ocorre no Brasil desde o século XIX, conforme aponta a pesquisadora Cristiana Facchinetti, por influência do intercâmbio de médicos brasileiros em instituições psiquiátricas europeias. Ainda assim, foi apenas no século XX que as artes produzidas por internos ganhou real relevância no país, por meio dos médicos Osório Cesar e Nise da Silveira. Em 1949, o Museu de Arte Moderna de São Paulo realizou uma exposição com as obras dos pacientes de Nise, algo inovador no mundo todo. Segundo o pesquisador Eurípedes Gomes Cruz Júnior, transformar a produção realizada por internos de instituições psiquiátricas em obras de museu promoveu mudanças na percepção da sociedade brasileira sobre a situação dessas pessoas, além de dar mais força aos movimentos de luta antimanicomial. Apesar disso, a pesquisadora Kaira Cabañas aponta que os artistas-pacientes pouco tiveram sua realidade social modificada pela inclusão de suas obras em museus e coleções artísticas. Caso, por exemplo, de Arthur Bispo do Rosário e Aurora Cursino dos Santos, que mesmo sendo hoje reconhecidos como artistas, sofreram de mazelas sociais.

Análise da matéria

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Para esta etapa, identifique e analise com base na matéria: o objeto e a metodologia (observação, hipótese, experimentação, análise e publicação) da pesquisa. Esteja logado.

O objeto das pesquisas em questão na matéria são as criações artísticas de pacientes psiquiátricos. As várias pesquisas tem em comum terem sido feitas utilizando como metodologia a pesquisa em arquivos. Elas partem da observação de que existe toda uma produção artística criada por pacientes psiquiátricos e tem como hipótese que esse trabalho realizado pelos internos, apesar de valorizados em certo âmbito, não são valorizados no geral, com muitos desses artistas não sendo assim considerados em vida. A análise conclui que o espaço para a produção artística de pacientes psiquiátricos ainda é restrito, ainda que de suma importância, e que o grau de valorização da criação deles depende de diversas variáveis. A publicação das pesquisas relatadas na matéria se deu por meio de artigos científicos e de livros.

Análise da pesquisa

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Para esta etapa, acesse a(s) pesquisa(s) de origem, de base para o artigo na Pesquisa FAPESP, identifique e analise a seção metodológica. Em especial, explique em que medida o processo de pesquisa foi bem documentado no artigo que você selecionou. Esteja logado.

As pesquisas de origem tratadas pela reportagem tem como metodologias a coleta de documentos encontrados em arquivos e museus, a realização de entrevistas com sujeitos relevantes para o assunto estudado e a observação participante de atividades atuais nos museus relevantes para o objeto de estudo. Tais metodologias são descritas muito rapidamente na versão escrita da reportagem em questão, com foco maior na coleta de documentos em instituições de salvaguarda. Ao mesmo tempo, a reportagem se utiliza da entrevista direta com os autores dos livros e artigos citados, com excertos disponibilizados em formato de áudio no decorrer do corpo do texto. Em tais excertos, os pesquisadores tem mais espaço para descrever não apenas o assunto em questão, mas os meandros de suas pesquisas, incluindo aí questões metodológicas. Por um lado, a inclusão de tais passagens em formato de áudio é salutar porque auxilia que o público da revista entre em contato com metodologias bastante típicas das pesquisas das ciências humanas. Por outro, entretanto, a escolha por aprofundar tais questões apenas nos excertos em áudio dificulta a difusão de informações importantes relacionadas às pesquisas. Muitas vezes, quem acessa a reportagem pode não ter disponibilidade para ouvir áudio no momento da leitura ou mesmo ter dificuldades com o meio de difusão em questão.

Metáfora científica

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Para esta etapa, reveja o conteúdo da aula sobre "A metáfora científica". No artigo da Pesquisa FAPESP selecionado, identifique quais foram as metáforas científicas ou cientificamente inspiradas utilizadas e justifique esse uso a partir das indicações da aula. Analise em que medida contribuem ou dificultam o entendimento da ciência. Esteja logado.

A reportagem lança mão de algumas metáforas científicas, tais como “movimentos sociais”, “movimentos artísticos”, “[o acervo] ganhou musculatura” e “cair no ostracismo”. O uso de tais metáforas se justifica pela proximidade que os termos empregados já tem com o uso corrente da língua portuguesa no cotidiano. “Movimentos sociais/artísticos” são ensinados nas aulas de história, por exemplo, e muitas vezes são objeto de debate público quando suas atividades ganham relevância. Da mesma forma, “cair no ostracismo” faz referência à perda de poderes políticos que ocorria com alguns sujeitos na cidade-estado de Atenas, na Grécia Antiga. Entretanto, esse termo se tornou comum para significar a relegação de algo ou alguém ao esquecimento. Os exemplos tratados até aqui contribuem para o entendimento da ciência porque se apropriam de ideias que já são de uso cotidiano socialmente. Já “ganhar musculatura”, no contexto da reportagem, significa que o acervo ao qual se faz referência se tornou maior, tal como quando se exercita os músculos para que eles cresçam. Na minha opinião, a metáfora, entretanto, não contribui para o entendimento do que se é dito porque imediatamente após a utilização do termo se torna necessário explicar em que medida o tal acervo “ganhou musculatura”, oferecendo dados concretos que não podem ser compreendidos apenas com a utilização da metáfora, demonstrando que não necessariamente haverá uma compreensão rápida e fácil por parte do leitor.

Filosofia da ciência

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Para esta etapa, reveja o conteúdo da aula sobre "Ciência e Filosofia". Discorra sobre em que medida o artigo da Pesquisa FAPESP que você selecionou coloca questões filosóficas e apresente exemplos extraídos do texto. Esteja logado.

A reportagem selecionada aborda pesquisas que lidam com obras de arte cujo estatuto artístico muitas vezes se encontra em disputa. Em outras palavras, a base filosófica que constrói o fio condutor do texto diz respeito a seguinte pergunta: o que é arte? Essa pergunta é tão fundamental e complexa quanto aquelas relacionadas à compreensão do que é ciência e do que a diferencia do senso comum. Se a falseabilidade e a utilização de metodologias coletivamente referendadas nos ajuda a construir essa diferenciação, a questão ao redor do estatuto da arte não necessariamente tem respostas tão afirmativas. O artigo, entretanto, se ocupa menos em oferecer um norte para essa discussão e mais em relatar, por um lado, o uso da arte no cuidado com pacientes psiquiátricos, e, por outro, as instâncias consagradoras do que se considera uma obra artística nos século XIX e XX. Em relação ao primeiro exemplo, pode-se citar o momento em que a repórter cita a importância dos médicos Osório Cesar e Nise da Silveira ao reconhecer “o valor terapêutico e estético” da produção de seus pacientes. Já quanto ao segundo, em diversas passagens cita-se a alocação das obras produzidas pelos internos em museus e instituições artísticas, como quando a repórter escreve que Cesar “organizou uma exposição de trabalhos de pacientes psiquiátricos (…) no Clube dos Artistas Modernos (CAM)”. Ou então, ao citar a pesquisadora Kaira Cabañas, diz que “já em 1949, o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP) expôs as obras dos pacientes de Nise”. Ou ainda ao apontar, conforme a argumentação de Eurípedes Gomes Cruz Junior, que “a musealização das coleções psiquiátricas promoveu mudanças na percepção da sociedade brasileira sobre a loucura”. Assim, a resposta que se obtém sobre “o que é arte” é tautológica: é arte aquilo que é considerado coletivamente arte.

Próximos passos

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Após concluir a atividade, clique no botão abaixo para ir para o próximo módulo do curso.

Referências