Introdução ao Jornalismo Científico/Metodologia e Filosofia da Ciência/Atividade/Thiago.auer
Nome da atividade
[editar | editar código]Esta seção apresenta a tarefa principal do Módulo 1 do curso de "Introdução ao Jornalismo Científico". A realização da tarefa é indispensável para o reconhecimento de participação no curso. Seu trabalho estará acessível, publicado no ambiente wiki, e será anexado ao certificado de realização do curso, quando finalizar todas as atividades. Tome cuidado de estar logado na Wikiversidade. Se não estiver logado, não será possível verificar o trabalho.
Descrição da atividade
[editar | editar código]Atuar no jornalismo científico é às vezes comparado ao de ser um tradutor, no jargão da área da comunicação um 'tradutor intersemiótico', que passa a linguagem de um campo para o de outro campo. Nesta atividade, vamos observar e analisar como isso foi feito em uma das principais publicações acadêmicas brasileiras, a Pesquisa FAPESP.
Você deverá selecionar um artigo na revista Pesquisa FAPESP. Estão acessíveis na página principal da publicação. Escolha um artigo sobre um tema de pesquisa - ou seja, que seja baseado em uma ou mais de uma publicação científica - e leia-o com cuidado. Responda às perguntas que seguem.
As respostas deverão ser publicadas nesta página individual. Apenas altere os campos indicados.
Nome de usuário(a)
[editar | editar código]Thiago.auer
Link para a matéria selecionada
[editar | editar código]Nesta seção, você deverá colocar os links da matéria selecionada. Esteja logado.
- Título de matéria: Gás da floresta amazônica e tempestades de raios aceleram formação de nuvens
- Autoria de matéria: Marcos Pivetta
- Link de matéria: https://revistapesquisa.fapesp.br/gas-da-floresta-amazonica-e-tempestades-de-raios-aceleram-formacao-de-nuvens/
Resumo da matéria
[editar | editar código]Para esta etapa, resuma a matéria em até 300 caracteres. Esteja logado.
Pesquisadores identificaram um mecanismo que explica a grande quantidade de aerossóis na alta atmosfera da Amazônia, fundamental para a formação de nuvens e chuvas. Dois estudos publicados na Nature revelam que o isopreno, um composto orgânico emitido pelas árvores da floresta, desempenha papel central nesse processo.
Durante o dia, o isopreno se degrada rapidamente, mas à noite, as moléculas liberadas escapam desse destino e são levadas a altitudes entre 10 e 15 km por tempestades noturnas. Nessas condições, onde a temperatura é inferior a -30°C, o isopreno reage com óxidos de nitrogênio, acelerando em 100 vezes a produção de aerossóis. Esse fenômeno foi observado em sobrevoos na Amazônia realizados pelo projeto Cafe-Brazil e posteriormente reproduzido em laboratório no CERN, na Suíça.
As descobertas ajudam a esclarecer medições feitas há 20 anos, que apontavam concentrações de aerossóis na alta atmosfera até 160 vezes maiores que na superfície, sem explicação até então. Além de serem essenciais para a formação das chuvas, esses aerossóis influenciam parâmetros climáticos globais.
Os resultados sugerem que processos semelhantes podem ocorrer em outras florestas tropicais, como no Congo e no Sudeste Asiático. Estima-se que a vegetação global libere 600 milhões de toneladas de isopreno anualmente, sendo a Amazônia responsável por mais de um quarto dessas emissões.
Análise da matéria
[editar | editar código]Para esta etapa, identifique e analise com base na matéria: o objeto e a metodologia (observação, hipótese, experimentação, análise e publicação) da pesquisa. Esteja logado.
O estudo investiga o papel do isopreno, um composto orgânico volátil emitido pelas árvores da Amazônia, na formação de aerossóis em altas altitudes e sua influência na formação de nuvens e chuvas. O foco é compreender como esses aerossóis se formam e são transportados globalmente, impactando processos climáticos. Há 20 anos, pesquisadores identificaram concentrações anômalas de aerossóis na alta atmosfera da Amazônia, 160 vezes maiores do que as próximas à superfície, sem explicação clara sobre sua origem. Além disso, observou-se que as árvores emitem isopreno como mecanismo de defesa térmica. A partir dessas observações, formulou-se a hipótese de que o isopreno emitido pelas árvores seria transportado por tempestades para altitudes elevadas, onde, devido às baixas temperaturas, reagiria com óxidos de nitrogênio liberados por raios, acelerando a formação de aerossóis. Para testar essa hipótese, foram realizadas medições atmosféricas na Amazônia entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023, utilizando o avião Halo do Centro Aeroespacial Alemão, que coletou dados sobre a composição química do ar em diferentes altitudes. Além disso, no laboratório do CERN, a câmara Cloud foi usada para simular as condições atmosféricas e investigar a interação do isopreno com outras moléculas. A análise dos dados confirmou que o isopreno emitido à noite sobrevive até alcançar a alta atmosfera e que sua interação com óxidos de nitrogênio acelera em 100 vezes a formação de aerossóis, explicando o aumento inesperado dessas partículas na região. Esse mecanismo, além de ocorrer na Amazônia, pode estar presente em outras florestas tropicais, desempenhando um papel fundamental na dinâmica atmosférica global. Os resultados da pesquisa foram publicados na revista Nature, destacando a importância do isopreno no ciclo das chuvas e sua influência no clima do planeta.
Análise da pesquisa
[editar | editar código]Para esta etapa, acesse a(s) pesquisa(s) de origem, de base para o artigo na Pesquisa FAPESP, identifique e analise a seção metodológica. Em especial, explique em que medida o processo de pesquisa foi bem documentado no artigo que você selecionou. Esteja logado.
Os estudos "Isoprene nitrates drive new particle formation in Amazon's upper troposphere" e "New particle formation from isoprene under upper-tropospheric conditions" investigaram como o isopreno, emitido pela vegetação amazônica, contribui para a formação de partículas na alta troposfera. Para explorar esse fenômeno, os pesquisadores combinaram medições atmosféricas diretas com experimentos controlados em laboratório. Utilizando aeronaves equipadas com instrumentos avançados, foram coletadas amostras de ar na alta troposfera amazônica, permitindo a detecção e quantificação de nitratos de isopreno e outras espécies químicas relevantes. Paralelamente, em instalações como a câmara CLOUD no CERN, foram recriadas condições atmosféricas da alta troposfera para observar diretamente a formação de novas partículas a partir do isopreno em presença de óxidos de nitrogênio. Os artigos fornecem uma descrição detalhada dos métodos empregados, detalhando os instrumentos utilizados, as altitudes específicas das coletas e os parâmetros medidos, assegurando a reprodutibilidade dos resultados. Além disso, descrevem as condições controladas nos experimentos laboratoriais, incluindo concentrações de reagentes, temperaturas e pressões, permitindo que outros pesquisadores possam replicar os estudos. Também explicam as técnicas estatísticas e computacionais empregadas para interpretar os dados, garantindo transparência nos procedimentos analíticos. A combinação de medições in situ com experimentos laboratoriais controlados fortalece a validade dos achados, e a documentação minuciosa em ambos os artigos assegura que o processo de pesquisa seja compreensível e replicável por outros cientistas na área.
Metáfora científica
[editar | editar código]Para esta etapa, reveja o conteúdo da aula sobre "A metáfora científica". No artigo da Pesquisa FAPESP selecionado, identifique quais foram as metáforas científicas ou cientificamente inspiradas utilizadas e justifique esse uso a partir das indicações da aula. Analise em que medida contribuem ou dificultam o entendimento da ciência. Esteja logado.
No artigo "Gás da floresta amazônica e tempestades de raios aceleram formação de nuvens", algumas metáforas científicas ou inspiradas na ciência foram utilizadas para descrever os fenômenos atmosféricos analisados. Um exemplo marcante é a ideia de que os compostos emitidos pela floresta atuam como "gatilhos" para a formação de novas partículas na atmosfera. Essa metáfora remete a um mecanismo de ativação, sugerindo que a presença desses gases inicia um processo em cadeia que culmina na formação de nuvens.
Outra metáfora relevante é a descrição dos nitratos de isopreno como "peças-chave" na formação de partículas atmosféricas. Esse termo remete à ideia de um mecanismo estruturado, no qual certos elementos desempenham papéis fundamentais para que o sistema funcione corretamente. Além disso, o artigo sugere que as tempestades de raios "turbinam" a formação dessas partículas, utilizando um termo derivado da engenharia mecânica para transmitir a noção de aceleração ou intensificação do processo.
Essas metáforas cumprem um papel importante ao tornar conceitos científicos complexos mais acessíveis ao público, permitindo que leitores não especializados compreendam os impactos das interações entre a floresta e a atmosfera. No entanto, conforme discutido na aula sobre metáforas científicas, elas também podem introduzir simplificações excessivas. O uso de termos como "gatilho" pode dar a impressão de que a relação entre os compostos e a formação de nuvens é determinística, quando na verdade envolve processos complexos e multifatoriais.
Filosofia da ciência
[editar | editar código]Para esta etapa, reveja o conteúdo da aula sobre "Ciência e Filosofia". Discorra sobre em que medida o artigo da Pesquisa FAPESP que você selecionou coloca questões filosóficas e apresente exemplos extraídos do texto. Esteja logado.
O artigo "Gás da floresta amazônica e tempestades de raios aceleram formação de nuvens" levanta questões filosóficas, principalmente relacionadas à epistemologia, ao processo científico e às implicações sociais. Ele questiona como o conhecimento científico é produzido e validado ao observar a interação entre raios e compostos da floresta amazônica. A descoberta de que esses gases aceleram a formação de nuvens desafia o entendimento pré-existente sobre fenômenos atmosféricos, sugerindo uma possível mudança de paradigma, conforme a teoria de Thomas Kuhn.
Além disso, o artigo aborda a interpretação dos dados científicos, refletindo sobre a objetividade e a validação do conhecimento. A pesquisa também provoca reflexões éticas sobre o impacto ambiental da atividade humana na Amazônia e sobre o papel da ciência na promoção de um desenvolvimento sustentável. Assim, o estudo vai além da descrição de fenômenos naturais, convidando a uma reflexão filosófica sobre o papel da ciência no entendimento e preservação do meio ambiente.
Próximos passos
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